UM NOVO DEUS NO PEDAÇO

Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da IBC de Macapá, 7.11.10

Balões de ensaio lançam um novo Deus no pedaço: o Estado. Ingênuos os ignoram ou acham que quem os vê é alarmista. Mas basta conhecer um pouco de história (não sou um historiador; apenas curioso) e ter alguma noção do rumo do pensamento humano.

O Apocalipse é um dos livros da Bíblia que mais leio e onde mais bebo. Ele me encanta. Trata da meta-história, a história além da que vivemos. Sem ser milenista, vejo nele a história da igreja e o triunfo do Cristo-Cordeiro, que virá encerrar a história.

Assisti a um filme, de feitura profissional, sobre o Apocalipse. João é mostrado banido com outros cristãos, em Patmos. O imperador romano se proclamara Deus. Com ele surgira uma nova era. De ódio aos cristãos. Não tolerava dissidência de opinião. Sua voz não podia ser questionada. A hostilidade foi grande quando cristãos recusaram a visão moral e religiosa do Estado.

Não sou alarmista. Centenas de artigos, dezenas de livros e de revistas provam isto. Mas vejo grande semelhança entre o Estado romano e o atual. Uma riqueza desonesta e indecente dos poderosos, culto ao poder e à matéria, o adultério como virtude, apologia do homossexualismo, o aborto como prática comum, desrespeito à vida e a divinização do poder civil. Que, personificado em César, não podia ser contestado. O culto ao poder civil divinizou o governante. Não cultuando o poder, os cristãos foram hostilizados. Primeiro, perseguidos. Depois, banidos. Por fim, mortos.

O poder civil quer controlar a diversão. Insta as pessoas a torcerem pela seleção em locais designados por ele, ao invés de se reunirem com a família. Quer nos ensinar a criar os filhos, proibindo palmadas. Ensinar sexualidade será questão do Estado, não dos pais. Fala-se na venda de preservativos em escolas. O poder civil quer controlar tudo. Quando cristãos opinaram contra o aborto (parte do projeto de poder), chamaram-nos de fanáticos que querem impor sua religião aos demais. De má fé, confundiram valor ético, produto de uma visão do mundo, com doutrina religiosa. Mas quando o Estado recebe aplausos de religiosos (bajuladores há em todo lugar), não recusa. Aceita a religião submissa.

O Estado-Deus alemão foi gestado por intelectuais (não por analfabetos) como Fichte, Treitschke e Nietzsche. Teólogos, que devem orientar a igreja, saudaram Hitler. Niemoller alegrou-se com o triunfo do nazismo. O Estado se tornou Deus. Isto não é coisa do primeiro século ou de boçais. É contemporâneo e preparado por pensadores.

Quer-se que discordar do homossexualismo seja crime. Não se poderá pregar contra feitiçaria. Querem nos dizer o que pregar.  Não haverá liberdade de opinião. Os tolerantes são intolerantes com seus discordantes.

Isto não tem a ver com Dilma ou com Lula, que são apenas pingos na história. Tem a ver com Alguém que age nos bastidores, agrupa forças e até correntes religiosas, e, como o anti-Cristo, quererá se entronizar como Deus. Querem nos impor uma nova/velha religião, a religião civil, e seu Deus: um Governante Iluminado e Sábio, que nos dirá o que fazer, em que crer, e nos vedará opinar e discordar.

Não somos párias inúteis. Somos cidadãos esclarecidos. Temos nossa fé e nossos valores. Devemos abrir os olhos para evitar problemas mais sérios. É tempo de união e de reflexão. E de discernimento espiritual, muito mais que de paixão ideológica.