Arquivo mensais:dezembro 2009

O VINHO NOVO É MELHOR!

“E lhe disse: Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados já beberam bastante, servem o inferior; mas tu guardaste até agora o melhor vinho” – João 2.51

Este não é o primeiro milagre de Jesus, como costumeiramente dizemos. Os sinóticos o ignoram. Mateus relata curas de enfermidades e doenças, em geral (Mt 5.23). Para Marcos e Lucas foi a expulsão de um demônio (Mc 1.23ss, Lc 4.31).

João não usa a palavra milagre em seu evangelho. Usa “sinais”, o grego sêmeion, com a idéia de uma indicação. Os sinais são eventos que sinalizam uma lição teológica a seguir. João não faz história nem cronologia, mas um tratado teológico, com uma tese a ser provada (e que está em 20.30-31).

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Os batistas diante da crise de identidade e da falta de unidade

Preparado para um encontro com pastores batistas em Governador Valadares, MG, no “Culto da Unidade”, no dia 14.12.9

Falei, poucos dias atrás, em um encontro doutrinário em Altamira, no coração da Transamazônica. Fiquei feliz por vários motivos. Conheci o último grande rio brasileiro que me faltava conhecer, o Xingu. Conheci Altamira. Voltei à Amazônia. Conheci pastores, colegas de ministério, gente fantástica, fazendo uma grande obra. Admirei-os, respeitei-os e invejei-os por não ser como eles. E também por falar de doutrina. A freqüência foi muito boa, considerando a região e o assunto. Na realidade, foi surpreendente.

Hoje venho falar sobre este assunto. Será que os batistas estão acordando para a necessidade de união? Nosso ambiente anda bastante bagunçado. Cada um por si, cada um querendo fazer seu próprio ministério, desconsiderando os demais, com uma visão extremamente paroquial, por vezes, com visão de gueto. Há colegas isolacionistas, afastando sua igreja do convívio com as demais, omitindo-se da cooperação denominacional. Não sei é se medo, narcisismo, falta de visão do reino ou incapacidade de olhar além do seu umbigo. Aliás, preciso reencontrar um artigo que li, intitulado “Adoradores de umbigo”, em que o autor fala de obreiros e igrejas que só vêem seu jardinzinho. Somos congregacionais e enfatizamos a autonomia da igreja local. Mas sempre enfatizamos e prezamos muito a cooperação. Hoje há muita gente querendo fazer uma carreira pessoal, escrever sua história, e não a do reino.

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Jovens santificados fazendo a obra num mundo pós-moderno

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, para os jovens da Igreja Batista do Bom Retiro, em Ipatinga, MG, e apresentado em 12.12.9

O tema é oportuno porque os jovens são uma força na vida da igreja, mas desmobilizada. Sua energia está sendo canalizada para o louvor, que muitas vezes é mero entretenimento, e não para o testemunho transformador da sociedade. Por isso, santificação é um tema extremamente necessário de se abordar.

Jovens cristãos devem ser santos sempre, e em qualquer cultura. O Novo Testamento faz apenas uma referência a eles. Está em 1João 2.14, e alude, em termos gerais, à santidade, embora não a citando: “(…) Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno”. Os jovens do tempo de João eram fortes, tinham a palavra de Deus permanente neles e venciam o Maligno. Isto é resultado de uma vida santificada. Não sei de quantos jovens se diria isto hoje.

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Apresentação do livro O Fruto do Espírito

Pastor Renato Cordeiro de Souza

Fui criado no subúrbio carioca, numa igreja de gente simples. Na minha tenra infância, a minha primeira professora da Escola Dominical contou a história bíblica mais gostosa que já ouvi. Ela nos ensinou sobre o menino que trouxe cinco pães e dois peixinhos para Jesus, e como o Mestre multiplicou aquele sanduíche para uma multidão faminta. No final, cada criança recebeu um pedaço de pão com sardinha. Simplesmente inesquecível. Mas inesquecível mesmo era, já crescido, conversar com ela. Como uma senhora tão simples conseguia ser tão agradável e passar tanto conhecimento e sabedoria cristã? Uma vez, já com a vista bastante prejudicada, por causa da diabete, ela foi levada a uma consulta com um oftalmologista. Ao examiná-la, em tom amistoso, o médico lhe perguntou: “Como foi que a senhora perdeu esta vista?” Ela respondeu: “Ah, doutor, eu não a perdi. Gastei-a muito bem gasta”. Já tive o privilégio de participar de inúmeras semanas teológicas, e ouvir iminentes mestres, teólogos e pastores, mas, se fosse possível optar, preferiria conversar uma hora com ela, a ouvir o mais competente erudito falar uma semana sobre a fé cristã.

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A escada de Jacó – O sonho se fez realidade

“E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (Jo 1.51)

É o primeiro “em verdade, em verdade” de Jesus, segundo o evangelho de João, um evangelho que não é cronológico e sim teológico, com uma construção estrutural para provar uma tese e não para narrar uma vida. “Em verdade, em verdade” é um idiomatismo aramaico e hebraico, que o autor registrou em grego, e designa a solenidade e a convicção do que está se dizendo. É o primeiro em João, e é usado por Jesus, aplicando-se a si uma estranha figura.

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O Servo Hoje

Palestra preparada pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os diáconos da Igreja Memorial Batista de Brasília, e apresentada em 5.12.9

Tenho certo receio com temas que trazem o “hoje”. Anos atrás, uma denominação irmã me pediu para falar em uma formatura de seu seminário e me deu o tema “O perfil do obreiro de Deus necessário para os dias de hoje”. Preparei o trabalho, mas deixei claro que era o mesmo perfil do obreiro de ontem. Fui falar em um seminário de nossa denominação, em 1992, e me deram o tema “Como deve ser o pastor no próximo milênio”. Eu disse que deveria ser o mesmo do milênio em que estávamos. Outra palestra, e creio que para a ABIBET, foi “O papel do seminarista na igreja de hoje”. Segui a mesma linha: deve ser o mesmo papel do seminarista na igreja de ontem.

Explico-me. Não é rabugice, mas fruto de preocupação. Não invalido o tema nem discordo dos irmãos. Muito pelo contrário. Vejo o tema com satisfação porque expõe o desejo de querer servir hoje. O desejo de querer ser diácono hoje, mesmo com tantas mudanças que até colocam em xeque a diaconato, substituindo-o por conselhos, juntas, colegiados e colégio pastoral ou ministério colegiado. Estas coisas podem existir, mas o diaconato é bíblico. Minha preocupação é com um possível desvio de foco, de modo que o referencial seja o hoje, o momento presente, e não as Escrituras. O tempo atual é o espaço onde o diaconato se move, mas o perfil deve ser delineado pelas Escrituras, como tudo nosso. Contextualizar é bom, mas o norte deve ser dado pela Bíblia. Se sair dela, corre o risco de errar.

John McArthur Jr. disse que não se preocupava em conhecer em detalhes as heresias teológicas ou seculares, para combatê-las. Ele se aprofundava no estudo bíblico. Em princípio soou-me inusitado, mas depois entendi. Primeiro ele formava a cosmovisão bíblica. Depois é que fazia o aggiornamento, ou seja, a análise, a contextualização e a aplicação. É por isso que começo pela Bíblia e vou pincelando com nosso tempo, com o hoje.

UM PONTO DE PARTIDA – O PERFIL DO DIÁCONO

Meu ponto de partida é Marcos 10.45: “Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos”. Não farei um sermão aqui. Usarei o texto como ponto de conexão com o que julgo ser o perfil de um diácono. E explico.

“Ser servido” é diakonethenai, verbo derivado do substantivo diákonos. “Servir” é diakonesai, derivado do mesmo substantivo. Deu para entender por onde iremos. O perfil do diácono deve ser encontrado na pessoa de Jesus. Ele foi o maior de todos os diáconos. Os irmãos não remontam, em atividade, a Atos 6, mas aos evangelhos. O diaconato não começa com Estêvão, mas com Jesus. Porque a instituição diaconato fica de pé ou cai se for leal ao seu princípio básico, que é o serviço. E ninguém serviu como Jesus.

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Novos modelos de pregação

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os Pastores Batistas do Amapá, novembro de 2009

INTRODUÇÃO

As raízes históricas do púlpito bíblico estão em Esdras, em Neemias 8.4-12, cuja leitura faço agora: “Esdras, o escriba, ficava em pé sobre um estrado de madeira, que fizeram para esse fim e estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Ananías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão. E Esdras abriu o livro à vista de todo o povo (pois estava acima de todo o povo); e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. Então Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo povo, levantando as mãos, respondeu: Amém! amém! E, inclinando-se, adoraram ao Senhor, com os rostos em terra. Também Jesuá, Bani, Serebias, Jamim, Acube; Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías e os levitas explicavam ao povo a lei; e o povo estava em pé no seu lugar. Assim leram no livro, na lei de Deus, distintamente; e deram o sentido, de modo que se entendesse a leitura. E Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam o povo, disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus; não pranteeis nem choreis. Pois todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei. Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. Portanto não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força. Os levitas, pois, fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é santo; por isso não vos entristeçais. Então todo o povo se foi para comer e beber, e para enviar porções, e para fazer grande regozijo, porque tinha entendido as palavras que lhe foram referidas”.

Esta é a forma que púlpito deve ter: um homem ler a Palavra de Deus, esclarecer o que leu, o povo entender, ser impactado, e depois se alegrar pelos efeitos da Palavra. E como vemos no versículo 13, a pregação verdadeira ainda produz efeitos depois: “Ora, no dia seguinte ajuntaram-se os cabeças das casas paternas de todo o povo, os sacerdotes e os levitas, na presença de Esdras, o escriba, para examinarem as palavras da lei”. O povo quis mais da Palavra. O povo de Deus que é sério se extasia diante da Palavra, e quando a ouve quer mais. Continue lendo Novos modelos de pregação