Arquivo mensais:junho 2007

A Teoria Dos Seis Graus

A Teoria Dos Seis Graus

 

Comecei assim a pastoral passada: “’News addictions` é um livro que ganhei no dia dos namorados”. Hoje começo assim: “’Não sou uma só: diário de uma bipolar’ é um livro que Meacir Carolina ganhou no dia dos namorados”.

Transtorno bipolar é o nome antigo da psicose maníaco-depressiva. Na tendência de suavizar, mudaram seu nome. Alguns psicanalistas preferem o antigo, porque “transtorno bipolar é um eufemismo e a intensidade da coisa não fica clara” (Jamison). Mas deixemos o tecnicismo de lado. Nem é de transtorno bipolar que quero falar.

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New Addictions (Novas Dependências)

New Addictions (Novas Dependências)

 

                “News addictions” é um livro que ganhei no dia dos namorados. “Addiction” é uma palavra inglesa para “hábito, vício”. É mais ampla que “dependence” (dependência), porque indica uma situação de dependência psicológica que leva a buscar algo sem a qual a vida se torna sem sentido.  O autor, Guerreschi, a usa para designar dependências emocionais, sem substância química. Bem documentado, com quadros e gráficos, o livro mostra o vazio contemporâneo e a luta em preenchê-lo.

                Eis três das novas dependências emocionais: internet, celular e compras.  A internet, expressão da telemática (junção de telecomunicações e informática) beneficia muito em pesquisa e informações. Mas permite algumas patologias, como a IAD (Internet addiction desorder). A internet não é má, mas o comportamento dos seus usuários pode ser problemático. Pode vir a ser fuga da realidade.

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O Sistema De Aquecimento Da Igreja

O Sistema De Aquecimento Da Igreja

 

                Não, não se trata de um sistema de aquecimento da nossa Igreja. Acabamos de colocar ar-condicionado no templo (e veio uma onda de frio!). Aquecimento seria uma boa, e já temos no batistério. Pelo menos para mim está bom. Mas não penso em novas despesas com climatização. Falo do sistema de aquecimento do Tabernáculo Metropolitano, em Londres, igreja batista onde Charles Spurgeon realizou um abençoado ministério. Abençoado como poucos.

                A história está no livro “Anatomia da Pregação”, boa obra contemporânea sobre preparação e entrega de sermões. O autor, Larsen, conta uma história sucedida na igreja de Spurgeon. Cinco estudantes universitários foram ouvir o famoso pregador, apelidado de “O príncipe do púlpito batista”. Um diácono perguntou-lhes se queriam conhecer o sistema de aquecimento da igreja. “Era um dia quente de julho na Inglaterra”, diz Larsen. E os jovens quiseram ver que sistema de aquecimento era este, em um dia como aquele.

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Os Cânticos Do Apocalipse

Os Cânticos Do Apocalipse

 

Isaltino Gomes Coelho Filho

            Para muitos, o Apocalipse é misterioso e aterrorizante. Para outros, infelizmente, é uma cabala evangélica, usado para adivinhações grotescas, em que se “vêem” o Japão, EUA, helicópteros, Saddam Hussein reconstruindo Babilônia e outras hermenêuticas levianas, mostradas entre nós como escatologia séria. É triste o sensacionalismo bíblico!  Mais triste é o anseio por ele em nossas igrejas!

 

            O Apocalipse é um livro de louvores e cânticos. Celebra o triunfo final de Jesus, o Cordeiro de Deus. Seu reino será vitorioso. Os cânticos são de triunfo. Há muita liturgia, mas, semanticamente, talvez não seja apropriado falar de “cânticos”, embora Apocalipse 15.2 diga que “entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro”. Na realidade, são aclamações de louvor em que a corte celestial prorrompe espontaneamente ao ver descortinada a história e o triunfo do reino implantado por Jesus. Não são cânticos elaborados, mas expressões espontâneas. Mas são um precioso ensinamento: nós celebramos a vitória do reino de Cristo. Cantamos sua obra redentora, seu poder na história, o triunfo dele sobre o poder do mal, a imbatibilidade da Igreja.  Nosso louvor deve exaltar o triunfo de Cristo e a vitória final do seu reino.

 

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Pastores e Lobos; Ovelhas e Bodes

Pastores e Lobos; Ovelhas e Bodes

 

                Duas pessoas amigas me enviaram uma mensagem intitulada “Pastores e lobos”, mostrando as diferenças entre o realmente pastor e o que é um lobo e se aproveita do rebanho. Sei que as duas não quiseram me enquadrar como lobo. Elas me conhecem, sabem de minha vida ministerial, respeitam-me e damo-nos bem. Foi para uma reflexão necessária, e até um desabafo delas, com tantos aproveitadores.

                A ambas, respeitosamente, disse que não via como carapuça, mas gostaria de mostrar outro aspecto.  Gostaria que alguém escrevesse sobre “ovelhas e bodes”. Pois assim como há lobos disfarçados de pastores, há bodes mascarados de ovelhas. Ovelhas são dóceis, dão lã e seguem o líder. São úteis e boas de se trabalhar. Bodes dão marrada, cheiram mal, alimentam-se até de lixo, e embora tenham utilidade, são problemáticos. Não sou uma autoridade “bodal” e talvez falhe na análise do bode, mas peguei carona na palavra de um pastor que ofendido por um membro da sua igreja (chamam a isso de “confrontar”) que alegou que não tinha pastor, e que ele nunca fora um pastor para ele, respondeu-lhe calmamente: “Mas você não é ovelha; você é bode. Você dá marradas para não ser guiado”. Alguma autoridade em vida caprina poderá destacar as virtudes do bode, mas é neste contexto que falo.

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