Arquivo mensais:abril 2012

UMA CRISTOLOGIA NO LIVRO DE SALMOS – 3

OS SOFRIMENTOS DO MESSIAS – UMA ANÁLISE  DO SALMO 69

 Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Rio Grande do Norte, em abril de 2012

                Do Salmo 22 passemos ao 69. Nele, vamos nos deter apenas nos versículos 3, 7-9, 12 e 19-21.

 

Vejamos um pouco do seu contexto. Dois comentaristas bíblicos nos ajudarão a entender do que se trata. O primeiro deles é Kidner: “Este salmo revela um homem vulnerável: é alguém que não podia dar somenos importância à calúnia, à traição ou auto-acusação (v. 5); somente uma pessoa endurecida ou ensimesmada, e cujo senso de justiça tinha sido embotado, poderia fazer assim. Tanto suas orações como suas maldições brotaram desta sensibilidade pessoal e moral, e o Novo Testamento vê a prefiguração de Cristo no zelo que o cantor demonstra para com a casa de Deus, e nos seus sofrimentos. Mesmo assim, a própria justaposição entre Davi, que amaldiçoava seus perseguidores, e Jesus, que orava em prol dos Seus (sic), ressalta a grande diferença entre o tipo e o antítipo, e realmente, entre as atitudes que se aceitavam entre os santos do Antigo Testamento e os do Novo”. [1]

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TADINHA DA CAROL!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 29.4.12

                “Mas Carol, tu é burra!”, ouvi no aeroporto de Fortaleza, na espera do voo para Natal. O cidadão falou quase uma hora ao celular (que boa bateria!), brigando com seus funcionários. Tadinha da Carol! O consolo é que o grosso também agredia o português. “Tu é” é ignorância. O certo é “tu és”. Rude com a Carol e com o idioma. Mas dava-se ares de importância. Continue lendo TADINHA DA CAROL!

UMA CRISTOLOGIA NO LIVRO DE SALMOS – 2

OS SOFRIMENTOS DO MESSIAS – UMA ANÁLISE NO SALMO 22

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Rio Grande do Norte, em abril de 2012

 

O Salmo 22 é chamado de “o salmo da cruz”. Normalmente pensamos apenas nos Profetas como anunciadores da vinda e do ministério do Messias, mas também os salmos testemunham dele com abundância de dados. O próprio Senhor Jesus assim declarou, em Lucas 24.44: “São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. É muito provável que Jesus empregasse a palavra Salmos referindo-se à terceira parte da Bíblia Hebraica, Os Escritos. Mas a passagem em tela ilustra bem a verdade que Jesus se viu nos Salmos. Aliás, uma observação de Agostinho, em um de seus comentários sobre os Salmos mostra isso. Ele se referiu a Jesus como “este admirável cantor dos salmos” [1].

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UMA CRISTOLOGIA NO LIVRO DE SALMOS – 1

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Rio Grande do Norte, em abril de 2012

Admiramos-nos, por vezes, da cabeça dura dos discípulos. Está tão claro para nós! Sim, porque temos a revelação completa! Mas, mesmo com dois mil anos de cristianismo, como há confusão, ainda sobre Jesus e o conteúdo de sua mensagem, em nosso tempo!

 

Imaginem os discípulos, que em três anos tiveram seu mundo teológico, toda a sua cultura religiosa, social e até mesmo nacional, posta de ponta-cabeça! “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora”, disse-lhes Jesus (Jo 16.12). Jesus não conseguiu colocar tudo o que tinha para ensinar, na cabeça dos discípulos. O Espírito Santo viria completar seu ensino, como ele mesmo declarou: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora. Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras”. O ensino de Jesus seria completado pelo Espírito. O Messias não conseguiu se fazer entender por completo. As Escrituras, que são produto final do Espírito Santo, fariam isto. Na realidade, as Escrituras do Novo Testamento surgiram, em boa parte, como necessidade da comunidade cristã primitiva em entender o Antigo Testamento no que ele dizia sobre o Messias.  Neste sentido, o livro de Salmos foi bastante explorado neste sentido.

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ESTÁ AQUI UM RAPAZ…

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

                Estava em Monte Dourado, Vale do Jari, com Meacir. Fui para lecionar para um grupo de trinta líderes com os quais passo três dias por mês. Ela me acompanha porque dá assistência a algumas senhoras, em Laranjal do Jari. A gente ainda zanza por Vitória do Jari e Munguba, conhece os irmãos, papeia com eles, come bons peixes, e assim tem a vida enriquecida. Como programo meu tempo, fui trabalhar num livro de biografias bíblicas para adolescentes, acerto feito com uma editora evangélica. O personagem era André. Continue lendo ESTÁ AQUI UM RAPAZ…

QUERIDO OU FIEL?

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 22.4.12

                “Querido ou fiel?” é o título de um capítulo do livro Arrisque, de Kenny Luck. Nele, o autor aborda um dilema sério da vida cristã contemporânea. “Ser querido” é ser o centro da vida e receber. “Ser fiel” é tornar Cristo o centro da vida, e dar-se, gastar-se no reino. Os cristãos estão mais preocupados em serem queridos que em serem fiéis. Não pensam em compromisso com Jesus, mas no seu bem estar pessoal. Seu ideal é a bênção e não a fidelidade. Continue lendo QUERIDO OU FIEL?

O MAIOR NO REINO DOS CÉUS

Mateus 18.1-6.

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado originalmente na revista “Você”, da UFM.

Publicado com permissão da revista.

            As pessoas lutam por poder, para terem domínio sobre as outras. Vemos isto desde cedo, na história da humanidade. Em Gênesis 10.8 se fala de Ninrode, o primeiro homem que se tornou poderoso na terra.

Infelizmente, esta luta por poder também se encontra no cenário religioso. Encontramos nas igrejas gente que quer mandar e que deseja ser importante. Antigamente bastava aos pastores terem o título de pastores, que era considerado como honroso. Hoje alguns querem ser bispos, outros querem ser apóstolos, há bispo primaz, e há quem se chama de patriarca. E há aquelas pessoas que têm grandes carências emocionais e buscam na igreja o lugar para supri-las, lutando por reconhecimento. Na realidade, isso é mais doença espiritual que qualquer outra coisa. Continue lendo O MAIOR NO REINO DOS CÉUS

ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES – TEXTO: 4.21-23 – O TÉRMINO DE UMA CARTA AMOROSA

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ
ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES – FOLHA 15
TEXTO: 4.21-23 – O TÉRMINO DE UMA CARTA AMOROSA
Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho – 11 de abril de 2012

INTRODUÇÃO

Termina a carta. Paulo se despede com poucas, mas significativas palavras. Não é um “tchau” seco, mas uma despedida em termos cheios de profundo significado espiritual. Vejamos como ele se despede, e o que sua bênção significa para nós.

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MAIS UMA IDA A MANAUS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 15.4.12

 

Saí de Manaus em 1998, após cinco anos pastoreando a PIB da cidade. Não saí corrido, mas com o Corpo Diaconal pedindo para reconsiderar a decisão. Pensei que ainda pudesse sentir-me bem na educação teológica, mas errei. Bem, isso é outro caso. Manaus é rica e imponente, a princesa da floresta, e a sexta cidade do Brasil em PIB (Produto Interno Bruto). Superou Porto Alegre e tem apenas S. Paulo, Rio, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte à frente. O trabalho batista é forte e continua crescendo. Dizer que a qualidade de vida de uma cidade afeta o progresso do evangelho colide com os fatos. Manaus enriquece e o evangelho cresce. Continue lendo MAIS UMA IDA A MANAUS

ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES – TEXTO: 4.10-20 – A GRATIDÃO DE UM OBREIRO A UMA IGREJA AMOROSA

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ
ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES – FOLHA 14
TEXTO: 4.10-20 – A GRATIDÃO DE UM OBREIRO A UMA IGREJA AMOROSA
Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho – 4 de abril de 2012

INTRODUÇÃO

Numa carta alegre e grata, o apóstolo termina agradecendo à igreja, pelo apoio financeiro. Muitos dão apoio espiritual: “Vou orar por você!” (se é que oram mesmo). Outros dão apoio moral: “Força! Tô contigo!” (mas somem). A igreja orava por Paulo e investia financeiramente nele. Estando preso, ele precisava de recursos. Continuou escrevendo. Precisava de tinta, de pergaminho, de alimentação decente e de roupas. A prisão não o impediu de escrever e trabalhar. A igreja investiu nele. Era uma igreja amorosa e ele, por isso, era-lhe um obreiro grato. Vejamos o texto.

 

V. 10 – A igreja renovara o cuidado por ele, ofertando-lhe de novo. Faltara oportunidade e ela fazia agora. Não havia bancos e era necessário levar dinheiro em mão. Epafrodito levara.

 

V. 11 – Ele estava satisfeito em qualquer circunstância. No muito ou no pouco. Nós ficamos satisfeitos com o pouco? Nos momentos negativos, ficamos satisfeitos ou nos queixamos?

 

V. 12 – Três contrastes: necessidade ou abundância, fartura ou fome, muito ou escassez.  Fosse qual fosse seu estado, isso não o deprimia. As coisas não eram sua paixão. Era Cristo. Se você tivesse uma queda brusca em sua vida material, como reagiria? Se tivesse que morar em um cortiço,  ainda louvaria a Deus? Paulo perdeu todos os privilégios do judaísmo, ao se converter a Cristo. Expulso da sinagoga e cassado como fariseu, como começar a vida aos 40 anos? Fez tendas (atividade manual, ele, que era um intelectual) e dependeu de ofertas. Da boa vontade dos outros. Nunca se queixou. Sobre a atitude da igreja: “Quando um cristão ou igreja contribui com o sustento missionário, está participando ativamente  das lutas e aflições de irmãos que entregaram suas vidas para levar as boas novas do Evangelho àqueles que, como nós, não tinham qualquer esperança (Hb 10.33)” (Bíblia King James).

 

V. 13 – Pensamos em termos de força. O sentido é de fraqueza. “Posso sofrer tudo porque ele me fortalece”. “Posso tudo” é um verbo que traz a idéia de “ser forte”. “Deus me fortalece na fraqueza material”, é o que ele diz. Quando Deus é nosso valor maior somos fortalecidos.

 

VV. 14-16, 18-19 – A igreja participara de sua aflição. Só ela. Em Tessalônica, duas vezes. Isso fora há dez anos (At 16.40). Agora, recebeu tanto que tinha de sobra. Foi um ato de culto: “sacrifício aceitável…”. Dar é um ato de culto. Nós nos assemelhamos a Deus Pai e a Deus Filho quando damos (Jo 3.16 e Mc 10.45). O amor é dadivoso. O egoísmo, que é amor desfocado, porque é amor a si, pede.

 

V. 17 – Não está atrás de coisas. Mas isso amplia o crédito da igreja. Com quem? Com Deus: v. 19. São os tesouros no céu de que Jesus falou (Mt 6.20). Há gente com muita coisa aqui e que será miserável no céu, sem galardão.

 

V. 20 – E graças a Deus que faz todas essas coisas na vida dos seus servos e pelos seus servos. Enriqueceu a Paulo e enriqueceu a igreja. Porque investir no reino enriquece a pessoa.

 

CONCLUSÃO

Paulo tinha motivos para ser grato. Mas a igreja também. Pela vida dele, pela oportunidade de abençoar outras pessoas (ele e os que ele alcançava com o evangelho). A bênção não está em ter muitos bagulhos, mas em ser útil nas mãos de Deus. Com a vida e com os bens.

UM JOVEM SENSATO QUE CORRIGIU OS ERROS DE UM IDOSO INSENSATO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 8 de abril de 2012

              Sou idoso. Mas reconheço que ter idade não traz razão ou bom senso. E que ser jovem não é ser tonto. Salomão e Josias provam isso.

Josias se converteu aos 16 anos. Aos 20 iniciou um avivamento: “No oitavo ano do seu reinado, quando era ainda bem moço, Josias começou a adorar o Deus do seu antepassado Davi. E quatro anos mais tarde começou a purificar a terra de Judá e a cidade de Jerusalém, destruindo os lugares pagãos de adoração, os postes-ídolos e as outras imagens de pedra e de metal” (2 Cr 34.3). Aos  26, mandou reconstruir o templo e destruir os altares idólatras de Salomão: “Josias profanou também os altares que o rei Salomão havia construído a leste de Jerusalém, ao sul do monte das Oliveiras, para a adoração de Astarote, a nojenta deusa dos sidônios, para a adoração de Quemos, o nojento deus dos moabitas, e para a adoração de Moloque, o nojento deus dos amonitas” (2Rs 22.13). Continue lendo UM JOVEM SENSATO QUE CORRIGIU OS ERROS DE UM IDOSO INSENSATO

SOBRE FACEBOOK E IGREJA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 1 de abril de 2012

 

                O Pr. Samuel Amaro dos Santos (IB em Laje do Muriaé) publicou em “O Jornal Batista”, um bom artigo com o título “Facebook é melhor que igreja?”. Gostei e reparto com meu rebanho. Quatro itens do artigo me atraíram, e comento-os brevemente.

 

                (1) “Crentes que ficam no Facebook fazendo piada, defendendo com unhas e dentes seu time, conversando fiado, falando de novela, e não falam de sua igreja, não a defendem, não promovem suas programações”. Meu comentário: As pessoas defendem com vigor suas paixões. Mas nem sempre a igreja está entre elas. Há quem veja a igreja como a Geni, da música do Chico Buarque: joga pedra nela. Dêem à igreja o tempo que dão ao Face.

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