ESTUDO BÍBLICO EM HEBREUS – PARTE 3

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Já vimos que Hebreus é um livro absolutamente singular, com uma estrutura literária e teológica diferente da dos demais, e com uma linha de argumentação também bastante diferente. O autor tem um profundo conhecimento do judaísmo e da teologia dos sacrifícios, mas emprega categorias de pensamento próprias dos gregos. Isto torna o livro mais fascinante, porque é uma forma de argumentação que ainda não estudamos. É uma visão teológica do relacionamento entre cristianismo e judaísmo, entre a nova e a antiga revelação, com uma visão estrutural grega.

Já vimos, anteriormente, dois dos seus temas: a superioridade de Cristo e o sacrifício de Cristo. Eles nos enriqueceram quanto a uma visão mais correta da pessoa e da obra de Cristo. Hoje temos o terceiro, a nova aliança. Torna-se oportuno analisar isto porque há cristãos meio desorientados, querendo voltar a guardar preceitos do Antigo Testamento, ressuscitando festas judaicas, como se fosse observância para a igreja de Jesus. Tudo aquilo já passou, como diz Colossenses 2.16-16: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo”. Na realidade, isto já fora sinalizado desde a Transfiguração de Jesus, quando estão presentes Moisés (a Lei), Elias (os Profetas) e Jesus (a nova Revelação) e diante da proposta de Pedro de colocar os três em pé de igualdade, o Pai tirou Moisés e Elias de cena, e declarou, sobre Jesus: “Este é o meu Filho amado em que me comprazo, a ele ouvi”. Nós não ouvimos Moisés e Elias, mas a Jesus. Infelizmente, muitos cristãos estão apostando, negando a Cristo e sua cruz, e rebaixando-o a ao nível de vultos do Antigo Testamento. Este estudo reflete sobre isto.

A BASE DA ARGUMENTAÇÃO

Toda a argumentação sobre a nova aliança vai se calcar em Hebreus 8.6-13. Assim diz o texto: “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado sobre melhores promessas. Pois, se aquele primeiro fora sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo. Porque repreendendo-os, diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá um novo pacto. Não segundo o pacto que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; pois não permaneceram naquele meu pacto, e eu para eles não atentei, diz o Senhor. Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo;  e não ensinará cada um ao seu concidadão, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior. Porque serei misericordioso para com suas iniqüidades, e de seus pecados não me lembrarei mais. Dizendo: Novo pacto, ele tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer”.

Na realidade, o texto é apenas uma citação ampliada de Jeremias 31.31-34, que assim diz: “Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados”. É a mais longa citação do Antigo Testamento encontrada no Novo Testamento.  Evidentemente que não é sem motivo que assim sucedeu. Inspirador dos autores, o Espírito Santo, autor último das Escrituras, sabia o que fazia. Levou o autor de Hebreus a comentar a profecia de Jeremias.

Para entender bem o que Hebreus diz precisamos ver o contexto em que Jeremias emprega suas palavras. O texto é o clímax teológico do livro do profeta. O povo está sob ameaça de condenação por causa dos seus pecados, o cativeiro se aproxima, mas o povo se escuda num pacto feito com Deus, na Páscoa. Mas com muita clareza, ele diz que esta aliança do Antigo Testamento, que Deus fez com Israel, na Páscoa, por meio de Moisés, foi rompida pelo povo. Vejamos, também, Ezequiel 16.59-60: “Pois assim diz o Senhor Deus: Eu te farei como fizeste, tu que desprezaste o juramento, quebrantando o pacto. Contudo eu me lembrarei do meu pacto, que fiz contigo nos dias da tua mocidade; e estabelecerei contigo um pacto eterno”. Eles iriam para o cativeiro por causa de seus pecados. De lá Deus os traria de volta e recomeçaria, com um punhado de retornados, o trabalho de dar o Messias ao mundo, fazendo uma nova aliança. Agora, não apenas com Israel, mas com toda a raça humana.

Vejamos, a propósito, Ezequiel 36.24-27: “Pois vos tirarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis”. Esta aliança veio a ser feita em Jesus. É este o sentido de Mateus 26.26-28, nas palavras do próprio Jesus: “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados”.

A nova aliança prometida por Deus em Jeremias e em Ezequiel se cumpriu com Jesus Cristo. Não é mais o sangue de um cordeiro, mas o sangue do Cordeiro. Aliás, a páscoa é uma profecia factual do sacrifício de Cristo. Ela anunciava a obra de Jesus, com sua nova aliança.

A IDÉIA DE ALIANÇA

Aliança, pacto, testamento, concerto, seja qual for a tradução que se dê, é o hebraico berith. A idéia não é um pacto bilateral, em que duas partes se sentam para trocar idéias e ajustar termos de um contrato em que ambas opinam. A idéia é de algo imposto, sem possibilidade de mudar termos. Era a palavra usada para os contratos de vassalagem antiga, quando um reino ou uma potência vencia outra nação e lhe impunha seus termos. A parte vencida deveria se submeter à vencedora, e a parte vencedora se comprometia a protegê-la de outros inimigos. Isto é um berith.

O conceito implícito no termo também se aplicava a uma nação que estava dominada por outra e uma terceira a libertava. Surgia o berith, depois da libertação, entre a nação libertada e nação que a libertara. Foi assim no Antigo Testamento. Israel era escravo do Egito. Deus o libertou e lhe trouxe seu pacto. Foi assim com a Igreja de Cristo. Éramos escravos (“Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” – Jo 8.34), mas Cristo nos libertou (“Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão” – Gl 5.1). A aliança entre Iahweh e Israel surgiu neste contexto: um poder mais forte que o Egito e Israel libertou este último e fez um pacto. É o contexto teológico da aliança feita conosco. Um poder mais forte que o pecado e o Maligno nos libertou e fez conosco um pacto. No primeiro pacto, Israel, até então uma massa de escravos, se tornou povo. No segundo pacto, nós nos tornamos povo de Deus no pacto feito em Cristo.

AS CARACTERÍSTICAS DA ALIANÇA FEITA EM CRISTO

Nesta aliança, a nova, a característica primeira e maior é o perdão dos pecados como iniciativa divina. Antes, o hebreu do Antigo Testamento procurava por perdão. Na nova, visto que a antiga se mostrou ineficaz, Deus a oferece. Jeremias 31.34 mostra isso: “E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados”. O texto paralelo de Ezequiel 36.25-27 corrobora a idéia de uma nova aliança com o perdão divino: “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis”.  A correspondência se encontra em Hebreus 8.12 (“Porque serei misericordioso para com suas iniqüidades, e de seus pecados não me lembrarei mais”) e 10.14-17 (“Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados. E o Espírito Santo também no-lo testifica, porque depois de haver dito: Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seu entendimento; acrescenta: E não me lembrarei mais de seus pecados e de suas iniqüidades”). Em Hebreus 8.13, se acena com o fim dos sacrifícios judaicos: “Dizendo: Novo pacto, ele tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer”. E também se observa a mesma linha de argumentação em Hebreus 10.18: “Ora, onde há remissão destes, não há mais oferta pelo pecado”.  A oferta pelo pecado (Hattat) era o ato de reconciliação com Deus no culto judaico. Mas depois do sacrifício de Cristo, que trouxe o perdão, não há mais nenhum sacrifício por fazer.  O Hattat se tornou desnecessário porque Cristo resolveu, de uma vez por todas, o problema do pecado.

Também os textos de 2Coríntios 5.19 e 21 mostram isto: “pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação (…) Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Deus tornou Cristo “pecado”, isto é, “oferta pelo pecado”, por nós. O judaísmo com seu sistema sacrificial perdeu sua razão de ser.

A segunda característica é a internalização da lei. A aliança feita com Israel culminou na doação da lei, em Êxodo 20. Mas a lei mosaica era externa, isto é, residia fora do homem. E fora posta em tábuas de pedra. Vejamos, a propósito, Êxodo 32.15-16: “E virou-se Moisés, e desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na mão, tábuas escritas de ambos os lados; de um e de outro lado estavam escritas. E aquelas tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas”. Na aliança feita em Cristo, a lei é interna. Vejamos, para notar o contraste da nova aliança, os textos de Jeremias 31.33 (“Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”) e Hebreus 8.10 (“Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”). O autor de Hebreus diz que a palavra de Jeremias se cumpriu com o advento do cristianismo. Neste, como prometido por Jeremias, a motivação para o relacionamento com Deus é interna. Antes, Deus estava fora do homem. O homem ia ao templo para achar Deus. Na nova aliança, Deus está no homem. Vejamos, ainda, Ezequiel 36.27, o texto em que este profeta também trata da nova aliança: “Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis”. A motivação religiosa não está fora do homem, mas dentro dele. É o Espírito Santo que habita no cristão, e não as tábuas da lei mosaica.

Assim, sendo, não precisamos ir a Jerusalém para orar nem precisamos orar curvados para Meca, como se Deus morasse num lugar destes. Nem precisamos subir a monte para buscar a Deus, como alguns cristãos desavisados e ignorantes do ensino do Novo Testamento procedem. No Novo Testamento, com a aliança nova feita por Jesus, Deus mora em nós: 1Coríntios 3.16 (“Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?”) e 6.19 (“Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”). Jesus já havia mostrado isso, que sua religião é interna, parte de dentro. Prestemos bastante atenção nos textos de Mateus 5.21-22 (“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno”), 5.38-41 (“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil”) e 5.43-44 (“Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem”). Neste último texto, há uma particularidade a ressaltar. De onde veio tal idéia, de odiar os inimigos, que Jesus disse que seus ouvintes tinham ouvido anteriormente? A lei não mandava odiar os inimigos, mas os essênios, sim. Eles haviam divulgado sua mensagem e, provando que nao era um deles, Jesus os refuta. Jesus ultrapassa o ensino de Moisés e, de quebra, contesta o dos essênios. Os judeus tinham transformado o pecado em questão de ritos, de cumprimentos da lei. Jesus põe-no em forma de sentimentos que motivam os atos. Por isto, o que contamina o homem é o que sai dele, e não o que entra nele:  “Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina. Então os discípulos, aproximando-se dele, perguntaram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? Respondeu-lhes ele: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco. E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola. Respondeu Jesus: Estai vós também ainda sem entender? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce pelo ventre, e é lançado fora? Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina” (Mt 15.11-20). O bem e o mal estão dentro de nós, no coração, lêb ou lebâb, em hebraico, designando a interioridade volitiva do homem. Há um coração novo nos que crêem: “Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne” (Ez 36.26) e “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável” (Sl 51.10). Para os hebreus, o coração é a sede das decisões, das faculdades intelectivas e onde estão as faculdades de juízo. Há uma nova razão, uma mentalidade nova. Isto se chama conversão. A nova aliança se baseia, também, na conversão do homem. A obediência, no judaísmo, era pela observância do ritual. No cristianismo, é pela conversão.

A terceira característica é a responsabilidade e a retribuição pessoais. Jó oferecia sacrifícios por seus filhos (Jó 1.5). Ele era o sacerdote da família. Uma pessoa intercedia pelos pecados de outra e conseguia o perdão para ela. Na nova aliança, cada um deve dar contas de si mesmo a Deus. Ninguém pode responder por outro. Vejamos, a propósito, Jeremias 31.29-30: “Naqueles dias não dirão mais: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram. Pelo contrário, cada um morrerá pela sua própria iniqüidade; de todo homem que comer uvas verdes, é que os dentes se embotarão”.  É este o sentido de Hebreus 8.11: “E não ensinará cada um ao seu concidadão, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior”. Ninguém pode conhecer ao Senhor por outro, mas cada um deve conhecê-lo. Isto é o que chamamos de “sacerdócio universal de todos os salvos”. Cada pessoa se relaciona com Deus diretamente por causa da obra de Cristo. Ele é o sumo sacerdote, como já vimos no estudo anterior.

CONCLUSÃO

Esta aliança é eterna: “Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas” (Hb 13.20). Foi proclamada no Antigo Testamento, da seguinte maneira, entre muitas declarações, sendo que algumas já foram citadas anteriormente:

(1) Por Ezequiel: “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis. E habitareis na terra que eu dei a vossos pais, e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus”. (Ez 36.25-28)

(2) Por Isaías: “Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei um pacto perpétuo, dando-vos as firmes beneficências prometidas a Davi” (Is 55.3); “Quanto a mim, este é o meu pacto com eles, diz o Senhor: o meu Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca, nem da boca dos teus filhos, nem da boca dos filhos dos teus filhos, diz o Senhor, desde agora e para todo o sempre” (Is 59.21) e “Pois eu, o Senhor, amo o juízo, aborreço o roubo e toda injustiça; fielmente lhes darei sua recompensa, e farei com eles um pacto eterno” (Is 61.8).

Ela foi implantada por Jesus (Mt 26.28), e sua realização plena foi anunciada pelos apóstolos, nas seguintes declarações:

2Coríntios 3.6: “O qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica”. Não é da letra, a Torah, mas do espírito, ou Espírito, presente no salvo.

Romanos 11.27: “E este será o meu pacto com eles, quando eu tirar os seus pecados”. Ele tirou nossos pecados, na cruz, e fez um pacto conosco.

Hebreus 8.6-7: “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado sobre melhores promessas. Pois, se aquele primeiro fora sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo”. O primeiro pacto passou, pois tinha defeitos. O segundo, feito em Cristo, é melhor.

Hebreus 9.15: “E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna”. O novo pacto dá a vida eterna.

1João 5.20: “Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”, que é uma bela síntese da nova aliança. O Filho já veio, tudo que apontava para ele perdeu o sentido. Ele é a verdade, o próprio Deus.

Somos os destinatários e, ao mesmo tempo, os propagadores desta nova aliança. Em Cristo, Deus tem um novo modo de se relacionar com os homens. Isto experimentamos. Isto devemos dizer. As coisas velhas, inclusive a velha aliança, já passaram. Tudo se fez novo, inclusive a nova aliança.

Hebreus nos ensina isto: somos o povo do novo pacto. Somos filhos do Calvário, e não do Sinai. Não há motivo para voltar atrás, para a velha dispensação. Vivemos pela fé, e não pela Lei. Lembremos as palavras de Hebreus 10.38-39: “Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma”.