UM PAI QUE PASSA VALORES AOS FILHOS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Hoje é o dia dos pais, data sem o brilho do dia das mães. A figura da mãe é ímpar, mística, em nosso meio. É mais terna e romântica. O pai leva desvantagem na nossa cultura. Em muitos lares, ele fica com a disciplina dos filhos. Chega em casa, à noite, cansado, e a esposa diz: “Dá um jeito nesse menino!”. Ou: “Dá um jeito no seu filho!”. E o garoto pensa: “Chegou o pai, chegou a bronca!”.

A mídia ocidental massacra o homem. Há muitos livros tipo “Mulheres que amam, e maridos que (alguma coisa ruim)”, “Por que as mulheres fazem isso (algo bom) e os homens (algo ruim)”, ou “Mulheres são isso assim-assim (algo bom) e os homens são assim (algo ruim)”! Os homens estão mal na foto…

E há o desmanche da autoridade. Nas novelas e filmes, os pais são falsos, e os jovens, idealistas. Filhos dão broncas homéricas nos pais, figuras patéticas. Os jovens têm todos os direitos e nenhum dever. Os pais têm todos os deveres e nenhum direito. Os pais nada sabem. Os jovens sabem como tudo deve ser. Pais nao prestam. Mas a Bíblia mostra que o pai, além de provedor, era referência para os jovens. Assim, valho-me de dois vultos bíblicos para pensarmos sobre o pai.

Um é Davi. Deus o chamou de “o homem segundo o meu coração”. O maior rei de Israel, grande guerreiro, líder e administrador, poeta sensível. Péssimo pai. Sua família foi um caos. Há um caso de incesto e um de fratricídio. Dois filhos, Adonias e Absalão, tentaram depô-lo. Falhou como pai! Vemos a razão na forma de criar filhos: “E nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim? E era ele também muito formoso de parecer; e Hagite o tivera depois de Absalão” (1Rs 1.6). Ele não corrigiu o filho. Mimou-o. Há pais que não corrigem e sempre acobertam os filhos. Nunca vêem seus erros. Pais devem orientar e fixar padrões de vida.

O outro é Simão Cireneu (Mc 15.21), que levou à cruz à força. Jesus saía para o Calvário e ele vinha do campo. Era manhã. Passara a noite trabalhando. Era de Cirene, na África. É chamado de “Simão Níger”, “Simão, o Negro” (At 13.1). Tornou-se um dos pastores da igreja. Tinha dois filhos, Alexandre e Rufo. Paulo falou de Rufo e de sua mãe, esposa de Simão: “Saudai a Rufo, eleito no Senhor, e a sua mãe e minha” (Rm 16.13). A esposa de Simão foi uma mãe para Paulo.

Simão não se queixou da cruz. “Só porque sou negro, escravo, me puseram nas costas uma cruz que nem é minha depois que trabalhei a noite toda!”. Levou-a à força. Depois, assumiu-a. Passou-a para a esposa e para os filhos: os dois, pastores; ela, uma mãe para Paulo. Ele passou valores espirituais para toda a família.

O pai cristão deve ter uma fé contagiante. Se exibe a cruz de Jesus em sua vida, os filhos vêem que vale a pena, e a tomam também. Quando o pai assume a cruz, ensina e motiva o filho a levá-la também com satisfação. Se isto não suceder, o pai terá cumprido sua missão.

Ser pai é muito bom. Ser pai cristão é mais, ainda. E ganhar os filhos para Cristo e vê-los servindo a Jesus é fantástico. Seja pai como Simão, não como Davi.