O BOM CONSELHO DO GENERAL PEDRO D’ALMEIDA

Em 1755, Lisboa foi destruída por um terremoto. O rei Dom José perguntou ao general Pedro D’Almeida, marquês de Alorna, o que fazer. A resposta foi: “Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”.  O conselho foi levado a sério, tanto que a reconstrução de Lisboa começou no dia seguinte. Com as riquezas da colônia brasileira, o que aumentou a idéia de separação do Brasil de Portugal.

Interpretemos a resposta de Pedro D’Almeida. Sepultar os mortos significa que não adianta chorar o passado. Cuidar dos vivos significa que, feito isto, há que cuidar do presente. E fechar os portos para evitar saqueadores que se aproveitariam da situação. Acautelar-se para evitar mais desastres.

Por vezes sofremos terremotos na vida. Há quem gaste a maior parte do seu tempo e de suas emoções chorando as pedras derrubadas. Não sepultam os mortos. Revivem sempre o passado e não refazem a vida. Não é produtivo. Há os que não cuidam dos vivos, exatamente por ficarem chorando as pedras derrubadas. Surgem mais mortos. Outros não fecham os portos. Continuam com áreas frágeis nas quais não investem e sofrem novos baques.

Jeremias gastou tempo a contemplar as pedras derrubadas: “Eu me lembro da minha tristeza e solidão, das amarguras e dos sofrimentos. Penso sempre nisso e fico abatido”. (Lm 3.19-20). Isto prejudicou sua saúde (e ainda culpou Deus por isso): “Deus fez envelhecer a minha carne e a minha pele e quebrou os meus ossos” (Lm 3.4). Cultivar a dor do passado e viver nele é envelhecer mais cedo. Física e espiritualmente. Perde-se o vigor.

Mas depois ele foi cuidar dos feridos: “Todavia, lembro-me também do que me pode dar esperança” (Lm 3.21). O que podia lhe dar esperança era a bondade divina: “Graças ao grande amor do SENHOR é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis” (Lm 3.22).  Uma atitude positiva. Houve um terremoto no passado, mas não se pode contemplar as pedras e chorar os mortos para sempre. É melhor tomar uma atitude construtiva. No caso dos que sofrem abalos em sua experiência, isto significa reconstruir a vida.

Jeremias também fechou portos. No caso, reconheceu o erro, para evitar mais males. Logo depois, pediu perdão: “Como pode um homem reclamar quando é punido por seus pecados? Examinemos e coloquemos à prova os nossos caminhos, e depois voltemos ao SENHOR. Levantemos o coração e as mãos para Deus, que está nos céus, e digamos: Pecamos e nos rebelamos, e tu não perdoaste” (Lm 3.39-42).  A confissão de pecados e o pedido de perdão são indispensáveis para acertar a vida com Deus. A vida só entra nos eixos quando nos vemos como somos, sem ilusões e sem máscaras.

Você sofreu algum terremoto? Chorar por ele não adianta muito. O melhor é cuidar dos feridos, isto é, buscar a solução do problema, apelando para a graça de Deus. E fechar os portos para impedir novos desastres. No caso de Jerusalém, chorada por Jeremias, era o pecado contra Deus. No seu, pode ser pecado, desatenção na vida, despreparo ou até mesmo algo inocente. Busque a ajuda divina para fechar os portos.

Tinha razão o marquês de Alorna. Consertar é melhor que lamentar.

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho