Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito.

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

O tema de hoje é o amigo. No hebraico não há uma palavra para “concidadão”, alguém da mesma pátria. A palavra mais próxima disto é “amigo”.  A outra é “irmão”.  O princípio é que todos os hebreus eram irmãos (descendiam do mesmo pai) e todos deviam ser amigos. Amigo era o máximo de comunhão e de intimidade, fora da família sangüínea, que duas pessoas podiam ter. Como é o amigo de Provérbios? Como deve ser o amigo cristão?

 

  1. A PALAVRA
  2. Amigo é o hebraico rea’. Tem o sentido (e é traduzido assim) de vizinho, companheiro e próximo. Em Levítico 19.18, por exemplo, é traduzida por “próximo”. O amigo é alguém próximo e não apenas uma pessoa indefinida ou um colega de profissão. Não é uma abstração. É alguém ligado. Por isto, o verdadeiro amigo ama sempre: Provérbios 17.17. Como a amizade entre Davi e Jônatas: 1Samuel 18.1-4. Entre os orientais, a amizade assim entre duas pessoas do mesmo sexo é algo normal.

     

  3. O TRATO
  4. Como os amigos se tratam? Eles não maquinam mal um contra o outro: 3.29, onde “próximo” é rea’. Mesmo quando se sabe algo ruim sobre o amigo (próximo), deve-se ter cautela no falar: 25.8-9. Nunca se deve desprezar um amigo (próximo): 11.12. Desprezar um amigo (vizinho) é pecado: 14.21. Um bom amigo acaba sendo um guia para o outro: 12.26. Isto tudo um cristão deve ser. Ele não planeja mal contra ninguém, não espalha comentários sobre os outros, não despreza e serve de orientação para outros. Ele é um referencial.

     

  5. CARACTERÍSTICAS DO BOM AMIGO (VIZINHO, PRÓXIMO)
  6. (1)     A primeira é a constância. Há gente que é amigo de quem está por cima: 14.20 e 19.4. Mas o verdadeiro amigo é mais chegado que um irmão: 18.24. Um amigo nunca abandona o outro e vale mais um amigo perto que um parente longe: 27.10.

    (2)     Outra é franqueza. A crítica de um amigo vale mais que o beijo de um inimigo: 27.6. A crítica construtiva é melhor que a bajulação, inclusive: 27.5. A preocupação não é destruir, mas ajudar o amigo. Mas lembremos que há uma diferença entre franqueza e grossura.

    (3)     Outra é o bom conselho. Um bom amigo traz palavras de conselho, é uma pessoa encorajadora: 27.9. Foi assim que Jônatas agiu com Davi: 1Samuel 23.16. Amigos não esfregam sal na ferida, mas aconselham e consolam. Amigos aprendem uns com os outros: 27.17, LH. Os amigos de Jó deram grande apoio enquanto estiveram calados. Quando abriram a boca foram até cruéis com palavras. Precisamos ter cautela. Os crentes sabem ser cruéis com palavras. Saber calar, algumas vezes, é mais sábio que saber falar.

    (4)     A última é bom senso. Isto é, saber respeitar os sentimentos alheios. Um amigo não obriga o outro à sua companhia. Ou seja, não “força a barra” para ser aceito:  25.17.  Não busca ser alegre na hora errada (25.20). Não é falso no apoio (27.14). Nem extrapola as brincadeiras: 26.18-19. Sabe se portar.

 

CONCLUSÃO

Amigos se apóiam. Têm mútua compreensão e evitam, sabiamente, os choques. No Novo Testamento os amigos se interessam pelos outros (Atos 19.31) e cuidam uns dos outros (Fp 2.25-30). Por vezes, os membros da igreja se chamam de “irmãos”, mas se evitam e nada fazem uns pelos outros. Talvez devêssemos parar de nos chamar “irmãos” e nos chamarmos de “amigos”. Porque há muito irmão que não é amigo.  E o amigo ama em todo o tempo (Provérbios 17.17).