Arquivo mensais:outubro 2011

O ENCANTO DA BÍBLIA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 30 de outubro de 2011

 

Graças a Deus, conclui mais uma leitura da Bíblia. Vali-me  da “Bíblia de Jerusalém”, pois leio cada vez numa versão diferente. Esperava terminar em julho, mas me detive nas notas de rodapé. Além disso, como ela é volumosa por ter os apócrifos (não os li) não a levei nas viagens.

Deixei a cereja do bolo para o final, o Apocalipse. É meu livro preferido. Não sou futurista nem vejo nele batalhas horrorosas e sangrentas, num futuro. Mas ele me consola. Mostra a Igreja perseguida, mas fiel. Hostilizada a ponto de quase ser aniquilada, mas triunfante. O livro não se centra nas desgraças, e sim no triunfo final de Jesus. O cristianismo que ele mostra não é  festivo, ôba-ôba, mas piedoso e fiel. Sério. Continue lendo O ENCANTO DA BÍBLIA

A MATEMÁTICA DO PERDÃO

 

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado originalmente na revista “Você. Publicada no site com a autorização da revista.

“Então Pedro chegou perto de Jesus e perguntou: – Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes? – Não! – respondeu Jesus. – Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta vezes sete”  (Mateus 18.21-22, NTLH).

 

Jesus havia acabado de falar, há pouco, aos seus discípulos, sobre a maneira deles se relacionarem. Se um irmão errasse contra o outro, este deveria procurá-lo e acertar os ponteiros com ele (v. 15). Se o errado ouvisse, a pessoa certa teria ganhado o irmão. Que bom! É melhor ganhar alguém que perder a amizade da pessoa! Mas se o errado não quisesse ouvi-lo, ele deveria levar duas ou três outras pessoas, agora já como testemunhas (v. 16). Se ela não ouvisse os irmãos, uma espécie de comissão, então que o assunto fosse à igreja (v. 17). Isto é importante. Precisamos resgatar a autoridade da igreja. Ela não é apenas um lugar aonde vamos nem uma instituição que deve fazer nossa vontade e atender aos nossos caprichos. Ela é a manifestação da presença de Jesus neste mundo, e tem autoridade sobre seus membros. Se a pessoa errada não quisesse ouvir a igreja, então esta o deveria considerar como um não irmão. Como se fosse “um pagão ou cobrador de impostos” (LH). Estas eram duas classes de pessoas que não tinham boa imagem espiritual. Quem recusa se corrigir acaba criando uma imagem espiritual ruim para si.

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UM PAR DE ÓCULOS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 23.10.11

 

Uma de minhas ovelhas estreou óculos novos. Disse que estava vendo bem, e, como trabalha com digitação,  agora erraria menos. Comentei que seria bom se houvessem óculos morais, para nos ajudar a errar menos. Logo me veio à mente que temos óculos morais: a Bíblia. Ela, além de ser a auto-revelação de Deus, tem o poder de nos orientar na vida, em todas as questões. A Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira diz que ela é “o fiel padrão pelo qual devem ser aferidas a doutrina e a conduta dos homens”. Continue lendo UM PAR DE ÓCULOS

O QUE NOS ACONTECE QUANDO MORREMOS?

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, estudo preparado para a Igreja Batista Central de Macapá

 

INTRODUÇÃO

O que nos acontece quando morremos?  O materialista dirá que não acontece nada. Tudo se acabou. Para alguns, voltamos em uma segunda oportunidade, uma terceira, quantas forem necessárias.  Este mundo é uma espécie de penitenciária, um IAPEN espiritual, onde pagamos os erros de vidas passadas, embora não nos lembremos deles. Para outros mais, ficamos em uma espera, dormindo, até que um dia acordaremos, no juízo final. E outros, ainda, pensam que ficamos num lugar de onde orações e cerimônias religiosas do lado de cá, feitas por outras pessoas, nos tirarão. Mais recentemente, começou a se veicular a idéia de que continuamos vagando por aí, até cumprimos nossa missão. Isto foi mostrado em dois filmes, Ghost  e Sexto sentido. Neste, um psicanalista é morto, mas não sabe que morreu. Contracena com ele um garoto que lhe diz: “I see dead people all the time” (“Eu vejo gente morta, sempre”). Só depois que ajuda o menino a se firmar, desempenhando um papel numa peça de Shakespeare, é que o psicanalista entende que morreu, e pode ir embora, de vez. Esta é uma tendência de romantizar a morte e enaltecer a vida humana mostrando seu sentido como sendo o cumprimento de uma missão. Quem cumpre sua missão aqui na terra pode morrer em paz. É uma  afirmação do existencialismo, que afirma que o sentido da vida é aquele que lhe damos. No entanto, Eclesiastes 12.13 define bem o sentido da vida: “De tudo o que foi dito, a conclusão é esta: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos porque foi para isso que fomos criados.”. Há um sentido na vida: viver com Deus. Não nascemos para vencer nem para sermos felizes. Nascemos para viver com Deus. Quando vivemos com ele, vencemos e somos felizes. Vitória e felicidade são subprodutos da vida partilhada com Deus. As circunstâncias se tornam pouco relevantes. O problema é que a humanidade quer viver sem Deus. E também quer explicar a morte sem ele.

Há quem diga que a morte não existe e tudo é ilusão. Tudo é maya. Mas todas as pessoas, em todas as épocas, foram iludidas?  A morte é real. Há um grande esforço da cultura secular em banir o sofrimento e a morte de nossas preocupações, negando-a ou romantizando-a. No fundo, é o medo da morte que nos faz revesti-la de aspecto romântico. Mas a morte é feia e triste.

Querer saber o que nos acontece após a morte é algo natural para quem crê na sobrevivência da alma. O materialista nada tem a especular aqui. Sua vida é pobre e se limita à sobrevivência física. Morrendo ele, tudo se acabou. Mas os que pensam em vida após a vida têm esta curiosidade. O que nos sucede, quando morremos? Continue lendo O QUE NOS ACONTECE QUANDO MORREMOS?

UM PERIGO NAS PROJEÇÕES LUMINOSAS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 16.10.11

              Muitas igrejas sinalizam as partes do culto com imagens luminosas. Principalmente no tópico sobre adoração ou na hora dos corinhos. Geralmente são imagens de cenários. Alguém de braços abertos diante do mar, ou dum rio, ou, ainda, do pôr-do-sol. Os itens do culto são marcados por fotos de ambiente externo. Normalmente, a foto é de uma pessoa só, ou de uma família. Como a de uma família esbelta, vestida de branco, calças arregaçadas, andando pela praia, de mãos dadas. Esta ilustra a comunhão ou o momento de intercessão. Não sei se irão orar a Iemanjá. Até “O Jornal Batista” adotou esta prática de ilustrar seus artigos com imagens de cenários externos à igreja. Principalmente de uma pessoa diante da natureza.

Preocupa-me a mensagem passada com estas projeções. Tira-se o foco do local de reunião e se projeta para um lugar paradisíaco, como se a igreja fosse “um porre”. Seria bom estar lá fora. Associa-se o culto com o ambiente externo, e foca-se a pessoa. Há três perigos nisto.   Continue lendo UM PERIGO NAS PROJEÇÕES LUMINOSAS

A IDA AO VALE DO JARI

A IDA AO VALE DO JARI

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Artigo desenvolvido a partir da pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 10.10.11

              A ida ao vale do Jari enriqueceu minha vida. Aliás, as viagens pelo interior da Amazônia sempre são lições de vida e momentos inesquecíveis.  Viajamos por uma estrada no melhor “padrão Amapá”, ou seja, muito ruim. Os 280 km desde Macapá foram percorridos em cinco horas e meia, em uma Hilux. Atravessamos o rio numa catraia e chegamos a Monte Dourado. Cidade bonita, arrumada e limpa. Lembra a Vila Industrial, em Tucuruí, sul do Pará. Não fosse o calor amazônico e o povo moreno, pareceria um subúrbio das cidades dos Estados Unidos: casas grandes, ajardinadas, ruas bem calçadas (raridade na região). As casas são da CADAM.

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