Arquivo mensais:abril 2010

A PRIMEIRA CARTA DE JOÃO

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para núcleos de estudo bíblico

INTRODUÇÃO

Quase chegando ao fim da Bíblia, encontramos as três cartas de João. A segunda e a terceira são os menores livros da Bíblia. A primeira é uma dessas jóias semi-ocultas, quase nunca estudadas em nossas igrejas. Mas tem um valor enorme por nos mostrar o cenário teológico da igreja no primeiro século, bem como nos trazer lições preciosas do último discípulo de Jesus a morrer. João foi o discípulo que mais viveu. Tinha consciência de que sua vida estava se acabando e, sendo a última pessoa que viu Jesus vivo, precisava doutrinar bem a igreja. Neste sentido, sua carta, que hoje começamos a estudar é riquíssima.

AUTORIA

As três epístolas atribuídas a João omitem o nome do autor. Mas universalmente tem sido creditada a autoria a João, o apóstolo. Isto foi afirmado desde cedo, na história da Igreja, por homens como Policarpo, Papias, Eusébio, Irineu, Clemente de Alexandria e Tertuliano. Estes homens foram chamados de “pais da Igreja”, porque durante o ministério deles a Igreja se consolidou e firmou sua doutrina. O ensino deles é chamado de “patrística”, derivado de pater, “pai”. Pois bem, a teologia patrística sempre reconheceu o apóstolo João como sendo o autor das três epístolas que levam seu nome. No ano 170 de nossa era, isto já estava aceito pela igreja.

Continue lendo A PRIMEIRA CARTA DE JOÃO

SOMBRAS NO CAMINHO

Dra. Kátia Regina Goebel Nichele, psicóloga

Uma análise da situação psicológica-espiritual de Davi, no Salmo 42

Não há no mundo alguém que enfrente as dificuldades de maneira impassível. Por mais experientes e controlados que sejamos, sempre haveremos de esboçar alguma reação diante de situações adversas e inesperadas. É interessante observar como as pessoas reagem quando, de repente, entram num túnel durante uma viagem de trem. Alguns fecham os olhos, outras ficam estáticas, pálidas de medo, as crianças gritam, outros riem, namorados se beijam… Quando estou deprimida, durmo demais, outros perdem o sono, se viram na cama a noite toda ou andam pela casa como fantasmas. Há os que levantam à noite pra comer…

Continue lendo SOMBRAS NO CAMINHO

UMA BREVE INTRODUÇÃO À BÍBLIA

Uma abordagem histórica-devocional, feita pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, para grupos de estudo bíblico.

INTRODUÇÃO

A Bíblia contém 66 livros (39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento), escritos por cerca de 40 autores (31 do AT e 9 do NT).  Ela foi escrita durante um período de mais ou menos 1.500 anos (1.400 a.C. a 100 d.C.), mas tem um único tema – a redenção do homem.  O AT compõe três quartos do conteúdo da Bíblia; o NT, um quarto.  Em termos da mensagem do evangelho:

  1. O AT relata: …………………………….  a preparação para o Evangelho
  2. Os quatro evangelhos relatam: …..  a manifestação do Evangelho
  3. Atos relata: …………………………….. a expansão do Evangelho
  4. As epístolas relatam: ………………..  a explicação do Evangelho
  5. O Apocalipse relata: …………………  a consumação do Evangelho.

Continue lendo UMA BREVE INTRODUÇÃO À BÍBLIA

ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

INTRODUÇÃO

A cidade de Filipos recebeu este nome em homenagem a Filipe, pai de Alexandre, o Grande. Era uma cidade predominantemente grega e, geograficamente, a primeira cidade da Macedônia, sendo colônia romana, nos tempos do Novo Testamento (Atos 16.12).  Possuía templos a Baal e Astarte (a esposa de Baal, no paganismo oriental), segundo informações históricas. Parece que não havia muitos judeus na cidade, porque não há registro de uma sinagoga. Tanto que Paulo encontrou um grupo de mulheres judias piedosas, em oração, junto a um rio (Atos 16.13).  A igreja em Filipos teve sua origem em um projeto missionário, após uma visão de Paulo de que deveria ir para aquela região: Atos 16.9-12. A conversão de Lídia (Atos 16. 14-15) foi o início do cristianismo na cidade. Ela era uma das mulheres judias piedosas, junto ao rio. Tudo indica que era umas igrejas tranqüilas, que nunca deu grandes problemas ao apóstolo. Até pelo contrário, podemos presumir, lendo a carta, que era uma das melhores igrejas da época. A carta parece ter sido escrita quando da primeira prisão de Paulo, em Roma, entre os anos 59 a 61 (Atos 28.30-31). Ele foi solto e parece ter voltado à igreja (Filipenses 1.25). Sua segunda prisão, quatro anos depois, é que foi a fatal, culminando em seu martírio.

Continue lendo ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES

O Jacó e o Israel – Breve análise das visões de Amós

Prof. Luciano R. Peterlevitz

O profeta Amós é reconhecidamente um profeta visionário. Ele é assim denominado até por seus oponentes (7.12). De fato, as “palavras” de Amós expressam aquilo que o profeta “viu a respeito de Israel” (1.1). Mas são as cinco visões narradas no livro que permitiram o profeta ser denominado de ‘vidente’. Tais visões compõem a terceira e última parte do livro de Amós, a saber, os capítulos 7 – 9, já que as duas outras partes são formadas por Am 1-2 (ciclo dos povos) e Am 3 – 6 (conjunto de ditos a respeito de Israel).

Continue lendo O Jacó e o Israel – Breve análise das visões de Amós

O LIVRO DOS SALMOS

MATÉRIA PREPARADA PARA A FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA DE CAMPINAS

Prof. Isaltino Gomes Coelho Filho

(É proibido o seu uso em salas de ensino, sem a autorização do autor. Por favor, respeite os direitos autorais).

O livro de Salmos está colocado bem no coração da nossa Bíblia. O Salmo 117 é o capítulo central e 118.8 é o versículo central.  Das 283 citações diretas do AT (há ainda mais 79 alusões) encontradas no NT, 116 ou 40% são dos Salmos.  Elas foram tiradas de 97 dos 150 Salmos (65%) e encontram-se em 23 dos 27 livros do NT.

O grande valor dos Salmos está no seu conteúdo, pois eles têm sido uma das maiores fontes de inspiração para a oração e adoração a Deus.  Eles percorrem todas as escalas da experiência do homem com Deus, desde a mais profunda depressão (Sl 42.5,6,9-11) até a mais exaltada êxtase de louvor (Sl 145.1-5).  Enquanto os livros históricos mostram Deus falando acerca do homem, e os livros proféticos mostram Deus falando ao homem, os Salmos mostram o homem falando a Deus, abrindo seu coração e louvando-o em todas as circunstâncias por causa da sua fidelidade e misericórdia.  Aqui temos poesia, teologia, hinologia, etc.

Continue lendo O LIVRO DOS SALMOS

Pedir ou Determinar?

Pr. Celmir Guilherme

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” Jo 14:13

Em seu livro “Exija seus direitos” RR Soares, líder da Igreja Internacional da Graça ensina que o crente não deve pedir a bênção, mas determiná-la ou exigir como um direito. A suposta base bíblica para essa sua doutrina nefasta é Jo 14:13, muito embora ele a credite a Kenneth Hagin. Ambos afirmam que “a palavra pedirdes foi mal traduzida” e que aiteo “deveria ter sido traduzido por exigirdes ou determinardes” (p. 42). Segundo ele “continuar orando, pedindo, suplicando por algo que já é seu é declarar que a Palavra do Senhor pode não ser a verdade” (p. 45). Chega ao extremo de dizer que ser paciente e suportar a provação é dar lugar ao Diabo (p. 78).

No livro ele afirma que não é versado em grego. Mas acreditou piamente no que Hagin lhe disse. Depois disse que conferiu no dicionário de Strong e que de fato a palavra aitéo também pode significar exigir, determinar. A propósito, ele define determinar como “a nossa ação com base na Palavra de Deus, o que nada mais é do que tomar posse da bênção e exigir os nossos direitos” (p. 27).

Continue lendo Pedir ou Determinar?

EUDEMONISMO FAZ BEM, MAS NÃO PRECISA EXAGERAR!

Isaltino Gomes Coelho Filho

Eudemonismo não tem a ver com demônio. É um neologismo que vi, pela primeira vez, em uma obra de Packer, intitulada “Religião vida mansa”. Vem do grego eudaimon, termo para “feliz”. Um dicionário da língua inglesa define eudemonismo como “o sistema de filosofia que faz da felicidade humana seu objetivo mais alto”.

Packer faz este comentário, após definir eudemonismo: “O eudemonismo diz que, já que a felicidade é o valor supremo, podemos confiantemente olhar para Deus aqui e agora para nos proteger de coisas desagradáveis em cada circunstância, ou então, se as coisas desagradáveis aparecerem, livrar-nos delas imediatamente, pois nunca é da vontade dele que tenhamos que conviver com elas”.

Continue lendo EUDEMONISMO FAZ BEM, MAS NÃO PRECISA EXAGERAR!