PROVOCAÇÃO E PATRULHAMENTO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 10.10.10

No boletim passado falei do livro “1822”, de Laurentino Gomes. Disse que lera seu livro anterior, “1808”, que trata da chegada de D. João VI, ao Brasil. Ele foi o único monarca europeu a morar na América. Reli trechos do “1808”, para ajuntar com as informações de “1822”.

Laurentino fala do Paço Imperial, onde D. João, como rei, despachou com os ministros. A antiga sala do trono está vazia. Vez por outra se usa para eventos culturais. Laurentino comenta um deles: “No começo de novembro de 2005, a sala do trono, no andar superior, onde D. João VI despachava com seus ministros, estava ocupada por uma exposição de artes plásticas em que rosários católicos espalhados pelo chão reproduziam o formato da genitália masculina. Ainda que seja da natureza da arte surpreender o desafiar o senso comum, a exibição desses objetos naquele local, que por tantos anos abrigou uma das cortes mais religiosas e carolas da Europa, se resumia a uma provocação de mau gosto” (p. 19). Não só mau gosto: grosseria.

Quando uma escola de samba carioca quis desfilar usando símbolos cristãos, a Igreja Católica protestou. Agrediram-na! Alegaram cerceamento da liberdade de expressão, e caíram de tacape na Igreja. Mas diga que não aceita o movimento gay e o seu direito de expressão desaparecerá. Querem liberdade de expressão só para si ou para chocar os que têm conceitos diferentes dos seus. Os grupos que querem desconstruir o estabelecido têm uma incrível vocação fascista, além de serem grosseiros e patrulheiros. Alguém, por isso, criou o neologismo “Gaystapo”, porque certos grupos, mais que defender seus direitos (que a democracia lhes dá), patrulham os discordantes e tentam calá-los. Hoje há um esforço enorme para calar quem discorda das posições que nos são empurradas pelo lobby do pecado.

A verdadeira batalha espiritual se dá na área da cultura. É comum o ato de tentar calar vozes cristãs e enaltecer o anticristão. A virtude é zombada e o erro enaltecido. Gosto de assistir o seriado Law & Order, mas notei algo. Duas vezes apareceu a figura de um pastor. Como assassino. Os praticantes de conduta que dizemos pecaminosa sempre são gente boa. Pastores são bandidos. Pecadores são suas vítimas. A mensagem é sutil e forte. Participei de uma sociedade cultural que se diz não religiosa e que veda o proselitismo religioso em suas reuniões. Por três vezes alguém leu artigos de Chico Xavier. Pedi para ler um trecho de Lutero e fui obstado: ali não se discutia religião. Quem acha que Satanás se ocupa em fazer pessoas caírem nos cultos é ingênuo. Ele é sagaz e aceita esta caricatura porque desvia o foco de sua ação. Ele trabalha nas mentes. Ele quer moldar uma sociedade sem valores, e assim, desfibrada.

O momento atual requer de nós muito discernimento espiritual. Há projetos anticristãos em pauta para nos atingirem. Precisamos orar e cultivar uma visão bíblica do mundo, para entender o que se passa. Cada um de nós é chamado à luta para sustentar os valores do reino de Deus. Esta luta começa em nossa vida, com integridade. É hora de assumirmos os valores do reino. Com seriedade.