OBEDIÊNCIA E CONSAGRAÇÃO IMEDIATAS

OBEDIÊNCIA E CONSAGRAÇÃO IMEDIATAS

OU

“NO MESMO DIA”

 

“Quando acabou de falar com Abraão, Deus subiu e o deixou. Naquele mesmo dia Abraão fez como Deus havia mandado. Ele circuncidou o seu filho Ismael e todos os outros homens da sua casa, incluindo os escravos nascidos na sua casa e os que tinham sido comprados de estrangeiros.  Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado, e o seu filho Ismael tinha treze. Os dois foram circuncidados no mesmo dia. E foram circuncidados também todos os escravos de Abraão, tanto os nascidos na sua casa como os que tinham sido comprados de estrangeiros” (Gênesis 17.22-27).

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

A obediência à orientação divina era uma prática constante na vida de Abraão.  Ele recebeu do Senhor a instrução sobre a circuncisão. Era um sinal do pacto entre os dois. No mesmo dia o patriarca se circuncidou (aos 99 anos!), bem como ao filho Ismael e a todos os homens de sua casa, incluindo os escravos. Não foi no dia seguinte, mas no mesmo dia. Podemos tirar três lições aqui.

A primeira, já mencionada, é a obediência. Detenhamo-nos um pouco mais nela. Para muita gente, o que mais interessa a Deus é receber o nosso louvor. Mas a Bíblia nos mostra que o que mais interessa a Deus em nossa vida é a obediência. Lemos em 1Samuel 15.22: “Samuel respondeu: – O que é que o Deus Eterno prefere? Obediência ou oferta de sacrifícios? É melhor obedecer a Deus do que oferecer-lhe em sacrifício as melhores ovelhas”. Para o hebreu do Antigo Testamento, o sacrifício era a mais sublime forma de culto que podia haver. Eis que vem um sacerdote, o homem diretamente relacionado com o ato do sacrifício e do culto, e diz que Deus prefere obediência a culto. A igreja contemporânea valoriza o louvor. Porque faz bem a ela. Gostamos de cantar e externar nossas emoções. Aliás, muitos cultos são catarse pura.  Eles são uma oportunidade (ou pretexto?) para externalizar emoções. Pensamos que aquilo de que gostamos é o que Deus aprecia. E achamos que se nos emocionarmos bastante estaremos mais pertos de Deus e o teremos agradado com nosso louvor e adoração. Confundimos fé com sentimento.

 

Deus espera obediência. E obediência radical, não apenas naquilo que de que gostamos. Lemos em Hebreus 11.8: “Foi pela fé que Abraão, ao ser chamado por Deus, obedeceu e saiu para uma terra que Deus lhe prometeu dar. Ele deixou o seu próprio país, sem saber para onde ia”. Abraão obedeceu.

 

A segunda lição, não menos importante, é o fato de que Abraão circuncidou até os escravos. Ele queria que toda a sua propriedade (os escravos eram propriedade, naquele contexto histórico-cultural) pertencesse a Deus. Em nossa vida cristã há o regozijo em dizer que tudo nosso é de Deus e que tudo nosso faz parte da nossa aliança com ele, aliança que ele firmou conosco em Jesus? Há um clamor mundano nas igrejas por bênçãos, felicidade e prosperidade. Queremos um mundo róseo. Queremos boa vida. É para isso que serve a fé, no entendimento de muita gente. Mas o que temos como nosso está consagrado a Deus? Bens, carro, família, dinheiro? Deus é nosso assistente, ou somos cooperadores com ele, divulgando seu reino aqui na terra e usando para esta finalidade o que ele nos faz chegar às mãos? Deus espera consagração de vida, bens e talentos, não apenas nosso culto.

 

A terceira é que, ao circuncidar os escravos e estrangeiros, sendo a circuncisão um sinal da aliança, Abraão desejou que eles também estivessem no âmbito da aliança com Deus. A graça não seria apenas para ele, mas também para os que lhe eram inferiores e para os estrangeiros. Temos esta visão de querer que os demais sejam abençoados como nós, ou nos orgulhamos de sermos abençoados, como se isto nos auferisse um status de grandeza espiritual? Vejo, com freqüência, adesivos e até mesmo pinturas em vidros de veículos: “Sou abençoado”. É como se a pessoa dissesse: “Faço parte de uma elite espiritual. Deus está satisfeito comigo e por isso me abençoa”. Nunca vi um dizendo assim: “Sou abençoador”. Há crentes muito bem aquinhoados, mas até mesmo torrando dinheiro em bobagens, sem investir na sua igreja, em missões, no sustento de obreiros. Por esta imensa Amazônia vejo obreiros que muitas vezes anseiam por uma cesta básica. E, andando por outras regiões, vejo crentes vivendo indiferentes ao reino e à necessidade de obreiros sérios, indo a jogos de futebol comprando ingresso de camarote, pagando até R$ 500,00. São abençoados, sem dúvida. Mas são mesquinhos e espiritualmente míopes. Não abençoam.

 

Envolvimento sério com Deus implica em obediência, consagração da vida e dos bens, e na prática de ações que abençoem os outros. Você é crente obediente à Palavra de Deus ou busca apenas ser abençoado? Sua vida abençoa os outros? Não com aquela oração “desencargo de consciência” tipo “Abençoa, Senhor, os necessitados!”, mas com seus recursos? Abraão não saiu exibindo sua circuncisão e cantando “Ê ô ê ô, sou o escolhido!”. Foi estender a bênção aos demais.

 

Você é aquele tipo de crente que vive buscando bênção ou aquele que procura oportunidades de ser útil e abençoar? É míope ou tem visão espiritual? Seja com Abraão! Envolva os outros nas bênçãos que Deus lhe estende.