E ELE FOI DE VEZ, MAS…

“Assim Abrão desarmou o seu acampamento e foi morar perto das árvores sagradas de Manre, na cidade de Hebrom. E ali Abrão construiu um altar para o Deus Eterno” (Gênesis 13.18)

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Já vimos que Ló foi armando suas tendas aos pouquinhos, cada dia mais perto, até chegar a Sodoma. E que Abraão adotou o costume de levantar altares a Iahweh aonde chegava. Agora Abraão arma sua tendas, não aos pouquinhos, mas de vez, próximo das árvores sagradas de Manre. Provavelmente um carvalhal, onde havia o carvalho Moré, também visto anteriormente.

Se Manre não tinha a imoralidade de Sodoma, tinha o paganismo da adoração a árvores sagradas. Abraão foi de vez para lá, não como Ló, que foi aos pouquinhos para Sodoma. Mas há uma diferença fundamental entre os dois. Abraão edificou ali um altar a Iahweh. Este era um dos traços marcantes de sua personalidade. Ele chegava num ambiente pagão, reduto de sacerdotes pagãos, mas levantava ali um altar ao seu Deus. Assim, podemos estabelecer uma diferença entre dois servos de Deus. Um que assimilava os padrões do ambiente onde se estabelecia. E outro que marcava presença, afirmando sua fé em Deus. Num ambiente de feitiçaria e idolatria, Abraão se manteve firme. Ló foi para um ambiente de imoralidade sexual. Nada indica que tenha sucumbido ao ambiente. Mas ele terminou seus dias em imoralidade sexual, praticando incesto com as duas filhas (Gn 19.30-38). E geraram dois povos que se tornaram problemas monumentais para o povo de Deus! Como Ló atrapalhou! Manre não deixou marcas no caráter de Abraão. Mas Sodoma e Gomorra deixaram marcas na vida de Ló.

A questão que se nos opõe é esta: qual dois é nosso modelo? Levantamos altares ao nosso Deus no ambiente hostil ou assimilamos os padrões do ambiente onde estamos? Num folder de uma instituição evangélica leio que a única maneira de criar um novo homem e um futuro é pela política. Estranho! E mais estranho se torna porque esta declaração no folder vem de um teólogo. O teólogo e a instituição entendem que seu trabalho não vale nada e que só a atividade política pode fazer aquilo que o evangelho de Jesus promete, criar um novo mundo. Para piorar a situação, a instituição declara que a religião é uma manifestação social. Não abre espaço nem para ver o evangelho como uma revelação de Deus, no tempo e no espaço. Isto soa mais parecido com Ló que com Abraão. É a visão de Ló, não em termos de moral, mas de ser afetado pela cultura do mundo. Quantos “teólogos”, hoje, que descrêem de Jesus, do nascimento virginal, de sua ressurreição e sua ascensão! Que negam o conteúdo revelacional das Escrituras, tendo-a como mero registro de uma interpretação religiosa de um evento social! São discípulos de Ló, que mais males causam à igreja que o próprio mundo!

Como precisamos de cristãos que levantem altares entre os pagãos, e que marquem sua presença num mundo sem Deus! E como prejudicam a obra de Deus aqueles que se deixam contaminar pela cultura do mundo e com ela permeiam o evangelho, descaracterizando-o!

Precisamos levantar altares nas universidades, na política, no comércio, nos escritórios, nas fábricas e nos consultórios. Um seguidor de Jesus pode estar no carvalhal, em Manre, no meio dos cananeus, mas deve levantar um altar para Jesus Cristo!

“Todo o povo de Deus daqui manda saudações, especialmente os do palácio do Imperador”, disse Paulo aos filipenses (Fp 4.22). Trinta anos depois da morte de Jesus, condenado pelo Império Romano, já havia cristãos no palácio do Imperador. Foi um processo lento, mas o evangelho tomou Roma infiltrando-se em todos os níveis, inclusive a casa imperial. É assim que devemos fazer. Infiltrar-nos em todos os lugares. Não com a mentalidade de Ló, deixando que o mundo se infiltre em nós. Como Abraão, levantando altares num ambiente pagão, e deixando bem claro a quem somos leais.

Cristão, levante um altar a Jesus onde você estiver! Não se envergonhe dele. Diga como Paulo: “Eu não me envergonho do evangelho, pois ele é o poder de Deus para salvar todos os que crêem, primeiro os judeus e também os não-judeus” (Rm 1.16).