Arquivo mensais:dezembro 2008

A fantasia do Código da Vinci – Uma avaliação não fantasiosa

A FANTASIA DO CÓDIGO DA VINCI: UMA AVALIAÇÃO NÃO FANTASIOSA

Apresentado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os jovens da IB do Cambuí, em 29 de abril de 2006.

INTRODUÇÃO

O segundo livro de Dan Brown, Fortaleza Digital, dá uma idéia da mente do autor de O Código da Vinci. O livro é confuso, cheio de reviravoltas. Prende o leitor, mas o enredo é um caos de eventos sucedendo-se um após o outro, em tom dramático, de modo absolutamente inverossímil. Sei que ficção é imaginação. Mas mesmo nos maiores arroubos criativos, a ficção guarda certa probabilidade. Ninguém pensaria que a aventura alucinada de Fortaleza tivesse qualquer verossimilhança. Mas O Código, de enredo mais confuso e absurdo, trouxe um frenesi, como se fosse real. Compreende-se: é uma obra que ataca a Igreja Católica, mostrando-a como se fosse um bando de velhos mafiosos, põe em xeque os fundamentos do cristianismo e super-humaniza a pessoa de Jesus. Este último é um processo de dessacralização de sua pessoa, o que já se faz com a tentativa de humanizar a Igreja, dessacralizando-a e nivelando-a a qualquer outra instituição. Alguns têm gostado muito de um Jesus mais humano e de uma igreja mais humana, como se os pregadores os apresentassem como desumanos, e não notam que é uma tentativa de minimizar a divindade de Jesus e a origem divina da igreja. É bom abrir os olhos.

A popularidade da obra de Brown se explica por tratar de dois temas caros ao ocultismo: a enigmática figura de Da Vinci e a busca do cálice da ceia, chamado de Santo Graal. Este Santo Graal tem recebido as mais absurdas interpretações. A ala festiva da maçonaria, que prima por um esoterês ridículo e primevo, chega a ponto de dizer que Melquisedeque usou este cálice para trazer vinho para Abrão (Gn 14). Isto basta para mostrar que este pessoal não pode ser levado a sério. No livro, à página 257 (na edição em inglês, da Doubleday), descobre-se que busca do Santo Graal é uma alegoria “para ajoelhar-se diante dos ossos de Madalena” [1]. Procuram-se os ossos de Maria Madalena, mas eles já foram encontrados e fazem parte de festival de relíquias macabras, da Igreja Católica, sendo levados anualmente em procissão [2]. Ela representa a Mãe Terra, no culto pagão da reprodução. Este culto foi abordado nas obras de Marion Bradley, As Brumas de Avalon, o que mostra que Brown não age isolado de um contexto ou de uma ação.

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Deus cuida dos pardais (mas eu dou comida para eles)

Deus cuida dos pardais (mas eu dou comida para eles)

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

            Deixei o pastorado da IB do Cambuí após um período de quase nove anos e mudei-me para uma casa que possuo, no entorno de Brasília. Para deixar murchos os fofoqueiros de plantão: não fui mandado embora nem estou em pecado. Deixei o pastorado por questão de visão ministerial.

            A casa estava alugada e depredada. Reformá-la tem sido uma tarefa custosa e lenta, mas agradável. Minha rotina de vida, além de ver minha esposa gerenciar a reforma da casa (nisto eu sou bom: ver os outros trabalharem), tem sido múltipla. Dei-me um semestre sabático, que tem sido bom para todos nós. Tempo para ler, escrever, meditar, buscar a Deus, crescer espiritual e emocionalmente, curtir a família. Moro em frente à casa de meu irmão, o Pr. Isaías, e batemos longos papos. Moro a uma quadra da casa do meu pai e vemo-nos regularmente. E tenho mais tempo para mim e para Meacir.

            Readquiri um hábito de quando morei em Brasília anteriormente: dar comida a pardais. Começo cedo, com os farelos do pão do café da manhã. Comprei alpiste e painço, misturo-os, esfarelo miolo de pão e jogo na frente da casa, na calçada e na garagem. Se demoro, eles reclamam: vêm piar na porta da cozinha. Coloquei uma tigela com água para eles, porque os vi bebendo água que corria pela rua, oriunda de lavagem de uma varanda. Dei-lhes água limpa. A casa do mano é um sobrado e tem muitos beirais. Lá eles fazem o ninho. No Salmo 84.3, os pardais fizeram ninho na casa do Senhor. Aqui fizeram na casa do pastor. Atravessam a rua e vêm comer na minha casa. São pardais pastorais. Dormem na casa de um pastor e comem e bebem na de outro.

            Deus cuida dos pardais e de todos os passarinhos (Mt 10.29, Lc 12.6). Mas eu dou comida e água para eles. Da mesma maneira, Deus cuida de todos nós, mas por vezes se vale de outras pessoas. Deus vela pelo seu reino, mas se vale de nós. Como aconteceu com uma igreja que, em ocasião de forte vendaval, teve o telhado destruído.   O tesoureiro, no domingo seguinte, informou à igreja quanto ficaria reconstruir o telhado. Um valor elevado. E disse mais: “Tenho duas notícias, uma boa e outra má. A boa é que já temos os recursos para o novo telhado”. Estrugiram “Aleluia!” e “Glória a Deus”. Os pardais que moravam nos beirais que ainda existiam levantaram vôo. “A má”, disse ele, “é que os recursos estão nos bolsos dos irmãos”. Todo mundo murchou.

            Os recursos para a obra de Deus estão com o povo de Deus. Não precisamos de churrascos, bingos, rifas, e outras coisas para levantar recursos para a obra de Deus. Ele estabeleceu que são dízimos e ofertas. O dinheiro para a obra de Deus está com o povo de Deus.

            Uma menina, filha de um crente muito rico, disse certa vez, ao pai: “Pai, eu queria ser Deus”.  O pai, curioso, indagou: “Para que, filha?”. Ela respondeu: “Eu atenderia suas orações para que Deus cuidasse dos pobres usando o dinheiro que o senhor tem”.

            Deus cuida dos pardais que moram na minha quadra. Mas eu lhes dou comida e água. Deus cuida da sua obra, dos missionários, dos seminaristas, dos obreiros, das igrejas. Mas quem deve lhes prover os recursos são os crentes.

            “Meus” pardais estão felizes. Bem alimentados. Deus cuida deles. E eu faço o que posso. Faça tudo que puder pelo reino de Deus.

           

 

           

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A Virgem Sob Suspeita

A Virgem Sob Suspeita

Não estou suspeitando de nenhuma jovem, em particular. Este é o título de reportagem da “Veja”, de 10.12. 2008. A suspeita é do Vaticano sobre as aparições de Maria, na cidade de Medjugorje, na Bósnia. É o maior fenômeno de devoção católica nos últimos anos. Começou em junho de 1981, quando seis adolescentes tiveram visões da “Virgem Maria”.

            A “Virgem de Medjugorje” é famosa. Cerca de dois milhões de pessoas viajam anualmente ao lugarejo para receber conforto espiritual de “Nossa Senhora de Medjugorje”. No Brasil, a devoção também é expressiva: cerca de um milhão de pessoas. Mesmo assim, a Santa Sé questiona a veracidade das aparições. Os adolescentes que tiveram as “visões” hoje são adultos e fazem palestras sobre a “Nossa Senhora de Medjugorje”, cobrando, evidentemente. Algumas visões acontecem com hora marcada e, segundo a revista, “é possível promover espetáculos em torno delas”. Em uma visão, em 1997, o visionário conseguiu 70.000 dólares, “sob a forma de doações voluntárias”.

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Uma Visão do Processo de Ensino na EBD: Em Busca de uma Metodologia Funcional

 

Uma Visão do Processo de Ensino na EBD: Em Busca de uma Metodologia Funcional

 

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para o Encontro dos Professores da Escola Bíblica Dominical da Igreja Batista em Lindóia, Curitiba, PR, em 29 de novembro de 2008

 

INTRODUÇÃO

            O processo de ensino na EBD é uma questão vital na vida de nossas igrejas. Algumas pessoas entendem pouco do processo de educação, por vezes desconhecem o que seja uma classe, e fazem um mini-púlpito de seu trabalho. Outros conhecem bem o processo de educação, até mesmo porque são professores. E trazem os mesmos vícios, de um processo educacional que não vem dando certo nas escolas, para as igrejas. Aliás, recomendo aos interessados em educação, a entrevista da Dra. Eunice Durham, na revista “Veja”, de 26.11.2008, sob o título “Fábrica de maus professores”. Ela critica duramente os professores pelo seu corporativismo, por acharem que não são culpados pela péssima educação brasileira, e critica principalmente as faculdades de pedagogia que os entopem de conceitos esquerdizantes, repletos de chavões, mas absolutamente irrelevantes, numa visão absolutamente anacrônica. A preocupação é com transmissores de ideologia, mais que com professores. Fiquei pensando nisto, em termos da educação brasileira e em termos da educação em nossas igrejas. Pouca reflexão e por vezes, excesso de frases feitas. Mas as deficiências precisam ser tratadas.

 

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A Postura de um Bom Professor de Escola Bíblica Dominical

A Postura de um Bom Professor de Escola Bíblica Dominical

 

Uma análise da atitude de João Batista num momento de dúvida dos discípulos

Com base no texto de João 3.26-31

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para o Encontro com os Professores da EBD da Igreja Batista em Lindóia, Curitiba, PR, dia 30 de novembro de 2008.

 

 

INTRODUÇÃO

Era um fenômeno comum no mundo antigo, um homem de certa proeminência arregimentar pessoas ao seu redor. No AT, foi assim com Elias e depois com Eliseu.  Amós disse que não era “filho de profeta”  (ben nabhi, expressão técnica para designar jovens que caminhavam com um profeta, aprendendo dele), mostrando que não era de uma classe existente. A relação entre eles era a de professor e de aluno. João possuía discípulos. Era uma espécie de professor com alunos em sua volta. O presente episódio mostra seu procedimento em um momento particular. Aprendamos dele.

 

O CONTEXTO

João aglutinara alunos ao redor de si, mas um novo mestre se levantara e crescia mais que João e o ofuscava. Seus seguidores se incomodaram. “Foram ter com ele” (mais de um, demonstrando que a questão assumira vulto e fora comentada por algumas pessoas). Transparecem ciúme e inveja na palavra dos discípulos de João e poderia se pensar em uma atitude deles no tipo “Vamos ver o que ele sente nesta hora”. A resposta de João nos orienta sobre a boa postura de um professor. Deve ser um modelo de procedimento para nós. Não é questão de polêmica, mas como devemos proceder em nossa vida.  

 

AS ATITUDES DO BOM PROFESSOR

Aponto, com base na resposta-atitude do Batista, quatro atitudes que julgo fundamentais para o ministério do professor da EBD.

 

1. Ele foge de disputa sem fundamento. Não lhe interessa a questão. Ele não a tangencia, mas vai fundo. Se houvesse uma atitude negativa dos discípulos de JB quanto à pessoa de Jesus, ele as dirime. João não permitiu que um comentário que trouxesse polêmica prosperasse. Duas razões:

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