O LIVRO DE JÓ

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Alguém denominou o livro de Jó de “a noite tenebrosa da alma”. O reformador Lutero o considerava como “o maior livro da Bíblia”. Para Carlyle, é “o maior livro já escrito”. Isto mostra que é mesmo um escrito fascinante. Eis o seu enredo, em linhas gerais: o personagem central, descrito como um homem íntegro, é degradado, ao extremo, em quatro níveis. Materialmente, passa da riqueza à pobreza; do bem estar à calamidade.   Socialmente, passa da honra ao desprezo. Fisicamente, da saúde à doença. Emocionalmente, da alegria ao desespero. Seus sofrimentos seguem num crescendo. Atônito, ele se recolhe para pensar, e após uma longa reflexão sobre o que lhe acontecera, explode em três porquês: (1) Por que nasci? (3.11), (2) Por que não morri ao nascer? (3.12), (3) Por que não morro agora? (3.20-22). Ele deseja a morte e amaldiçoa o dia em que nasceu (3.1-4). Sai situação era calamitosa. Primeiro, ele perdeu os bens (1.13-22). Depois, perdeu a saúde (2.7-8). A mulher, que deveria apoiá-lo, o aconselhou a se matar (2.9).

Alguns amigos, ouvindo o falar do que lhe acontecera,  vêm aconselhá-lo, e acabam se mostrando como sendo um desastre. Enquanto ficaram calados, ajudaram-no muito, como apoio moral. Mas quando abriram a boca foi uma desgraça. Acusaram-no, do princípio ao fim. O que deveria ser conforto tornou-se uma discussão teológica. E desembocou numa torrente de acusações morais e espirituais ao sofredor. Jó se defendeu ferrenhamente das acusações. Quando o livro parece chegar a um impasse, em seu final, com todos argumentos expostos, um moço se levanta, contesta os amigos de Jó e ao próprio. E como gran finale, Deus aparece em um redemoinho, inquire a Jó, mostra-lhe sua ignorância, repreende os seus amigos. Jó vai orar pelos amigos, e, neste momento em que ele intercede pelos amigos, Deus muda sua situação. A história termina com ele recebendo o dobro do que tinha. A expressão final, “velho e farto de dias”, era uma expressão clássica para designar uma vida realizada.  Ele terminou com um homem realizado.

TÍTULO – Como Rute e Ester, o título homenageia o herói do livro – Jó – cujo nome, em hebraico, yob significa “o odiado, o perseguido”.  O mesmo nome, em árabe, significa “o arrependido, o recuador, o reparador”.  Talvez o sentido árabe seja mais correto, pois a história parece se relacionar com a parte norte da Arábia. Na realidade, O pano de fundo do livro é árabe, mas o pensamento teológico aborda as tendências comuns em Israel. Que são as tendências comuns em nosso tempo, também.

AUTORIA E DATA – A autoria e a data da composição de Jó são desconhecidas, mas são apresentados os possíveis escritores: Jó, Eliú, Moisés, Salomão ou um seu contemporâneo (1Rs 4.29-31), Isaías, Jeremias ou Baruque.  Os mais cotados são Moisés (1445-1405 a.C.) e Salomão (970-931 a.C.).  O Talmude judaico aponta Moisés, indicando que ele tomou conhecimento da história quando esteve em Midiã.  Outros rabinos e eruditos acreditam que foi Salomão, considerando que o conteúdo filosófico é semelhante ao de Eclesiastes (Ec 1.1). Correntes mais atuais julgam que Moisés foi o tradutor de uma história que encontrou em outro idioma, provavelmente o sumério. O pano de fundo é árabe e patriarcal, antes dos sacerdotes (Jó 1.5), mostrando o livro como anterior à Tora. Mas o hebraico é mais moderno, indicando que a cópia que nos chegou foi traduzida e adaptada.

DATA DOS ACONTECIMENTOS – Que Jó viveu antes ou pouco depois de Abraão é geralmente aceito pelas seguintes indicações:

(1) O nome de Deus – A designação constante de Deus pelos nomes “El”, “Eloah” ou “Elohym”, que eram as formas mais antigas de se referir a Deus.  Também o nome “Shaday” (o Todo Poderoso) é usado 31 vezes, enquanto que no resto do AT só 16 vezes.  O nome “Iahweh” aparece somente 32 vezes; ele começou a ser usado depois do êxodo (Êx 6.3).

(2) O modelo patriarcal de vida – Jó agiu como pai-sacerdote (Jó 1.5); havia bandos de saqueadores – Jó 1.15,17. Isto indica que o livro é antes da instituição do sacerdócio, quando o pai era o sacerdote da família.

(3) Não há referência alguma à Torá nos trechos sobre como ser justo perante Deus (Lv 9.7; Hb 7.26-27).

(4) A idade de Jó (Jó 42.16,17) de talvez 200 anos (60 + 140 anos).  As pessoas alcançaram esta idade na época de Abraão (175 anos – Gn 25.7), Isaque (180 anos – Gn 35.28), e Jacó (147 anos – Gn 47.28).  Ele tinha 14 filhos e 6 filhas.

(5) Elifaz, o temanita (Gn 36.15) – Descendente de Temã, filho de um Elifaz e neto de Esaú.

(6) Um poema sumério – Há várias semelhanças entre o livro de Jó e o poema sumério “O Justo Paciente”, encontrado em tábua de argila e datada em cerca de 1700 a.C. Mas há diferenças, também. Neste caso, Moisés teria composto o livro com base no poema sumério. E adaptado para fins espirituais em Israel.

TEMA – O livro trata basicamente dos conceitos errados sobre o porquê do sofrimento do justo, concluindo com o propósito correto e positivo de Deus.  Portanto, o tema pode ser resumido: O Papel de Satanás, do Sofrimento e da Soberania de Deus no Aperfeiçoamento do Justo.  O livro responde a pergunta: “Por que o Justo Sofre?”. E a resposta é surpreendente: não há uma resposta lógica ou filosófica. A resposta é a soberania de Deus.

ESBOÇO – O livro é um drama poético. O trecho compreendido pelos capítulos 1,2,42.7-17 é prosa.   O trecho compreendido pelos capítulos 3 a 42.6 é poesia.

I. PRÓLOGO (prosa) – Jó testado pelo sofrimento …………………………………..1- 2

II. DIÁLOGO (poesia)- Jó aconselhado sobre o sofrimento …………………….3 – 41

A. Debates dos três amigos – Elifaz, Bildade, Zofar ….    3-27  (punição)

1. 1º ciclo de debates …….     3 – 14

2. 2º ciclo de debates …….   15 – 21

3. 3º ciclo de debates …….   22 – 27

B. Discurso de Jó  – (o cp. 28 é um interlúdio) ………..28-31(justificação)

C. Censuras de Eliú …………………………………………            32 – 37 (correção)

D. Desafios de Deus …………………………………………           38 – 41 (submissão)

III. EPÍLOGO (prosa) – Jó aprovado pelo sofrimento . …………… …………………..42

OS PERSONAGENS PRINCIPAIS – (Jó 2.11-13; 32.1-5)

(1) Elifaz – Seu nome significa “Deus é ouro fino” ou “Deus é dispensador”.  Nativo de Temã (Gn 36.15), uma cidade de Edom ao sudeste da Palestina; lugar de sábios (Jr 49.7).  Nobre, sincero, sábio, cortês, Elifaz foi o primeiro e predominante porta-voz (mais velho?) dos três amigos, mostrando um raciocínio mais claro e uma atitude menos crítica do que os outros.  Sua filosofia básica foi: “Deus é puro e justo; o homem traz sobre si seus problemas” (Jó 4.7-8,17; 5.6-9).

(2) Bildade – Seu nome significa “filho de contendas”.  Nativo de Suah, a região do rio Eufrates.  Tradicionalista (Jó 8.8-10), contencioso, acusou Jó de impiedade (Jó 8.13).  Sua filosofia básica foi: “Deus é justo; o ímpio é punido” (Jó 8.3,4,20).

(3) Zofar – Seu nome significa “peludo” ou “áspero”.  Nativo de Naama, a região norte da Arábia.  Dogmático, moralista, brusco, farisaico, acusador (Jó 11.2-6).  Sua filosofia básica foi: “Deus odeia a iniqüidade, mas ama a justiça” (Jó 11.11,14-15).

(4) Eliú – Seu nome significa “Ele é nosso Deus”.  Nativo de Buz, (possivelmente Arábia ou Síria).  O mais jovem dos quatro conselheiros; não um amigo íntimo.  Sua filosofia básica era: “Deus é justo” (Jó 34.10-12; 36.7); “Deus vê tudo” (Jó 34.21-22); “Deus é grande, incompreensível” (Jó 36.26; 37.23).

Dos amigos (que como os três mosqueteiros eram quatro), Eliú foi quem deu o melhor diagnóstico e a melhor resposta ao sofrimento de Jó. Uma lição secundária, aqui, é que a verdade nem sempre está com os mais velhos.  Os outros três tinham uma teologia legalista, uma ortodoxia fria de “causa e efeito” segundo a qual Deus sempre recompensa ou pune imediatamente de modo um tanto automático e indireto.  Os conceitos errados sobre Deus forneceram aos três amigos opiniões equivocadas a respeito de Jó e seu sofrimento, e promoveram opiniões erradas sobre eles mesmos. Isto é importante porque nos mostra que uma concepção errada de Deus nos induz a erros de avaliação do nosso próximo e nos proporciona conceitos de vida errados. Eles eram sinceros em sua fé, mas estavam errados. Não basta ser sincero. É preciso ter uma compreensão correta de Deus para que a sinceridade nao se esvaia em erros de avaliação.

POR QUE O JUSTO SOFRE?  – No livro de Jó, Deus nos revela a resposta a um dos maiores problemas humanos: “Se Deus é amor e soberano, por que Ele permite que os justos sofram?” · Eis o dilema: “Ou Deus é todo poderoso, mas não ama perfeitamente, ou Deus ama perfeitamente, mas não é todo poderoso”. O amor de Deus e o sofrimento humano são incompatíveis, como alguns entendem. Veja como o sofrimento do justo foi interpretado.

(1) Satanás – Para ele o sofrimento do justo é o meio de forçar o homem a renunciar e repudiar a Deus.  Assim o homem é apenas um peão no jogo de xadrez entre Satanás e Deus, usado pelo Diabo para difamar, desacreditar, blasfemar a Deus, em cuja imagem o homem é feito.  Uma resposta pervertida.

(2) Três amigos – Para eles o sofrimento do justo, se na realidade ele é justo, é sempre um castigo de Deus pelo pecado (Jó 4.7-9; 5.6-9,17-18; 8.3-6; 11.13-15).  Este é o conceito da “Lei do Carma” (Veja Gl 6.7-8; Pv 22.8; Os 8.7; Os 10.13).  Mas é uma resposta errada por não ser completa (veja João 9.1-3).

(3) Eliú – Para ele o sofrimento é usado por Deus para corrigir, ensinar, disciplinar ou refinar (Jó 33.13-17,29-30).   Uma resposta iluminada.  Não só punir, mas também prevenir (Hb 12.5-11; Pv 3.11-12; Dt 8.1-5).

(4) Jó – No início ele pensou que o sofrimento era somente para o ímpio, não para o justo (Jó 6.24; 7.20; 21.19).  Mais tarde ele reconheceu que o sofrimento é um processo refinador divino para produzir ouro (23.10).  Jó recuperou sua saúde quando teve a graça de orar a favor de seus amigos (Jó 42.10). Veja também Mateus 5.44; Romanos 12.19-21; Provérbios 25.21; 1Pedro 3.9. Uma resposta certa. O irônico em toda a discussão é que Jó estava certo o tempo todo. Ele nada fizera que merecesse aquele tipo de punição. De acordo com a teologia dos seus amigos, embora estes o acusassem, ele não deveria estar sofrendo, pois era justo, reto e temente a Deus.

(5) Deus – Como é que Deus vê o sofrimento do justo? Por que Ele permite sofrimento?

(5.1) O sofrimento do justo é um privilégio, quando Deus permite que seu povo o ajude a cumprir algum grande propósito, tal como refutar Satanás (Jó 1.8-12; 2.3-6).  Veja, a propósito, Atos 5.41; 2Coríntios 12.7-10; Filipenses 1.29; Colossenses 1.24; Hebreus 10.34 e 1Pedro 4.13.

(5.2) O sofrimento do justo é um instrumento de Deus para se revelar a seus fiéis a fim de que eles confiem mesmo quando não entendam os caminhos de Deus (Jó 19.25-27; Hc 3.17-19; Jo 20.29; 1Pe 1.7).

(5.3) O sofrimento do justo é um processo pelo qual Deus aperfeiçoa, santifica, e se revela em profundidade a seu povo (Dt 8.1-5; Jó 23.10; 42.5-6; Sl 66.10-12; At 14.22; 1Ts 3.3; Hb 2.10; 5.8; 12.5-11; Tg 1.2-4; 1Pe 1.6; 4.1; 5.10). Por isso, o poeta alemão Goethe declarou: “Nunca passei por uma grande dor sem fazer dela um grande poema”.  O sofrimento sensibiliza as pessoas.  No caso de Jó, vemos que após a crise, seu conhecimento de Deus se tornou mais profundo, como se pode verificar em sua declaração de 42.5-6. Ele possuía um conhecimento de segunda mão, de ouvir falar. Agora era um conhecimento experiencial. Não basta ter informações sobre Deus. É preciso ter uma experiência real com ele.

Juntando estas três considerações, temos uma resposta perfeita.  O sofrimento é o maior teste que nos leva a amar, adorar, e confiar em Deus por quem ele é, não por aquilo que ganhamos dele (Hc 3.17-19; Fp 3.7,8). Porque, na realidade, o livro termina sem responder à questão “por que o justo sofre?”. Jó e Habacuque tratam do problema do sofrimento. Em Jó, o sofrimento é em nível individual, e em Habacuque, em nível coletivo. A pergunta, nos dois, é a mesma: “Por que o justo sofre?”. Qual é a resposta? Não há resposta. Nos dois casos, somos chamados a aceitar a soberania e a sabedoria divinas.

A teologia da prosperidade tem uma ênfase completamente distorcida da Palavra de Deus, ao ensinar que o fiel sempre prospera na saúde e nas coisas materiais. Ela amesquinha Deus, banaliza a questão do sofrimento, minimiza o propósito de Deus para nossa vida. E faz de Deus um corrupto subornado com ofertas para aquela igreja, ou para o “missionário” que promove a teologia da prosperidade.   O livro de Jó fornece uma negação do conceito de que ter saúde ou riqueza significa ser abençoado por Deus. Aliás, esta prosperidade pode até significar uma fé tão fraca, tão mundana, que Deus não se atreva em deixar seu “crentinho” sofrer porque sabe que ele não agüentaria este teste de aprofundamento na sua vida espiritual.  A experiência de Jó mostra que o sofrimento vem de Satanás, mas pela vontade permissiva de Deus em última instância (Jó 1.12; 2.6; 42.11).  A Bíblia ensina que o sofrimento faz parte da nossa vida cristã (Jo 16.33; At 14.22; 2Co 12.7-10; 1Ts 3.3; 2Tm 3.12; 1Pe 2.21).  Jesus Cristo foi aperfeiçoado pelo sofrimento (Hb 2.10; 5.8; 1Pe 4.1).  Precisamos manter o equilíbrio.  A Bíblia ensina prosperidade (Js 1.8; Sl 1.3; Dt 28.12-14), é verdade. E Deus não é sádico (não tem prazer em nosso sofrimento e em nossa pobreza).  Mas a Bíblia também ensina que a riqueza ou posse de bens não é o sentido último da vida: Mateus 6.19-21; Lucas 12.15; Filipenses 3.8; 1Timóteo 6.6-10. Vivemos numa sociedade consumista que ditou a agenda para as pregações para a igreja. O pregador que atrai multidões é aquele que promete riqueza e saúde. Nao aquele que chama para a fidelidade a Deus, nem o que proclama a santidade de Deus.

OS CONSELHEIROS DE JÓ – Eis algumas de suas qualidades negativas, que um conselheiro cristão não pode ter:

(1) Filosofia de vida errada – 4.7-8

(2) Falta de compaixão – 6.14-15

(3) Ar de superioridade – 12.2-3; 13.2,4-5

(4) Desprezo – 4.5; 11.2-5

(5) Zombaria – 13.9; 21.1-3

(6) Condenação; debate intelectual-16.4; 32.3

(7) Falaram demais – 16.2-4; 19.2 (Tg 1.19)

(8) Humilharam, envergonharam – 19.3

(9) Mentiram – 21.34; 42.7

(10) Foram impacientes – 32.5

Eis algumas qualidades positivas que um conselheiro deve ter: empatia, simpatia, identificação, solidariedade – 2.11-13.

VERSÍCULO CHAVE – Jó 23.10 – “Mas ele sabe o caminho por que eu ando; provando-me ele, sairei como o ouro”. Aqui Jó começou a compreender que estava sendo provado e que sairia purificado. Em termos de vida cristã para nós, cabe aqui uma palavra de um santo cristão do passado, Tozer: “É duvidoso que Deus use poderosamente um homem sem primeiro quebrá-lo antes”. Quando somos quebrados é que nos rendemos totalmente a Deus, colocamos os valores deste mundo em lugar inferior e a ele em primeiro lugar. Muitos crentes amam as bênçãos, mas não ao Abençoador. E quando perdem as coisas, perdem a fé. Na realidade, nao tinham fé, mas apenas uma euforia pelo seu bem estar. A fé se manifesta nas circunstâncias mais adversas.

O TRONO DE DEUS – Junto com Apocalipse (Ap 4.1-11; 21.3-8), o livro de Jó abre a cortina para uma ligeira visão do trono de Deus em tempos de provação.  Veja também 1Reis 22.19-23 e 2Crônicas 18.18-22.  A total soberania de Deus e o grande interesse divino pelas situações humanas estão enfatizados nessas poucas ocasiões.

SATANÁS – É necessário que tenhamos algo em mente: Satanás só aparece no início do livro. Há uma espécie de aposta entre ele e Deus. Depois, ele é esquecido. Não é sequer mencionado. É uma personagem irrelevante. Parece ser um pretexto para o desencadear da história. Como se as coisas más que nos sucedem fosse obra de um adversário. Mas devemos considerar também que ele é descrito no livro não como uma força do mal, mas como uma pessoa real desafiando a Deus, tendo enorme poder sobre a natureza e nutrindo grande inimizade contra aqueles que servem a Deus.  Com a exceção de 1Crônicas 21.1, o substantivo “Satanás” sempre vem acompanhado do artigo “o” (“o satanás”, lembrando que no hebraico não há letras maiúsculas ou minúsculas), mostrando não só a personalidade de Satanás, mas também sua função.  No Antigo Testamento não há uma descrição detalhada sobre ele. Apenas se indica que a humanidade tem um adversário. Entretanto, a sua inimizade está sempre sob a vigilância de Deus e restrita ao propósito divino.  Não há dualismo nem pluralismo, como se houvesse dois ou mais deuses (Is 45.5-7), mas um rebelde da alta criação de Deus (Is 14.12-15).  Veja Apocalipse 12.9,10; João 8.44; Efésios 2.1-3; 6.12; João 12.31; 2Coríntios 4.4; 1Pedro 5.8; Tiago 4.7; 1João 3.8 e Colossenses 2.15 para maiores explicações sobre Satanás. Lembro, ainda, que estas passagens são a interpretação cristã de Satanás, e não, necessariamente, o conceito expresso no livro de Jó.

GRANDEZA DE DEUS – De uma maneira extraordinária, Jó mostra a soberania de Deus e ao mesmo tempo seu cuidado pessoal para com seu povo.  Ele é justo (Jó 34.10-12), e uma visão correta de Deus leva o homem ao arrependimento e humildade (Jó 40.3-5; 42.5-6).

CONCLUSÃO

Jó é um livro precioso, com considerações filosóficas e teológicas muito profundas. Tentar entendê-lo em partes, extraindo passagens do contexto global, será problemático. O livro precisa ser visto no seu todo, para se ter uma compreensão global de seu ensino. Que é, basicamente, este: nem sempre teremos respostas para nossas perguntas, mas podemos confiar que em momento algum Deus perdeu o controle dos eventos, e que nossa fé será recompensada. O sofrimento nunca deve desanimar um filho de Deus, porque sua história ainda não foi concluída.

Quando você estiver sofrendo, enfrentando dificuldades como Jó, sem conseguir entender o que está acontecendo ou porque Deus nao impede seus problemas, lembre-se desta história. E lembre-se também de uma palavra de Jesus a Pedro, quando este se recusou a ter os pés lavados por Jesus: “O que eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás” (João 13.7). Não são queixas que Deus espera de nós. Apenas submissão. Ele nao nos deve explicações, sabe o que faz, e faz bem feito. Lembre, ainda, de Romanos 8.28: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.