GRANDE CONFLICTO… BENGALADAS E SOCCOS

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 3.7.11

 

 

Vinda  de Brasília, Meacir me traz “O Estado de S. Paulo”.  Ler o “Estadão” em Macapá é um refrigério! Nele li a coluna “Há um século”, noticiando o que aconteceu em 26 de junho de 1911. No Rio de Janeiro “houve um jogo de foot-ball entre Botafogo Foot-ball Club e America Foot-ball Club”. Cada “equipo fez um goal”, e “formou-se grande conflicto, havendo troca de bengaladas e soccos”. A grafia é de 1911. Mudou de lá para cá. Mas as pessoas não mudaram.

Ouvimos dizer que o mundo está evoluindo e que nós estamos nos aperfeiçoando, após sucessivas reencarnações. Em 1911 trocavam-se “bengaladas e soccos”. Em 2011, há paus, pedras, barras de ferro, armas de fogo. As pessoas pioraram. Usavam bengalas. Hoje usam barra de ferro.

 

Um amigo me pergunta como é viver no Amapá, no mato, terra de índio. Pergunto-lhe como é viver em favela, terra de traficante, pois a cidade em que ele mora é conhecida por ter mais de mil favelas. Ele retruca: índio é selvagem. Pergunto se ele vê os jornais televisivos sobre a cidade onde mora. Quem é o selvagem? A urbanização da humanidade não a melhorou. O tempo não a melhorou. A escolaridade não a melhorou. A mídia se impressiona ao ver jovens das classes média e alta no crime. Visão ingênua! Desde quando as pessoas se tornam santas por causa dos bens que possuem?

 

São duas a lições a tirar. A primeira: O homem é a mesma coisa em qualquer época. O século 20, “século das luzes”, viu Hiroshima, Nagasaki, Torres Gêmeas e Stálin, Hitler, Fidel e Mao. Viu o horror do nazismo, de direita, e o horror do socialismo, de esquerda (embora a direita seja demonizada e a esquerda sacralizada). A segunda: O mal está presente em todo o lugar. Há criminosos no Amapá, em S. Paulo e no Rio. Em Paris, a cidade das luzes. O mal não é questão de escolaridade, geografia, nível social ou renda. Os maiores criminosos deste país não são os pobres, mas alguns ricos cultos que sabem driblar as leis.

 

A Bíblia é bem realista sobre isto. Ela diz que ninguém é bom e que todos são pecadores (Rm 3.23). Na televisão, outro dia, uma senhora, defendendo o filho, acusado de um crime, disse: “Meu filho é incapaz de fazer o mal”. Ninguém é incapaz de fazer o mal. Todos nós o praticamos. A Bíblia não é ingênua nem romântica, como as ideologias humanas. É realista: somos pecadores, tendemos ao mal, e o faremos, sempre.

 

O homem precisa de transformação, não de remendo ou de cosmética. Embora seja bom ser educado e ter recursos, seu problema não é falta de educação ou bens materiais, O problema se chama “pecado”. Sua necessidade é transformação, conversão. Conversão mesmo, e não adesão a um grupo religioso. O homem necessita ser transformado por Cristo e não apenas remediado pela religião. É a alternativa para evitar “bengaladas e soccos”.