O ERRO DO POLITICAMENTE CORRETO

Isaltino Gomes Coelho Filho

” disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais” – João 8.11

O “politicamente correto” tem pontos positivos, como evitar o desrespeito a pessoas e instituições, mas tem sido usado como cerca contra críticas e discordâncias de comportamentos. Discordar é ser mal visto. Ou, o que parece ser o pior rótulo hoje em dia, “preconceituoso”. Esta parece ser a grande nódoa de qualquer pessoa ou o novo pecado imperdoável: ser preconceituoso. Geralmente se pespega o rótulo a quem não aceita certo tipo de conduta. Quando alguém não concorda com o homossexualismo, logo é taxado de preconceituoso. Mas se alguém não concorda com minha fé, não é preconceituoso. Tem convicções. Isto se parece com a postura daquela moribunda ideologia política que clama por liberdade e, ao chegar ao poder, nega-a aos discordantes. Os não preconceituosos são preconceituosos com seus discordantes.

O episódio da mulher pega em adultério é muito usado por quem não gosta de ver seus erros apontados ou de pregações que falem de pecado. Se Jesus disse que não condenava a mulher adúltera, quem somos nós para “condenar” o sujeito que é pego carregando dinheiro em roupa íntima masculina? Ou o evangélico corrupto que ora agradecendo a propina? Por que “condenar” religiosos fraudulentos, pegos em crimes fiscais? Dizer que tais pessoas pecaram é preconceituoso e anticristão. Jesus foi misericordioso e perdoou. Devemos perdoar.

Ora, deixemos de malabarismos mentais que resvalam para o sofisma de pinguço após a sexta cerveja. Podemos discordar, sim. Todo o ministério de Jesus foi uma discordância da postura religiosa de sua época.  E “condenar”, aqui, merece ponderação. No caso de Jesus, era condenação legal, que levaria ao apedrejamento. No caso de discordar da conduta, trata-se de não aceitá-la e dizê-la errada.

Jesus perdoou porque estava na sua soberana misericordiosa. Mas deixou uma recomendação: “… vai-te, e não peques mais”. Ele não foi conivente nem massificado pelo bom mocismo de hoje, que fecha os olhos a qualquer erro. Ele não quis ensinar que devemos fechar os olhos às mazelas espirituais e sociais de nossa época. Não desejou que tivéssemos coluna vertebral de plástico. Nem que compactuássemos com o pecado. Pior que o pseudo preconceito de dizer que algo está errado ou é pecado, é a conivência com o erro e com o pecado.

O perdão de Jesus não é um cartão de crédito sem limite para uso no shopping do pecado. É um estímulo à santidade. “Vai-te e não peques mais”. Graça não é trampolim para o antinomismo, mas uma escada para uma vida grata ao Senhor pela sua misericórdia. Crentes que não gostam de correção, que não aceitam ter seus pecados condenados e querem sempre se valer de artifícios para continuarem na sua vida pecaminosa estão blasfemando contra a graça. Não a entenderam. Torcem-na.

Em lugar algum a Bíblia nos exorta a sermos “Maria vai com as outras”. O seguidor de Jesus não é amorfo nem massificado. Tem noção de como deve viver, tem valores. Não os impõe aos demais, mas sabe que eles são corretos, e não se intimida com a pressão para concordar com o erro.

A mulher adúltera de João 8 não deve ser conectada ao “liberou geral”, mas à misericórdia do Senhor, que perdoa e que pede que a pessoa não continue a fazer o mesmo. É chamada à santidade e não à leniência. Não é mordaça, mas exortação a se refletir que todos somos culpados, todos merecemos críticas e não apenas criticar, e que todos precisamos da graça. E, provada a graça que traz o perdão, caminharmos rumo à santidade.