QUEIMANDO INCENSO AOS DERROTADOS

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Quando Amazias veio da matança dos edomeus, trouxe consigo os deuses dos filhos de Seir e os elevou para serem os seus deuses, prostrando-se diante deles e queimando-lhes incenso. Pelo que o Senhor se irou contra Amazias e lhe enviou um profeta, que lhe disse: Por que buscaste os deuses deste povo, os quais não livraram o seu próprio povo da tua mão?” (2Crônicas 25.14)

Quando eu era criança, meus pais tentaram me cooptar para torcer por seu time de futebol. Ele, Flamengo. Ela, Fluminense. Duas vezes, pois nasceu no Estado do Rio. Minha mãe deu a cartada final. Haveria um jogo no Maracanã: Fluminense e Porto, de Portugal. Ela disse ao meu pai: “Isaltino, leva o menino para conhecer o Maracanã. Haverá pouca gente, não haverá riscos”.

O Fluminense venceu por 3 a 0. Em casa, D. Nelya perguntou: “E aí, filho, gostou do Flu?”. Respondi: “Ah, mãe, gostei mais do time de azul e branco!”. Tornei-me torcedor do Porto, maior time de Portugal, bicampeão mundial. Tenho camisa do Porto, caneca de café do Porto, flâmula do Porto, dois cachecóis do Porto, um boneco do Porto. O Porto é o berço dos Gomes Coelho, incluindo o maior deles, Joaquim Guilherme Gomes Coelho, famoso como Júlio Diniz.

Escolhi o derrotado. Mas futebol é apenas esporte. Não é caso de vida e morte como pensam pessoas vazias, num caso de neurose noógena. E eu tinha oito anos. Pior foi Amazias. Venceu os edomitas e adotou seus deuses. Trocou Iahweh, que lhe dera a vitória, pelas falsas divindades derrotadas. Queimou incenso aos derrotados.

Amazias me lembra intelectuais cristãos que usam categorias marxistas de pensamento para fazer teologia. O comunismo, filho do marxismo, morreu, e o que sobrou dele, na Coréia do Norte e universidades brasileiras, sobrevive em formol. O poderoso império soviético que ameaçava o mundo (como se vaticinou o fim da igreja!) ruiu quando Deus quis. Mas há teólogos-Amazias que interpretam a Bíblia e elaboram teologia por viés marxista. Incensam os derrotados.

Um missionário assustava seus ouvintes com gráficos “provando” o triunfo mundial do Islã: os cristãos crescem a tanto por cento ao ano, e os muçulmanos muito mais por cento; os cristãos têm tantos filhos por casal, e os muçulmanos têm muito mais, e por aí. Um obreiro cristão pregando o fim de sua causa! Queria despertar as pessoas, mas foi infeliz. Pastor Amazias. Fascinado pelos derrotados.

Derrotados, sim. Como o Império Romano, como o comunismo, como qualquer religião, qualquer ideologia ou corrente de pensamento que se oponha a Cristo. Ele é o vencedor. Não preciso de discursos econômicos, sociológicos ou análises políticas de expertos. Nem de gráficos e tabelas. Creio em Apocalipse 11.15: “O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos”.

Não seguimos uma figura patética, mas o Senhor da vida e da morte, Jesus Cristo, que foi morto, mas vive para sempre. Ele é o Senhor da história, por quem e para quem todas as coisas foram feitas. Paulo disse: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).

Não sou edomita.  Sou cristão, sigo a Jesus. Se não viver para ver o mundo se curvar diante dele, virei com ele e verei isto (1Ts 4.16).  Por isso, menos filósofos, menos sociólogos, menos pensadores seculares, e mais Jesus. Falemos do triunfante e não dos derrotados. Incenso ao Vencedor, não aos derrotados!