“NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS”

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar” (João 14.2).

Recordo-me que, criança de dez anos, saído da missa, na Igreja de São Tiago, na Praça 24 de Outubro, em Inhaúma, meu bairro de criação no Rio, ter me perguntado: “Se eu morrer será que vou para o céu?”. Em casa, comentei isso com minha mãe. Já envolvida com o espiritismo, ela apenas me disse: “Deixa de bobagem, menino!”.

Aos catorze anos conheci o evangelho, e fui batizado no dia em que completei quinze anos. A questão ficou me suficientemente clara. Eu iria para o céu. Não por ter abraçado uma nova fé ou por ser bom. Por causa de Jesus Cristo. Ficou muito claro para mim que Jesus salva o pecador que se arrepende e crê. Quando o Pr. Falcão Sobrinho pregava, o Espírito me mostrou isto. Assim, estas palavras de Jesus me acalentam o coração: ele foi preparar lugar. Quando morrer, irei ter com ele. Esta certeza não tem a ver com ser batista, mas com Jesus. Ele é o Salvador. Como bem diz um hino que, infelizmente, deixamos de cantar: “Para o céu por Jesus irei, para o céu por Jesus irei. Grande é meu prazer de certeza ter: Para o céu por Jesus irei”.

A certeza da salvação e a convicção de que moraremos com Cristo é o que de mais importante o cristão pode ter. Para seu auto-empobrecimento e para desgraça do mundo, muitos segmentos da igreja pararam de pregar sobre o céu, o lugar que Jesus foi preparar para nós. O secundário, a vida aqui, se sobrepôs ao essencial, a eternidade, a vida do lado de lá com Cristo. O que importa é ser feliz aqui, e não ser salvo por toda a eternidade.

Li sobre o conceito de kalpa, entre os orientais. Ele pode ser expresso assim: na eternidade há um bloco de granito de um quilômetro cúbico. A cada mil anos, um pássaro pousa por um segundo sobre o bloco. Quando o bloco se gastar por erosão sob as patas do pássaro, a eternidade terá começado. Cuidar da vida material é bom, mas ela se esvairá, nossos pertences com ela. Mas e a alma? Parece que os mesmos segmentos materialistas (tanto os que acham que a função da igreja é apenas social como os que pregam apenas o bem-estar material) não se preocupam muito com a alma. Toda a teologia e toda pregação do passado estão erradas. Dão-nos novo evangelho: o do aqui e do agora, sem nada no futuro. Para que igreja, então? Ela é a única instituição que pode falar sobre o céu com toda convicção. Se ela não o fizer, quem o fará? E se ela não fizer, para que existe? A pregação da igreja tem que ser soteriológica e cristológica. Se não for, não há razão para existir.

“Se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de lástima” (1Coríntios 15.19). Cristo foi nos preparar lugar. A igreja deve pregar isto ao mundo. Há vida eterna. Ela é possível por causa da obra de Cristo na cruz. Vamos morrer, mas, como disse Paulo: “Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (1Coríntios 15.20). Ele venceu a morte. Nós também a superaremos, e entraremos no lar celestial que ele foi preparar.

Graças a Jesus, a sepultura não é nossa última morada. Nosso destino final é a casa do Pai.