“JESUS… COMOVEU-SE… E PERTURBOU-SE”

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Jesus, pois, quando a viu chorar, e chorarem também os judeus que com ela vinham, comoveu-se em espírito, e perturbou-se” (João 11.33)

Na cultura grega, havia uma diferença entre a Divindade e os semideuses do Olimpo. Como observa o teólogo alemão Joachim Jeremias, a Divindade era impassível, silenciosa e apática. Sentir era receber influência e receber influência era ser inferior a quem influenciava. O Logos grego era inacessível, sem sentimentos. O cristianismo, principalmente o evangelho de João, toma o conceito do Logos, mas não como no helenismo ou como Fílon (uma mistura de Antigo Testamento, Platão e estóicos). O Logos de João, a Razão Criadora que se fez carne, sentia. O cristianismo impactou a cultura grega dizendo que Deus não é apático, mas pático. Ele sente.

Em João 11.33, Jesus se perturba. A Almeida Século 21 traduziu por “comoveu-se profundamente”. A Linguagem de Hoje por “comovido e aflito”. Chouraqui por “estremece” e “perturba-se em si mesmo”. Uma Divindade que sente e se choca com o sofrimento humano!

Os capítulos de 11 a 13 são marcados pelas emoções de Jesus. Em 11.33, ele se perturba. Em 12.17, diz “a minha alma está perturbada”. Em 13.21, com a proximidade da traição de Judas, João diz que ele “turbou-se em espírito”. Ele chorou por Lázaro (11.35) e depois chorou por si mesmo (Hb 5.7). Isto não o diminui, mas engrandece. Nosso Salvador sentia a dor dos amigos, e sentia dor, também, inclusive a moral, a da traição. Esta dói muito mais que a física. Os anestésicos e a capacidade física da pessoa ajudam a resistir à dor física. Mas a dor moral machuca muito e custa a cicatrizar.  Jesus sabe o que é dor. Sabe é o que perder amigos. Sabe o que é ser incompreendido e difamado. Ele foi “homem de dores, e experimentado no sofrimento” (Is 53).

Você que sofre, lembre-se disto: seu Salvador sabe o que é sofrer. Como diz um antigo hino: “Deus te compreende as dores”. Um pai perguntou a um pastor: “Quando meu filho morreu, onde é que Deus estava? O que ele estava fazendo quando meu filho morreu?”. Respeitando a dor do homem, o pastor se calou. Mas no dia seguinte, visitando-o, disse: “Quando seu filho morreu, Deus estava no mesmo lugar em que estava quando o Filho dele morreu. E estava fazendo a mesma coisa que estava quando o filho dele morreu”. Toda a Trindade sente e sofre. Tanto que o Espírito intercede por nós, e gemendo (Rm 8.26).

Você sofre? Deus não o abandonou, não perdeu o poder nem você é um crente inferior. Não posso lhe garantir o porquê nem o que Deus pretende. Mas garanto: ele sabe, ele sente. Ele é o Deus que enxuga as lágrimas dos olhos do seu povo. Um dia, não haverá mais lágrimas nem sofrimento: “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4).

E enquanto este dia glorioso não chega, que fiquem sempre em nossa memória as palavras de 2Coríntios 1.3-5: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo transbordam para conosco, assim também por meio de Cristo transborda a nossa consolação”.

Jesus se comove com o sofrimento dos seus seguidores. Ele sabe o que você passa. Espere nele.