E AGORA, MALCO? O QUE FAZER?

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

“Então Simão Pedro, que tinha uma espada, desembainhou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco” (João 18.10).

Homem curioso. Famoso não por si, mas pela orelha. Não fosse ela, ninguém saberia que ele existiu.  Nada sabemos dele, além de que era servo do sumo sacerdote, e seu nome. Malco é a forma helênica do hebraico Meleque, “rei”. A tradução de Chouraqui diz que sua orelha foi “decepada”. Parece ter havido uma pequena luta entre o grupo que veio prender Jesus, do qual ele fazia parte, e alguns discípulos. E eis sua história: na luta ele perde a orelha, Jesus a recompõe (conforme Lucas), e pronto. Só isso. Nada mais se fala dele.

Mas imaginemos algumas perguntas que poderiam ser feitas a ele:

 

1. Você foi prender um homem que era tido como criminoso. E dos perigosos, porque vocês foram armados. Ele não se defendeu, não lutou, não fugiu. Aceitou passivamente ser preso e pediu que liberassem os demais, já que procuravam por ele. Você não acha isso estranho?

 

2. Você e ele estavam em lados opostos. Eram adversários, tanto que um dos que estavam com ele feriu você. Ele interveio e até impediu coisas piores. Você não acha isso estranho?

 

3. Você teria dificuldades bem sérias com a orelha decepada. Sangraria muito, até chegar a um lugar aonde fosse medicado. Pegaria poeira e poderia infeccionar. Que você ficaria sem a orelha é certo. Ele ainda teve tempo para curar você. Você não acha isso estranho?

 

4. Você foi a última pessoa que recebeu um milagre dele. Você já tinha ouvido falar de alguém efetuar milagres para beneficiar os inimigos? Você não acha isso estranho?

 

5. Você foi o penúltimo que ele beneficiou. Na cruz ele ainda teve tempo de beneficiar um criminoso. Que zombava dele até poucos minutos atrás, antes de cair em si. As duas últimas pessoas que ele beneficiou foram adversários. Você não acha isso estranho?

 

6. Você sabe o nome disso, Malco? É GRAÇA!

 

7. Pois é, Malco. E agora, o que fazer? Ficar indiferente? Isso seria rejeitar a graça. Rejeitar a graça é uma desgraça.

 

Essas perguntas aqui expostas seriam as mesmas perguntas que poderíamos encaminhar para muitas pessoas que são beneficiadas pelo Senhor Jesus, em nossos dias. Gente que é abençoada por ele. Alguém ora por essas pessoas e a graça de Jesus opera em suas vidas. Um pai ou uma mãe ora pelo filho, chora de joelhos, e a graça livra o filho de um desastre. Gente que não sabe (ou sabe erradamente) sobre Jesus é abençoada por causa de sua graça, que é sempre desconcertante e não obedece aos nossos parâmetros.

 

Quanta gente, como Malco, é agraciada pelo Senhor Jesus, mesmo sendo indiferente! Talvez o leitor! E nunca reconheceu isto!

 

Conheci um homem não crente que teve problemas com uma pessoa que lidava com demônios. Esta pessoa procurou um feiticeiro para fazer mal ao homem. O feiticeiro disse: “Estou impedido de tocar nesta pessoa porque seu filho ora por ele todos os dias. Há uma sombra protetora sobre ele”. Este homem foi impactado pelo testemunho do feiticeiro e se firmou de vez na fé. Os métodos de Deus não são convencionais. Além de graça, ele tem soberania: faz o que quer, quando quer, usa quem quer e não deve nada a ninguém por isso.

 

E aí, Malco do século 21? Já decidiu o que fazer? Sugiro-lhe pensar no Salmo 116.12-14: “Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor. Pagarei os meus votos ao Senhor, na presença de todo o seu povo”. Passe para o lado do homem que conserta orelhas dos que estão contra ele.