Arquivo mensais:janeiro 2009

Dos pardais à filosofia, passando pelo carro da Chrysler

Isaltino Gomes Coelho Filho

            Meus leitores (usando a expressão de uma pessoa dominadora: “minha família e mais uns quinze”) estranharão este título. Depois que o digitei achei que entrara num assunto difuso. Mas voltemos aos pardais. Terminei o último artiguete sobre os pardais com esta expressão: “Muito espaço para os pardais, ao invés de coisas mais sérias? Aprendi com o Salvador. Suas grandes e profundas verdades não foram expressas em conceitos complicados, com termos pomposos. Ele falava de pardais, lírios, semeador, aves do céu, nuvens, fermento, o cotidiano, enfim. Sempre lhe peço que me ensine todos os dias. Ele usou os pardais. Sou lhe grato por isto”.

            A simplicidade de Jesus é desconcertante. Nós é que usamos palavras complicadas para mascarar o que não queremos ou não sabemos explicar. Outro dia eu lia um livro de filosofia, de um ex-ateu, agora teísta, Anthony Flew. Alguns parágrafos me desnorteavam. Eu os lia três, quatro vezes, e não conseguia entender o que estava sendo dito. Talvez limitação cultural minha, mas ele podia ser mais claro. Lembrei-me do menino Calvin, na sabedoria dos seus seis anos, dizendo para seu urso de pelúcia, Haroldo, o título de sua redação: “A dinâmica do inter-ser e imperativos monológicos em Dick e Jane: um estudo em modos psíquicos transrelacionais de gênero”.  Sua explicação foi genial: “Eu percebi que a finalidade de escrever é inflar idéias fracas, obscurecer raciocínio pobre e inibir a clareza. Com um pouco de prática, a redação pode ser uma névoa intimadora e impenetrável”.  O título da redação de Calvin se parece com algumas dissertações de mestrado e teses de doutorado: “Uma avaliação biopsíquica-físico-translúcida-patológica-emocional da ontologia hegeliana por uma perspectiva sãopaulina-hexacampeã em diálogo com a visão kierkegardiana do rebaixamento luso (Vasco-Portuguesa de Desportos) em contraposição ao louvor estrambótico do hipermega neolevitismo do movimento evangélico”.  Ninguém entende nada, não tem valor algum, mas impressiona e intimida. Quem não entendeu não tem erudição. E quem formulou e desenvolveu o assunto é um gênio. Quem o aprovou não entendeu nada, até mesmo porque não tem sentido, mas fez ar de entendido e elogiou. Caso típico de vaca lambendo bezerro… Ou, em latim, asinus asinum fricat (“um asno esfrega outro asno”, ditado que se emprega para mútuos e excessivos elogios de duas pessoas).

            O vocabulário confuso ajuda a não dizer nada de maneira que impressiona. Digo isto em relação à simplicidade de Jesus, que muitos pregadores e mestres abandonaram em troca do palavrório empolado que nada diz (“processo soteriológico” ao invés de “salvação”, por exemplo). As palavras complicadas servem para mascarar o nada. Gertrud Stein chama a isto de “nadez”, o nada bem apresentado. Em “Alice no país do espelho”, Carrol apresenta um poema chamado “O Tagarelão”. Sua primeira estrofe diz:

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O Cachorro e o Coelho

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.” (Mateus 23.27-28)

Eram dois vizinhos. O primeiro comprou um coelho para os seus filhos. Todo branquinho, muito bonito. O outro, atendendo aos pedidos dos seus filhos que também queriam um animal de estimação, comprou-lhes um pastor alemão. A sua família ficou preocupada: “Um cachorro? Ele vai comer o coelho!”. Mas respondendo ao questionamento de sua família de forma convincente, dizia que nada iria acontecer. Ele era um cão pequeno, iria crescer junto com o coelho. Diante de tão convincente discurso a família se acalmou e ficaram com o cachorro. E não é que o homem estava certo? O cachorro cresceu com o coelho, e o coelho acompanhava as crianças até a casa dos vizinhos e vice-versa, e nem o coelho nem o cachorro pareciam temer um ao outro.

Um dia a família que tinha o coelho saiu de viagem. Foi passar um fim de semana na praia. Saíram na sexta-feira, no final da tarde, com a pretensão de voltar no domingo. No domingo, no início da tarde, o cachorro aparece na cozinha da casa com o coelho na boca. O coelho estava todo sujo e morto. Os donos do cachorro ficaram desesperados. A esposa lembrou-se do que tinha dito meses atrás: “Eu não disse que o cachorro mataria o coelho mais cedo ou mais tarde? E agora?”. O desespero tomou conta de todos dentro da casa. Deram uma tremenda surra no cachorro que não soube respeitar os direitos dos seus vizinhos: “O que vamos fazer? Daqui a pouco nossos vizinhos vão voltar e o que diremos a eles?”.

Foi ai que o marido teve a idéia de dar um bom banho no coelho, secar com o secador, colocar um perfume nele e colocá-lo na cozinha dos seus vizinhos, deitado e quietinho. Afinal o coelho não estava estraçalhado e aparentemente não tinha nenhum osso quebrado. E assim fizeram. Depois de algum tempo seus vizinhos chegaram da praia e os donos do cachorro, de sua casa, ouviram a gritaria na casa de seus amigos. Em alguns instantes seu vizinho bate à sua porta: “O nosso coelho morreu. Ele morreu na sexta-feira à tarde, antes de sairmos para a praia. Nós o enterramos no quintal e agora ele esta lá na nossa cozinha, continua morto, mas está limpo, penteado e perfumado. O que pode ter acontecido?”

O que vem depois não importa, mas podemos refletir em alguns pontos desta história. O cachorro foi julgado apressadamente, visto como assassino e apanhou. Julgado por atos que não cometeu, levou uma surra, e foi posto de castigo. Mas o que o cachorro queria era encontrar seu amigo coelho. O coelho foi devolvido à sua casa perfumado e arrumado, mas isto não mudou a sua condição, estava morto e nenhum perfume no mundo mudaria isto.

No seu discurso contra os fariseus, Jesus alerta seus ouvintes sobre o comportamento dos fariseus, perfumados e arrumados por fora, mas cheios de coisas ruins por dentro. Alerta contra a auto-avaliação apressada dos fariseus que queriam se apresentar como pessoas justas, mas seus julgamentos eram cheios de hipocrisia e maldade. As palavras de Jesus são pesadas, são fortes, mas são uma advertência a uma prática que não deve existir no meio do povo que o segue.

Que tenhamos boa aparência externa e uma aparência interior de igual modo, limpa e agradando a Deus.

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A Lenda do Nascimento das Aves

 

“Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.” (Isaias 40.31)

Li, muito tempo atrás, uma lenda que contava como as aves tinham sido criadas. Deus chamou até a sua presença alguns animais e deu a cada um deles, segundo o seu tamanho, uma carga para que levassem. Assim, os animais, obedientes a Deus aceitaram as cargas mesmo sem entenderem os motivos de tal pedido. Dia a dia, eles levavam aquela carga que tinham recebido de Deus. No início a carga incomodava, atrapalhava a locomoção, dificultava o sono, mas como era ordem do Criador, eles obedeciam. Certo dia, Deus apareceu novamente e chamou os animais até sua presença. A carga que levaram por tanto tempo a fio em suas costas tinha alterado a sua anatomia. Agora faziam parte do seu corpo. O Criador pediu que os animais, agora modificados pelas cargas, movimentassem os braços para cima e baixo, cada vez mais rapidamente e eles começaram a deixar o chão para baixo à medida que subiam aos céus voando. Suas cargas tornaram-se asas.

Esta história é uma lenda criada para dar beleza a algo criado pelo nosso Deus Todo-Poderoso. Mas quando li me lembrei do profeta Isaias mostrando ao povo que esperar em Deus e ter paciência nas suas promessas é uma certeza de que nossas dificuldades e lutas podem ser vencidas. Percebi que a lenda que trata do nascimento das aves tem como ponto principal a obediência ao Criador e a perseverança faz parte deste processo. Esperar em Deus é não se cansar. Esperar em Deus é se renovar a cada dia. Os vôos da águia são altos, sua morada é no lugar mais alto da montanha. É esta esperança em Deus que devemos cultivar em nossas lutas diárias. Os fardos que tanto nos cansam e parecem injustos aos nossos olhos, são obras de Deus que deseja que seus filhos preciosos alcancem: uma vida plena, uma vida segura na sua presença.

“Esperei confiantemente no Senhor e Ele se inclinou para mim e ouviu os meus clamores.” Salmos 40.1

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O menino, o velho e o burro

 

“Porque veio João o Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio; Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.” Lucas 7.33-35.

Certa ocasião, saíram de uma cidade um menino, um senhor de idade e um burrinho. Iam visitar uns parentes que moravam distante. Com uma das mãos o senhor puxava a corda do burrinho e com a outra levava o menino.

Ao passarem debaixo de uma janela alguém disse: “Veja que coisa, eles tem um burro e estão andando.” Ao ouvir este comentário, o homem apressou-se a colocar o menino em cima do burro e achando-se sábio com esta decisão continuou sua jornada. Algum tempo depois chegaram à outra cidade e ao passarem em uma rua alguém que observava o grupo fez o seguinte comentário: “Veja que coisa, este homem idoso andando a pé enquanto este menino jovem e forte fica descansado em cima do burro.” Com este novo comentário o senhor parou, pensou e concordando com a observação subiu no burro e fez o menino caminhar. E assim foi até a próxima cidade, onde alguém inconformado com a cena fez a seguinte crítica ao homem: “Veja que coisa, este homem adulto viajando descansado em cima do burro enquanto esta criança caminha a pé.” Diante desta nova crítica, aquele homem apanhou o menino e o colocou juntamente com ele em cima do burro, crendo que desta vez estaria tudo resolvido.

Para sua surpresa, na próxima cidade, alguém que via os dois em cima do burro disse: “Veja que coisa, estas duas pessoas em cima do burro, isso é uma exploração do animal.”.

Ao ler esta pequena história, várias lições podem ser retiradas do seu texto. Mas prendo-me a uma única lição: é difícil agradar a todos.

No texto de Lucas, Jesus questiona o critério de julgamento do povo e questiona o julgamento conveniente que o povo fazia a respeito dele e de João. Hoje, como foi no passado, é difícil agradar a todos. É preciso ter coragem e dizer não a qualquer coisa que não agrade a Deus. Não mude sua atitude de servo de Deus para ser aceito por seus amigos, parentes, conhecidos. Seja você, seja servo de Deus mesmo sob críticas, mesmo sob acusações. O nosso Deus é justo e julgará o seu povo segundo sua justiça.

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As Estrelas do Mar

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” (Atos 2.42-47)

Um escritor tinha sua casa perto de uma linda praia e, todo dia pela manhã caminhava à beira-mar buscando inspiração para escrever suas histórias no período da tarde. Numa manhã, enquanto fazia sua caminhada matinal, observou um vulto de um jovem ao longe e curioso aproximou-se para ver o que acontecia.

“Bom dia, o que você está fazendo?”, perguntou o escritor ao jovem. Sem parar seu trabalho, o jovem lhe respondeu: “Não vês? A maré está baixa e o sol muito forte, estas estrelas do mar vão secar e morrer”. Ainda sem entender o motivo de tanto trabalho infrutífero, pois o jovem podia estar mergulhando no mar, aproveitando a brisa fresca da manhã e ao invés disso, estava ali diante daquela paisagem maravilhosa devolvendo estrelas do mar ao oceano, retrucou: “E que adianta isso? Há milhares de quilômetros de praia neste mundo, milhares de estrelas do mar em cada praia, e que diferença faz devolver algumas ao oceano?”

O jovem olhou aquele homem, abaixou-se e apanhou mais uma estrela do mar e, segurando-a e mostrando-a, lhe disse em tom sério: “Para esta estrela do mar eu farei a diferença”. O escritor foi-se embora. Diferentemente dos outros dias, naquela tarde não conseguiu escrever. À noite não conseguiu dormir, pois as palavras do jovem ecoavam em sua cabeça: “Para esta estrela do mar eu farei a diferença.” Assim, na manhã seguinte, aquele homem voltou a praia e foi em busca do rapaz e o encontrou no mesmo lugar da praia, devolvendo estrelas do mar ao oceano. Aproximou-se dele, abaixou-se e apanhou uma estrela do mar e disse para si mesmo: “Para esta estrela do mar eu farei a diferença.” E a devolveu ao mar.

Houve um tempo em que a igreja do Senhor Jesus fazia a diferença em qualquer sociedade onde se fizesse representar. Houve um tempo no qual as pessoas que se aproximavam da igreja olhavam para a sua obra, e como o escritor de nossa história achava que aquele amor, aquele envolvimento, aquela dedicação não mudariam um mundo tão grande e com tantas pessoas como o nosso. Mas, não foi bem isso que aconteceu. Dia após dia, novas pessoas foram se apresentando para fazer diferença na sua casa, na sua rua, no seu trabalho, para os seus amigos, para os seus vizinhos, para a sua família, e assim, com tantas pessoas dispostas a fazerem a diferença em mundo tão cheio de maldade e de violência, a igreja de Cristo continuou crescendo.

Seja cada dia mais do Senhor Jesus e faça a diferença onde quer que você vá.

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O Elefante

“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12.1)

Um homem assistia ao show em um circo. Viu a apresentação do elefante e ficou impressionado com a demonstração de força daquele animal. Observou, porém, que antes de sua apresentação aquele enorme animal estava sendo detido por uma corrente que ficava presa ao seu tornozelo a uma pequena estaca de madeira no chão. O homem ficou muito curioso, pois afinal de contas aquele animal poderia arrancar uma árvore do chão com a sua força e estava ali, quieto, preso por uma pequena estaca de madeira, fincada ao chão. Perguntou ao treinador porque aquele elefante não fugia. Como resposta foi informado de que o elefante não fugia porque era amestrado. Não satisfeito questionou ao treinador: “Se o elefante é amestrado, por que ele fica preso então?” O treinador não conseguiu responder a esta pergunta, e o homem foi embora com esta questão na cabeça.

Alguns anos depois, este homem encontrou-se com outro treinador e fez as mesmas perguntas, só que desta vez obteve a resposta. Este novo treinador ensinou-lhe como funcionava o treinamento dos elefantes. Eles são presos ainda bem pequenos à corrente presa na estaca. O pequeno elefante coloca toda a sua força para livrar-se das correntes, mas não consegue. Tenta livrar-se várias vezes, mas como nunca consegue, desiste desta tarefa e nunca mais tentamvencer as correntes que o prendem, apesar de, ao serem adultos e de terem uma força gigantesca, poderem arrebentar as correntes e arrancar não só a estaca do chão como até mesmo uma árvore.

Muitos de nós nos comportamos como os elefantes. Ficamos presos aos nossos pecados, que são como correntes e depois de tentarmos nos libertar utilizando todas as nossas forças e não conseguindo, desistimos e nos tornamos cativos das correntes do pecado.

O escritor do livro dos Hebreus propõe que abandonemos o pecado, olhando com firmeza para todos os exemplos que temos à nossa volta e nos desafia a olhar para frente, confiados no poder daquele que já nos libertou do pecado através de sua morte na Cruz do Calvário, nos fazendo fortes o bastante para sermos liberto do poder do pecado em nossas vidas..

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O Escorpião

          “Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam. Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança. Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus. Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus.” (Romanos 15.1-7)

Dois homens estavam atravessando o rio quando um deles avistou um escorpião que estava se afogando e sendo arrastado pela correnteza. Logo ele entrou no rio e com a sua mão segurou o escorpião tirando-o da água. Quando estava voltando o escorpião o atacou e o picou. Devido à dor o homem o largou, e o escorpião caiu novamente no rio e voltou a ser arrastado pela correnteza. Aquele homem rapidamente correu à margem do rio e apanhando um galho salvou novamente o escorpião. O seu amigo que observara toda aquela cena correu em direção a ele e disse: -“Viu que animal ingrato? Feriu a própria mão que o salvou. Por que você voltou e salvou este animal ingrato? Que morresse, seria menos um no mundo”.

O que salvara o escorpião olhou para o seu amigo e respondeu: “O escorpião agiu seguindo a sua natureza, eu, conforme a minha”.

Essa parábola nos faz refletir sobre como aceitamos as pessoas que estão à nossa volta. Paulo ensina sobre aceitar o próximo com seus defeitos e fraquezas, ensina sobre a nossa responsabilidade na edificação dos que nos cercam, daqueles que estão vivendo conosco “de fé em fé, de glória em glória.”. Muitas vezes somos ligeiros em apontar defeitos e erros dos outros, mas não oramos por eles. Somos ligeiros em estender o dedo na direção do pecador falho, mas nos demoramos a estender a mão em seu socorro e auxílio.

Com certeza todos nós temos muitas falhas e pecados diante de Deus, mas ainda assim, ele continua disposto a nos estender a sua mão como nos diz o profeta Isaias: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida”. Paulo nos desafia a ter para com os outros o mesmo sentimento que Cristo tem por nós. Como na parábola acima, devemos agir segundo a nossa natureza e esta natureza é Cristo.

Que o Senhor Jesus seja a natureza (a essência) de sua vida.

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O Cavalo

           “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” (2Coríntios 4.8-9;18)

Um fazendeiro possuía alguns cavalos que costumava utilizar para os mais diversos serviços em sua fazenda. Um dia, um de seus funcionários veio procurá-lo com a notícia de que um dos cavalos tinha caído em um buraco. O fazendeiro, ouvindo a notícia, pediu ao seu funcionário que o levasse até o local onde o acidente tinha acontecido e, chegando, analisou cuidadosamente a situação do animal e o custo do investimento para resgatá-lo. Depois de muito pensar e fazer contas chegou à conclusão de que não valia a pena bancar o custo para retirar o animal do buraco. Deu ordem ao funcionário para que cobrisse com terra o buraco com o cavalo dentro, evitando assim que outro animal caísse no mesmo buraco e foi embora. O funcionário chamou alguns auxiliares e começaram a jogar terra no buraco para enterrar o cavalo e cumprir a ordem do patrão, porém, todas as vezes que uma pá de terra era lançada em cima do cavalo ele sacudia a terra e pisava nela. Logo, os funcionários perceberam que o cavalo não se deixaria enterrar, e ao contrário disso, ele usaria a terra lançada como um instrumento para sair do fundo do poço. E assim foi, até que saiu do buraco, livre e vivo.

           Paulo era um homem de Deus com autoridade para falar sobre as adversidades da vida, mas ao contrário de muitos, as adversidades eram consideradas por ele como momentâneas diante da graça maior que o esperava. Ele sabia que elas viriam, mas o seu olhar estava na glória preparada por Jesus para o seu povo.

           Considere a história do cavalo e a sua disposição em viver, considere as palavras de Paulo e a sua alegria em viver o presente e esperar a glória de Cristo no futuro. Considere a sua vida, a sua alegria, a sua esperança, e se está abatido, considere o amor de Jesus por você e poderá, como Paulo, enxergar o invisível e ser vitorioso.

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Mais uma lição dos pardais

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

         Os pardais de “Deus cuida dos pardais (mas eu dou comida para eles)” ainda rendem. Meu sobrinho fala dos pardais do “tio Isaltino”. Uma ex-ovelha me enviou e-mail dizendo que eles gostam de água de coco. Só me faltava esta: dar água de coco para pardal. Outro dia Meacir empurrava o portão da garagem e um dos pardais, empoleirado no alto da grade, “presenteou-a” com a emissão devidamente processada e expelida do resíduo da comida que lhes dou (quem lê, entenda). Ela me disse: “Seus afilhados precisam aprender a usar o banheiro”.

 

         Este artigo poderia se intitular ”Os pardais – o retorno”. Porque houve mais algumas lições que tirei do trato com eles. Um deles entrou pela porta da cozinha, que estava aberta, foi para a sala e não soube voltar. A porta da sala para a rua é de vidro blindex, que permite ver de dentro para fora, mas não o oposto. Sem saber o que é um vidro (que estava limpo), o pardal tentou sair e não conseguiu. Batia na porta e voltava. Para piorar, ele via os outros pardais (uns vinte) comendo, pertinho dele, e não conseguia chegar a eles. Agitava-se, aflito. Ouvindo o barulho fomos acudi-lo.

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Dois Momentos de Reconhecimento

Dois Momentos de Reconhecimento

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

O reconhecimento nem sempre é uma virtude encontrada em nosso ambiente. Constantemente ouço queixas de pastores que empregaram longo tempo de seu ministério com uma igreja ou em alguma atividade denominacional e depois saíram, quando muito, com aquelas plaquinhas de “prata”, agradecendo o bom serviço prestado. Junto à plaquinha, alguns comentários desairosos pelos corredores. Aliás, tenho algumas plaquinhas. E recebi alguns comentários, também. Mas não é este o ponto.

No fim deste ano me senti desvanecido e até comovido com a atitude de duas igrejas que pastoreei. A primeira atitude foi da PIB de Manaus. O diácono Ivan Lima me ligou com o convite para pregar na organização da igreja batista no Tarumã, um trabalho que foi iniciado quando de meu pastorado em Manaus. Na época, pesquisei e vi que não havia nem mesmo uma igreja católica na região que vai do aeroporto de Manaus até a Praia da Ponta Negra. Insisti em abrir um trabalho naquele lugar, o Tarumã. Com sua visão peculiar, a Primeira Igreja comprou um restaurante que fechara, com espaço para estacionamento, em lugar aprazível, para começarmos o trabalho. Agora, em novembro de 2008, foi organizada a igreja do Tarumã, sob a liderança do grande amigo Pr. Francisco Brito, e fui convidado para ser o orador no culto de organização. As passagens foram compradas e enviadas, mas no dia anterior à viagem, fui internado num hospital, com infecção pulmonar e intoxicação alimentar, por conta de uma gripe que não tratei, e de uma coxinha que comi e que tinha “intenções pastoricidas”. Agradeço ao meu cunhado, Dr. Frederico, que me atendeu, me internou e cuidou de mim. Ele é a cópia da irmã, minha esposa. Os dois são a personificação da bondade. Não fui à amada Manaus, mas a ida foi reagendada para maio de 2009.

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