AFINAL, O QUE É UM EVANGÉLICO?

Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 21.11.10

Convidei alguém, em Macapá, a vir à igreja. Ele me disse que era evangélico. Perguntei qual sua igreja, pois não pesco em aquário. A resposta foi: “Renovada. Sou avivado!”. Perguntei onde ficava o templo de sua igreja. Não sabia. Morava em Macapá há dois anos e desconhecia o grupo do qual dizia ser. Afastara-se da igreja, deixara a esposa, vivia maritalmente, e cheirava a fumo e álcool. Mas era “avivado”.

Tive que lhe dizer: “Você não é avivado. É desviado do evangelho”. Um avivado não ama o pecado: “Quem é filho de Deus não continua pecando, porque a vida que Deus dá permanece nele. E ele não pode continuar pecando, porque Deus é o seu Pai” (1Jo 3.9). As pessoas se ligam em rótulo, não em conteúdo. Para elas, ser avivado é gritar no culto. Uma vez, uma senhora me disse que era da igreja que cria no Espírito Santo. Perguntei: “O que é o Espírito Santo?”. Ela me disse que era o poder de Deus na sua vida. Disse-lhe que não era isso.  Era uma pessoa divina, que convence do pecado, da justiça e do juízo, que nos converte, mostra-nos Cristo, nos ensina as Escrituras, trabalha em nós produzindo santificação, e nos aproxima de Deus. Não era fio desencapado, dando choque nas pessoas para se agitarem. Ela deveria colocar sua fé em Jesus, o nome sobre todo o nome, Senhor e Salvador, sentado à destra de Deus, que voltará em poder e glória para julgar o mundo. Acuada, ela disse: “O senhor fique com a Bíblia e eu fico com o Espírito Santo”. E fechou a cara quando eu disse que só há um Espírito Santo, o da Bíblia. Sem a Bíblia nada sabemos. Ela é a revelação de Deus ao homem. A mulher idealizara um espírito do seu tamanho, mas não o Espírito Santo.

Ser evangélico não é optar por um estilo de liturgia expansiva e achar que as demais são frias. É como disse Jesus: “As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão. O poder que o Pai me deu é maior do que tudo, e ninguém pode arrancá-las da mão dele” (Jo 10.27-29).

Um evangélico ouve a Cristo e se compromete com ele. Tem certeza da salvação, e persevera. É a segurança eterna do salvo: salvo para sempre. O homem não é o sujeito da salvação, mas o objeto. Ele não se salva. É salvo por Cristo. Ninguém o tira das mãos de Jesus e do Pai. Ele quer ser santo: “E todo aquele que tem essa esperança em Cristo purifica-se a si mesmo, assim como Cristo é puro” (1Jo 3.3). Ser evangélico não é ser barulhento. É ter caráter: “Mas não foi essa a maneira de viver que vocês aprenderam como seguidores de Cristo. Com certeza vocês ouviram falar dele e, como seus seguidores, aprenderam a verdade que está em Jesus. Portanto, abandonem a velha natureza de vocês, que os fazia viver uma vida de pecados e que estava sendo destruída pelos seus desejos enganosos. É preciso que o coração e a mente de vocês sejam completamente renovados. Vistam-se com a nova natureza, criada por Deus, que é parecida com a sua própria natureza e que se mostra na vida verdadeira, a qual é correta e dedicada a ele” (Ef 3.20-24).

Isto é um evangélico. Nisto crê um evangélico. O resto é invenção. Porque barulho sem caráter é inútil.