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A INTEGRIDADE DA PROFECIA

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Assembléia da Convenção Batista Brasileira, em Foz do Iguaçu, PR, 22.1.12

 

INTRODUÇÃO

Comecemos definindo os termos, como dizia meu professor de Filosofia, Dr. Reynaldo Purim. Quando falo de “Integridade da profecia”, por “integridade” aludo à completude e ao inter-relacionamento da profecia. Aludo a como ela é completa, no sentido de ser um todo, e afirmo que é como um todo que o evento profecia deve ser analisado. E afirmo que suas partes e épocas se relacionam entre si. Para um bom entendimento teológico, ela não pode ser analisada em episódios desconectados uns dos outros. Em uma etapa posterior desta palestra, mostro o que isto implica para nós, em nossa teologia e em nossa ética. É nesta direção que caminharemos.

Ao definir “integridade” como sendo sinônimo de completude e de um todo, quero eliminar a visão fragmentária de profecia, como ela fosse destinada por Deus para tratar de questiúnculas de varejo. A profecia bíblica não é um sistema de augúrios, tipo horóscopo, com previsões para a vida dos leitores. Pessoas que parecem não saber administrar sua vida buscam este uso da profecia. Precisam de alguém que lhes diga o que fazer. Geralmente elas encontram algum alegado profeta, que lhes dirá o que fazer na sua vida (quem quer ser iludido sempre encontrará alguém que lhe ajudará neste mister).  Em algumas vezes, neste processo, a Bíblia é usada para pinçar declarações em versículos isolados que são interpretadas por elas como sendo um oráculo divino pessoal. Em muitos segmentos, os alegados profetas que palpitam sobre a vida das pessoas chegam às raias da absoluta ausência de bom senso. Batizei uma jovem advogada que estava em uma dessas igrejas, onde ainda não fora batizada, mas ela e seu namorado já haviam sido designados para serem pastores. A profetisa orientara-os a já morarem juntos antes do casamento. Isto trouxe grande confusão à cabeça da jovem, que procurou uma igreja tradicional, onde a Bíblia fosse ensinada e tratada com reverência. O rapaz, hoje, está no espiritismo. Nem naquela seita permaneceu. Mas ambos foram “vocacionados” pela profetisa porque tinham formação superior e ocupavam funções sociais de visibilidade social. O critério sequer era espiritual, mas sim o quanto o jovem casal daria de visibilidade àquela seita. Muita gente acha que a verdade está na fama, e quando algum famoso professa alguma fé, esta fé deve ser a verdadeira. É por isso que famosos fazem mais sucesso em nossas igrejas com seus testemunhos que os santos homens e santas mulheres de Deus com seu ensino bíblico.

 

1. UM POUCO MAIS DE DEFINIÇÃO

Vou andar um pouco por aqui, negando, para afirmar depois o que ela é. Profecia não é adivinhação. O termo hebraico para “profetizar” é nibba’ [1], cuja etimologia é bastante disputada. A idéia mais aceita é que se relaciona com o acadiano nabû, “chamar, convocar, proclamar”. Vemos isso no Código de Hamurábi, quando o rei caldeu afirma que ele foi nibit Bel (“vocacionado por Bel”) e que as demais divindades caldaicas o nibiû (chamaram ou nomearam) para ser seu vice-regente na terra. Este parece ser o primeiro registro histórico do termo. Seu sentido ficou sendo o de alguém chamado e designado por alguma divindade. Deste termo nabû vem o hebraico nabhi, “profeta, a pessoa chamada”.  O profeta seria alguém chamado por Deus para entregar uma mensagem, sendo seu representante entre os homens. Esta mensagem que ele transmite é a profecia.

Como a profecia só existe se existir um profeta (anjos não profetizam), a figura do profeta esclarece mais o evento da profecia. Os dois estão intrinsecamente ligados. O profeta era também chamado de ish Elohym, “homem de Deus”, como a sunamita declarou de Eliseu, em 2Reis 4.9 (ish Elohym qadôsh – santo homem de Deus). A expressão designava uma pessoa de uma vida totalmente consagrada a Deus. A profecia dependia, para sua comunicação, de uma relação especial do profeta com Deus.  Outros dois termos que se intercambiavam era hôzeh ou ro’eh, “vidente”. O sentido é mais amplo que descobrir coisas (embora em 1Samuel 9.9, o descobridor de coisas seja chamado de ro’eh). A idéia dos dois termos é que o profeta é o homem que vê aquilo que o mundo não vê. Um exemplo atual: eis os homens brincando com o pecado, apologizando drogas, enaltecendo o homossexualismo, banalizando o sexo, destroçando a família, levantando cercas contra o evangelho e contra Deus. Tudo isto é chamado de progresso e de avanço cultural. Quem se oponha a este arrastão é chamado de fundamentalista, e tido como politicamente incorreto. Mas o profeta é o homem que vê aonde conduz a vida sem Deus e brincando com o pecado. Ele ousa dizer que o aborto indiscriminado é infanticídio. Que o homossexualismo pode ser legal, mas é pecado. Ele é mal visto pelos  donos da informação, que massificam as pessoas e forçam a criação de leis para calá-los. Principalmente porque ousa falar do juízo de Deus. Mas pelo menos fica na companhia de um Jeremias, de um Amós, de um Elias, de um João Batista.  Faz parte de uma rara estirpe de homens sérios que serviram a Deus, sem se importarem com a popularidade de um mundo medíocre.

A profecia bíblica é portadora da verdade de Deus e ela mesma é a verdade de Deus. Profecia não é apenas história ou curiosidade. Menos ainda fofoca sobre alguém. Como está registrada na Bíblia, ela é, numa feliz expressão de Ernest Wright, o relato dos atos de Deus, porque na profecia Deus não apenas falou, mas agiu. Ele não é apenas o Deus que fala, mas é também o Deus que age. A profecia é sua palavra e também a sua ação, isso porque ela está enraizada na história. A história é o palco onde Deus se movimenta[2]. A profecia é histórica porque une palavra e ação.

Assim vemos que o profeta não é um adivinho nem um proferidor de “palavras proféticas” que se cumprirão na vida de alguém. É um oráculo de Deus. E que a profecia é a verdade moral de Deus aos homens, porque a profecia sempre tem um significado moral. Ela não é informativa, mas se propõe a ser formativa.

A profecia é um todo integrado, mesmo com a particularização de destinatários (reis, Israel, Judá, nações pagãs, reis gentios, etc.). Ela é a instrução ao povo sobre a vontade de Yahweh. Por isso, acertadamente, diz Provérbios 29.18: “Onde não há profecia, o povo se corrompe”. A profecia ajudava o povo a se manter nos caminhos do Senhor. Os profetas exortavam o povo ao arrependimento e a uma vida correta com Deus. Havia predições em suas pregações, mas elas eram acessórias e não o fundamental. O fundamental na profecia sempre foi o chamado ao acerto da vida com Deus. A profecia não é, em sua essência, adivinhação ou cognição, mas a transmissão do caráter moral de Deus, com as implicações disto para a vida dos ouvintes.

 

2. A CONEXÃO ENTRE PROFECIA E PREDIÇÃO

Comecei o tópico anterior dizendo que profecia não era predição, e o desenvolvi dizendo que na profecia havia predição. Vamos esclarecer bem isto. As predições aparecem na profecia, geralmente como resultado da obediência ou rejeição à Palavra de Deus. Isto fica bem caracterizado nas bênçãos do monte Ebal, e as maldições do monte Gerizim (Dt 27.11 a 28.68). As bênçãos e maldições são previstas como resultado da resposta do povo. Da mesma maneira,  aspecto futurístico das bênçãos de Jacó sobre seus filhos e netos (Gn 49) tem a ver com o procedimento deles. O caso mais claro é a retirada da bênção da primogenitura a Rúben, e a não cessão dela aos sucessores imediatos, o que deveria suceder pelo direito mosaico, Simeão e Levi, que também são apenados. A bênção da primogenitura termina recaindo sobre Judá. A sua apaixonada defesa de Benjamim (Gn 44.16-34), que move o coração de José, mostra como ele mudou e, mesmo sendo o quarto filho, se habilitou a ela.  Sem dúvida que a peça oratória de Judá sucedeu, mas ela é inserida no texto para mostrar porque Judá passou a ser o destinatário da primogenitura. Ou seja, o futuro, segundo a profecia, é determinado pelo caráter e postura diante de Deus no presente em que a profecia é proferida. O elemento preditivo surge como componente do elemento ético. A profecia é um chamado à correção. Aceitando a correção, há bênção no futuro. Não aceitando, há maldição no futuro. Assim surgem as predições. Não são predições pelo hábito de prognosticar, mas para compor o quadro do ensino. Elas fazem parte de um todo.

É neste sentido que aparecem as predições da destruição de Jerusalém, bem como o retorno de Judá do cativeiro, por Jeremias. As profecias messiânicas surgem neste contexto: a restauração da dinastia davídica, após o castigo de Judá com o cativeiro babilônico. No entanto, há aqui uma notável distinção. A bênção da restauração não se liga a algo de bom feito pelo povo, mas ao hesed de Yahweh, que mantinha o pacto de pé. Mas mesmo neste caso, podemos notar que o futuro não era apenas predição, mas tinha um significado teológico. Mais uma vez, o foco não é adivinhar ou vislumbrar o futuro por mero exercício, como se os profetas fossem treinados para lerem o futuro. O foco é o cumprimento da Palavra falada por Deus. Isto fica bem definido na figura da amendoeira que floresce (Jr 1.11-12), com o interessante jogo de palavras, no hebraico (shoqed, “amendoeira”, e shaqed, “vigio”). A predição está sempre ligada a um projeto de Deus na história, e não à satisfação de figuras patéticas que querem diariamente uma “palavra profética” ou um “ato profético” (seja lá o que isso seja) para continuarem suas vidas opacas de significado histórico e sua incapacidade de viverem sem horóscopos e sem gurus.

Em Ageu, o messianismo profético está tão ligado à casa de Davi que Schwantes usou o termo “davidismo” para designá-lo[3]. Deus prometeu, pela aliança davídica (2Sm 7.12-16), que um descendente da Davi reinaria para sempre. O davidismo subsidia o messianismo no cativeiro e no pós-cativeiro imediato. Ou seja, a predição messiânica está ligada à Palavra de Deus, e não a um anseio sociológico, em tempos de cativeiro. Ela já fora anunciada antes, na história. Predição não é adivinhação e faz parte de um processo histórico, não de fragmentos de vidas isoladas.

Este aspecto do elemento preditivo não ser fragmentário, atomizado e pessoal e sim se localizar dentro de um propósito de Deus tem um significado teológico muito rico. Praticamente, quase que toda a teologia do Novo Testamento está contida na nova aliança e no davidismo de Ezequiel e nos cânticos do Servo Sofredor de Yahweh[4]. O elemento preditivo do Antigo Testamento se conecta à nova aliança. Hebreus 1.1-2 deixa isso bem claro. Os atos de Deus na história podem, sem exegese a fórceps, ser inseridos na expressão “de muitas maneiras”. A profecia se liga à história. O Messias é um novo Davi. Lembre-se que o Novo Testamento se abre e se fecha falando de Davi (Mt 1.1 e Ap 22.16). A história realizada do Antigo Testamento é o suporte do Novo Testamento. A profecia se fez história e gerou o Novo Testamento. Por isso, que não rebaixemos o conceito de profecia à adivinhação ou ao ato de algum guru iluminado em fazer declarações sobre a vida de pessoas. Isto é empobrecer ao extremo a idéia de profecia.

Esta integridade se vê no inter-relacionamento entre dois Testamentos. Vários exemplos podem ser aduzidos aqui. Miquéias 5.2 é um desses exemplos que destaco. O texto, produto do oitavo século antes de Cristo, aponta Belém como lugar de nascimento do Messias. Poucas semanas antes do Messias nascer, sua mãe estava em Nazaré, distante de Belém. Na longínqua Roma, um rei pagão edita um decreto, e obriga a mãe do Messias à viagem, e assim a profecia se cumpre. Não foi uma adivinhação, mas ação divina. Que precisou usar um pagão para que ela se cumprisse (como usou Ciro). Ele é Deus sobre os pagãos e os usa quando quer e como quer, sem que nada fique lhes devendo. Mas a escolha de Belém não foi acidental. Coloca-o na linhagem de Davi e da cidade de Davi. Sua criação em Nazaré não foi acidental. É o rei humilde. A profecia traz uma mensagem declarada e muitas vezes  também traz uma implícita, em seus contornos. Mas este exemplo mostra a ação de Deus na história, a interdependência dos dois Testamentos e que a profecia se ocupa de coisas grandes, como o eterno propósito de Deus. Aqui, a predição é altamente profética, mas enraizada na história. O elemento preditivo na profecia não é diletante (“Quem será o campeão deste ano?”)  ou frívola (“Ó profeta, com quem devo me casar?”). É histórico.

 

3. O QUE TORNA A PROFECIA POSSÍVEL E COMO ELA SE VIABILIZA

A profecia bíblica é possível e repousa sobre este fato: Deus se relaciona com os homens. Isto é notável desde o Éden e se torna agudo em Êxodo 3.18 (“E ouvirão a tua voz; e irás, com os anciãos de Israel, ao rei do Egito e lhe dirás: O SENHOR, o Deus dos hebreus, nos encontrou. Agora, pois, deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto, a fim de que sacrifiquemos ao SENHOR, nosso Deus “), que é conhecido como a entrada de Yahweh na história de Israel. O verbo “encontrou” é bastante significativo. Não significa que ele houvesse perdido Israel, mas sim que veio recuperar Israel do cativeiro. Ele entrou na experiência do povo. A profecia existe porque Deus é um ser relacional. Neste relacionamento, por um ato da sua graça e da sua soberania, ele elege pessoas que se tornam seus profetas. A primeira ocorrência do termo “profeta” está em Gênesis 20.7, e se refere a Abraão. O significativo é que o termo não tem nenhuma conotação com vidência ou um significado teológico especial, mas com o caráter de Abraão. “Ele intercederá por ti”. O primeiro uso do termo nabhi se aplica a um homem por quem Deus tinha especial atenção e que deveria ser acatado. Ele era portador de bênção ou maldição para o rei. O profeta é um homem de relacionamento especial com Deus. Yahweh é o Deus da graça, do hesed, escolhe os seus, cuida deles, e os usa como canais para comunicar sua graça do mundo.

Sara não podia gerar um filho de Abimeleque. Ela seria a geradora da família eleita. Observe que a questão do profeta (e por extensão, a profecia) se liga, mais uma vez, à teologia e ao propósito histórico de Deus.

Porque é um ser relacional, Deus deseja manter bom relacionamento com seu povo, e o instrui para isso. O texto de Oséias 4.6 é bem claro: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”) . Chamo a sua atenção para o fato de que “conhecimento”, aqui, não é cognitivo. Muitas vezes o texto foi usado para dar base à educação religiosa e a necessidade de dar conhecimento bíblico ao povo. O hebraico é da’at, com o sentido de relacionamento vivencial e não cognitivo. É o verbo usado em “E Adão conheceu a Eva, sua mulher” (Gn 4.1). Da’at é conhecimento mais profundo e pessoal que se pode ter. Deus não está dizendo que faltam informações ao seu povo, mas sim que lhe falta relacionamento pessoal com ele. A profecia é transmissão de vida, e não de dados. No contexto de Oséias se entende que a profecia é para trazer o povo ao relacionamento correto com Deus. Correto não necessariamente em ortodoxia, mas em ortopraxia, no relacionar-se com Deus. A profecia é o chamado ao povo para andar corretamente com Deus. Isto pode ser visto como o desejo de Deus, bem expresso a Abrão: “Eu sou El Shadday, anda em minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1).  A profecia é um chamado à retidão, ao da’at, ao hallaq (andar) com Deus.

A profecia é íntegra quando chama o homem a andar com Deus. O profeta é um ish Elohym, que por ser homem de Deus pode chamar os homens a andarem com Deus. Por desdobramento, ela se viabiliza por homens e mulheres santos, que Deus usa.

O pregador cristão, como profeta, como ish Elohym (homem de Deus), como hôzeh ou ro’eh (aquele que vê o mundo com os olhos de Deus) deve transmitir vida. Ele não é um professor de curiosidades bíblicas, mas proclama a Palavra Viva de um Deus Vivo, proclama a Palavra que transmite vida. Por isso, ele não pode ser uma figura errática nem insegura. A moda hoje é não ser diretivo nem politicamente incorreto. Segundo tal posição, não podemos dizer que temos a verdade e que fora da mensagem que pregamos não há salvação e que as pessoas estão erradas. Mas o profeta tem convicções e não se subordina a conveniências culturais, porque a profecia, se é calcada na verdadeira Palavra de Deus, e não em insights humanos, é a verdade. É absoluta e não condicional. E se um homem não tem esta convicção, ele não é um profeta. E o que ele prega não é profecia. Moralmente, o mundo não é íntegro. A profecia, se realmente for bíblica, é moralmente íntegra, porque expressa a vontade de Deus que é “boa, perfeita e agradável” (Rm 12.2). A profecia sempre terá um elevado componente moral. E os profetas devem ser homens de moral elevada. Pigmeus espirituais nunca poderão ser profetas. A sunamita expressou bem. O ish Elohym  deve ser qadosh.

 

4. A PROFECIA É BÍBLICA E NÃO PLATÔNICA

Para ser íntegra, a profecia não pode ser um exercício platônico, na concepção de que saber é ser. Bastaria, então, dizer alguma coisa sobre Deus que as pessoas mudariam, porque saberiam alguma coisa sobre ele. Nossa sociedade tem este viés platônico: acha que se alguém sabe o certo fará o certo. Por isso há tanta ênfase em conscientizar, em nossa cultura. Ao invés de multar o motorista alcoolizado, vamos conscientizá-lo. Tudo se resolve com uma campanha de informações. Quero ressaltar bem este ponto: o profeta não é um informador e a profecia não é informação. O profeta é um pregador e a profecia é uma pregação. A pregação profética não pode omitir um evento teológico fundamental, a Queda. O homem é caído e sempre recusará a voz de Deus. A profecia íntegra sempre deve conter um aspecto moral: Deus é Santo, os homens são pecadores e devem se arrepender de seus pecados. As chamadas para a bênção, felicidade, prosperidade e saúde plena não são o cerne da profecia. De passagem: uma teologia bíblica equilibrada não pode ignorar a Queda. Muitos pregadores foram massificados pelo Iluminismo que molda nossa cultura ao invés de se encharcarem das Escrituras. Acreditam piamente na bondade humana. Ouvi um desses pregadores dizer que “a missão da igreja é despertar nos homens o que eles têm de melhor”. De onde veio tal idéia? Há alguma passagem bíblica que a respalde? A missão da igreja em geral e do profeta em particular foi bem caracterizada por Paulo: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2Co 5.20). Todas as vezes que a Queda é ignorada a teologia fica manca. O profeta se torna como os adversários de Jeremias, que só profetizavam coisas boas para o povo, e não a vontade de Deus. E a profecia não é massagem no ego de pecadores, mas o anúncio de que eles devem ajustar suas vidas às exigências de Deus.

Na realidade, o ambiente em que a profecia se desenrola é um campo de batalha espiritual. Não nos moldes de alguns “batalheiros”, cujo ensino se parece mais com “Guerra nas estrelas” que com o ensino bíblico. Jeremias travou uma dura batalha espiritual com os falsos profetas. Amós a travou com Amazias. Elias com os profetas de Baal. Paulo com Elimas e com os falsos apóstolos. Anunciar o desígnio de Deus é estar em batalha espiritual, não em recreio espiritual. A profecia proclamada suscita a reação dos poderes do mal. É por isso que o profeta precisa ser um ish Elohym. A questão não é de conhecimento, mas envolve luta espiritual. Por isso que o pregador não dá apenas informações, mas prega à mente e às emoções dos ouvintes. Pregamos para mover mentes e corações.

Muito do que o neopentecostalismo chama de profecia são generalidades e abstrações para comandar ou agradar pessoas. A profecia autenticamente íntegra e bíblica é bem definida, não abstrata, e visa, além da chamada ao arrependimento, o amadurecimento do povo de Deus. Lemos em Efésios 4.11-14: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”.  Volto ao que disse anteriormente: a profecia é formativa e não informativa. Ela é instrumento que o Espírito Santo emprega para nosso amadurecimento.

 

5. AS MARCAS DA INTEGRIDADE DA PROFECIA

Há muita coisa chamada de “profecia” em nosso tempo. Como podemos distinguir entre o que seja a verdadeira e íntegra profecia e o que seja apenas criação humana? Mostrei algumas marcas morais, mas há algumas marcas notáveis no conteúdo. Elas são mostradas por Archer [5], aludindo ao profeta. Amplio-as para a profecia. Aliás, neste trabalho, não dissocio os dois, profecia e profeta.

(1) A profecia servia para encorajar o povo de Deus a confiar exclusivamente na graça de Deus, e no seu poder libertador, e não nos méritos de força ou capacidade humanas. A profecia chama para confiar na graça de Deus, e não no homem. Jeremias 17.5-7 traduz isso muito bem: “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR”. Toda profecia que não ponha o foco na graça de Deus e que exalte a pessoa é falsa. Profetas que se colocam sob spotlights não são dignos do título. Profetas que amam os holofotes usurpam a glória de Deus.

(2) A profecia avisava ao povo que a segurança e a bem-aventurança dependiam de sua fidelidade à aliança. Esta aliança não era apenas de conteúdo doutrinário, mas exigia submissão sincera a Deus, em atos de amor. A shemá (Dt 6.4) e seu versículo imediato traduzem isto muito bem: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força”.  A profecia leva à confiança em Deus e a um amor genuíno por ele.

(3) A profecia encorajava Israel quanto ao seu futuro. Não se trata de futurismo, mas daquela atitude de saber que a vida está nas mãos de Deus. As Escrituras têm este poder. Seu ensino profético mostra que Deus está no controle e que as coisas terminarão onde ele deseja e determinou que elas terminassem. Quem expressou isto muito bem foi Paulo: “Segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte”(Fp 1.20) e também “O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (2Tm 4.18). A profecia (neste caso da segurança de Paulo trata-se da profecia do Novo Testamento) infunde segurança ao povo de Deus. Ele tem tudo em suas mãos!

(4) A profecia hebraica mostrava sua natureza de algo vindo de Deus quando se cumpria de maneira objetivamente averiguável. Archer cita Deuteronômio 18, sem mencionar os versículos, em defesa desta afirmação. Devem ser os versículos 21-22, que dizem: “Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou? Sabe que, quando esse profeta falar em nome do SENHOR, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o SENHOR não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele”. Embora sua afirmação tenha respaldo bíblico, Archer  não apresentou todo o ensino sobre o que qualificava a profecia como vinda de Deus. Não era o cumprimento de algo que foi dito que tornava o que foi dito uma profecia vinda de Deus. Eis Deuteronômio 13.1-3: “Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma”.  O padrão não é o cumprimento, mas se a profecia se coaduna com a Palavra de Deus. Tal profeta, ainda continua o texto de Deuteronômio, deveria ser morto porque falou rebeldia contra Deus (v. 5). O padrão é a Palavra de Deus. Qualquer profecia que colida contra os ensinos claros da Bíblia devem ser rejeitados. O parâmetro para se avaliar a integridade da profecia bem como qualquer palavra pronunciada como se fosse de Deus é a Bíblia.

 

6. UMA JUNÇÃO DE PROFECIA E PROFETA

Praticamente tratei disto em toda a palestra. Mas vamos ser específicos, agora. A profecia não existe à parte do profeta. Deus não envia mensagens no éter, no vácuo. Até a mão que veio do nada e escreveu na parede (Dn 5) dependeu de um intérprete humano. A revelação natural, tão bem narrada no Salmo 19.1 e em Romanos 1.18-20, pode mostrar “seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade” (Rm 1.20), mas não seu propósito eterno para o homem. Isto só a revelação nas Escrituras e em Cristo pode fazer. O profeta anuncia os atos de Deus.  As marcas da integridade na profecia devem se fazer presentes na vida do profeta.

O profeta deve encorajar o povo de Deus a confiar exclusivamente na graça de Deus, e no seu poder libertador, e não nos méritos de força ou capacidade humanas. Deve avisar à igreja que a sua segurança e a sua bem-aventurança dependem da aliança que Jesus fez conosco, através do seu sangue. Deve avisar o mundo sem Cristo que ele precisa aceitar esta aliança ou estará perdido. Deve encorajar a igreja quanto ao seu futuro. Agora ela é Militante, mas a profecia neotestamentária nos avisa que ela será Triunfante. Ela não deve temer. O profeta contemporâneo aviva na igreja a mensagem de Romanos 8.18: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”.

E, por último, mas não o menos importante: o profeta é escravo da Palavra de Deus. Ela é senhora dele, de seus pensamentos e de sua pregação. Ele deve ser um homem íntegro, moral e teologicamente, porque prega uma mensagem íntegra.

 

CONCLUSÃO

A profecia é íntegra, no sentido de ser completa. Afirmo que a Bíblia é uma imensa obra profética, porque é a revelação de Deus. Ela nos fala dele. O que o homem precisa saber de fundamental para sua vida está nas Escrituras. Não é preciso que lhe venha algo de fora.

A profecia é íntegra, no sentido moral. Pode haver muitas coisas no Antigo Testamento que não conseguimos entender. Outras que nos chocam, como o aleijamento de cavalos, em 2Samuel 8.4 e 1 Crônicas 18.4. Mas a profecia do Antigo Testamento é ampliada e esclarecida no Novo Testamento. E é este que serve de padrão. Temos esquecido este aspecto hermenêutico fundamental e básico: é o Novo Testamento que interpreta o Antigo e que o esclarece. O Antigo subsidia o Novo, mas o Novo é a palavra final. Assim, a revelação se completa nas Escrituras. Se, eventualmente, houver alguma revelação, ela deve ser aferida pelas Escrituras, e mais particularmente pelo Novo Testamento. Mas quanto a mim, pessoalmente, ela me basta. Não preciso de um Joseph Smith com seu exótico livro do Mórmon. Nem dos escritos de Ellen White, que, segundo o ex-adventista Ubaldo Ribeiro, na assembléia da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Dallas, EUA (1980), foi considerada como “inspirada no mesmo sentido em que o são os profetas da Bíblia” e, “como mensageira do Senhor, seus escritos são uma continuação e fonte autorizada de verdade…”[6]. Isso colocou  seus escritos estão em pé de igualdade com  os escritos bíblicos. Em determinadas circunstâncias, superam a Bíblia porque “esclarecem” seus ensinos.

A Bíblia é íntegra e completa. Ela nos basta em termos de nos ensinar sobre Deus. É uma grande profecia, porque é um grande ensino.


[1]  ARCHER, Gleason. Merece confiança o Antigo Testamento? S. Paulo:  Edições Vida Nova, p. 333.

[2] Wright comenta isto com precisão e felicidade em O Deus que age, editado pela ASTE.

[3] Ele a expõe em sua obra Ageu, editada pela Sinodal.

[4] A quem se interessar, posso enviar minha dissertação de mestrado intitulada “Os sofrimentos do Messias e sua aplicação para nosso tempo  -– uma avaliação da teologia da prosperidade à luz dos cânticos do Servo Sofredor de Isaías”.

[5] ARCHER, p. 336. Eu as aceito e faço um reparo à quarta marca.

[6] ARAÚJO, Ubaldo. O Adventismo, sem indicações, 1981, p. 96.

24 de janeiro de 2012 · Isaltino · No Comments
Tags:  · Publicado em: Palestras

SINALIZAÇAO DEFEITUOSA, QUE PERIGO!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 22.1.12

Do Cabralzinho, onde moro, para o centro, onde fica a igreja, a rota é a Av. Padre Júlio. Vinha eu por ela, domingo passado, com Meacir. Passamos a Lagoa dos Índios (agora seca, pois o Amazonas está baixo), pela Toca da Onça, e estávamos entrando no Chapéu de Palha. A próxima travessa era a Rua Paraná. Semáforo aberto para mim. Olhei o medidor de tempo (Que chique! Macapá tem semáforo com medição de tempo!). Dispunha de catorze segundos para percorrer cinqüenta metros. Tranqüilo. O semáforo decrescia: 13, 12,11, e, de repente, 0! De 11 para 0! Estava com defeito.

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19 de janeiro de 2012 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Pastorais

ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES – TEXTO: 1.9-11 (1ª. parte)

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho – 11 de janeiro de 2012
 

INTRODUÇÃO

A terceira e mais curta seção da carta.  Paulo ora  pela igreja. É bom verificarmos seu pedido, pois expressa o desejo apostólico para a comunidade cristã. Por certo que nos ajudará, também. Eis a estrutura da sua oração, reproduzindo as expressões que ele emprega (conforme a Versão Revisada, IBB):

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16 de janeiro de 2012 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Estudos, Estudos em Filipenses

O ÚLTIMO SÁBADO E O PRIMEIRO DOMINGO DE LUCAS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 15.1.12

 

Neste semestre estou a ler a Bíblia, novamente, na Linguagem de Hoje. Nestes dias concluí Lucas. Notei como ele mostra Jesus em conflito com a liderança judaica e com os grandes temas do judaísmo. Ele se atrita com os fariseus e exibe absoluto desinteresse pela guarda do sábado. Mais de uma vez Lucas o mostra transgredindo o sábado, bezerro de ouro do judaísmo e de seitas cristãs.  O templo, o sábado e as festas judaicas não o atraíam.

A última menção de Lucas ao sábado é em 23.56: “E no sábado elas descansaram, conforme a Lei manda”. No versículo seguinte, surge outro dia: “No domingo bem cedo…” (24.1). É quando o mundo vai mudar. Jesus ressuscitou. E segue: “Naquele mesmo dia…” (24.13). E outra aparição dominical de Jesus (“Enquanto estavam contando isso, Jesus apareceu…”- 24.36). O último sábado de Lucas é um dia de tristeza. O domingo é o dia de alegria. Desde então, o domingo é o dia do Senhor, guardado pela igreja. Ela se reunia neste dia para celebrar a ceia (At 20.7) e separava as ofertas (1Co 16.2). “O Didaqué”, obra cristã datada do primeiro século, espécie de catecismo da igreja primitiva, exorta os cristãos a se reunirem no domingo (Didaqué 14.1). Não é verdade que Constantino mudou o dia de culto e forçou as igrejas a aceitá-lo. Tal afirmação é ignorância histórica e má fé. Ao adotar o cristianismo, Constantino oficializou na esfera civil o que os cristãos haviam feito na esfera religiosa. O domingo é marca cristã. Continue lendo »

15 de janeiro de 2012 · Isaltino · No Comments
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ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES – TEXTO: 1.3-8

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
INTRODUÇÃO

Para nos situarmos bem em nosso estudo, voltemos ao esboço da carta aos filipenses:

1) Destinatários e saudação – 1.1-2

2) Ação de graças e confiança de Paulo – 1.3-8

3) A oração apostólica – 1.9-11

4) Desejo e alegria de Paulo – 1.12-26

5) Exortação e exemplo – 1.17 a 2.18

6) Planos para futuro – 2.19-30

7) A grande digressão – 3.1-21

8) Encorajamento, apreciações e cumprimentos – 4.1-20

9) Despedidas- 4.21-23

Após a saudação, Paulo mostra sua alegria, em forma de ação de graças. É bem diferente da carta aos gálatas, que começou com repreensão (Gl 1.6). Era uma igreja ativa, missionária, de bom testemunho e liberal no sustento. Em Corinto havia mau testemunho e a mesquinharia. A igreja de Filipos a igreja é totalmente positiva. Há igrejas como as da Galácia, cheias de problemas doutrinários. Há igrejas como a de Corinto, cheia de problemas doutrinários, brigas e mau testemunho. Mas há como a de Filipos, boa, amorosa e que dá alegria a quem convive com ela. Que igreja estamos construindo? Continue lendo »

11 de janeiro de 2012 · Isaltino · No Comments
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ME INCLUA FORA DESSA, CARA PÁLIDA!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 8 de janeiro de 2012

 

Um colunista escreveu um artigo intitulado “A cracolândia somos nós” (Folha, 6.1.12), focando os viciados em crack, em S. Paulo. Não declarou que somos culpados pela existência deles, e sim que eles são responsabilidade de todos. Mas o título é pouco lúcido. Um chamariz, mas infeliz. Eu não sou a cracolândia.

Por ser pastor, chamar-me-ão de reacionário, direitista (até porque não recito chavões esquerdistas que eu adorava quando adolescente). Mas alguns comentários de leitores, mesmo atribuindo ao jornalista o que ele não disse, são úteis. Um deles, Calango Doido (pitoresco!), disse: “Cracolândia somos nós uma pinóia. Inclua-me fora desta. Nunca colaborei com o tráfico e meus filhos foram muito bem criados para que eu também leve esta alcunha. Se você se sente culpado em algo, então diga que a Cracolândia é você, eu não tenho nada a ver com aquela tranqueira”. Outro escreveu: “Eu pago 40% do PIB em impostos para ter saúde, educação, segurança e NÃO TENHO NADA DISSO. Agora segundo o pensamento do Sr. ******, sempre temos responsabilidade em todas as mazelas espalhadas por ai . Outro dia veio dizer que motoboy psicopata é CULPA de todos”. Um terceiro disse: “Esse papo de novo que todo cidadão é culpado pelas mazelas da sociedade já é demais. Drogados não foram obrigados a entrar nessa vida. Se existem culpados nessa história, é certamente o poder público que deixou a situação chegar nessa proporção, e os próprios viciados que alimentam o tráfico”. Não sou o único reacionário deste país. Ou o único a não ceder ao sociologismo bocó… Continue lendo »

10 de janeiro de 2012 · Isaltino · No Comments
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FILIPENSES 1.01-2

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ

ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES

INTRODUÇÃO À CARTA  E COMENTÁRIO EM 1.1-2

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

A história da fundação da igreja em Filipos está em Atos 16. Paulo teve uma visão para ir para a Macedônia (v. 9). Deus o chamava para ir pregar naquela região e assim ele chegou a Filipos (v. 12). Esta foi a primeira igreja fundada na Europa. A primeira convertida foi Lídia (v. 14). Foi nesta cidade que se converteu o carcereiro, numa das mais belas histórias da Bíblia (At 16.25-34). Paulo escreveu a carta da prisão em Roma (Fp 1.12-13), quando  já havia cristãos no palácio do imperador (Fp 4.22). Não lamenta, mas escreve uma carta cheia de alegria. Este é o tema do livro, que se intitula  A carta da alegria. Ele está feliz porque a igreja o apoiou na prisão e lhe enviou ofertas para se manter (Fp 4.15-18). Era uma igreja admirável, que amava Paulo, e ele a amava. Vamos estudar a carta da alegria, escrita por um preso.

 

UM ESBOÇO DA CARTA

1) Destinatários e saudação – 1.1-2

2) Ação de graças e confiança de Paulo – 1.3-8

3) A oração apostólica – 1.9-11

4)  Desejo e  alegria de Paulo – 1.12-26

5) Exortação e exemplo – 1.17 a 2.18

6) Planos para  futuro – 2.19-30

7) A grande digressão – 3.1-21

8) Encorajamento, apreciações e cumprimentos – 4.1-23

 

COMENTÁRIO TEXTUAL – 1.1-2

Paulo estava com Timóteo, companheiro inseparável. Ambos se intitulam de “servos”, não de senhores. Não têm autoridade sobre a igreja. Muitos pastores e membros de igreja agem como se fossem donos da obra. A postura correta que cada um de nós deve ter é a de servo. Este foi o padrão de Jesus (Mc 10.45). E foi sua recomendação aos seus seguidores (Lc 22.24-27).

A carta é endereçada aos “santos em Cristo, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” (v. 1). Santos são os crentes. A palavra significa separado,  não para isolamento, e sim para um propósito. São pessoas que passaram a ter uma visão diferente da vida e têm um propósito construtivo no mundo. Bispos é outra maneira de chamar os pastores. Bispo, pastor e presbítero (ou ancião) são termos para a mesma pessoa, no exercício de funções diferentes. Veja Atos 20.17 (anciãos ou presbíteros) e Atos 20.28 (em que eles são bispos e pastoreiam ou apascentam o rebanho). Diáconos eram as pessoas incumbidas de exercer função que aliviasse a carga dos pastores. Seu surgimento está em Atos 6.1-6. Literalmente, a palavra indica alguém que serve à mesa. Era uma posição baixa, na sociedade. Diácono dono de igreja é outra incoerência.

O apóstolo os saúda com graça  e paz. “Graça” é o grego cháris e corresponde ao hebraico hen, “favor”.  Deus usa de bondade para com sua igreja. Paulo deseja que a igreja cresça no conhecimento da bondade de Deus. É bom saber que a bondade de Deus é crescente. “Paz” é o grego  eirene, de onde vem Irene. Corresponde ao hebraico shalom. A idéia é de algo completo, de uma pessoa realizada, ajustada, e não apenas tranqüila. Ele deseja que a igreja prove o cuidado misericordioso de Deus e seja uma comunidade de pessoas completas, realizadas. Esta a proposta do evangelho. Que provemos a graça de Deus e desfrutemos da paz que Cristo oferece. Quando descansamos em Cristo temos paz. Ele deixou isso bem claro em Mateus 11.28-29. É o descanso de sabermos que nossa vida está em boas mãos, nas melhores mãos que há, as de Deus.

Por hoje é só. Na próxima semana teremos mais.

6 de janeiro de 2012 · Isaltino · No Comments
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Um Hipopótamo Incomoda Muita Gente. Dois Hipopótamos Incomodam Muito Mais

Rev. Jáder Borges (autorizado)

 

Estava lá a notícia: “Governo da Colômbia não sabe o que fazer com os Hipopótamos!” Confesso que li a frase novamente. Hipopótamos e Colômbia, o que isso tinha a ver? Seria a mesma coisa de eu estar lendo: “Governo da Mongólia não sabe o que fazer com os tamborins enviados pelo Brasil para o Carnaval local”. Mas continuei lendo, afinal, o que hipopótamos foram fazer na Colômbia? Pelos meus conhecimentos zoológicos, eles ‘não nascem’ lá, mas no continente africano. Nem sei se em outras partes do mundo tem hipopótamos soltos na natureza. Só na África… e na Colômbia, agora.

 

O negócio foi o seguinte: o traficante Pablo Escobar, morto pela polícia há anos, traficou também hipopótamos para as suas fazendas porque queria um zoológico particular. Quatro desses bichos fáceis de serem escondidos debaixo da blusa entraram ilegalmente naquele país. E não é que gostaram da Colômbia?!  Pablo Escobar morreu, seus negócios foram desbaratados, muitas de suas terras viraram ‘terra de ninguém’… e os hipopótamos? Bem, eles ficaram por lá. E como eu disse, eles gostaram da Colômbia. Clima agradabilíssimo (na opinião dos hipopótamos), natureza selvagem, floresta tropical… e dos quatro que vieram, hoje eles são mais de trinta, vivendo soltos e sem controle humano. Só que tem uma coisa ‘muito simples’: na África hipopótamos matam humanos muito mais do que os leões. Só isso.

Que incômodo para a nação vizinha e amiga. Com tantas coisas para resolver, agora tem problemas do tamanho de um hipopótamo.

 

Trazendo para o nosso dia-a-dia, o que poderíamos tirar de lições para a vida? Penso que algumas lições.

 

TEM QUEM VÁI LONGE, ARRUMAR ENCRENCA.

Achando-se ‘o dono do pedaço’ e tendo todas as condições de atender os seus caprichos e gostos, o ser humano é capaz de muitas coisas para suprir seus devaneios. Tem sempre quem queira inovar; inventar e, porque não, fazer algo que até agora ninguém fez? Assim, seus pés caminham longe em busca de aventuras e do que chama de prazeres, afinal, quem não quer contar para o outro sua última cartada; sua última aventura que até então ninguém havia pensado ou tentado?! “Olhem os meus hipopótamos!” E  todos dirão: “óhhhh!!! Como fulano é ousado; como fulana é criativa! Como ele/ela faz cada coisa que ninguém até hoje fez”. O ser humano, entregue aos seus próprios pecados não mede esforços para brincar com o perigo; para ir buscar o perigo, não importando distância, preço e nem o incômodo de carregá-lo. O pecado em forma de perigo pode até ser ‘exótico’, mas não deixa de ser nem pecado e nem perigo. E basta um ataque certeiro para o exótico virar morte.

 

TEM QUEM ACHE QUE TEM O DOMÍNIO.

Olhando para os seus negócios, olhando para as suas terras, para o seu exército particular de homens bem armados… Pablo Escobar sentia-se o rei. E um rei merece tudo o que o seu coração desejar. “Quero hipopótamos!”. E eles vieram e serviram aos olhos do Pablo.

 

Nesses dias bem secularistas de salários mais altos, postos mais elevados, diplomas mais destacados e facilidades para se trazer o pecado ou ir atrás dele, homens e mulheres não têm medido esforços para satisfazer seus interesses. Acham que têm o domínio. Pensam que tem o controle e até gostam de controlar pessoas. Mandam e desmandam; não temem ninguém e riem da lei e da justiça, contando os seus casos ao redor das mesas dos escarnecedores para outros grandes escarnecedores. E o povo que admira esta gente e esse estilo de vida, fica acompanhando tudo o que eles fazem, procurando imitá-los, cada um segundo as suas possibilidades. E são muitos os súditos que têm as opiniões e gostos desses reis e rainhas em alta conta, bebendo as suas sugestões em grandes goles. Tudo o que fazem e tudo o que dizem é tragado (ver, Salmo 73.10).

 

Escobar foi mais um dos iludidos com o poder momentâneo dos homens. Depois, logo viu que aquilo não era ‘palácio’, mas sim prisão sem grades e muros. Um dos homens mais poderosos do seu país, passou a viver se escondendo, recluso, dormindo cada noite em outro lugar. Vivia para se esconder e fugir no final da vida. O medo era a sua companhia, a desconfiança, seu torturador. Penso como ele não teve uma noite tranqüila e reparadora de sono por anos. Pablo Escobar  não podia levar os seus hipopótamos de estimação, mas o peso da sua culpa, ah, este ele transportava sempre nas costas.

 

À semelhança desta recente parábola sul-americana tão conhecida nossa, a Bíblia diz: “O teu pecado te há de achar” (Números 32.23 ). Encontrou Pablo Escobar na Colômbia. E ele foi alvejado. Morreu onde jamais imaginaria que alguém pudesse morrer: caçado como um bicho, cravejado em cima de um telhado. O pecado nunca errou o endereço de ninguém; também em baixo ou em cima de telhados. Sempre encontrou e cobrou o seu preço: a vida de alguém, só isso. Tudo isso.

 

ALGUÉM PODE MORRER POR SUA CAUSA.

Os Hipopótamos chegaram ao novo lar em 1981. Vinte anos depois estavam espalhando o terror na região. Eles foram atrás de comida e de água.  Pessoas que não tinham nada a ver com Pablo Escobar agora se deslocam com medo perto da antiga Fazenda Nápoles, cerca de 300 kms. da capital. Esses camponeses simples vão para a roça, ou estão voltando para as suas casas com muito medo, sabendo que o ataque pode surgir a qualquer momento.

 

Um dia alguém plantou o pecado na família. E filhos e netos comem desse amargo fruto até hoje. Um dia  alguém transportou um pecado lá de longe, e tem dos seus que foram feridos por presas assassinas e mordidas capazes de dividir uma pessoa ao meio, hoje, passados tantos anos.  As inconseqüentes atitudes no pecado podem gerar conseqüências terríveis para outros que nada tinham a ver com tais loucuras particulares, mas sofreram e caíram, vítimas delas.

 

Não culpo os bichos na Colômbia. Eles são só animais. Mas os que brincam com o pecado, esses sempre serão culpados.

 

O pecado, além de um terrível incômodo quando revela todo o seu poder, fúria e força, é capaz de espalhar tristeza, medo, terror e morte.

 

Não admire o pecado. Não brinque com o pecado. Ele não brinca com você.

 

5 de janeiro de 2012 · Isaltino · No Comments
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VOCÊ FEZ BOAS ESCOLHAS?

              Intitulei a pastoral do boletim de 31.12.10 de “Faça boas escolhas”. Os dois últimos parágrafos foram estes, em itálico:

Em 2011, faça boas escolhas.  Escolha ser um cristão melhor. Um membro de igreja mais engajado, mais entregue. Escolha ser uma pessoa melhor. Escolha ser um familiar melhor.

              Serão 365 dias para fazer escolhas. Em algumas acertaremos. Em algumas erraremos. Mas peçamos graça e sabedoria a Deus para fazermos boas escolhas. E que digamos no fim de 2011: “Acertei!”.

Esta é a pastoral de fim de 2011. Você levou a sério que escrevi? Tornou-se um cristão melhor? Fazendo um balanço: você, como pessoa, melhorou? Sua situação econômica pode ter melhorado. Também sua vida profissional. Mas como gente, melhorou? Como discípulo de Jesus, melhorou?

Todos queremos melhoras em nossa vida. Li de um sociólogo norte-americano que no passado os imigrantes chegavam a seu país querendo melhorar espiritualmente. Buscavam liberdade religiosa, para praticarem sua fé segundo os ditames de sua consciência. Hoje chegam querendo carros maiores e casas mais imponentes. Muita gente age assim. Quer ter vida material melhor. Isto não é de todo errado. Mas nem todos querem ser pessoas melhores.

Há quem queira mudança nos outros, na política, na sociedade, no mundo. Mas continuam as mesmas pessoas. Lembram-me uma frase atribuída a Mark Twain: “Muita gente fala em mudar o mundo, mas ninguém quer mudar-se a si mesmo”. E a perplexidade de uma mãe cuja filha entrou para o Green Peace porque “queria arrumar o mundo”, mas era incapaz de arrumar o seu quarto.

Nada muda se nós não mudamos. Podemos melhorar financeiramente. Mas se permanecermos a mesma pessoa é inevitável que tenhamos os mesmos problemas. Se em 2011 você não melhorou como pessoa e como cristão, pode ter ganhado muito dinheiro, mas estagnou como gente.

Bem, 2012 chegou. Humildemente, posso dizer que melhorei em 2011. Talvez seja melhor dizer “despiorei”. E pretendo melhorar (ou “despiorar”) em 2012. Convido-o a investir na sua vida. No seu caráter. No seu temperamento. Na sua vida espiritual. Na sua maneira de tratar seus familiares. Na sua maneira de tratar os irmãos da igreja. Que tal menos críticas e mais intercessão? Que tal menos alheamento e mais engajamento? Que tal menos tempo para televisão e mais para leitura e reflexão?

Melhoremos todos neste novo ano. Que o mundo melhore a partir de nós.

Um abençoado 2012, como oração sincera do seu pastor,

 

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

5 de janeiro de 2012 · Isaltino · No Comments
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NÃO PERCA SEU BARCO

Pr. João Falcão Sobrinho

            Da janela do apartamento em que me hospedava em Macapá, eu podia ver o imenso Amazonas descendo pachorrento, sem pressa, para depositar no oceano a imensurável riqueza dos nutrientes que trazia desde suas nascentes no mundo amazônico. Eu estava em Macapá a fim de participar das celebrações do quadragésimo aniversário de ministério do Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho, promovidas pela Igreja Batista Central de Macapá, que ele pastoreia. Um dos espetáculos mais belos que já pude ver em meus 81 anos de vida, assisti ali daquela janela: o nascer do sol como se o astro-rei estivesse saindo de dentro do grande rio, tingindo de rubro a imensidão de suas águas.

 

Podia ver também os barcos ancorados no cais e observar o temperamento calmo dos macapenses, como se a lerdeza do rio lhes impregnasse a própria alma. Tudo lá é feito devagar, com calma, não adianta se apressar porque o barco só pode zarpar quando o rio está cheio. Ali ancorado estava um barco de bom tamanho, cujo destino era Afuá, após três horas e meia de navegação. Aos poucos, o barco foi sendo tomado por centenas de passageiros com suas bagagens, redes e esperanças. Em dado momento, um tripulante tirou as amarras do barco e, com uma vara, afastou a proa da beira do cais, enquanto a prancha de acesso era removida e a porteira era fechada. Nesse exato momento, surge na avenida uma motocicleta em alta velocidade. Era um mototaxi com um passageiro na garupa. O homem gritava e gesticulava, evidentemente pedindo para que esperassem por ele. A moto chegou junto ao barco e, enquanto o passageiro tirava e devolvia o capacete e pagava a corrida, o barco já estava fora do alcance do seu embarque. O homem recolocou o capacete e voltou a montar na garupa da motocicleta visivelmente transtornado. Perdeu o último barco para Afuá. Por curiosa ironia, o nome do barco era FÉ EM DEUS. Eu vi um homem no cais em Macapá perder o barco que tinha por nome “Fé em Deus”. Continue lendo »

27 de dezembro de 2011 · Isaltino · No Comments
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QUE PRESENTE VOCÊ RECEBERÁ?

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 24.12.11

                No livro Crescendo na fé com Billy Graham, Grady Wilson escreveu o capítulo “Uma lágrima corajosa”. Ele conta que foi com Billy Graham à Coréia, em 1951, e lá foram a um hospital cirúrgico para visitar enfermos. Um soldado fora ferido nas costas e estava deitado de bruços. Billy deitou-se de costas no chão, para poder falar-lhe, e perguntou ao rapaz se ele queria que Billy orasse por ele. O soldado aquiesceu, e Billy Graham orou por ele.  Finda a oração, o rapaz disse: “Obrigado e feliz natal, senhor Graham”, e chorou. Uma lágrima caiu na bochecha do evangelista. Do lado de fora, Graham disse a Grady Wilson: “Esta lágrima é o melhor presente de natal que eu ganhei”.

Neste natal haverá gente em hospitais, em velórios, no desemprego, na orfandade ou viuvez recente. Pais não darão presentes a seus filhos por falta de recursos (Papai Noel não se dá bem com pobres). Pessoas passarão o natal na fila do SUS. Nas grandes cidades alguns o passarão dormindo nas calçadas ou revirando lixo em busca de algo para comer. Chocante? Deprimente demais para constar de uma pastoral no dia do natal? Bem, somos cristãos, não somos? É justo pensarmos no nosso bem-estar e conforto, raiando ao desperdício, enquanto pessoas sofrem? Continue lendo »

22 de dezembro de 2011 · Isaltino · No Comments
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COMEMORE O NATAL CORRETAMENTE

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, dia 18.12.11

              Eu era seminarista e trabalhava na Baixada Fluminense, com a PIB de Edson Passos. Tomei o ônibus para ir para minha igreja, o famoso Mauá-Mesquita. O cobrador, vendo-me com a Bíblia, disse: “Garotão, neste natal vou encher a cara!”. Respondi: “O azar é seu!”.

Para muita gente o natal é pretexto para beber até cair. Ou comer até passar mal. Os quebradores de dietas (por que as fazem?) dizem: “É festa, vou quebrar a dieta”. Para muitos, natal é mera ocasião de rever parentes, trocar presentes, comer e beber. Um evento social. Continue lendo »

17 de dezembro de 2011 · Isaltino · No Comments
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DESEJANDO SER UM OBREIRO MELHOR

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para um encontro com os pastores em Imperatriz, MA, e apresentado dia 12.12.11

 

“Você conhece alguém que faz bem o seu trabalho? Saiba que ele é melhor do que a maioria e merece estar na companhia de reis” (Pv 22.29, NTLH).

A Bíblia faz este elogio a quem é competente no seu ofício. Fazer bem um trabalho é questão de capricho pessoal e de amor ao trabalho. Só preguiçosos e inconseqüentes se desincumbem de sua tarefa de qualquer maneira. Quem é incumbido de uma tarefa e é negligente no fazê-la mostra que não tem noção de responsabilidade. E se a tarefa a ser desempenhada é no reino de Deus, a questão avulta de importância. Eu era seminarista, e no culto do café da manhã, no refeitório do seminário, num domingo, o também seminarista Ivo Seitz leu Jeremias 48.10: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente”. Isto foi há mais de quarenta anos, mas o impacto permanece comigo até hoje. Guardei isto: a obra de Deus não pode ser feita de qualquer maneira. Continue lendo »

14 de dezembro de 2011 · Isaltino · No Comments
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A QUESTÃO DA UNÇÃO COM ÓLEO: OUTRA VISÃO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

            “O Jornal Batista” publicou artigo do honrado Pr. Tarcisio, da PIB de Divinópolis, sob o tema acima.  Ele é um dos obreiros de mais futuro em nossa denominação. Preguei em sua ex-igreja,  quando ele era pastor em Feira de Santana, BA. Em seu ministério atual, fiz duas séries de pregações. Vi sua firmeza pastoral. Um senhor obreiro!

Em 1986, a JUERP lançou meu livro, Tiago, nosso contemporâneo. Teve três edições em português e uma em espanhol, em Cuba, de confecção artesanal, distribuída a pastores e seminaristas. Agora, aprofundei-me nos estudos e refiz o livro, como parte do Comentário Bíblico King James, da Abba Press, do qual sou o redator. Será outra edição, mais volumosa.

Naquela obra subscrevi a posição do Pr. Tarcísio, mas mudei minha visão. E a exponho, mesmo sabendo que virão críticas. Mas um dos votos que fiz a Deus foi que não hesitaria em mudar de posição quando convencido. Outro foi que não esconderia minha posição. Continue lendo »

13 de dezembro de 2011 · Isaltino · No Comments
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A ALEGRIA DE FAZER MISSÕES

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 11.12.11

              Missões me comovem.

Sempre admirei os missionários que gastam suas vidas nos campos, pregando a Jesus. Chamo-os de “elite das tropas de Deus”. Com alegria leciono para os obreiros de missões estaduais, duas noites por mês, aqui em Macapá. Com alegria vou ao Vale do Jari para lecionar ao grupo que estuda Teologia comigo. É como Deus me usa para fazer missões. No serviço a eles, e  pregando pela Amazônia. Não posso ser um deles, sirvo-os.

Mas “O Jornal Batista”, de 4.12.11 , me “lavou a alma”, com o relato do trabalho dos batistas brasileiros na Itália! Tiro o chapéu para o Pr. Fabiano Nicodemo, nosso obreiro lá. Ele efetuou batismos numa praia de Cesena. Entre eles, o ex-padre Luca de Pero, que por isso foi excomungado pela Igreja Católica e abandonado pela família. Com o ex-padre foram batizados três líderes de sua ex-paróquia! Continue lendo »

12 de dezembro de 2011 · Isaltino · No Comments
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CULTOS NA CASA DO TRAFICANTE

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 4.12.11

              No boletim da PIB de Vila Formosa, de Sampa, vi a notícia, tirada da Internet, que  Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, fazia cultos em sua casa. Ele disse: “Não vou para o inferno. Leio a Bíblia sempre, e faço cultos em minha casa, chamo pastores”.

 

Não sei o que pregaram em sua casa. Tampouco que textos bíblicos lhe deram para ler. Sobre bênção? Prosperidade? Não sei, mas o evangelho é que não. O evangelho chama ao arrependimento e mudança de vida (Mt 3.2, 4.17 e At 2.38). Mas, para muita gente, se cantou algum corinho, falou alguma coisa sobre Deus, fez alguma oração, se pregou o evangelho. O que pregaram na casa do Nem para ele dizer que vai para o céu porque faz cultos e chama pastores? Desde quando pastor ou culto salvam alguém? O problema é que muita igreja não fala de salvação, nem de céu ou inferno, apenas de prosperidade, saúde e vida feliz. Pregam bênçãos e não Jesus Cristo, o Salvador. Elas são o mel, não o sal de terra. Adoçam a boca do mundo, para atrair clientes. Continue lendo »

5 de dezembro de 2011 · Isaltino · No Comments
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APOIO E PRESENÇA DE DIÁCONOS EM CAMPOS MISSIONÁRIOS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Preparado para o 1º. Encontro dos Diáconos da Região Norte, em Belém do Pará, dia 12.11.11

 

INTRODUÇÃO – ONDE SE LEVANTA A TESE A DISCUTIR

Eis-nos diante de uma das mais sensatas questões que já vi, em debates sobre o diaconato. Eu mesmo nunca desenvolvera o assunto anteriormente, mas já o notara em meus estudos bíblicos. Quando escrevi o livro “Atos – de Jerusalém a Roma”, isto se me fez mais agudo, porque foi algo que me saltou aos olhos. Fiquei com a ideia na cabeça. Armazenei-a, para um dia fazer o download mental e desenvolvê-la. Agora me designam este tema.  E de quebra, tive três dias inteiros para refletir sobre ele, em Parintins, onde fui realizar pregações. Em Macapá, as múltipas atividades me desviariam do assunto. Na cidade dos bois Garantido e Caprichoso, pude refletir mais sobre o tema. E, longe de casa, com saudades da minha boa igreja e de minha excelente esposa, o remédio foi aplicar-me a este trabalho para não sentir saudades. Continue lendo »

1 de dezembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Palestras

EBD: UM ENSINO PARA IMPACTAR VIDAS

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os professores da EBD da Igreja Batista Central de Macapá, 25.11.11

 

 

 

INTRODUÇÃO

Esta palestra não ensinará alguém a ser um bom professor de EBD. Talvez não acrescente muito aos participantes, porque, na sua maior parte, são professores experientes e crentes maduros. Mas nos relembrará algumas verdades que, eventualmente, tenham ficado esmaecidas. E relembradas, debatidas e ponderadas, podem nos devolver um rumo que pode ter ficado perdido. É sempre bom relembrarmos verdades espirituais, mesmo que singelas. Muitas vezes ficamos tão familiarizados com elas que deixamos de ver seu brilho.

 

No livro O mundo de Sofia, o doutrinador de menina Sofia diz que a criança é  o verdadeiro filósofo, porque ainda não perdeu a capacidade de se encantar. Os adultos se acostumaram com as verdades, com o mundo, perderam esta capacidade de se encantar. As coisas se tornaram rotina. O doutrinador lhe escreve: “Podemos dizer que um filósofo permanece a vida toda tão receptivo e sensível às coisas como um bebê. E agora você precisa se decidir, querida Sofia: você é uma criança que ainda não se ‘acostumou’ com o mundo? Ou você é uma filósofa capaz de jurar que isto nunca vai lhe acontecer?”[i]. Continue lendo »

30 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Palestras

ANJOS – UM BREVE ESTUDO BÍBLICO

 

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, para a Igreja Batista Central de Macapá, AP

 

INTRODUÇÃO

O que é um “anjo”? Nos gibis de Maurício de Souza, é um ente com cabelos loiros encaracolados, olhos azuis, um par de asas nas costas e uma auréola sobre a cabeça.  Quando criança, criado na Igreja Católica, eu colecionava estampas de santos em meu catecismo. Havia um cartão especial que me impressionava: uma criança ia atravessar uma ponte e um anjo a protegia. Como sempre, o anjo era loiro e tinha um grande par de asas.

No misticismo de hoje, os anjos são mostrados como entes que podem ser manipulados. Há um anjo para cada dia, dá-se seu nome, e como se relacionar bem com ele. No neopentecostalismo não é diferente. “Gloria Copeland e Charles Capps sugerem que pode haver entre 40.000 e 72.000 anjos designados para cada crente, apenas esperando para servir-nos”[1]. Em certo lugar, um missionário recebera uma legião de anjos da parte de Deus, e os  alugava aos crentes, que pagavam mensalidades de um carnê pelo “aluguel”.

O que é um anjo? Alguém alado, alguém a serviço dos cristãos, alguém que vem nos visitar e dar revelações? O que a Bíblia diz? Continue lendo »

25 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Estudos

LEMBRANDO DO EMANUEL

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral da Igreja Batista Central de Macapá, 27.11.11

              Completando 40 anos de consagração ao ministério pastoral, relembro fatos e pessoas que me marcaram. No segundo ano de meu ministério  preguei na Fazenda do Estado, região de Marília. Ia lá uma vez por mês. Em 15.10.72, converteu-se um rapaz, um pouco mais velho que eu: Emanuel. No mês seguinte esteve no culto, mas sumiu nos dois seguintes. Pensei que houvesse desistido. Reapareceu no quarto mês. Fora a outra cidade, “vender umas vaquinhas”,  rever a família e lhe falar de Jesus. Queria que seus familiares se convertessem.

 

Querendo firmá-lo na fé, perguntei-lhe se ele queria uma Bíblia, pois nossa igreja, a PIB de Marília, dava uma de presente aos convertidos. No melhor jeito caipira, ele me respondeu: “Quero não, senhor”. Fiquei meio decepcionado, mas ele me disse: “Eu vou comprar a minha Bíblia. Quero a melhor e a mais bonita. Quando eu comprei meu cavalo eu quis o mais bonito. Vou comprar a Bíblia mais bonita;  ela vale mais que um cavalo”. Continue lendo »

24 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Pastorais

IGREJAS EM BUSCA DE RELEVÂNCIA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Apresentado a 12ª.  Assembléia da COBAP, Convenção Batista Amapaense, na Terceira Igreja Batista de Santana, em 19.11.11.

 

INTRODUÇÃO

Igrejas em busca de relevância se tornou uma preocupação na mente de tanta gente que dá vontade de perguntar: como elas sobreviveram até hoje, num mundo tão competitivo, sendo irrelevantes? Numa sociedade secularizada e massificada por valores contrários aos das igrejas, como elas ainda existem, crescem e ainda preocupam tanta gente que se sente incomodada com elas? Parece que igreja é o negócio mais irrelevante do mundo e que alguns descobriram agora como torná-la relevantes, funcionais e interessantes. Continue lendo »

24 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Palestras

A PRÁTICA DO ACONSELHAMENTO PASTORAL

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Apresentado aos alunos do Centro de Formação Pastoral do Amapá

 

A QUESTÃO PRELIMINAR

A questão preliminar na prática do aconselhamento pastoral é esta: O que queremos, exatamente, com o ministério de aconselhamento pastoral? Bancar o psicólogo, aparentar ar professoral, ser importante, dominar as pessoas, impor nosso ponto de vista? Na década dos oitentas, o charme nas igrejas não era o louvor, mas era o aconselhamento. Na ocasião, eu trabalhava na Faculdade Teológica Batista de Brasília e observei quantas pessoas vinham fazer Aconselhamento Pastoral, porque queriam desenvolver o ministério de aconselhamento nas igrejas. Observei duas características comuns em muitos dos interessados: (1) Eram pessoas dominadoras; (2) Eram pessoas com pontos de vista muito fortes e que lutavam, por eles. É curioso como o temperamento das pessoas as impele para certas funções nas igrejas. Pessoas apaixonadas pela evangelização, não incomumente, são pessoas agressivas. Alguns gurus evangélicos e pessoas que se atribuem títulos pomposos são pessoas com enormes carências emocionais. Elas buscam compensação nas atividades eclesiásticas.  O conselheiro precisa se sondar: o que o motiva é amor às pessoas, consciência de missão, ou desejo de controle? Continue lendo »

19 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Apostila

Convite – Igreja Batista Central

A Igreja Batista Central de Macapá convida os irmãos para o culto de ação de graças que oferecerá a Deus no dia 26 de novembro, às 19 horas, pelo quadragésimo aniversário de consagração ao ministério pastoral do Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, seu atual pastor. Ele foi consagrado ao ministério no dia 25 de novembro de 1971, na Igreja Batista de Acari, no Rio de Janeiro.

 

 

 

O pregador será o Pr. João Falcão Sobrinho, com quem o Pr. Isaltino se decidiu no dia 6 de janeiro de 1963, com 14 anos de  idade, que o batizou no dia 10 de fevereiro do mesmo ano e que pregou em sua consagração, em 1971. O Pr. Falcão é um dos mais conhecidos e respeitados líderes batistas mundiais, tendo sido o Executivo da Convenção Batista Brasileira e da UBLA (União Batista Latino-americana). Também lecionou por vários anos no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, e é autor de vários livros.

 

 

 

No amor de Cristo

 

 

 

João Luiz Silva

 

1º. Vice-Presidente da Igreja

 

 

 

18 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Notícia

APRENDENDO A LIDAR COM AS PESSOAS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Apresentado aos alunos do Centro de Formação Pastoral do Amapá

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Hoje se ouve muito falar de “confrontação”, no aconselhamento pastoral. Em linhas gerais, é uma técnica de aconselhamento que se pauta pela repreensão bíblica. O termo “confrontação”, com toda a sua carga negativa, deixa isso bem claro. O maior representante desta teoria, entre os evangélicos, é Jay Adams. Foi uma reação às técnicas modernas de não interferência do conselheiro nas decisões do aconselhando, e à assimilação das técnicas de psicologia secular pelos conselheiros pastorais. A linha a seguir era a de enfatizar o valor das Escrituras no aconselhamento pastoral, e não as idéias tolerantes e aceitadoras do pecado, o que me parece válido.

 

Adams também resgata o valor da igreja, nesta teoria de aconselhamento. Se a pessoa aconselhada é membro de uma igreja, está debaixo de sua autoridade e a igreja pode repreendê-la. Somando as duas coisas, a autoridade das Escrituras e a autoridade da igreja, muitos adeptos desta teoria defenderam a repreensão pública das pessoas em pecado. O texto de 1Timóteo 5.20 foi muito usado: “Aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor”.

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18 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Artigos

AINDA RESTA UMA ESPERANÇA

 Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 20.11.1

Tomava o café da manhã. Liguei a televisão para receber as más notícias. Eis que veio uma propaganda: “Ainda resta uma esperança”. Presumi, pelo título, que fosse de um programa religioso. Era de um filme de ação. Aparecia um sujeito empunhando uma arma com firmeza e aquele ar de Charles Bronson. Típico de nossa cultura: a esperança está nos homens, nas armas, na violência.

O filme apela à violência como resposta ao anseio de vingança. Tratar o mal com o mal. A violência é a manifestação mais forte do pecado. Após a Queda, há o assassinato de Abel por Caim. Depois, Lameque compôs uma canção de ódio (Gn 4.23-24). A violência já era motivo de orgulho. Por fim, o desgosto de Deus: “a terra está cheia da violência dos homens” (Gn 6.13). Continue lendo »

18 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Pastorais

O PERFIL E ATRIBUTOS DO CONSELHEIRO BÍBLICO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Apresentado aos alunos do Centro de Formação Pastoral do Amapá

 

INTRODUÇÃO -  UMA QUESTÃO PRELIMINAR

Não basta dizer-se vocacionado para o ministério pastoral ou para o ministério do aconselhamento para ser bem sucedido nestas atividades. Ser vocacionado não é uma garantia de que as coisas darão certas. Prova disso é o grande número de ministérios que dá errado e de igrejas com problemas muitas vezes causados por pastores. E, da mesma forma, de conselheiros que não conseguem ajudar as pessoas. Há algo mais além da chamada e da boa vontade em fazer a obra.

 

Ter consciência da chamada da parte de Deus e manter uma vida de comunhão com ele ajudam muito ao obreiro. Mas ter o preparo necessário também ajuda muito. Ninguém negará que Pedro foi chamado e usado por Cristo. Mas a sombra projetada pelo ministério de Paulo foi maior que a projetada por Pedro. Inteligência e preparo postos a serviço de Cristo é uma bênção.  O conselheiro bíblico precisa ser bem preparado. Tanto na área de estudo sobre o assunto e sobre a Palavra de Deus, como na área do preparo emocional. O emocional e o espiritual devem caminhar juntos, principalmente na vida de quem cumpre a tarefa de ajudar o povo de Deus. Por isso, é sempre oportuno lembrar, o primeiro dever do obreiro cristão é cuidar de si mesmo. É triste a palavra da sunamita em Cânticos 1.6: “Puseram-me por guarda de vinhas, mas a minha vinha não guardei”. Guarde a sua vinha! Seja uma pessoa que busca a maturidade espiritual e emocional. Invista em si mesmo. Continue lendo »

17 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Apostila

ACONSELHAMENTO PASTORAL OU ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO?

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Apresentado aos alunos do Centro de Formação Pastoral do Amapá

 

 

1. QUESTÃO PRELIMINAR

Esta é a primeira questão que desejo considerar: o que estudaremos será aconselhamento pastoral ou aconselhamento bíblico? Muitos pastores têm se travestido de psicólogos e, nesta disciplina, muitos seminários têm se preocupado mais com aconselhamento psicológico que pastoral. Freud, Adler, Mortimer, Jung, Erickson e outros têm tomado o espaço da Bíblia. Pessoalmente, vi um professor da disciplina ironizar a Bíblia, quando depreciava seu ensino para formação do caráter e para resolução dos problemas emocionais das pessoas. Para ele, a área espiritual nada tinha a ver com a emocional e psicológica. A Bíblia podia ser usada para outras coisas, mas para o aconselhamento, ele, particularmente, “usava a ciência”. E segundo ele, este era o erro de muitos pastores “fundamentalistas”, o de prenderem-se à Bíblia e aos princípios e valores cristãos. Só a “ciência” podia ajudar as pessoas. Contraditoriamente, este professor era pastor, e aos domingos pregava sobre a autoridade e a suficiência das Escrituras, do púlpito que ocupava. Parece que tanto a autoridade quanto a suficiência eram parciais. Ou sua teologia era esquizofrênica. Continue lendo »

16 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Apostila

NA TERRA DOS BOIS, O CORDEIRO TRIUNFA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 13.11.11

 

Voltei a Parintins, após catorze anos.  Fui pregar nos 15 anos da 2ª. Igreja, pastoreada pelo Pr. Antonio. Templo grande, com ar condicionado, freqüências ao redor de 300 pessoas. Reencontrei o Elmer, filho do Pr. Lessa, o homem que implantou o evangelho na ilha, há mais de meio século. Hoje é o Pr. Elmer, da PIB.  A família Lessa foi perseguida e até atentado de morte sofreu. A PIB de Parintins se aproxima dos 1.000 membros.  O Colégio Batista vai bem, e não está endividado.

Quando o Pr. Elmer era adolescente fizemos uma viagem louca à aldeia saterê na reserva Vila Nova. Os rios transbordavam e a água batia na copa das árvores. Ele, eu, o Brilhante (hoje pastor) e o Dr. Joel Afonso (PIB de Manaus) para tratar dos índios. Fui como Presidente da Convenção Batista do Amazonas. Fora lançado o NT em saterê e agora se lançavam Gênesis e Êxodo. Recebemos a Igreja Saterê, com 40 membros, no seio da Convenção. No ano seguinte, presidi a assembléia convencional, em Parintins. A Igreja estava com 120 membros e seu exuberante coral se apresentou, cantando em saterê. Continue lendo »

8 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Pastorais

PÉS COMO OS DA CORÇA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 6 de novembro de 2011

 

Estudava os profetas menores com os alunos do Centro de Formação Pastoral. Chegamos a Habacuque, um desconhecido em nossas igrejas. Analisamos o pano de fundo e a estrutura do livro. Depois, sua teologia. No final, o profeta descreve um quadro grave de fome (3.17). Mesmo assim, ele exultaria no Senhor (3. 18). Eis a razão: “Ele fará os meus pés como os da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos”. Continue lendo »

1 de novembro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Pastorais

O ENCANTO DA BÍBLIA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 30 de outubro de 2011

 

Graças a Deus, conclui mais uma leitura da Bíblia. Vali-me  da “Bíblia de Jerusalém”, pois leio cada vez numa versão diferente. Esperava terminar em julho, mas me detive nas notas de rodapé. Além disso, como ela é volumosa por ter os apócrifos (não os li) não a levei nas viagens.

Deixei a cereja do bolo para o final, o Apocalipse. É meu livro preferido. Não sou futurista nem vejo nele batalhas horrorosas e sangrentas, num futuro. Mas ele me consola. Mostra a Igreja perseguida, mas fiel. Hostilizada a ponto de quase ser aniquilada, mas triunfante. O livro não se centra nas desgraças, e sim no triunfo final de Jesus. O cristianismo que ele mostra não é  festivo, ôba-ôba, mas piedoso e fiel. Sério. Continue lendo »

26 de outubro de 2011 · Isaltino · No Comments
Publicado em: Pastorais