Arquivo mensais:setembro 2007

A Necessidade De Constante Auto-Avaliação

A Necessidade De Constante Auto-Avaliação

 

                        No livro O cristão e a cultura, Horton analisa a cultura contemporânea, desde seus fundamentos vindos do passado, e como ela afeta a igreja. Mostra que deveríamos marcar o mundo, mas é ele que nos dita um estilo de vida. Assim, a igreja é mundana.

 

            “Mundana” não significa usar jóias, enfeites, perfumes, ir a cinema e ouvir música profana. Significa aceitar as regras do mundo em seus critérios de avaliação. Uma das questões diz respeito ao rumo de muitas igrejas. Não são orientadas para a fidelidade, mas para o sucesso. O critério é empresarial: se o rol de membros aumentou, se as entradas e a freqüência cresceram, e não se a Bíblia tem sido ensinada e rege a vida da igreja e se ela tem crescido no conhecimento de Cristo. Estas coisas, que são certas (a primazia da Bíblia e Cristo na vida), não abafam o crescimento. Produzem o verdadeiro crescimento, pela conversão e não pela adesão. E levam à maturidade.

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Um Estudo no Profeta Daniel

Um Estudo no Profeta Daniel

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a PIB de S. Carlos, nos dias 10 e 11 de agosto de 2007.

 

1. TÍTULO – O nome hebraico Daniyye'l significa “Deus é Juiz” (Príncipe) ou “Deus é meu Juiz” (Príncipe). Daniel e Ezequiel, os dois profetas do exílio, tinham o sufixo El (El, Elah e Eloah, no singular; Elohim, no plural) que significava Deus. Isaías e Jeremias, os outros dois profetas maiores, tinham o sufixo “YAH” de onde vem Iahweh. Embora o consideremos como profeta, e assim Jesus o tenha chamado (Mt 24.15), ele foi colocado entre os Khetubym (“Escritos”), na Bíblia Hebraica. Depois dos Nabyym (“Profetas”). Isto é suficiente para que liberais digam que Daniel nunca existiu, e é um romance tardio, na literatura hebraica. A explicação é simples: ele é mais um estadista que um profeta clássico, e todo seu ministério é entre pagãos. Por isso sua classificação entre os últimos livros, na Bíblia hebraica.

 

2. AUTOR – Daniel era membro da família real, nascido em Jerusalém em 623 a.C. (um ano antes de Ezequiel) durante a reforma de Josias, no início do ministério de Jeremias (627-582).  Alguns acham que ele era um dos descendentes do rei Ezequias (Is 39.5-8; Dn 1.3). Boa parte dos comentaristas pensa que ele foi tornado em eunuco (2Rs 20.17,18; 2Rs 24.1,12-14; Dn 1.3,7).

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O Artilheiro com as Garras de Wolverine

O Artilheiro com as Garras de Wolverine

 

      Li que Kleber Pereira, artilheiro do Santos, com 10 gols em 13 jogos, se inspira em Wolverine, membro dos X-Men, “para aprimorar seu faro de gol”. Diz Kleber: “Eu sou fã do Wolverine. Admiro a força dele e me identifico com seu estilo. É uma pessoa que está sempre brigando pelos seus objetivos. Acho que todos deveriam se espelhar em alguém vitorioso. O Wolverine é um cara ousado”.

 

      Acho que revistas em quadrinho são boas. Ajudam na leitura. Quando criança, eu tinha um bauzinho cheio de gibis, e os lia e relia. Os heróis da minha época eram Black Diamond, Flecha Ligeira, Hopalong Cassidy, Tom Mix, Gato Félix, Fantasma (o predileto). Os cinqüentões devem lembrar-se deles. Na adolescência veio o Pererê, relançado depois. Tenho a coleção da segunda fase. Ziraldo, seu autor, disse à minha filha que queria comprar minha coleção. Mais tarde conheci Asterix e Tintim. Um aluno da FTBB me emprestou o Groo, o herói mais burro do mundo.

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Pode Ser a Sua Erva!

Pode Ser a Sua Erva!

 

            Nos seus tempos de Glorioso, o Botafogo teve um goleiro apelidado de Manga. Um grande goleiro, que jogou na seleção brasileira. Num jogo contra a URSS ele participou. Fui com outros adolescentes ao Maracanã para ver Yashin, a “Aranha Negra”, tido como o maior goleiro do mundo, em todos os tempos. Mas Manga roubou a cena. Bateu um tiro de meta na nuca de um soviético, a bola voltou e entrou em seu gol. Foi um jogo bizarro: 4 a 4. Manga dizia de si: “Sou um fenômeno”. Naquele dia mostrou que era mesmo.

 

            Vou emprestar (paulista não dá emprestado, toma) a frase de Manga: “Eu sou um fenômeno”.  Segunda-feira passada fiz chá de hortelã para mim e Meacir, deixei um canecão com água fervendo uma erva, quebra-pedra, e fui levar-lhe o chá. Por lá fiquei, até que meia hora depois reclamei do cheiro de erva queimada. Próximo a nós há alguns fumadores de uma erva maldita, a cannabis sativa, conhecida como “maconha”. Comentei com Meacir: “Hoje eles estão abusando! Esta é a pior que já queimaram! Como cheira mal!”. Cinco minutos se passam e o cheiro piora. Até que ela disse: “Tem panela queimando!”. Dei um salto: “Meu Deus!”. Fui do quarto à cozinha num pé só. A água secara e a erva incandescia e carbonizava no canecão. Desculpe, Manga, mas o fenômeno sou eu! Culpei a cannabis sativa alheia e era a minha phylanthus niruri, a quebra-pedra. E quase incendiei o apartamento.

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O Apocalipse de João

O Apocalipse de João

 

 

 Preparado para os jovens da Igreja Batista do Cambuí, Campinas

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

O Apocalipse sempre despertou grande interesse em todas as épocas. Até não cristãos se mostram curiosos em relação a ele. Infelizmente, muitas interpretações são tão fantasiosas que o ridicularizam, quando não servem para desmoralizar os cristãos. Ele se torna uma espécie de “horóscopo bíblico” ou um jogo de runas, para se descobrir o futuro. Constantemente “descobrem-se” chaves de interpretação, códigos, segredos milenares e outras questões que fazem do “descobridor” o possuidor de segredos que Deus escondeu de todo mundo e só revelou a ele.

Até mesmo alguns estudos bíblicos se tornam fantasiosos. O cenário evangélico está repleto de pessoas redescobrindo a Bíblia ou reinventando Jesus e o cristianismo. Algumas interpretações são deploráveis. Interpreta-se a águia voando pelos céus como se fossem os EUA, os gafanhotos são helicópteros. Como João nunca tinha visto um helicóptero, esta foi a melhor maneira de escrever, etc. Esta atitude se torna até uma falta de respeito para com a Bíblia. Um dos bons critérios de interpretação bíblica é a sobriedade, que nunca matou alguém. O exotismo leva ao ridículo. A sobriedade mostra bom senso e permite equilíbrio. Não podemos interpretar o Apocalipse à luz de nossa perspectiva contemporânea. Só se entende um livro à luz de sua época e contexto. Esta é a pergunta inicial: “Quando e para quem o livro foi escrito?”. Não há nenhum “código da Bíblia” ou segredos ocultos que um especialista bem treinado ou escolhido por Deus revele aos homens. Deus é claro é fala claro.

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A Glória de Ser Igreja

A Glória de Ser Igreja

 

            O Dr. Scott Horrel foi meu professor no mestrado, na FTBSP. Teólogo brilhante, bíblico e espiritual, ele foi uma bênção. Ministrou-nos o módulo “Uma cosmovisão trinitariana”. Ensinou como sustentar a fé cristã diante das grandes religiões universais e do materialismo, e a analisar estas religiões e o materialismo pela perspectiva da Trindade. Ele escreveu alguns artigos sobre a obra de Cristo, e inseri um de seus gráficos numa das apostilas de Teologia Sistemática que preparei para a EBD da Igreja do Cambuí.  

            Possuía dois livros seus, um deles com dedicatória. Entrando numa livraria teológica em Campinas, encontrei nova obra do Dr. Scott: A essência da igreja. Nem pestanejei para adquirir. O autor é brilhante, e igreja é minha segunda paixão em estudo, sendo a pessoa de Jesus o primeiro.


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Ele

Ele

 

           Um amigo, Wasyl, conhecido por Basílio, me emprestou um DVD do holandês André Rieu, com sua orquestra e coro, em exibição ao vivo no Music Hall, de Nova Iorque. Meacir e eu vimos várias vezes, e nos encantamos. No Funiculi Funicula (os italianos da Cambuí conhecem bem) rimos muito. Meacir é neta de italianos (o pai foi gerado na Itália e nasceu no Brasil). Então, posso dizer, com respeito e carinho, que a italianada liberou geral. Cantou, bateu palmas, se esgoelou, fez tudo o que tinha direito. Mas vimos umas dez vezes o “Aleluia”, de Haendel, e “Amazing Grace”.

           No primeiro, com a orquestra e dois corais (o de Rieu e um de igreja de negros) e três tenores líricos, a gente fica arrepiado. Em “Amazing”, a gente chora. A apresentação é num teatro secular. Quando se inicia “Amazing”, um homem põe as mãos em atitude de oração, para surpresa de uma senhora ao lado. Os prolongados aplausos são ensurdecedores.

 

           “Amazing Grace” está no HCC. É o hino 314. Aliás, no site da Igreja, o Dr. Fernando Ascenso, de Portugal, nos brindou com um bom artigo sobre o hino. Eis a primeira estrofe:

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