Arquivos mensais: Março 2010

O ENCANTO DA TERCEIRA IDADE

Preparado por Meacir Carolina Frederico Coelho para a IB Nova Vida – Valparaíso – GO

02/04/2010

INTRODUÇÃO

Quando Carlos se aposentou, ficou muito feliz. Levantou tarde, tomou uma segunda xícara de café, leu os jornais da manhã e disse à esposa “Isso é que é vida!”. Logo depois pensou como seria problemático preencher suas tardes. Resolveu fazer o cruzeiro que ganhara de prêmio da firma e levou a esposa. Na volta, foi visitar os colegas de trabalho no escritório. Foi uma festa. Muito elogiado, resolveu voltar na semana seguinte para nova visita e viu um jovem de 25 anos ocupando a mesa de trabalho que fora sua. “Ele está operando um computador”, reparou Carlos, que nunca chegou a usar um desses aparelhos. Reconheceu ali, que era tempo de ir embora e se lançar em uma vida nova. Ficou com um pouco de medo, mas viu também a oportunidade de um futuro maravilhoso.

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UM QUE FAZ FALTA E OUTRO QUE NÃO

Isaltino Gomes Coelho Filho

Estou lendo a Bíblia na versão Almeida Século 21. Hoje li o livro de Lamentações. Antes de lê-lo, li o comentário introdutório. É bom fazer isso. É como ler o prefacio e o índice de um livro. Ajuda-nos a ver o que leremos.

Duas observações do comentarista me ajudaram muito. Elas tocam em dois aspectos bem sérios. Um que nos faz falta, porque o esquecemos. Outro que não, e espero que desapareça de nossas igrejas.

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PARA QUEM RECLAMA DA JUSTIÇA OU OS EVANGÉLICOS AINDA NÃO APRENDERAM A CIDADANIA

Isaltino Gomes Coelho Filho

Transcrevo a notícia que saiu no “Folha Online”, de 25 de março de 2010, às18h18min, sob título “Justiça de S. Paulo derruba mudanças na lei do Psiu”. Começa com esta afirmação: “O TJ (Tribunal de Justiça de São Paulo) derrubou as mudanças aprovadas pela Câmara Municipal na lei de ruído de São Paulo. A prefeitura havia entrado na terça-feira (23) com ação de inconstitucionalidade da lei e o TJ deu nesta quinta a decisão favorável ao governo”.

A Lei do Psiu é um recurso do cidadão massacrado pelo volume exagerado de decibéis vindos de bares, boates e, principalmente, de igrejas evangélicas. As igrejas são as campeãs em queixas.  A questão é tão significativa que havia até um site intitulado “Deus não é surdo”, contendo denúncias contra igrejas barulhentas. Muitos evangélicos também escreviam para o site, mas geralmente para dizer que sua igreja era diferente. Um adventista chegou a dizer que sua igreja “era a melhor de todas”. Este não tem problemas de auto-imagem, evidentemente. Mas as mensagens dos evangélicos mostram nossa dificuldade de fazer autocrítica, e como nos sentimos desconfortados quando somos confrontados com nossos erros. Geralmente tentamos desqualificar nossos discordantes (aliás, isso parece muito comum em debates em nosso meio) e depois apelamos para nossos direitos. Não gostamos de ser desqualificados nem pensamos nos direitos alheios.

Muitas vezes tenho dito que no passado nosso símbolo distintivo era a Bíblia e o povo, inclusive, nos chamava de “bíblias” pelo nosso apego ao Livro. E que hoje nosso símbolo distintivo é a caixa de som com que atazanamos a vida de nossos vizinhos. Um de meus críticos me perguntou o que eu tenho contra o louvor. Eis o hábito evangélicos de torcer as palavras alheias. Nada comentei de louvor, mas de barulho. São duas coisas diferentes. É irritante ser incomodado dentro de casa por gritaria e músicas das quais não gostamos. As pessoas têm o direito de não ouvir músicas e pregações em suas casas. Como eu me sinto incomodado quando um vizinho meu me faz ouvir o pagode de que ele gosta e que eu, particularmente, abomino.

Voltemos à Psiu. O autor de mudanças que gerou o novo teor da lei (derrubado pelo TJ) foi o vereador Carlos Apolinário, evangélico. Na troca de favores habituais, a Câmara aprovou seu projeto de mudança, que transformava a vítima, o massacrado pelo barulho, numa pessoa sob suspeita e a colocava sob risco, inclusive. Diz o artigo, ainda, agora a respeito do projeto do evangélico: “As mudanças impostas pela Câmara Municipal acabavam com a denúncia anônima de barulho, exigiam que a medição de ruído fosse feita na casa do vizinho do local barulhento e na presença do dono do estabelecimento, aumentava os prazos de adequação e reduzia as multas para quem fosse pego com barulho acima do limite”. As mudanças beneficiavam o infrator e prejudicavam a vítima.

O cidadão tinha que receber em sua casa os técnicos que mediriam o som e ainda o dono do estabelecimento. Como a má educação de som alto não é exclusividade de igrejas, o pacato sujeito que queria apenas dormir após uma da manhã, após um dia de trabalho, precisava receber em sua casa o dono do boteco barulhento. E a clientela de boteco nem sempre é muito gentil nem se preocupa muito com os direitos alheios. A pessoa teria que se expor à ira e até vingança de quem ela acusasse.

É lamentável que tenhamos perdido tantos parâmetros que nos eram valiosos. Como, por exemplo, o respeito pelo direito alheio. Morei em Perdizes, na Cardoso de Almeida, em um sobrado que tinha outro sobrado ao lado. Em baixo do sobrado vizinho havia um bar, que aos sábados ia até a madrugada. No domingo eu chegava na igreja com cara de quem havia passado a noite na gandaia. E era verdade. Só que na gandaia alheia. Isso me indignava. Por que imaginamos que nosso barulho incomoda menos que o dos outros? Perdemos a educação?

Tenho outra pergunta: a função de políticos evangélicos é fazer leis ou mudar leis para nos beneficiar ou é levar os padrões morais evangélicos para a política? Não será por essa compreensão defeituosa do que seja a política e até mesmo do que seja um crente em Jesus Cristo que temos até a famosa oração da propina, correndo pela Internet, no escândalo de Brasília? Políticos evangélicos não devem ser despachantes para facilitar a vida de nossas igrejas e digo, afirmo, sustento e repito: não podemos transgredir as leis; devemos ser bons cidadãos!

E tenho uma questão teológica: de onde saiu a idéia de que gritaria e barulho são  sinais de espiritualidade? Meu bom amigo Pr. Gessy Frutuoso, de Itaperuna, cidade natal de meu pai, me contou de sua surpresa, num dia, às 6 da manhã, ao passar por uma igreja evangélica e ouvir um vozerio enorme em oração. Pensou que havia umas quinhentas pessoas orando (era uma dessas igrejas em que todo mundo ora junto). Olhou da porta. Eram duas pessoas, e cada uma com um microfone, uma em cada lado do salão de cultos, gritando suas orações. Respeito a teologia de cada um, mas isto é non sense. Se não é pelo muito falar que seremos ouvidos, também não é pelo muito gritar que o seremos.

Parabéns ao Tribunal de Justiça de S. Paulo. Lamento que nós, seguidores de Jesus, sejamos mal vistos não pela nossa fé, mas pelo nosso mau testemunho. Lamento que queiramos contornar leis para nos beneficiar. Precisamos de cidadania neste país. E ela se manifesta em questões até pequenas. Uma delas é esta: paremos de incomodar nossos vizinhos. Não precisamos de gritaria nem de barulho infernal em nome de Deus. E lembro que um bom advogado pode ganhar uma causa ruim. Mas uma causa boa pode ser perdida por um mau advogado. Não prejudiquemos o evangelho.

Reflexos de uma teologia EQUIVOCADA

Isaltino Gomes Coelho Filho

Parece-me haver um debate teológico em nossa denominação, enfocado de maneira equivocada e com rótulos pouco acertados. Vejo que alguns dividiram o cenário entre “conservadores obscurantistas fossilizados” contra “intelectuais arejados, sintonizados com novos tempos”. Li, um dia, que sou o líder do fundamentalismo batista, “tendência tolerada pela CBB”. Não sei quem me constituiu líder, e talvez a pessoa que me rotulou não sabe o que é um fundamentalista. Parece que ela se vê como um intelectual sintonizado com os novos tempos. Mas nada é mais fundamentalista que um intelectual sintonizado com os novos tempos. Fora do seu esquema não há salvação. Nem vida inteligente. É o detentor do saber e da erudição teológica, embora mais douto em sociologismo e filosofismo que em teologia.

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DOIS TIPOS DE DISCÍPULOS

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Respondeu-lhe Felipe: Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pouco. Ao que lhe disse um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?” – João 6.7-9

Filipe e André são discípulos de Jesus com nomes gregos significativos: “amigo dos cavalos” e “homem”. Um voltado para animais e outro para pessoas. Ambos são mais de bastidores que da linha de frente. São mencionados sempre em papéis secundários, e nunca propriamente de comando.

André é uma figura fantástica. Viveu nos bastidores e à sombra do irmão, Pedro, que ele levou a Jesus. Sempre com uma palavra positiva e colaborando para decisões. No episódio em tela, Jesus levanta a questão: onde arranjar comida para tanta gente? Já decidiu o que fará, mas experimenta os discípulos. Se foi um teste, do ponto de vista de Recursos Humanos, Filipe foi reprovado e André foi aprovado.

Quando Jesus traz o problema a Filipe, este o agrava: sete meses de salário de um trabalhador não bastariam. Filipe dramatiza o problema. André aponta numa direção. Não chega a dar uma resposta, mas devolve o problema para o Senhor, após mostrar alguma coisa. E a pista de André é assumida imediatamente por Jesus, que age a partir de sua sugestão. Se fosse se lastrear na palavra de Filipe, Jesus apenas teria o problema com cores mais vívidas.

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LUZ TEMPORÁRIA, SIM; DEFINITIVA, NÃO

“Ele era a lâmpada que ardia e alumiava; e vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz.” – João 5.35

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Luz” é uma das metáforas usadas por João, como verdade, vida, caminho, água, etc. Ele se ligou muito neste estilo de Jesus ensinar. Esta palavra do Mestre que ele registrou em 5.35 é significativa. Jesus falava de João Batista (v. 33). Os homens se alegraram com sua luz, que era temporária. Mas quando veio a luz verdadeira, que João não era (“Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo” – Jo 1.8-9), eles não quiseram.

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Animes e Mangás: a influência da religião oriental em nosso meio

João Oliveira Ramos Neto

Licenciado em História – Estudante de Teologia – Rio de Janeiro – RJ

Quando eu era criança, gostava de desenho animado. Na década de 90, a moda era “Pica-Pau”, “Pernalonga” e “Tom e Jerry”. Eu também gostava de jogar video game. Você já ouviu falar em “Super Nintendo”? Que saudade!  Além disso, ainda achava tempo para ler minhas revistas em quadrinhos: as da “Turma da Mônica” e as de “Walt Disney”. Ficava horas e horas viajando com aqueles personagens: o Cascão, querendo fugir da água, o Cebolinha, dando nó na orelha do Sansão, e o Pato Donald, arrumando confusão com o Tio Patinhas.

Nos últimos anos, no entanto, mudanças começaram a acontecer, e o Japão começou a ocupar mais espaço na mídia. Agora, os desenhos animados exibidos na TV são, em sua maioria, animes, e os quadrinhos são mangás. Até a Turma da Mônica passou a ser desenhada no estilo japonês. Geralmente, os mangás saem do papel e vão para as telas do cinema e da televisão e se tornam animes. Portanto, seja revista em quadrinhos, seja desenho animado, seja video game – porque geralmente um influencia o outro – eles estão ao nosso redor: Dragon Ball, Digimon e Pokemon, só para citar os principais.

A influência da cultura oriental

Que importância tem essa mudança toda? Como cristãos que somos, não precisamos deixar de usar todos esses recursos para o nosso entretenimento, contudo, algumas considerações precisam ser feitas. Para começar, precisamos identificar a cultura oriental por trás desses desenhos.

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