Arquivo mensais:Maio 2010

UM ESTUDO EM 1TIMÓTEO

Estudo ampliado do esboço preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os pastores batistas em Cabo Frio, RJ, agosto de 2004

INTRODUÇÃO

As cartas a Timóteo e a Tito são chamadas de “epístolas pastorais”. Na realidade, todas as cartas de Paulo foram pastorais, porque ele as escreveu como um pastor. Mas estas são assim chamadas porque foram dirigidas a dois pastores: Timóteo e Tito. O sentido da palavra “pastoral” aqui ficou quase como sendo sinônimo de “clerical”, uma carta para pastores. Somos pastores. Servem-nos por isto. Paulo, o grande pastor, missionário, o maior teólogo da igreja, tem algo a nos dizer aqui. Vejamos, aprendamos e tenhamos humildade de internalizar.

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O PESO DA EXPERIÊNCIA PESSOAL

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo” – João 9.25

A conversa era tensa. E piorou quando o sinédrio disse: “Dá glória a Deus”, iniciando o diálogo com ex-cego de nascença. Esta frase iniciava o processo por heresia. Normalmente degenerava em condenação. A resposta do inquirido foi desconcertante. Desconhece teologia, mas tem certeza de uma coisa: era cego e agora via. Contra os discursos, exibiu a sua experiência. Mais à frente, o ex-cego fulminou a falação dos teólogos: “Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer” (vv. 32-33).

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A 2ª CARTA AOS CORÍNTIOS

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para núcleos de estudos bíblicos

A data mais recente para esta carta é o ano 57, segundo a maioria dos estudiosos. É a data limite, pois muitos entendem que teria sido escrita antes disto. Paulo passara por Éfeso, pouco depois de escrever a primeira carta aos coríntios, que parece ter sido levada por Tito (2Co 12.17-18).  De lá foi para Trôade, onde esperava encontrar-se com o mesmo Tito, para ser informado do efeito que a sua carta causara na igreja (2Co 2.12-13). Não o encontrando, foi para a Macedônia, onde, por fim, o encontro entre os dois se deu. Foi aí que Paulo ficou sabendo como os coríntios se contristaram com o seu escrito. Aliás, é curioso como as pessoas nem sempre se contristam por andar erradas, mas se entristecem quando são corrigidas. Elas amam o pecado, mas resistem à correção. E, quando corrigidas, ficam tristes. Mas pior é quando as pessoas, ao serem corrigidas, se abespinham, se zangam, e tentam derrubar o obreiro. Muito pastor já perdeu pastorado por mexer em “casas de marimbondo” do pecado de alguém famoso ou de dízimo alto na igreja. Lembro-me da queixa de um pastor que, além de deposto do pastorado, quase foi agredido fisicamente, por não ter aceitado que o filho de um “poderoso” na igreja fosse traficante drogas. O filho do poderoso era membro da igreja e traficante…

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A 1ª CARTA AOS CORÍNTIOS

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para núcleos de estudos bíblicos

Corinto era uma grande metrópole de origem grega. Na realidade, apesar de Atenas ser a capital, era a cidade mais importante da Grécia, por sua localização geográfica. No tempo de Paulo, era uma das maiores cidades do Império Romano, com cerca de 400.000 habitantes, um número considerável, na época (hoje já é bastante!). Ficava a 80 km de Atenas, sendo rota comercial, uma espécie de encruzilhada do mundo da época (por isso que era a mais importante da Grécia). Era a capital da província da Acaia. Paulo implantou o evangelho ali (At 18.1-3), tendo ficado um ano e meio na cidade (At 18.11). Parece que conseguiu muitos frutos em seu trabalho (At 18.9-10).

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PARABÉNS, SR. NEYMAR

Isaltino Gomes Coelho Filho

Não é o Neymar, jogador do Santos, que estou elogiando. É seu pai. Torço pelo Santos, mas esse negócio de “meninos da Vila” é bobeira. Paulo Henrique tem 20 anos e Neymar, 18. Menino é quem tem dez, onze anos, no máximo quinze. Com 18 e com 20 anos, o sujeito já deve ter tomado senso na vida. Já vota, está ou passou pelo serviço militar.  É tempo de tomar juízo.

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QUEIMANDO INCENSO AOS DERROTADOS

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Quando Amazias veio da matança dos edomeus, trouxe consigo os deuses dos filhos de Seir e os elevou para serem os seus deuses, prostrando-se diante deles e queimando-lhes incenso. Pelo que o Senhor se irou contra Amazias e lhe enviou um profeta, que lhe disse: Por que buscaste os deuses deste povo, os quais não livraram o seu próprio povo da tua mão?” (2Crônicas 25.14)

Quando eu era criança, meus pais tentaram me cooptar para torcer por seu time de futebol. Ele, Flamengo. Ela, Fluminense. Duas vezes, pois nasceu no Estado do Rio. Minha mãe deu a cartada final. Haveria um jogo no Maracanã: Fluminense e Porto, de Portugal. Ela disse ao meu pai: “Isaltino, leva o menino para conhecer o Maracanã. Haverá pouca gente, não haverá riscos”.

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OS PARDAIS NOVAMENTE

Isaltino Gomes Coelho Filho

Escrevi três artigos sobre os pardais: “Deus cuida dos pardais – mas eu dou comida e água para eles”, “A volta dos pardais” e “Os pardais e a filosofia”. Este é o quarto, mas a lição veio de um colega, o Pr. Sérgio Vaz, presidente da Convenção Goiana, pastor da PIB de Urias Magalhães, em Goiânia. Em conversa comigo e com Meacir ele falou dos pardais que faziam ninho em sua varanda, onde estávamos. Alguém lhe recomendou que tirasse os ninhos, mas ele se recusou e deu as razões, que alisto a seguir.

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UMA IGREJA VELHA! QUERO UMA IGREJA VELHA!

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Intolerâncias” é o título de artigo de Mauro Santayana, no “Jornal do Brasil”, de 12 de outubro. Começa assim: “Um fiel ‘desequilibrado’ da Assembléia de Deus apedrejou a imagem de Nossa Senhora, durante a procissão do Círio de Nazaré, em Belém. O ‘bispo’ da Igreja Universal do Reino de Deus, Sérgio von Helder, esmurrou e chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida, em programa de televisão visto por milhões de pessoas, faz dez anos hoje – e não era desequilibrado”.

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A BOA E ANTIGA EBD

Pr. Tarcísio Farias Guimarães, PIB de Divinópolis, MG

A história do cristianismo evangélico está claramente marcada pelo empenho em proporcionar ensino bíblico a todos os povos, gerando discípulos de Cristo que conhecem os ensinos do Mestre. Seminários teológicos, editoras, publicações, pregações e distribuição gratuita de Bíblias têm sido alguns meios pelos quais os evangélicos promovem ensino cristão. Destacamos ainda a Escola Bíblica Dominical (EBD), que tem uma história de séculos na promoção do ensino bíblico em todo o mundo.

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PREPARANDO-SE PARA ACERTAR NO CASAMENTO


Uma palestra preparada e apresentada por Meacir Carolina Frederico Coelho, aos jovens da Igreja Batista em Maracaju – MS

INTRODUÇÃO

“As emoções compartilhadas/expressas são ingredientes essenciais nos relacionamentos saudáveis” (Gary Oliver). Quando se pensa em casamento, a preocupação é preparar-se para um relacionamento saudável. Não basta conhecer alguma coisa a respeito da outra pessoa. É preciso abrir o coração, dividir anseios e desejos profundos. Arriscar expor suas dúvidas, medos e inseguranças. Ou seja, compartilhar emoções. Para que assim aconteça, é preciso permitir que Deus renove mentes (1Co 2.16, Rm 12.2, Fp 2.5), cure emoções (Rm 14.1, Ef 4.26 e 5.1-2) e dirija escolhas (Rm 13.12, Ef 4.22-24, Fp 3.13).

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O SÉCULO DAS TREVAS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Mudar-me-ei para Macapá, Amapá, em julho. Leio diariamente dois jornais da cidade, pela Internet, para me familiarizar com meu futuro domicílio. Um dos jornais é o “Diário do Amapá”. Sua edição de 7.5.10 trouxe um editorial sob o título “Século das trevas”. O jornal comenta o assassinato de um homem de 37 anos, em Mazagão, interior do estado, com requintes de crueldade, por quatro delinqüentes.

O que é rotina nas grandes metrópoles ainda soa como novidade na cidade de Mazagão. O editorialista faz algumas observações que eu, particularmente, venho fazendo há anos. Ele se choca com o fato de que o século 21, que deveria ser o século das luzes, é a “Idade das trevas”. Parece ainda nutrir a visão do Iluminismo racionalista de que o progresso científico, econômico e social traria o novo Éden para a humanidade. É a visão ingênua que diz “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”. Como os formadores de opinião são lentos em entender isto! Criaram uma visão mecanicista do homem. Ele é uma máquina que pode ser programada e condicionada e produzir os resultados que se esperam dele. Ele apenas responde a estímulos e a condicionamento social, quer sejam estes de ordem cultural ou econômica. Mas o articulista entende que o homem é corrupto e criminoso, apesar de receber educação.

A certa altura diz o editorial: “Vive-se hoje no Brasil, a mais a absoluta inversão de valores. O homem honesto é visto com desconfiança em muitos gabinetes oficiais. O homem correto, aquele que devolve ao dono aquilo que não é seu quando encontra, por acaso, uma quantia em dinheiro ou objeto de valor é chamado de otário. A mulher virtuosa é discriminada, como se a depravação moral que domina a sociedade fosse o correto e o normal”. Viu bem. Há uma absoluta inversão de valores. Cresce o cinismo e acua-se o que era visto como virtude. A maior parte das leis hoje, para exemplificar isto, é para tirar limites, e não para impô-los. Há uma espécie de “Liberou geral, galera!”, nos meios de comunicação e na cultura em geral. Se alguém discordar de minha posição religiosa, exerce seu direito de opção. Se eu discordar da opção sexual de alguém (eu achava que sexo não fosse opção, que viesse de “fábrica”) serei criminoso. Que radicalismo! Que parcialidade! Há um lento e laborioso processo de desconstrução de valores e da cultura, em geral. Acua-se cada vez a pessoa que tem valores e exalta-se quem os demole.

Caminho com o autor do editorial até um ponto. Dissocio-me da caminhada com ele quando ele diz que a causa de nossos males é a impunidade: “Infelizmente, a maior mazela de quantas se abatem sobre o Brasil de hoje e de sempre é a impunidade”. Creio que sua visão, aqui, foi pouco clara.

A impunidade é uma desgraça, mas não é a causa de nossas mazelas. Ela as amplia, mas nossas mazelas se devem ao pecado humano. A imagem de que o homem é bom, e que seus problemas são deficiências de educação e de bens, escassez de lazer e semelhantes, é um engodo. O século 20, que deveria ser o século das luzes, viu duas guerras mundiais. Viu monstros como Hitler, Stalin, Idi Amin, Bokassa, Mao Tse-Tung, etc. Não vimos o Éden. Vimos Treblinka e Auschwitz. Vimos Hiroshima e Nagasaki. Desde 1789, quando da Revolução Francesa, coroa do Iluminismo, não houve um só dia em que pelo menos duas nações não estivessem em guerra, na face da terra.

Não sou ingênuo e nutro uma péssima imagem do ser humano. E explico: sou um cristão, que crê na Bíblia, e ela menciona, repetidas vezes, que o homem é pecador, é mau, carrega a maldade dentro de si. Billy Graham disse bem: “O homem é exatamente que a Bíblia diz que ele é”. Não é a sociedade que torna o homem mau. Ele torna a sociedade má. Ele é um rei Midas às avessas. Tudo que Midas tocava se tornava em ouro. Tudo que o homem toca se arruína. A Bíblia diz que o homem é pecador e que seu problema é espiritual. Que ele precisa se acertar com Deus. Mas diariamente, quem crê em Deus, é ridicularizado. A fé cristã é mostrada como tolice de quem vive numa Idade das Trevas mental. A humanidade descrê de Deus, zomba de valores religiosos, apregoa que o homem é um macaco aperfeiçoado, apenas matéria, e espera que haja um comportamento digno do homem? Ora, se valemos tanto quanto um macaco, um feixe de capim ou um monte de estrume de boi, se somos apenas matéria, que dignidade há em nós ou no nosso semelhante? Se não há dignidade intrínseca do ser humano, por que esperar bondade dele? Por que praticar bondade? Por que esperar resultados morais se não há valores morais, por absoluta ausência de referenciais? Como bem disse Dostoievski, “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Sem um absoluto, tudo é relativo! Isto é acaciano! Destroem-se valores, zomba-se da retidão, reprimem-se os críticos da imoralidade, chamando-os de “fundamentalistas”, e se espera virtude? C, S. Lewis disse bem: “Caçoamos da honra e nos surpreendemos ao encontrar homens desonrados entre nós”.

E o editorial, bem escrito, termina com esta expressão: “E tal qual um novo Cícero, pergunto aos senhores da vida e da morte de todos nós: “Quousque tandem, abutere patiencia nostra…?”, ou seja, até quando – senhores da política – abusarão da nossa paciência?”.

Vou terminar parafraseando-o, também em latim: “Quousque tandem, abutere patientia divinae?”. Até quando os homens continuarão virando as costas para Deus, e acharão que são capazes de se curarem a si mesmos? Tentar resolver o problema do homem com recursos humanos é como tentar se levantar pelos cordões dos sapatos. O homem precisa de Deus. Precisa do evangelho de Jesus. Ele é tão corrupto e tão pecador, que muitos desfiguram o evangelho e o torcem para formar impérios econômicos. Se torcem coisas santas como o evangelho, por certo que com mais facilidade torcem os valores humanos.

O nosso século não é das luzes. É das trevas. E a Bíblia mostra que o pecado são trevas. Mostra, ainda, que Jesus é a luz. É num coração transformado por Jesus que o mundo pode ser melhorado. O resto é ingenuidade. O ingênuo não é o que crê no evangelho. Ingênuo, mesmo, é que não crê, que lhe vira as costas, e tenta mudar o mundo. É preciso muita fé para crer assim. E fé deste tamanho eu não tenho.

O ERRO DO POLITICAMENTE CORRETO

Isaltino Gomes Coelho Filho

” disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais” – João 8.11

O “politicamente correto” tem pontos positivos, como evitar o desrespeito a pessoas e instituições, mas tem sido usado como cerca contra críticas e discordâncias de comportamentos. Discordar é ser mal visto. Ou, o que parece ser o pior rótulo hoje em dia, “preconceituoso”. Esta parece ser a grande nódoa de qualquer pessoa ou o novo pecado imperdoável: ser preconceituoso. Geralmente se pespega o rótulo a quem não aceita certo tipo de conduta. Quando alguém não concorda com o homossexualismo, logo é taxado de preconceituoso. Mas se alguém não concorda com minha fé, não é preconceituoso. Tem convicções. Isto se parece com a postura daquela moribunda ideologia política que clama por liberdade e, ao chegar ao poder, nega-a aos discordantes. Os não preconceituosos são preconceituosos com seus discordantes.

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