A FOME DOS CRISTÃOS DE ZÂMBIA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da IBC de Macapá em 26.12.2010

Li no site da ADIBERJ (Associação dos Diáconos Batistas do Estado do Rio de Janeiro) que “centenas de cristãos africanos estão prontos para ingressar no campo missionário. Mas infelizmente, muitos deles não têm recursos para fazê-lo”. Um missionário da Zâmbia queria evangelizar os muçulmanos, na Tanzânia. Precisava de US$ 500 para as despesas, incluindo um colchão, bicicleta e US$ 50 por mês. Sua igreja decidiu enviá-lo e para isso vendeu roupas e deixou de fazer a terceira refeição do dia. Após algumas semanas, conseguiu enviar o obreiro para o campo. Sobre sua fome voluntária de alimentos avulta outra fome, a de anunciar Jesus ao mundo.

No Brasil, muitos buscam uma igreja para serem abençoados e terem coisas. Até supérfluas. Muitos gostam de testemunhar como Deus os abençoou e passaram a ter mais bens, com os quais se julgam especiais de Deus.  Não é um testemunho de fé, mas de infantilidade espiritual e de baixa compreensão do que é o evangelho. Fazem correntes de prosperidade e sustentam gurus que “os tornarão melhores de vida”. Até nas igrejas tradicionais, as pessoas avaliam espiritualidade pelo que ajuntam. Muitos têm coisas, mas sua pequenez espiritual é lamentável!

Vejo muito o adesivo “Sou abençoado!”. Nunca vi um “Sou comprometido!”. Reflexo da visão míope de ver Deus como provedor e o evangelho como um meio de conseguir uma vida segura e feliz. Uma passagem de primeira classe por este mundo. A igreja passa a ser o lugar aonde vamos receber coisas boas, e não a comunhão com os santos, onde adoramos, servimos aos outros e nos fortalecemos. O culto passa a ser festa e agito, porque gostamos disso, e não quebrantamento. Levantamos as mãos, mas não dobramos os joelhos. Não choramos nossos pecados, mas vemos os alheios.

Os cristãos de Zâmbia são um modelo. Têm recursos escassos: renda de menos de um dólar por dia. A vida lhes é dura. E testemunhar aos muçulmanos é bem mais difícil que pagar ingresso para um show gospel. A muitos de nós sobram recursos. Futilmente gastos. Como somos pobres! E como esses africanos são ricos!

Quando o evangelho e a igreja de Jesus forem nossa paixão e formos comprometidos com eles, muita coisa mudará no mundo. Nossa própria vida se encherá de sentido como nunca pensamos! Gastar-se e investir recursos na obra de Deus trazem uma recompensa emocional e espiritual que nada substitui!

Qual é nossa paixão? Nós mesmos?  A dos cristãos de Zâmbia é o evangelho de Jesus. Têm pouco, mas estão realizados. E quanta gente abastada está frustrada! Cristãos narcisistas nunca são felizes. Porque lhes falta sentido de missão. Quando isto acontece, o muito material é um nada emocional.

“Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês”, disse Jesus (Mt 6.21).Se nosso bem maior forem coisas, nosso coração será mundano e pequeno. Se nosso bem maior for o evangelho de Jesus, investiremos nele. E seremos realizados. Que nossa maior riqueza seja espiritual: a certeza de estar investindo bens, tempo, emoções e vida no evangelho de Jesus! Como os cristãos de Zâmbia. A eles, meu respeito e minha admiração!