Arquivo mensais:agosto 2008

Dá para levar a Bíblia a sério?

Dá para levar a Bíblia a sério?

 

Um crítico falastrão disse que a Bíblia não pode ser levada a sério porque não se pode provar a autenticidade dos seus manuscritos. Aliás, o autor de O Código da Vinci diz que ela foi mudada várias vezes e nunca houve uma redação final. Ao longo dos tempos, os cristãos a mudaram a bel prazer. Quem ler O Código ficará, se for limitado e inculto, com a imagem de que os cristãos são um bando de mafiosos. Curioso! Gente de pouca honestidade intelectual pondo em dúvida as afirmações e o credo alheio.

Dá para levar a Bíblia a sério? Podemos dizer que o que nela está sempre esteve lá e que seus manuscritos são confiáveis?

Tucídides, historiador aceito pelos estudiosos, viveu entre 460-400 a.C. Sua obra sobreviveu em oito manuscritos, datados de 900 a.D. (1.300 anos depois). Os manuscritos de outro historiador, Heródoto, são mais raros, mas também de larga aceitação. Chegaram-nos poucas cópias, também datadas bem depois de sua vida. As obras do filósofo grego Aristóteles datam de 330 a.C., mas o manuscrito mais antigo é de 1.100 a.C., ou seja, 1.400 anos depois! Nenhum intelectual impugnou as obras de Aristóteles por isto. ”As guerras gaulesas” foram narradas por César entre 58 e 50 a.C., mas o manuscrito mais recente é de mil anos após sua morte.

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A necessidade de um bom amigo

A necessidade de um bom amigo

 

            No excelente livro Automotivação, alta performance, de Zig Ziglar (obrigado pelo presente, Nelya!), há um capítulo intitulado “Pessoas e propósitos”. Ziglar, batista e professor de EBD em sua igreja (de 22.000 membros), fala da necessidade de amigos, mostrando como bons relacionamentos ajudam, inclusive, na recuperação médica.

            Ele cita o poeta inglês John Donne que disse que “Nenhum homem é uma ilha” (título de um romance do austríaco Mario Simmel). Segue dizendo que, infelizmente, há pessoas que se trancam e fazem questão de não ter amigos. É verdade. Algumas parecem trazer um letreiro na testa: “Não se aproxime”. Zig diz entender que algumas dessas pessoas se frustraram com outras, por isso querem distância. E cita um ditado rabínico: “Quem procura um amigo sem imperfeições jamais terá amigos”.

Relacionar-se é arriscar-se. Mas vale a pena. Fechar-se é pior. Lembra-me uma frase atribuída a Vitor Hugo: “Se não queres sofrer, guarda teu coração em cofre de ferro e não o dês a ninguém. Mas neste cofre ele minguará e tu serás infeliz”. É provável que todos tenhamos nos decepcionado com alguém. Mas é provável que também tenhamos sido enriquecidos por amigos. E que tenhamos falhado com pessoas que esperavam de nós. Também podemos ser maus amigos, em ocasiões. Mas todos nós já fomos bons amigos.

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A lição dos patos

A lição dos patos

 

Você já deve ter visto cenas em televisão, se é que não viu ao vivo, de bandos de patos selvagens voando, em uma bonita formação em V. Eles não voam em bando informe ou disforme. Escolhem esta posição de vôo por motivos bem funcionais. Veja só o porquê, e avalie as lições para nós.

Quanto um pato bate as asas, cria um vácuo para o pássaro seguinte. Voando em formação V, o bando tem seu desempenho melhorado em 71% do que em vôo solitário. Lição: as pessoas que compartilham uma direção comum e em senso de grupo alcançam seus objetivos mais rápida e facilmente.

Quando um pato sai da formação em V, sente a resistência do ar e logo volta para a formação, aproveitando o vácuo da ave à sua frente. Lição: é preciso permanecer em formação com aqueles que se dirigem para onde pretendemos ir, aceitando sua ajuda e prestando a nossa.

Quando o pato líder se cansa, muda para trás na formação e, imediatamente, outro pato assume o lugar, indo para a ponta. Lição: é preciso haver revezamento na liderança e divisão de tarefas pesadas. Assim como os patos, somos interdependentes uns dos outros.

Os patos de trás grasnam para incentivar e encorajar os da frente e aumentar a velocidade. Lição: precisamos nos assegurar que nossas palavras sejam de incentivo e de apoio para que a equipe aumente seu desempenho.

Quando um pato fica doente, é ferido ou é abatido, dois patos saem da formação para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que esteja apto para voar ou até que morra. Só assim eles voltam ao procedimento normal, com outra formação, ou vão atrás de outro bando. Lição: precisamos de senso de solidariedade em momentos difíceis, hipotecando apoio aos feridos e não nos descartando deles.

Provérbios 6.6 nos manda ir ter com a formiga e aprender do seu jeito de ser, trabalhador. Podemos parafrasear o texto e dizer: “Vai ter com os patos, considera os seus caminhos e sê sábio”. Assim aprendemos do jeito de ser deles, solidários. Uma igreja que quer exercer sua missão de fazer diferença neste mundo precisa viver em solidariedade.

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

(Publicado originalmente no boletim da PIB de Manaus, AM, em 29.10.1995) 

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As Crónicas de Nárnia de Volta ao Cinema

As Crónicas de Nárnia  de Volta ao Cinema

 

  O Príncipe Caspian

 

As Crónicas de Nárnia,  de C. S. Lewis, voltaram ao cinema, agora com O Príncipe Caspian, a segunda das sete clássicas histórias do  famoso autor e professor de literatura medieval e renascentista da Universidade  de Cambridge (1898-1963).

As quatro crianças,  Peter, Lucy, Edmund e Susan,  que conhecemos em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa,  voltam a Nárnia para ajudar o Príncipe  Caspian, e um exército de narnianos, a conquistarem o trono, no domínio do maléfico Rei Miraz,  vencendo os poderes do mal que oprimem as silenciadas terras de Nárnia.

Guardadas na secção infantil das bibliotecas, e lidas abundantemente pelas crianças,  As Crónicas de Nárnia talvez sejam uma oportuna leitura para adultos. Tal como Lewis e Tolkien (O Senhor dos Anéis),  seu amigo,  entendiam, estas histórias não são necessariamente para crianças.  Para estes  autores,  só vale a pena ser lido o conto de fadas que  valha a pena ser escrito para, e lido por, adultos.

Lewis entendia que o mundo imaginário dava ao mundo real “uma nova dimensão de profundidade” devolvendo-nos ao mundo com um prazer redescoberto. Como afirma  Martha C. Sammons,(1) Lewis acha que a fantasia  permite retirar a monotonia às coisas que já conhecemos,  restaurando a nossa visão do mundo, fortalecendo assim o nosso gosto pela vida. 

Embora o autor não pretendesse escrever alegorias cristãs, ele reconheceu que os elementos da sua fé cristã permearam as suas narrativas.  As histórias de Nárnia são peregrinações espirituais,  que resultam numa grande mudança interior dos personagens quando os poderes do mal que os oprimem são vencidos. É a busca de Deus, de uma identidade pessoal, colocada no mundo imaginário. 

Em O Príncipe Caspian  podemos cruzar-nos com muitos temas. A maçadora educação imposta e censurada pelo Rei Miraz que tenta impedir o verdadeiro conhecimento da antiga Nárnia confronta-se com a educação justa da Nárnia genuína. Uma perspectiva  materialista e céptica da vida é confrontada com uma perspectiva de vida de dimensão transcendente, espiritual. A sempre desejada figura do leão Aslan, ressuscitado, aponta para a pessoa de Cristo, libertador espiritual,  bem como para a providência de Deus na história e a responsabilidade humana. O encontro de Aslan com Lucy é um estímulo à fé em contextos de vida onde ela rareia.

Lewis recorre ao profundo conhecimento sobre os animais para criar uma história de delícia. Os personagens de O Príncipe Caspian proporcionam uma preciosidade de significado, suspense e humor, criando um ambiente onde a intensidade das experiências nos permitem  claras contemplações de realidades  e conceitos que nos parecem longínquos.  Tal como beber água fresca numa fonte que descobrimos na montanha… numa altura em que temos sede!

Segundo a sequência da sua publicação, são estas as sete Crónicas de Nárnia: “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, “O Príncipe Caspian”, “A Viagem do Caminheiro da Alvorada”, “O Trono de Prata”, “O Rapaz e o Cavalo”, “O Sobrinho do Mágico” e “A Última Batalha”. Depois de terem sido publicadas em Portugal pela Guimarães Editores (1961) e pela Gradiva (1994), as Crónicas de Nárnia são agora editadas pela Editorial Presença (2003).    

Pais e educadores interessados em recursos pedagógicos relacionados com o livro e o filme dispõem de uma grande variedade de possibilidades, nomeadamente:

www.walden.com, cslewis.drzeus.net;  www.christianitytoday.com;  www.family.org .  A Sociedade Bíblica de Portugal (www.sociedade-biblica.pt) preparou o opúsculo “A Verdadeira Mesa de Pedra” que propõe uma interpretação bíblica do argumento de C. S. Lewis. O   www.portalevangelico.pt lançou o “Dossier C. S. Lewis”, com várias contribuições sobre a vida e a obra do professor.

— Fernando Ascenso

 

(1) Citado de “The Chronicles of Narnia: For Adults Only”, Martha C. Sammons, em “Revisiting Narnia”, Shanna Caughey, ed., Benbella Books, Dallas, Texas, 2005.

 

Título: As Crónicas de Narnia: O Príncipe Caspian
Gênero: Aventura/Fantasia

Direcção: Andrew Adamson

Tempo de Duração: 147 minutos

M/6
Ano de Lançamento (EUA): 2008

Precedido por As Crónicas de Narnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa (2005).

 

 

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Um pai que passa valores aos filhos

Um pai que passa valores aos filhos

 

            Hoje é o dia dos pais. Mesmo comemorada e estimulada pelo comércio, a data não tem o brilho do dia das mães. Em parte porque a figura da mãe é ímpar, quase mística, em nossa cultura. É mais terna, muito romântica.

O pai leva algumas desvantagens na cultura ocidental. Nossa estrutura o apenou. Em muitos lares é ele quem fica com a disciplina. Chega em casa, à noite, cansado do trabalho, e lhe diz a esposa: “Você precisa dar um jeito nesse menino!”. E o garoto pensa: “Pronto, meu pai chegou em casa, chegou a hora da bronca”.  Mas na cultura oriental, o pai, além de provedor é referência e padrão para os mais jovens. Mas dois personagens nos ajudarão a pensar sobre ser pai, à parte de conceitos culturais.

            Um é Davi. Deus o chamou de “o homem segundo o meu coração”. Foi um grande rei, o maior de Israel, a ponto de seu nome se tornar sinônimo de Messias. Grande guerreiro, excelente líder, excelente administrador, poeta extraordinário. E péssimo pai. Sua família foi uma bagunça.  Seus filhos foram uma calamidade. Há um caso de incesto, em que o irmão violenta a irmã, e um caso de fratricídio, em que um mata o outro. Dois deles, Adonias e Absalão, tentaram depô-lo. Foi muito espiritual, mas errou como pai! Temos uma razão na forma como tratou um dos filhos: “E nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim? E era ele também muito formoso de parecer; e Hagite o tivera depois de Absalão” (1Rs 1.6). Um pai frouxo, não corrigiu o filho. Mimou-o demais e não o orientou. Falhou como pai.

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Cuidado com as vacas!

Cuidado com as vacas!

 

            Ouvi, em Brasília, uma mensagem do pastor presbiteriano Wadislau Gomes, gente finíssima. Conheci-o em Jaú. Pastor em Bauru, assumi interinamente a PIB de Jaú, onde ele pastoreava a Igreja Presbiteriana. Revimo-nos em Brasília. Mas deixemos as reminiscências e vamos ao que interessa.

            Wadislau falou de um menino que ficou encantado vendo o pai, agricultor, fazer um sulco bem reto com o arado. Quis imitá-lo. O pai lhe deu o arado e orientou: “Olhe para algo do outro lado do campo como alvo. Vá em sua direção. O traçado será reto”. E se ausentou. Na volta viu um sulco sinuoso, trabalho horrível. Perguntou ao filho como fizera aquilo, e porque não fixara um alvo. O garoto disse que fixara. E mostrou uma vaca a pastar do outro lado.

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