Arquivo mensais:setembro 2010

THOMAS JEFFERSON E JOSÉ BONIFÁCIO? FICO COM O SEGUNDO!

Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da IBC de Macapá, 3.10.10

Ganhei e logo li o livro “1822”, de Laurentino Gomes. O subtítulo é “Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado”. Antes que algum depressivo diga que deu errado, afirmo que não. Quem lê o livro vê que, embora ainda haja muito por fazer, andamos muito!

Laurentino é brilhante. Já lera dele “1808”, com o subtítulo “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”. Os dois livros ajudam a entender mais o Brasil e desfazem mitos radicados em nosso meio. Lembro de minhas professoras primárias, que diziam que somos um povo cordial e que a Independência foi tranqüila, uma festa para os dois lados.  Mas correu muito sangue.

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“TIRAI A PEDRA”

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque está morto há quase quatro dias”(João 11.39)

Um livro de Enéas Tognini, que li no início de meu ministério, tinha este título: “Tirai a pedra”. Sua linha, que muitos têm seguido, é que há pedras por tirar em nossa vida para que o poder de Jesus se manifeste. Apesar da simplicidade, não foi um escrito banal. Com habilidade, Tognini expôs seu argumento, evitando a banalidade. Sem o brilho dele, gostaria de mostrar dois aspectos, apenas, que também me parecem relevantes.

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A ALIANÇA

“Mas com você eu vou fazer uma aliança. Portanto, entre na barca e leve com você a sua mulher, os seus filhos e as suas nora” (Gênesis 6.18)

Isaltino Gomes Coelho Filho

É a primeira alusão a “aliança”, na Bíblia. Surge com Deus. Ele faz uma aliança com Noé. O hebraico é berith, “pacto, aliança, concerto”. O primeiro pacto de Deus, implícito, é com a raça humana (Gn 1.28). Este é o primeiro explícito.  É um ato de Deus, originado nele, dependendo dele, de sua vontade. O hebraico é berithy, “pacto de mim” (“meu pacto”). Não é algo negociado, que se discuta. Como observo em meu comentário sobre Gênesis: “O pacto não é bilateral, no sentido de Noé ter feito alguma coisa para justificar o pacto ou de poder ditar os termos, ou mesmo negociar algum ponto do qual não gostasse. É um ato gratuito de Deus que assume seu escolhido. Mas é unilateral em seu conteúdo. Ele não diz ‘firmemos um pacto’ ou ‘nosso pacto’, mas ‘o meu pacto’” (p. 97).

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“O NOME – HA SHEM”

“Sete foi pai de um filho e o chamou de Enos. Foi nesse tempo que o nome O ETERNO começou a ser usado no culto de adoração a Deus” (Gênesis 4.26)

Isaltino Gomes Coelho Filho

Começa a adoração a YHWH, chamado de O ETERNO, na Linguagem de Hoje. É uma boa interpretação para EU SOU.  Mais tarde dirá Êxodo 3.14-15: “Porém Moisés disse: – Quando eu for falar com os israelitas e lhes disser: ‘O Deus dos seus antepassados me enviou a vocês’, eles vão me perguntar: ‘Qual é o nome dele?’ Aí o que é que eu digo? Deus disse: -EU SOU QUEM SOU. E disse ainda: -Você dirá o seguinte: ‘EU SOU me enviou a vocês’”.

A transliteração da resposta divina seria como ‘ehyeh asher ‘ehyeh (EU SOU O QUE SOU). Uma abreviatura ou contração da frase deu o tetragrama sagrado YHWH. A Linguagem de Hoje traduz por O ETERNO, pois a expressão pode significar EU SOU O QUE SOU, ESTOU SENDO O QUE SOU, SEREI O QUE SOU, com idéia de imutável, de eterno. YHWH apareceu a Moisés, mas começou a ser cultuado com Sete. Aos patriarcas ele apareceu como “Todo-Poderoso”, El Shadday, mas como YHWH só se revelou a Moisés: “Deus disse a Moisés: -Eu sou o Deus Eterno. Eu apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como o Deus Todo-Poderoso, porém não deixei que me conhecessem pelo meu nome de o Deus Eterno”. No tempo de Sete e Enos, era um dos nomes usados na adoração, mas só se tornou o nome por excelência no tempo de Moisés.

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“TEM QUE ESCOLHER: A BÍBLIA OU A BÊNÇÃO!”

Isaltino Gomes Coelho Filho

Fui a Rio Bonito, RJ, pregar na Associação Nova Betel. Lá, um colega contou de uma senhora de uma igreja neopentecostal (creio que ele a batizou depois) que questionou o fato de sua igreja não usar a Bíblia. Procurou um dos líderes e disse: “Por que não usamos a Bíblia? Os tradicionais a carregam e eu acho tão bonito! Eu queria trazer a Bíblia para a igreja!”. A pessoa não soube responder e foram falar com o pastor. Este afirmou: “Pra que Bíblia? Os tradicionais a têm, mas não têm a bênção! A irmã tem que escolher: a Bíblia ou a bênção!”. Que “pérola”!

A Bíblia é uma bênção. Basta lê-la para ver isso. Ela bafejou a cultura ocidental no que esta tem de melhor. Justiça, dignidade, preocupação com os pobres, respeito à mulher, cuidado com as crianças! Ela ensina sobre Deus, mostra quem é Jesus, tem promessas e acalenta a vida. É bálsamo na dor. Quantas vidas recuperou! Livro algum fez tanto pela humanidade! Os escritos de ateus e de céticos e a zombaria de desregrados nunca dignificaram alguém. Ela tem este poder porque é a Palavra viva do Deus vivo. É falsa a opção: a Bíblia ou a bênção. Ela é bênção!

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“O ETERNO PÔS UM SINAL EM CAIM”

“(…) Em seguida o Eterno pôs um sinal em Caim para que, se alguém o encontrasse, não o matasse” (Gênesis 4.15)

Isaltino Gomes Coelho Filho

Adolescente, crente novo, gostava de ouvir irmãos mais experientes para aprender. Logo descobri que não podia levar todos a sério. Houve um que, judiciosamente, me explicou que a raça negra era maldita, pois Deus a amaldiçoara em Caim. Deus pôs nele um sinal, que era a cor negra, e ele foi para a região da África. Por isso a África era atrasada.

É certo que a África enfrenta problemas econômicos. Que nada têm a ver com Caim. Nem ela é maldita por causa dele. Diz Gênesis 10.32: “São essas as famílias dos filhos de Noé, nação por nação, de acordo com as várias linhas de descendentes. Depois do dilúvio todas as nações da terra descenderam de Noé”. As raças descendem de Noé, e a povoação de toda a terra se dá após o dilúvio. O exotismo não é boa hermenêutica e a Bíblia não pode oferecer suporte para perspectivas estrambóticas de novidadeiros. Respeito à Bíblia, à África e à boa exegese faz bem.

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O AMAPÁ, ESSE DESCONHECIDO DOS BRASILEIROS

Rosana Costa Figueiredo

A história das terras amapaenses teve início antes do “Descobrimento do Brasil”.  Com a partilha do “Novo Mundo” entre Portugal e Espanha, pelo Tratado de Tordesilhas, no ano de 1494, definiu-se, entre outras questões, que as terras hoje amapaenses, localizadas na parte setentrional do Brasil, na encosta leste do maciço das Guianas, banhadas pelo Oceano Atlântico e pelo estuário do rio Amazonas, pertenceriam à Espanha. Isto levou a Coroa Espanhola a enviar navegadores para conhecê-las. Eles percorreram o litoral amapaense com suas expedições. Os mais célebres foram Américo Vespúcio, que atravessou a Linha do Equador, pelo rio Amazonas, visitando as Ilhas Caviana e dos Porcos, em 1499, e Vicente Pinzón, em março de 1500, que navegou pelo rio Oiapoque, aprisionando 30 nativos para vendê-los como escravos. Os espanhóis chegaram ao Amapá antes dos portugueses chegarem ao Brasil.

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O FALSO CRISTO E O FALSO CRISTIANISMO

Isaltino Gomes Coelho Filho

Charles Colson foi assessor do Presidente Nixon, que teve que renunciar por causa de um escândalo político. Foi preso, e converteu-se a Cristo pouco antes de ir para a prisão. Fundou o ministério Prison Fellowship, que congrega 50.000 voluntários, sendo a maior organização mundial a atuar com presidiários. Já falou em mais 600 de penitenciárias, em mais de 40 países. Por causa desta atividade, em 1993 ele recebeu o Prêmio Templeton, no valor de um milhão de dólares, que doou à Prison Fellowship. Colson tem, ainda, um programa radiofônico que alcança dois milhões de pessoas diariamente.

Colson se tornou um pensador e um evangelista. Seu último livro que li foi A fé em tempos pós-modernos. Num capítulo em que aborda a questão do sofrimento, ele critica a pregação que anuncia o “Pare de sofrer!” como sendo a essência do evangelho. Ele comenta os sofrimentos de cristãos na Índia, Coréia do Norte e Mianmar (ex-Birmânia). Inicia o capítulo falando sobre o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, que era professor de Teologia, na Alemanha, opusera-se a Hitler, e, por correr risco de morte, de lá foi tirado e levado para os Estados Unidos.

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A MÃE DE MARIA DO CÉU MESTRINHO

Maria do Céu Mestrinho, amazonense de boa cepa, escreveu as meditações do “Manancial”, de 1 a 8 de setembro deste ano. A do dia 7 foi comovente e instrutiva. Ela relembra sua mãe, que realizava intenso trabalho social nos bairros pobres e periféricos de Manaus. Diz ela, sobre sua genitora (pude imaginá-la fazendo isso, no sol escaldante de Manaus): “Dava alimento aos que tinham fome, vestia os descamisados, calçava os pés descalços e oferecia o Pão da Vida – Jesus, àqueles que precisavam sair das trevas para a luz”. Mais à frente, diz Maria do Céu: “Não raro, levava para passar o fim-de-semana em nossa casa, moças da Igreja que moravam sozinhas, além de receber para morar conosco, os sobrinhos que vinham do interior para estudar”. Mestrinho fala ainda do apoio de seu pai à iniciativa da mãe. Quem conhece a realidade da Amazônia sabe como essas redes sociais e familiares são de grande valia para os que moram no interior, tão desassistido!

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“FIQUEI COM MEDO…”

“Eu ouvi a tua voz, quando estavas passeando pelo jardim, e fiquei com medo porque estava nu. Por isso me escondi” (Gênesis 3.10)

Isaltino Gomes Coelho Filho

É a primeira vez que aparece a palavra “medo”, na Bíblia. É conseqüência da queda. A razão da queda foi o egoísmo: “Vocês serão como Deus…” (v. 5). O amor a si, o desejo de ser mais e maior, levou à queda. Egoísmo. Egoísmo é amor a si mesmo. O que motivou a queda do primeiro casal foi amor desfocado. Deixou de amar a Deus, de lhe dar o primeiro lugar, e colocou-se acima dele. O teólogo Manson definiu o pecado como sendo a rejeição dos dez mandamentos e a instituição do décimo primeiro: “Tu te amarás a ti mesmo sobre todas as coisas”.

Criado para amar a Deus, o homem sabe, instintivamente, que há algo errado consigo. O homem mesquinho pode se amar muito e sentir-se satisfeito consigo, mas é vazio e sabe, no fundo, que lhe falta alguma coisa. Jesus disse isso ao moço rico, que se presumia virtuoso: “Falta-te uma coisa…” (Lc 18.22). A vida egoísta produz esta sensação: falta alguma coisa. Não se alcança o almejado, como o primeiro casal descobriu.

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“JESUS… COMOVEU-SE… E PERTURBOU-SE”

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Jesus, pois, quando a viu chorar, e chorarem também os judeus que com ela vinham, comoveu-se em espírito, e perturbou-se” (João 11.33)

Na cultura grega, havia uma diferença entre a Divindade e os semideuses do Olimpo. Como observa o teólogo alemão Joachim Jeremias, a Divindade era impassível, silenciosa e apática. Sentir era receber influência e receber influência era ser inferior a quem influenciava. O Logos grego era inacessível, sem sentimentos. O cristianismo, principalmente o evangelho de João, toma o conceito do Logos, mas não como no helenismo ou como Fílon (uma mistura de Antigo Testamento, Platão e estóicos). O Logos de João, a Razão Criadora que se fez carne, sentia. O cristianismo impactou a cultura grega dizendo que Deus não é apático, mas pático. Ele sente.

Em João 11.33, Jesus se perturba. A Almeida Século 21 traduziu por “comoveu-se profundamente”. A Linguagem de Hoje por “comovido e aflito”. Chouraqui por “estremece” e “perturba-se em si mesmo”. Uma Divindade que sente e se choca com o sofrimento humano!

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“SOU CRISTÃO APESAR DA IGREJA” OU “A IGREJA SOBREVIVE, APESAR DE MIM”?

Isaltino Gomes Coelho Filho

Uma ovelha que aprendi a amar e respeitar como bom crente em Jesus comentou comigo sobre o livro “Alma sobrevivente”, de Philip Yancey, cujo subtítulo é “Sou cristão, apesar da igreja”. Yancey mostra os pecados de alguns crentes do passado. A pessoa falou sobre isso e citou Martin Luther King Jr. e seu pecado rotineiro. Mas esta ovelha, crente firme e fiel, não comentou como fofoca ou para denegrir a imagem dos alistados na obra. Foi conversa de amantes de livros.

Tenho esta obra e outras mais de Yancey, como “O Jesus que eu nunca conheci”, que muito me edificou, e “O Deus (In) visível” e “Maravilhosa graça”, que eu lera antes, em inglês (“What’s so amazing about grace?”), emprestado por uma ex-ovelha. Gostei tanto que o adquiri em português, que é meu idioma. Yancey é um homem de Deus e não quero contestar suas obras, embora discorde da expressão “sou cristão apesar da igreja”.

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“É VERDADE… DEUS NOS DISSE…NÃO MORRERÃO COISA NENHUMA!”

“A cobra era o animal mais esperto que o Deus Eterno havia feito. Ela perguntou à mulher: – É verdade que Deus mandou que vocês não comessem as frutas de nenhuma árvore do jardim? A mulher respondeu: – Podemos comer as frutas de qualquer árvore,

menos a fruta da árvore que fica no meio do jardim. Deus nos disse que não devemos comer dessa fruta, nem tocar nela. Se fizermos isso, morreremos. Mas a cobra afirmou: -Vocês não morrerão coisa nenhuma! Deus disse isso porque sabe que, quando vocês comerem a fruta dessa árvore, os seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal”. (Gênesis 3.1-5)

Isaltino Gomes Coelho Filho

Estranho diálogo. A cobra (NTLH) faz uma pergunta torcida. Má intencionada, pergunta se é verdade que Deus proibiu ao casal todas as frutas do jardim. Insinua a má vontade do Criador para com a criação. Atribui-lhe maldade. “É verdade que Deus mandou?” começa ela. O Tentador foi o primeiro exegeta da Palavra de Deus. Falar da Palavra de Deus nem sempre quer dizer que a pessoa está certa. A Bíblia já foi usada para legitimar a escravidão, o machismo, e agora alguns a usam para justificar o homossexualismo. Crentes ingênuos, que nao entendem nada, por vezes dizem: “O que importa é que a Palavra de Deus está sendo pregada, e ela não volta vazia” (outra exegese estrambótica). Isso justifica qualquer heresia e todo uso da Bíblia para fins pessoais. Devemos ter cuidado com interpretações que fogem claramente ao sentido das Escrituras. Há gente que está descobrindo agora o que nunca alguém viu em 2.000 anos de cristianismo e mais de 3.500 anos de Palavra de Deus! Todo grupo herético afirma que a Bíblia é a Palavra de Deus, e depois a analisa por Helen White, Livro do Mórmon,  revelações, reescrita da Bíblia (como testemunhas de Jeová e outros). Citar a Palavra de Deus não é garantia de correção. Pode-se deturpá-la.

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