QUANDO JESUS SE ATRASA…

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava” (João 11.6).

Fugindo dos que queriam prendê-lo, Jesus “retirou-se de novo para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio; e ali ficou” (Jo 10.40). Este lugar era Betânia (“Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando” – Jo 1.28). Estamos agora no ciclo de atividades de Jesus em Betânia. Talvez estivesse um pouco distante da cidade ao ser informado que Lázaro, que morava em Betânia (11.1), estava doente. Ele se demorou mais dois dias para visitá-lo (11.6). Quando chegou ele havia sido sepultado há quatro dias (11.17). Sua caminhada demorou dois dias.

As tentativas de localizar onde ele estava lidam com a ausência de detalhes de João. Não sabemos onde ele estava. Betânia ficava na Judéia. Ele deveria estar fora da Judéia, à luz de 11.7 (“Depois disto, disse a seus discípulos: Vamos outra vez para Judéia”). Ele quer dizer que, mesmo sob risco de morte, voltará à Judéia, para visitar Lázaro.  A questão é que ele se demorou até Lázaro morrer. Só depois de sua morte é que ele resolveu visitá-lo. Visitar defunto? O fato é que Jesus se atrasou no socorro pedido. As irmãs esperavam seu socorro, tanto que lhe disseram que se ele estivesse lá, Lázaro não teria morrido (vv. 21 e 32).

Jesus chegou atrasado. Este é um problema que muitos de nós enfrentamos. Por que ele chega atrasado, algumas vezes, em meio aos nossos problemas? Por que não ouve nosso clamor, de imediato? Por que tarda? Em outras palavras: por que Deus não cuida melhor de nós, e impede que as dificuldades se avolumem?

A resposta vem no versículo 4: “Jesus, porém, ao ouvir isto, disse: Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. Nossa preocupação é “salvar nossa pele”. Deveríamos ter a mente de Jesus: nossas aflições servem que ele seja glorificado em nossa vida. Por isso ele se “atrasa” muitas vezes. “Atrasa” aos nossos olhos, pois aos seus ele sempre age na hora certa. O que causaria mais impacto: curar uma enfermidade ou ressuscitar um morto de quatro dias? Os judeus criam que a alma de um homem levava quatro dias de caminhada, de seu corpo até o xeol. No quarto dia, ela estava definitivamente encerrada. Jesus mostra que seu poder sobre a morte é tão grande que ele abre as portas do xeol e traz um homem de lá. Ele tem poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos.

“Lázaro” é a forma aramaica de “Eleazar”. Literalmente, Él’azar. Significa “Deus é misericórdia”. “Betânia” é o hebraico Beit’aniah, “casa da pobreza”. Na casa da pobreza, Jesus teve misericórdia de sofredores, e agiu com grande poder. Enriqueceu aquelas vidas. Não com bens, mas ajudando-as e glorificando-se. Hoje, a cidade se chama El-Azarya, associada ao nome de Lázaro. Deixou de ser casa da pobreza para ser o lugar da misericórdia de Deus.

Quando você pensar que Jesus está se atrasando para socorrê-lo, pense que sua demora é para mostrar mais poder, ainda, e para ser glorificado em sua vida. Este deve ser nosso maior anseio: que ele seja glorificado em nosso viver.

E lembre-se: Jesus transforma a casa da pobreza em lugar de misericórdia.