A VERDADEIRA COBERTURA ESPIRITUAL

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 22 de julho de 2012

 

Não sei qual a essência do termo “cobertura espiritual” como alguns o dimensionam. Mas na TransAmapá 2012 houve  vários casos de autêntica cobertura espiritual.

Narro um. Na cidade de Santana, contígua a Macapá, o irmão Rolino, da PIB Betel, ia ao templo diariamente para orar pelos missionários. No princípio, ele orava a cada hora. Idoso, fixou-se no templo e a cada hora punha-se em oração, com os que ali estivessem. Outras pessoas começaram a ir, sabendo que ele estaria lá.  

Depois as coisas apertaram. Houve rejeição aos evangelistas, vieram o cansaço físico (andar ao sol no verão amazônico não é fácil) e a reação do príncipe das trevas. Rolino passou a orar a cada meia hora, redobrando suas orações.  Os missionários se sentiram fortalecidos. Afinal, alguém orava por eles, dando-lhes cobertura espiritual.

O intercessor precisou sair um pouco. Houve uma reunião dos diáconos e ele deixou a trincheira de oração. Quando os participantes da Trans não viram o templo aberto com Rolino orando, se sentiram fragilizados. Chegaram a indagar: “E agora, iremos ou não?”. Sentiram-se sem cobertura espiritual. Mas foram. Afinal, o Espírito Santo é nosso intercessor junto à Trindade (Rm 8.26), como o Filho também  é (Rm 8.34 e Hb 7.25). Mas Rolino fazia diferença.

A obra de Deus carece de cobertura espiritual. Não como a estrutura da Amway (que se tornou estrutura eclesiológica também), com gente que é perna e gente que é diamante (no topo da cadeia alimentar – das finanças). Mas a cobertura espiritual que venha de joelhos dobrados em oração.

Há quem apedreje a igreja e adore acusá-la. Bem, o Diabo faz isso (Ap 12.10), de modo que quem apedreja a igreja anda em má companhia. Se tivesse humildade admitiria isso. Quando acusamos os irmãos assemelhamo-nos ao Maligno. Quando intercedemos por eles, assemelhamo-nos ao Filho e ao Espírito Santo. A obra de Deus não precisa de “santos” raivosos com o reino. Mas de gente que ame e queira servir o Rei. Precisamos de pessoas que deem cobertura espiritual, não de gente como Tobias, Sambalate e Gésem, os críticos da obra (Ne 6.1-14). Carecemos de pessoas que queiram ser úteis e vão para os muros. A cobertura espiritual tapa brechas no muro.

A Trans não foi feita apenas por gente que foi para a rua. Foi feita por gente que cozinhou. Que lavou louças. Que doou alimentos. Que lavou roupa. Que intercedeu, dando cobertura espiritual, como Rolino. Que deu recursos, como ovelhas minhas fizeram.

Não conheço o irmão Rolino. Pouco vou a Santana. Mas eis aí um homem que acrescenta. Ele dá a verdadeira cobertura espiritual.