A MAIS SÁBIA ORAÇÃO PARA 2013

Isaltino Gomes Coelho Filho

Em 2013, nossa igreja usará o “Presente diário”, antigo “Pão diário”, como subsídio para devocionais nos lares dos seus membros. Fui ler as devocionais e me encantei com uma, muito profunda e tão simples, que ainda não me ocorrera. Seu título é “Vontade” e seus suportes são o Salmo 40.8 e Mateus 6.10. Neste último texto, o foco é a expressão de Jesus “Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu”.

Começam a circular os augúrios para 2013. Alguém postou no Facebook: “2013 será só vitórias!”. Soa-me triunfalismo ingênuo. Não será um ano só de vitórias. Haverá derrotas, tropeços, choro e frustrações. Um pastor que passe um ano inteiro sem se frustrar precisa se examinar. Há algo muito estranho com ele. Um crente que passa um ano sem ter problemas já deve ter chegado ao céu há, pelo menos, um ano. Quando comentei com uma pessoa sobre essa declaração, ela me respondeu tratar-se de “declaração profética” e por isso não podia ser contestada. Como ando meio defasado com as novidades evangélicas (e não quero me atualizar, pois muitas delas me deprimem), não sei exatamente o que é “declaração profética” e o que a torna acima de ponderação e de reparo. Porque vejo tantas que nunca dão certo que não sei por que não se pode contestá-las. Já me insurgi contra o tal de “perdão profético”, em que a pessoa queria que eu pedisse perdão à África pela escravidão. Por quê? Porque sou branco? Meus ancestrais vieram da Europa e se acabaram aqui no cabo da enxada. Nunca tiveram escravos e trabalharam como se o fossem. Esse modismo de “proféticos” enseja muita inconveniência.

Mas o “Presente diário” me lançou luzes com a meditação de 21 de janeiro de 2013. A melhor oração que poderemos fazer é que a vontade de Deus se cumpra em nossa vida. Seja ela qual for. Mesmo que a vontade dele seja que tenhamos problemas semelhantes aos de Jó. A vontade de Deus é sempre “boa, perfeita e agradável” (Rm 12.2). O problema é que muitos de nós queremos que a nossa vontade prevaleça. E a nossa vontade é triunfar, não ter problemas, passar o ano incólume a crises, ser abençoado em tudo. Como a criança, que quer apenas sorvetes, balas e bombons. Mas essas coisas não são as melhores para sua nutrição balanceada.

Pessoalmente, eu gostaria que algumas coisas me sucedessem em 2013. Elas me fariam sentir-me muito bem. Mas, honestamente, não sei é o melhor que Deus tem para mim. Algumas dessas coisas podem ferir a vontade de Deus para mim, e a vontade dele deve prevalecer sobre a minha! E já experimentei que, todas as vezes que sou estabanado e imponho meu querer, me dou mal. O voluntarismo espiritual (“Eu quero, eu determino, eu exijo!”) me soa como arroubo de adolescente espiritual. E malcriado, ainda por cima. Um cristão maduro deve ter aprendido com seu Salvador a orar “Pai, se queres afasta de mim esse cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22.47). Esta oração não foi feita por um sem fé, como dizem os teleevangelistas. Foi feita pelo homem que mais privou de comunhão com o Pai. Mantinha comunhão com ele antes do mundo existir (Jo 17.5).

Por isso, antes de pedirmos uma série de coisas a Deus, muitas delas legítimas, que tenhamos o bom senso de orar, dizendo: “Que em 2013 a tua vontade se cumpra em minha vida, seja ela qual for!”. Não há lugar mais seguro para se viver que no centro da vontade de Deus. Tanto sua vontade geral para nós (atenção, nada a ver com a Vontade Geral, de Rousseau!), como sua vontade específica para nós.

Por isso, ore assim: “Meu Pai, que tua vontade se cumpra em minha vida, neste novo ano!”. Se a vontade do Senhor se cumprir em sua vida, seu 2013 será um ano muito abençoado. E, o mais importante, Deus será glorificado!