ESTA É A NOSSA TERRA

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado na “Revista de Missões” da Convenção Batista Amapaense, 2012

                O austríaco Johannes Mario Simmel, entre várias obras, é autor de um romance do tempo da guerra fria (Estados Unidos e União Soviética). Um cientista alemão foi trabalhar nos Estados Unidos, e um agente soviético tenta convencê-lo a mudar de lado. Como o cientista nascera na parte da Alemanha que agora era comunista, a Oriental, o agente lhe diz: “A Alemanha é sua terra!”. A resposta do cientista, justificando sua opção, foi esta: “A terra de um homem é onde ele se sente bem!”. Isso lhe significava mais do que o lugar onde nascera. Ele se sentia bem no Ocidente. Este era sua terra.

De Simmel e das Alemanhas para nosso estado. O Amapá ainda é um estado novo. Em sua capital, boa parte de seus habitantes veio de fora. Desses, alguns se adaptaram tão bem que fizeram do Amapá a sua terra. Um dia desses, um irmão da Igreja Central agradecia a Deus porque estava completando dez anos de moradia no estado, e dizia que daqui não pretendia sair. Esta era sua terra. Mas outros parecem nunca ter se adaptado. Deus os trouxe pra cá, abrindo-lhes as portas de um emprego, mas continuam com o coração fora daqui. Daqui vem seu sustento e aqui vivem, mas daqui se queixam. Outros mal podem esperar a hora de ir embora.

Mesmo que tenhamos nascido em outro lugar, o Amapá é o nosso estado. Foi onde Deus nos colocou. Foi a terra que ele nos deu. Particularmente, não nasci aqui. Mas isso não importa. Foi para aqui que Deus me conduziu. Esta é minha terra. É aqui que deve estar meu coração. Esta também é a sua terra porque foi para onde Deus o trouxe. É aqui que seu coração deve estar. E se você nasceu aqui, é sua terra também. Mais do que nossa, que viemos de fora.

O Amapá precisa ser amado. E precisa ser amado pelo povo de Deus, que deve considerar que foi trazido para cá não apenas para ter seu sustento, mas para ser parte do exército do Senhor nesta terra. Se você é amapaense, seu amor por esta terra deve ser maior. Deus o fez vir ao mundo aqui. Este é seu campo de serviço cristão. Deus teve um propósito ao trazê-lo para cá.

Como servo de uma igreja batista local neste estado, tenho desafiado a igreja a nutrir amor pelo Amapá e grande zelo pela obra de Deus neste local. A campanha de missões estaduais para nós foi, no ano passado, e será, neste ano, uma festa maior que as outras missões. Não estamos fazendo comparações nem levando as datas missionárias a concorrerem entre si, mas o raciocínio é este: para missões nacionais e mundiais, para as quais nossa igreja levantou ofertas expressivas, há o suporte de todas as igrejas batistas do Brasil. Para missões estaduais somos apenas nós, aqui no nosso campo. Somos poucas igrejas, igrejas pequenas e sem recursos avultados. Para piorar, alguns têm miopia missionária, e cuidam apenas do seu jardinzinho, sem noção do todo, sem uma visão do grupo. Há personalismo e alheamento, ao invés da visão de que somos um campo missionário em que precisamos nos unir. Muitas vezes, o desejo de escrever o seu nome em gás néon é maior que o desejo de ver o Reino de Deus triunfar. Um missiólogo chamou isto de “culto ao umbigo”, produto de um ego desmesurado. Outro missiólogo chamou de “importantite”, o desejo do obreiro de ser um figurão e assim não se unir, se isso não lhe trouxer prestígio ou destaque. Ele deseja liderar, e não cooperar. Imagine o “importantão” ficar em segundo plano! Esta visão prejudica a obra!

Não tenho função denominacional alguma no Amapá. Não ocupo cargo algum nem anseio por um. Mas desde que aqui cheguei, tornei-me um batista amapaense. Este é o meu campo. Deus me trouxe para cá.  Você também é um batista amapaense. Este também é o seu campo. Este é o lugar onde Deus o colocou. Ame o Amapá. Ame missões estaduais. Invista na evangelização do estado. Dê uma oferta expressiva para que o povo deste estado conheça Jesus como Salvador. Levante seus olhos e olhe além dos muros de sua igreja. O Amapá precisa de você.

Amapaense por opção,

Isaltino Gomes Coelho Filho

Servo da Igreja Batista Central de Macapá