A IDA AO VALE DO JARI

A IDA AO VALE DO JARI

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Artigo desenvolvido a partir da pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 10.10.11

              A ida ao vale do Jari enriqueceu minha vida. Aliás, as viagens pelo interior da Amazônia sempre são lições de vida e momentos inesquecíveis.  Viajamos por uma estrada no melhor “padrão Amapá”, ou seja, muito ruim. Os 280 km desde Macapá foram percorridos em cinco horas e meia, em uma Hilux. Atravessamos o rio numa catraia e chegamos a Monte Dourado. Cidade bonita, arrumada e limpa. Lembra a Vila Industrial, em Tucuruí, sul do Pará. Não fosse o calor amazônico e o povo moreno, pareceria um subúrbio das cidades dos Estados Unidos: casas grandes, ajardinadas, ruas bem calçadas (raridade na região). As casas são da CADAM.

A fábrica da FACEL (fábrica de celulose) veio do Japão, montada sobre balsas. Foi fixada junto ao rio, sobre as balsas. Ela testemunha a capacidade do homem e as possibilidades da Amazônia. O caulim é extraído no Amapá, atravessa o rio, e é processado no Pará. O Amapá é curioso: é rico, mas vive na pobreza.  Disseram-me que de cada tonelada de minério aqui extraído os royalties que ficam são de seis quilos, apenas.

 

Fomos a Munguba conhecer a congregação que será organizada em igreja este ano. Templo bonito, área enorme. Como a Igreja de Monte Dourado, um belo templo em grande área. Tomamos a catraia e fomos a Vitória do Jari. Templo de madeira, uma palafita sobre charco. Numa EBF colocaram quase 600 crianças no templo e o piso quase  cedeu. Seria um vexame as crianças caírem no lamaçal.

 

Duas pessoas diferentes, em momentos diferentes, me fizeram a mesma pergunta: “Onde estão os obreiros? Para onde vão as  centenas de seminaristas que se formam?”. Dei-lhes a mesma resposta: “Ficam nas cidades grandes, amontoados nas grandes igrejas ou esperando um pastorado vagar”. Há pastores para dirigir grupos de oração e até para ensaiar corinhos. Igrejas e pastores se orgulham de ter vários pastores. Dá sinal de status à igreja e mostra o pastor como homem que tem subordinados sob seu comando. Melhor fariam mantendo obreiros em igrejas nas regiões longínquas, desassistidas. Há gente brigando por vaga em pastorado e há igrejas clamando por pastores. E o espírito de chamada? Onde fica? O Espírito só chama para grandes centros? Só vale a pena ser pastor se for em uma “igrejona” numa “cidadona”?

 

Não temos seminários no Amapá. É até bom. Assim treinamos pessoas daqui, que amam este lugar e a obra de Deus. Interessadas,  elas querem saber mais da Bíblia. Querem a Palavra e não o blábláblá da sociologia da religião e conversas sobre teísmo aberto e pós-modernidade. Buscamos ensinar a Bíblia, como pregá-la, gerir a igreja, ajudar pessoas e manter visão missionária.  Assim, em Monte Dourado, lecionei para 29 pessoas que desejam servir melhor à Igreja de Jesus. Vieram de carro, moto, bicicleta e barco. Agüentaram três dias de aula, o calor, a ausência de tecnologia educacional. Bíblia aberta, perguntas, satisfação, alegria: eis a definição destes dias. No encerramento, é óbvio, peixe. Pacu assado. Ô bênça!

 

Ser batista no Amapá é fascinante. A COBAP, nossa convenção estadual, tem visão e projeto. Deus tem despertado vocações! Oro diariamente para que Deus traga bons obreiros para cá e desperte as igrejas. Que os crentes indiferentes tenham mais zelo pela obra. E edifico-me em ver estas pessoas que amam o Reino.

 

Ser batista no Amapá é um desafio. Um estado carente, de comunicações lentas, mas com gente que precisa de Jesus. Aqui também há o rebanho do Senhor para ser cuidado. Este desafio é também para você. Precisamos de gente, de oração e recursos. Qual é a sua parte?