À BEIRA DO TANQUE…

“Achava-se ali um homem que, havia trinta e oito anos, estava enfermo” – João 5.5

Por que a precisão de João em dizer que o homem estava enfermo há trinta e oito anos, ainda mais quando os judeus apreciavam números redondos, e quarenta era um número com idéia de algo completo? Porque este foi o tempo que Israel passou no deserto: exatamente trinta e oito anos. O homem é um símbolo de Israel.

A multidão ao redor do tanque se compunha de “enfermos, cegos, mancos e paralíticos” (v. 3, Almeida Século 21). Quando o messias viesse, diziam os judeus, os cegos veriam, os surdos ouviriam, os paralíticos saltariam e os mudos falariam. Baseavam-se em Isaías 35.5-6, um texto que fala de águas e ribeiros. Na teologia dos hebreus, a vinda do messias se ligava a curas de cegos, surdos, mudos e paralíticos. Então, Jesus cura um paralítico, anunciando que o messias chegou.

A pergunta de Jesus é intrigante: “Queres ser curado?” (v. 6). Pergunta desnecessária. Obviamente ele queria. Senão não estaria ali. Mas Jesus espera que o homem externe sua vontade. E ele não externa! Se a pergunta do Senhor parece sem sentido, a resposta do homem é mais sem sentido: “Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que, ao ser agitada a água, me ponha no tanque; assim, enquanto eu vou, desce outro antes de mim” (v. 7). Não fora isso que Jesus perguntara.

Entendemos o que está sendo mostrado aqui? Primeiro: o messias chegou. Ele está no seu ambiente: águas. Com seu público, os carentes. O messias de Deus, Jesus de Nazaré, veio para os carentes e veio para cumprir o que Deus dissera, em sua Palavra. Segundo: o messias procura estimular os carentes à fé. Toca na necessidade deles. O homem queria andar. Esta era sua carência. Todos nós temos necessidades. O messias nos desperta em nossas lacunas. Terceiro: nossa resposta ao messias nem sempre é sensata. Discursamos ou nos desculpamos ou culpamos alguém ao invés de dizer a ele: “Eu quero, faz isso na minha vida”.

A solução de Jesus é curiosa. Ele manda o homem tomar o leito (um tipo de colchonete) e ir embora. A maca dominava o homem, mas o homem é que deveria dominar a maca. Isto fora dito a Caim: “E se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar” (Gn 4.7). O messias veio com autoridade de nos mandar dominar nossa maca. Não é o pecado que deve nos dominar. Mas nós, que somos “robustecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior” (Ef 3.16), podemos dominar o pecado.

O messias não veio para batalhar pilotando aviões de Israel contra árabes e russos. Nem para nos dar riquezas materiais. Veio para nos salvar. Para nos tirar do marasmo espiritual, da apatia, do abandono a que nos entregamos. Veio para refazer nossa vida. Veio pra nos dizer: “Põe-te de pé, domina o que te domina e vai viver”. Jesus pode fazer isso. Jesus tem poder para fazer isto. Jesus faz isto.

Não fique à beira do tanque. Não fique esperando que anjos venham ajudá-lo. O messias diz: “Levanta-te, toma o teu leito e anda” (Jo 5.8). Filho de Deus, põe-te pé, e com a graça e o poder de Jesus, enrola tuas deficiências, e vai viver!