COM QUE CAUSA SEU NOME FICARÁ ASSOCIADO?

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 4 de setembro de 2011

      No interessante “Guia politicamente incorreto da história do Brasil”, Leandro Narloch demole alguns mitos arraigados na nossa história. Parte deles diz respeito aos primeiros habitantes do Brasil, os índios. Quem acha que o índio deve ficar à margem do progresso, in natura em um zoológico humano, deve lê-lo. Mas interessa-me agora a popularização do fumo.

      “Até os navegadores descobrirem a América, não havia cigarros na Europa nem o costume de tragar fumaça” (p. 60). Os europeus aprenderam a fumar com os índios. Fumar é “programa de índio”. Aliás, é algo sem nexo: engolir e expelir fumaça. E mal cheirosa!

      Em Portugal, o embaixador francês Jean Nicot se empolgou com a planta, e a enviou para sua rainha, Catarina de Médici. Esta adorava novidades e achou o tabaco sensacional. O cigarro caiu no gosto da corte francesa. Nicot acabou cedendo seu sobrenome para o nome científico da erva (Nicotiana tabacum). De Nicot vem “nicotina”. Seu nome se associou a uma erva maléfica, fedorenta e que cria dependência em um vício muito brega: fumar.

      A guilhotina deriva seu nome do médico Guilliotin, que a inventou para matar as pessoas por decapitação. A abreugrafia é assim chamada por causa do médico brasileiro Manoel Dias de Abreu, que inventou um método rápido e barato de tirar pequenas chapas radiográficas dos pulmões, para facilitar o diagnóstico da tuberculose.

      Alguns associam seus nomes a grandes causas. Outros, a pequenas causas. Outras, a causas nenhumas. Como D. Plácida, personagem de Machado de Assis, em “Memórias póstumas de Brás Cubas”: “…amanheceu morta; saiu da vidas às escondidas”. Há gente que passa toda a vida às escondidas. Outros, infelizmente, se dedicam a causas más. É a questão do que legaremos para os outros. Talvez não para o mundo. Mas o que legaremos a nossos filhos e netos? Em outras palavras: pelo que seremos lembrados? Que herança deixaremos? Como usamos a vida?

      Como cristãos, que igreja legaremos a nossos sucessores? Hebreus 11 alista os heróis da fé, em ordem cronológica. Hebreus 12 começa com “Portanto, também nós…”. Aquela lista de homens e mulheres continua conosco. Somos seus herdeiros, e outros serão nossos herdeiros. Nosso nome se ligará de maneira positiva a algum evento marcante na história do evangelho no mundo? Havia um pastor que fazia questão de ir a todos os exames de candidatos ao ministério para lhes armar “pegadinhas”. Ficou conhecido como “Chatonildo”.

      Seu nome se associará a alguma causa positiva, a causa alguma ou a causa negativa? Ligado ao seu amor por missões? Ligado ao seu amor pela sua igreja? Ao seu desejo de notoriedade? Ou, como D. Plácida, sequer será notado?

      Ligue seu nome a momentos e eventos positivos na história que os filho de Deus estão escrevendo neste mundo.