Arquivo mensais:março 2008

Esperando Socorro

Esperando Socorro

 

            Andei a reler um agradável livro, Super-heróis e a filosofia – verdade, justiça e o caminho socrático. Um de seus capítulos é de autoria de Felix Tallon e Jerry Walls, este professor de Filosofia no Seminário Teológico Asbury.  O capítulo se intitula “Super-homem e o reino dos céus: a surpresa da teologia filosófica”. Parece confuso? Vou clarear, prometo.

            Os autores falam das duas linhas de interpretação do mundo mais comuns no ocidente: o teísmo cristão (cristianismo) e o naturalismo. Este coloca toda a explicação do mundo nisto: não existe o sobrenatural. Apenas forças naturais. Não há Deus ou forças espirituais que interfiram no mundo material. Só há a matéria em movimento, governada por leis naturais. A religião é uma doença, uma infantilidade. O cristianismo afirma que há um Deus Criador, um Ser moral, com propósito, que entrou na criação na pessoa do homem chamado Jesus e que no fim intervirá definitivamente no mundo.

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Recuperando o que Perdera

Recuperando o que Perdera

 

            Por conta das comemorações do seu 78º. aniversário, a Igreja do Cambuí trouxe dos Estados Unidos o casal Pr. Benjamin e Carol Geho. Eles trabalharam aqui por pouco tempo, na transição para o pastorado que exerço, mas deixaram marcas consideráveis. De Campinas, o casal foi a Brasília, pois trabalhou lá, na Faculdade Teológica (trabalhamos juntos também em Bauru).

            Como a vida é curiosa! Visitando um irmão, o Pr. Benjamin recebeu dele dois livros meus que estavam no espólio de um senador que eu desconhecia e que falecera. Um é A idade da razão, de Sartre, com meu nome carimbado, datado e localizado em Bauru. O outro, de Clarice Lispector, com meu nome carimbado, datado e localizado em S. Paulo. Recordei-me que em 1986, em Brasília, uma pessoa aparentada com um senador esteve em minha casa e me levou dois livros. Esquecera-me do fato e dos livros. Mas 22 anos depois os recuperei. Os tempos e eu mudamos e acho Sartre chato e A idade da razão uma obra ultrapassada. Sobre Clarice Lispector, não lembro o título do livro.  

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Um estudo sobre a igreja

Um estudo sobre a igreja

Preparado pelo Pr. Isaltino G. C. Filho

INTRODUÇÃO

O que é, exatamente, uma igreja?

As respostas são as mais variadas possíveis, dependendo da visão de cada um. Por isto precisamos nos cingir o mais possível ao ensino das Escrituras. Nossos conceitos teológicos são determinados, em grande parte, por nossa visão denominacional e conceitos pessoais. Muitas vezes pomos na Bíblia o que queremos, em vez de tirar dela o que devemos. No presente estudo a preocupação não é mostrar o modelo batista ou denominacional, mas os padrões bíblicos que nos ajudarão a entender o que é a igreja.

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A Tripla Conversão do Cristão

A Tripla Conversão do Cristão

 

            O teólogo Oscar Cullmann disse que os cristãos necessitam de três conversões. A primeira é do mundo para Cristo, o arrependimento. A segunda, para a igreja, o compromisso. A terceira, para o mundo, o testemunho. O termo “conversão” é usado no sentido de uma mudança radical na vida.

            Um cristão é um convertido a Cristo. Ninguém nasce cristão. Não se é cristão por nascer num país cristão. Aliás, não existe país cristão. Cristão é quem crê em Jesus Cristo e o segue. Esta conversão foi bem definida em João 10.27-28: “As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão”. O cristão ouve a voz de Jesus, é conhecido por ele, segue-o e tem a vida eterna, em segurança eterna.

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A Igreja do Cambuí, em Campinas

A Igreja do Cambuí, em Campinas

 

                Com 1.031.887 habitantes (censo de 2004), Campinas é maior que muitas capitais. É a sede da Região Metropolitana de Campinas, que responde por 9,2% do PIB do Brasil (igual ao do Chile e superior ao do Estado do Rio). Aqui residem 30% dos cientistas brasileiros. Aqui estão excelentes universidades e um dos melhores centros médicos do Brasil. Das rodovias que cortam a cidade, quatro estão entre as dez melhores do Brasil.

                O Cambuí é o bairro mais charmoso e badalado de Campinas. Como disse alguém, “o Cambuí é uma grife”. Aqui foi estabelecida, há 78 anos, a “Segunda Egreja Baptista de Campinas”, com 14 membros. Neste tempo ela mudou seu nome para o do bairro, organizou nove igrejas, está no seu segundo templo, tem o projeto do terceiro, e vive um momento muito bom, de paz e progresso.

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Abençoamos ou Não?

Abençoamos ou Não?

 

Isaltino Gomes Coelho Filho

            A convite, apresentei à Convenção Batista Fluminense, em junho de 2007, em Cabo Frio, a palestra “O simbolismo judaico e as igrejas neopentecostais – a solução dada por esses grupos para matar ‘a sede simbólica das comunidades’”. Creio que foi publicado em “O Jornal Batista” (OJB nos. 43, 44 e 45, edições de 28/10/07, 4/11/07 e 11/11/07). Está também no site da Igreja Batista do Cambuí, que tenho o privilégio de servir pelo nono ano (www.ibcambui.org.br).

            Fiz a seguinte observação, no bojo das considerações:

 

Não faço a chamada “bênção apostólica” nos cultos da minha igreja. Até mesmo porque não vejo nenhuma bênção deste tipo no Novo Testamento. Usamos 2Coríntios 13.13 com um enorme floreio, em cultos especiais, mas sejamos honestos: não há uma ordem bíblica para repetirmos aquela frase que alguns ainda chamam de “bênção dos apóstolos”. É uma citação paulina, isolada e não repetida pelos outros apóstolos. Nós a tornamos de uso exclusivo do pastor, que levanta os braços para proferi-la.  Não costumo usá-la, mas, dominicalmente, dou uma bênção minha, como pastor, ao meu rebanho. É um momento do culto ansiado pelas pessoas. Começo dizendo: “Como seu pastor eu os abençôo em nome de Cristo…” e continuo com outras palavras. É um momento de profunda espiritualidade. Uma senhora me disse que ao ouvir a bênção, e sabendo que é de coração, ela a retribui, em voz baixa, desejando o mesmo para mim. Outra pessoa me disse que aquela bênção a ajuda a atravessar a semana. Uma família, que ficou sob a arma de seqüestradores numa noite, disse que se lembrou desta bênção pastoral para se sentir segura.

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Mudança Boa, Mudança Ruim…

Mudança Boa, Mudança Ruim…

A Reforma Protestante mudou drasticamente o cristianismo degenerado da época. Ela devolveu a maneira correta de relacionar-se com Deus, razão de ser da igreja: ao invés dos sacramentos, pôs a ênfase na Palavra de Deus. O que habilita alguém para relacionar-se com Deus não são os sacramentos, administrados pelo clero. É a conformidade ao ensino da Bíblia. Ela testemunha de Jesus Cristo, tendo-o como centro e finalidade, e orienta sobre o propósito de Deus. Lutero deu a Bíblia ao povo e os protestantes se notabilizaram como o povo do Livro.

Os batistas surgiram nesta esteira. No cemitério dos pioneiros, em S. Bárbara do Oeste, SP, estão as sepulturas dos membros da primeira igreja batista no Brasil (organizada em 1871). Em quase todas há uma Bíblia esculpida. O povo nos chamava de “bíblias”, no passado.

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