CHORAMINGAR OU IR À LUTA?

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 25.8.12

Thalita Rodrigues é uma jovem brasiliense de 18 anos, que não tem o antebraço esquerdo. Nasceu assim porque a mãe contraiu rubéola na sua gestação. Contudo, ela é a terceira colocada no ranking da Confederação Brasileira de Tênis, categoria até os 18 anos. Há duas pessoas na sua frente e mais de cem (com os dois braços) atrás dela. Treinada pelo pai, não tem patrocínio nem para comprar raquetes. E disputou sua terceira final de torneios nacionais neste ano.

Thalita tinha tudo para se queixar da vida e de Deus, como alguns fazem. Mas resolveu viver. Tanto que espera participar das Olimpíadas no Rio, em 2016. Ela tem planos para o futuro.

Há pessoas que desistem de projetos à menor dificuldade. Outras são patéticas. Não sabem o querem na vida. Começam um curso, param, iniciam outro, desistem. Rendem-se ao primeiro obstáculo. Os espiões que Moisés enviou a Canaã acharam o lugar muito bom, mas puseram seu foco nas dificuldades. Calebe reconheceu as dificuldades, mas disse que eles podiam, principalmente porque Deus estava com eles (Nm 13).

Este Calebe, aos 85 anos de idade, cheio de vigor, pensava em colonizar a terra (Js 14.10). Era determinado. Sabia o que queria, estabelecia alvos e caminhava na direção deles. Jesus tinha um alvo, a cruz. Um poeta disse que a cruz o perseguiu desde cedo. Foi ele quem perseguiu a cruz. Ele foi atrás dela (Mt 16.21). Ela foi seu alvo de vida (Mc 10.45). O alvo de muitos cristãos é ter conforto e segurança. Outros não têm alvo algum.

Thalita tem rumo. Calebe tinha rumo. Jesus tinha rumo. Pessoas bem sucedidas e vitoriosas fazem alvos e os perseguem. Pessoas assim vivem bem, marcam outras e fazem história. Quem não sabe o quer acaba fracassando. Afinal, “para um barco sem rumo qualquer vento serve”. Geralmente gente sem rumo zanza pela vida, frustrada, sem alcançar nada. Só se queixa.

Notei um padrão de comportamento em pessoas frustradas e queixosas. Seus alvos são pequenos ou foram alcançados e elas não se satisfizeram. Se os alvos são medianos, as pessoas não se superam. Na zona de tranqüilidade não há desafio. Pessoas realizadas, que descobriram o que Deus queria delas e se enquadraram, se realizam.

Na entrada do Sítio do Sossego, nos anos sessentas, havia um cartaz dizendo algo mais ou menos como “Deus nos deu montanhas para contemplarmos e pernas para escalá-las”. Faz tempo que vi o cartaz e não posso citar literalmente, mas era mais ou menos isso.

Quando estiver para desanimar diante dos problemas, pense nisso. Para os fracos, problemas são a pá de cal. Para os determinados, com fé em Deus, problemas são adubo. Por isso, não choramingue. Vá à luta!