UM NATAL DIFERENTE

Tarcísio Farias Guimarães,

Pastor da Primeira Igreja Batista em Divinópolis (MG)

O Evangelho de Mateus apresenta com vivacidade a disposição de uns magos do Oriente por encontrar o Cristo de Deus entre os judeus, há aproximadamente dois milênios. Eles perguntaram abertamente: “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente, e viemos a adorá-lo” (Mateus 2.2). Todavia, o cruel Herodes, temendo ser o cumprimento da profecia messiânica o encerramento da sua carreira política, planejou matar o menino procurado (Mateus 2.3, 16), tentando conquistar a simpatia dos magos e declarando falsamente que queria conhecer o menino para prestar-lhe adoração (Mateus 2.7, 8).

Em nossos dias, muitos agem à semelhança do rei Herodes. Declaram adoração ao Messias, mas, na verdade, não estão interessados nos planos de Deus ou na satisfação de Jesus Cristo, razão da celebração natalina. Precisam urgentemente pensar numa celebração diferente daquilo que praticam irrefletidamente e, quem sabe de modo inédito, prestar verdadeira adoração a Deus, o amado Pai, que se encarnou na pessoa real e histórica de Jesus, para habitar entre os homens e chamá-los de volta aos planos amorosos desse mesmo Deus.

É preciso celebrarmos um Natal com referenciais bíblicos, cuja apresentação seja a recordação das profecias que anunciam o Salvador e da vida de Jesus, para que muitos compreendam o nascimento do menino judeu como parte da providência de Deus, em favor de pecadores incapazes de resolver sua própria angústia, diferentemente do Natal esvaziado de conteúdo cristão e em nada vinculado às Escrituras na sua celebração hodierna.

É urgente celebrarmos um Natal cheio da presença transformadora de Cristo, que não tolera vícios e demais exageros tão comuns nesta época, afinal, se alguém celebra o surgimento da Luz que dissipa trevas (Isaías 9.2), sua vida precisa suplantar em muito a luminosidade das luzes que vemos nas decorações natalinas.

É indispensável aos cristãos celebrar um Natal sem tons comerciais, que tem sido elaborado e propagado tão somente para dar suporte ao consumismo desenfreado, conseqüentemente levando muitos às dívidas e à troca de satisfação espiritual por aquisição de bens. Neste Natal diferente não será preciso comprar roupa nova, mas vestir-se da novidade de vida que há em Cristo Jesus (Colossenses 3.10).

É necessário em nossos dias celebrarmos um Natal que não seja um evento, um feriado oficial, uma data apenas no mês de dezembro, mas que, ao utilizarmo-nos desta data em que tantos estão abertos à história natalina, convidemos estas pessoas a andarem com Deus dia a dia e com Ele construírem um relacionamento saudável para todos os meses do ano.

É tempo de celebrarmos um Natal comprometido com a proclamação do Evangelho, que não apenas promova beleza musical e entretenimento, mas que confronte os homens com o imperativo do arrependimento e da fé em Cristo. Um Natal que não seja celebrado apenas para confraternização entre os homens, mas principalmente destes com Deus, o mesmo Deus que um dia nos julgará com justiça e lembrará da sua graça manifesta em Jesus, oferta viva para salvar pecadores e fazê-los diferentes do homem egoísta e sem Deus sobejamente celebrado em nossos dias.

Feliz Natal diferente com Cristo!