O MINISTÉRIO NÃO É MEU

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Estou pregando uma série de mensagens em Efésios, para orientar a Central de Macapá na visão bíblica do que seja uma igreja e quais suas atribuições.  Domingo passado apresentei a 17ª. mensagem, desta vez no texto de 4.11-16: “Os dons e sua finalidade”. Comentei o baixo conceito de igreja e de vida cristã que os crentes nutrem. Comecei pelo testemunho de uma senhora: como a Deus a abençoara.

Ela foi a um shopping  comprar roupas para os três filhos. Como chovia e seriam muitos pacotes (deveria estar abonada), orou para que Deus lhe desse uma boa vaga no estacionamento. E Deus a abençoou muito. Quando ela chegava, saía uma pessoa e ela pôde estacionar na primeira vaga. E agora testemunhava do poder de Deus em lhe conseguir boa vaga no estacionamento.

A maior parte dos membros de igreja vê a vida cristã como uma oportunidade de ser abençoada e conseguir mais coisas. Para eles, sua vida é deles, eles têm sonhos, alvos e projetos pessoais, e Deus os ajuda a conseguir o que querem. Colocam adesivos nos carros: “O segredo do meu sucesso é Jesus”. A igreja supre suas necessidades e é o lugar aonde eles vão para recarregarem sua bateria espiritual e continuarem sua luta por uma vida feliz, cheia de trecos.

Costumamos falar de Paulo como fazedor de tendas em determinado período de sua vida, e aplicamos o termo aos pastores que tem ocupações seculares. O trabalho deles se chama “tendas”. Eles fazem tendas para poderem servir a Deus. Todos os crentes são ministros de Deus. Suas profissões são suas tendas, porque Deus deve vir em primeiro lugar, e não seu bem estar pessoal. Têm ocupações profissionais, mas são primeiro servos de Deus. Falei de um boletim de uma igreja nos Estados Unidos, em cujo expediente se lia: “Ministros da igreja: todos os membros. Auxiliar dos ministros: o pastor da igreja”. Não eram eles que apoiavam meu ministério, mas eu  apoiava o ministério deles, porque Deus deu a missão à igreja, e não aos pastores. Ele deu pastores à igreja para eles capacitarem e treinarem a igreja a cumprir sua missão. Não existe o “Ministério Isaltino Gomes Coelho Filho” que minhas ovelhas têm que subsidiar. Existe o “Ministério Igreja Batista Central de Macapá” que seu pastor tem que apoiar.

Através de minhas ovelhas Jesus penetra nos tribunais, delegacias, cadeias, hospitais, consultórios, salas de aulas, cozinhas, lojas comerciais, caminhões, ônibus e aviões. São os lugares onde eles trabalham, e Cristo entra pelo ministério deles. O pastor não é o dono da igreja, mas seu servo, e a treina para o serviço. Como diz o Pastor Tarcísio, de Divinópolis, ao assinar as pastorais do seu boletim: “Servo dos servos do Senhor”. Há muito pastor usando a igreja para projetar seu nome e seu ministério. Há muito personalismo e egolatria no ministério pastoral. Um pastor é um peão num jogo de xadrez, que o Grande Jogador move para onde deseja. A glória é do Jogador, Grande Mestre, não do peão.

Encerrando o sermão disse que eles são o corpo de Cristo, sua presença no mundo. Jesus está presente na sociedade através deles. Ao mesmo tempo eles constroem o corpo de Cristo, com sua vida. São fazedores de tendas profissionais, porque são cristãos de tempo integral.

Não só minhas ovelhas, mas todo o rebanho do Senhor precisa entender isto. São servos de tempo integral. Jesus não existe para fazê-los felizes e abençoá-los, mas eles existem para servir e honrar a Jesus. Esta é a nossa missão, honrar e exaltar a Cristo, levando seu nome a todos os segmentos da sociedade.