“E ASSIM ACONTECEU”

“E assim aconteceu” (Gênesis 1.7, 9, 11, 15, 24 e 30, LH)

Isaltino Gomes Coelho Filho

“E assim aconteceu”, diz, seis vezes, o capítulo inicial de Gênesis. Aconteceu o que Deus disse. O refrão pode ser estendido a toda a Bíblia, extrapolando o relato da criação. Sempre acontece o que Deus diz. A Bíblia é seu texto-prova. Seu teor comprova que aquilo que o Senhor falou realmente aconteceu. Mais tarde, o livro de Isaías registrará: “A erva seca, e as flores caem quando o sopro do Deus Eterno passa por elas. De fato, o povo é como a erva. A erva seca, a flor cai, mas a palavra do nosso Deus dura para sempre” (Is 40.7-8). No Novo Testamento, mostrando sua autoridade e o peso de sua palavra, Jesus diz: “O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras ficarão para sempre” (Mc 13.31).

A Palavra de Deus está firmada para sempre: “Ó Deus Eterno, a tua palavra dura para sempre; ela é firme como o céu” (Sl 119.89). Como isto nos exorta! A Palavra de Deus é digna de confiança. O que ele fala, isso acontece. Não é uma palavra comum, mas a Palavra Viva de um Deus Vivo. Uma Palavra que faz as coisas acontecerem!

Hoje, muitos segmentos da igreja desprezam a Palavra de Deus. Vivem de celebrações, de pretensos sinais, de barulho, de culto ao seu líder, e desprezam a Bíblia, registro proposicional das palavras divinas. A ignorância bíblica de muitos evangélicos é enorme. Uma vez, em Belém, num sábado, parei em um semáforo, de três fases (por isso demorado), em frente a uma igreja neopentecostal. Impressionou-me ver, sob o calor amazônico, dezenas de pessoas saindo de um culto, às 11 da manhã. Olhando mais detidamente sofri outro impacto: nenhuma daquelas pessoas portava a Bíblia. A senhora que nos ajudava em nossa casa pertencia àquele grupo e perguntei-lhe depois sobre isso, e ela me respondeu, ingenuamente: “Nós não precisamos da Bíblia. Tudo nos é revelado. Quando a gente precisa saber alguma coisa da Bíblia, o pastor diz para nós como é”. A Palavra foi trocada pelo palavrório.

A igreja não pode esquecer da Palavra que acontece. E deve esquecer as palavras dos homens, porque elas não acontecem. No livro A fé cristã em tempos modernos, Charles

Colson assim comenta: “Lembremo-nos também de todos os místicos que surgiram nos últimos séculos oferecendo-nos a oportunidade de sermos transportados a um estado superior. A maioria deles simplesmente surge, é festejada, atrai os crédulos (eventualmente fazendo pequenas fortunas) e, então, passa rapidamente ao esquecimento. O que restou dos ensinamentos dos gurus dos Beatles, Maharrishi Mahesh Yogi, ou do amigo de Timothy Leary, Baba Ram Dass, ou do ‘curso de milagres’ de Helen Schuman, ou da teosofia de Madame Blavatsky? Poucos sequer se lembram do que essas pessoas ensinaram!” (p. 74). É verdade. E conclui Colson: “No entanto, durante dois mil anos a Bíblia, muitas vezes sem o auxílio de nenhuma intervenção humana, transformou – e em geral drasticamente – a vida dos que a leram”.

A Bíblia tem poder. Ela registra a Palavra acontecida. Ela fala da Palavra que vai acontecer. Mas perdida na atitude pecaminosa de querer novidades, parte da igreja anda à cata de profetas humanos, desprezando a autoridade da Palavra de Deus. Ela ainda é combatida por teólogos liberais, que negam sua inspiração. E relegada por pseudos intelectuais, que fascinados por homens incrédulos, interpretam-na à luz de pensadores perdidos, sem o conhecimento de Deus.

A igreja precisa voltar à Palavra de Deus. Pensadores cristãos não devem se encantar com a voz da serpente, sempre sagaz e hoje com pose intelectual, que os seduz e os afasta da palavra que Deus falou. A Profa. Dra. Serpente e todo seu entourage intelectual passarão, mas a Palavra ficará. E ai de quem a despreza e a troca por ensinos humanos.

Nunca soube que alguém, no leito, na hora da morte, pedisse para lhe lerem Marx, Hegel ou Weber para seu consolo. Mas quantos, na hora de partir, pedem que lhes leiam o Livro, o Velho Livro da capa preta, a Palavra que acontece! Pregadores: preguem a Bíblia e não pensadores humanos!

Fique com a Bíblia. Dispense os que a negam, fuja dos pregadores que a minimizam e colocam outra fonte de inspiração ou autoridade em seu lugar. Fique com a Bíblia. Ela é a Palavra que acontece.