Arquivo mensais:outubro 2006

Que Mundo!

Que Mundo!

 

            Não recordo o livro e o autor, só o término. Após analisar as possibilidades que a tecnologia oferece, o autor concluiu: “Que época fascinante para viver!”. Vou parodiá-lo: “Que época miserável para viver!”. E justifico. Não é o desejo de ser diferente. É real.

            Veio no Correio Popular, de Campinas: uma mãe de 25 anos de idade deixou o filho de um ano num carro fechado e foi dançar pagode. Quando o policial a interpelou, depois de alertado por alguém, ela perguntou: “E daí? Que é que tem?”.  No mesmo dia, uma criança de dois anos foi abandonada na fria noite paulistana, nua da cintura para baixo, com uma chupeta na boca. No dia anterior, uma mãe de 16 anos esganou o filho de um ano, que chorava, e foi dormir. Um pai esqueceu o filho de um ano e três meses num carro fechado. Multiplicam-se os casos de crianças abandonadas, mortas pelos pais, esquecidas enquanto pais dançam ou bebem.

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É Preciso Ter Coragem

É Preciso Ter Coragem

por Pr. Elias Moreira da Silva

       Desde que deixei o ministério de música de uma de nossas Igrejas, depois de 16 anos, tenho visitado outras igrejas e observado com apreensão o rumo que estamos tomando na nossa forma de adorar.

 
       Adoração coletiva tem tomado um caminho muito individualista. Cada pessoa, ou dirigente, ou pastor, tem um gosto por uma forma particular. Encontramos pessoas que se expressam quanto à forma de adorar, assim: “É preciso que o culto seja espontâneo”, outros “Eu acho que temos que ter liberdade para nos expressarmos”, outros “Nós temos que nos afastar da formalidade” etc…

 
       Estamos na era do data-show, das coreografias, das danças, dos ritmos fortes que nos sacodem e nos fazem pular, bater palmas, dar gritos pra Jesus.

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Lições de uma ovelhinha distraída…

Lições de uma ovelhinha distraída…

    Vinha sendo uma terça-feira cheia. De manhã cedo fora ao escritório de uma senhora da igreja para orar com ela. De lá, fui a Conchal, a 90 km de Campinas, para visitas a pessoas interessadas no evangelho, com vistas à implantação da Missão Batista naquela cidade. De volta, atendera duas pessoas na igreja, e esperava Meacir para visitarmos uma senhora que fora cirurgiada. Eis que me vem uma ovelhinha, puxando dos pés. Pareciam machucados. Pergunto em bom paulistês: “Que foi isso, fia?” (paulista que se preza não fala “filha”). Machucara os pés? Não, era o corpo todo. Fora à praia e estava queimada, não bronzeada. Perguntei se não usara um bom filtro solar. Usara, mas com prazo de validade vencido. Surpreendi-me. Não reparara que filtros solares têm prazo de validade. Mas o da ovelhinha querida vencera. E, pasmem, em 2003. Tinha que estar torrada. O cansaço que começava a aparecer foi substituído por risadas. Principalmente porque outra ovelhinha, que usara filtro solar com prazo certo, “tirou uma casquinha”. Pediu: “Faz uma pastoral sobre ela, pastor!”. Aliás, devo a esta ovelha zombeteira o tema de hoje. Um dia farei uma pastoral sobre ovelhas escarnecedoras… Fiquemos com a ovelha tostada.

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A Verdadeira Fé

A Verdadeira Fé

            No livro Super-heróis e a filosofia – verdade, justiça e o caminho socrático, há um capítulo de Tom Morris intitulado “Deus, o Diabo e Matt Murdock”. Ele aborda a questão da espiritualidade nas histórias em quadrinho. Aprendi muito. Quando fiz uma pós-graduação em Educação, preparei um trabalho intitulado “A ideologia das histórias em quadrinhos”. Mas o livro foi muito mais fundo.

            Ele faz uma observação pertinente: “Religiosidade não é o mesmo que fé. Mas às vezes não é fácil distinguir uma da outra. A religiosidade é superficial, a fé real é mais profunda. De um modo geral, a religiosidade é só uma questão de hábito. A fé é algo muito mais envolvente”. Ele critica a idéia segundo a qual os homens criaram a fé religiosa por causa de seus temores. Diz que a religiosidade pode ser um escapismo, muleta contra o mundo assustador. A superstição e a religiosidade superficial são apenas reação de pessoas temerosas, mas a verdadeira fé é mais que isto. Identificando a superstição com religiosidade superficial, ele diz: “A superstição é um esforço temeroso e desesperado de manipular a realidade para que se adapte às nossas necessidades”. A pessoa tenta manipular forças espirituais em seu benefício. Ela quer seu mundinho em paz e que tudo a ajude. Assim as pessoas adotam práticas para se proteger: talismãs, simpatias, vudus, mandingas, etc.

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Quem Cuida da Lojinha?

Quem Cuida da Lojinha?
 

            A piada é infame, mas vá lá. Façam de contas que nunca a ouviram e achem graça. O comerciante, moribundo, reúne a família ao redor de si. Pergunta: “Sarah, você está aqui?”. “Estou”, responde Sarah. “Isac está aqui?”, pergunta ele. “Estou, papai”, responde Isac. “Miguel está aqui?”. Miguel responde afirmativamente. O homem se senta na cama e pergunta: “E quem está tomando conta da lojinha?”.

            Lembrei-me da piada no dia da eleição. Votei na 914 Norte, no Colégio Leonardo Da Vinci, e levei Meacir para votar na Escola Classe na 115 Norte. Ainda votamos em Brasília. A fila no TRE de Campinas, perto da minha casa, desanimava quem desejava transferir o título. Soava-me um desrespeito para com o cidadão (pois é, a fantástica Campinas tem suas falhas). Mas deixa pra lá. O que tem a piada com a eleição?

 

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Usando a Bíblia corretamente

Usando a Bíblia corretamente
 
            No livro Princípios para uma cosmovisão bíblica, John MacArthur Jr. tem um capítulo sobre objetividade. Ele censura o relativismo da cultura contemporânea em que cada pessoa faz sua verdade. Para elas, tudo é tolerável. Só lhes é intolerável ter uma cosmovisão bíblica, ou seja, uma visão do mundo pela Bíblia. Tenta-se ajustar a Bíblia à visão das pessoas e amoldá-la às correntes de pensamento. Assim se fazem leituras marxistas, leituras feministas, leituras afros da Bíblia, em vez de se ler estes movimentos à luz da Bíblia. Ela deixou de ser nossa regra de fé e prática e passou a coadjuvar uma visão secular que temos da vida.

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