Arquivo mensais:junho 2009

A parábola da denominação rejeitada

Isaltino Gomes Coelho Filho

Um dia, Deus, o Todo Poderoso, o Pai de Jesus, decidiu dar um basta. Era hora do juízo. Jesus fizera uma afirmação enfática (“E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” – Mt 24.15) e ele iria cumpri-la. Antes do juízo, haveria um grande avivamento, com seu povo proclamando ao mundo a salvação em Jesus. A obra missionária teria um avanço como nunca, em toda a história. Ele não tinha preferência por nenhuma denominação, pois aceitava a todas, mas achou que uma, bem estruturada, com séculos de existência, e com igrejas em todos os países do mundo, poderia ser a ponta de lança do movimento. No passado, ela tivera grandes evangelistas e missionários.

Ele enviou seus anjos a diversos segmentos desta denominação. Eles ficaram alvoroçados. Pregar o evangelho era algo que eles mesmos quiseram fazer e Deus não deixara, confiando a tarefa à igreja (1Pe 1.12). Eles deveriam ir a vários líderes desta denominação e lhes dizer o que Deus iria fazer e o que esperava deles. Que alarido! Por fim, as coisas iriam se ajeitar. Chegara a hora!

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Uma ética cristã para hoje

Um estudo em Mateus 5.1-3, preparado originalmente para a revista “Você”, da UFMBB

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

A Ética é um dos ramos da Filosofia. Trata da conduta ideal do indivíduo. Tem muito a ver conosco, cristãos, porque um dos pontos mais fortes da vida cristã é a conduta diante do mundo. Ou seja, como devemos proceder no mundo. Há até um ramo da Ética chamado de Ética Cristã.

Refletir sobre ética, a conduta ideal do cristão no mundo, é bastante oportuno. Afinal, seguir a Cristo não é viver na igreja cantando, mas é viver no mundo. Jesus orou pelos seus seguidores nestes termos: “Não peço que os tires do mundo, mas que o guardes do Maligno” (Jo 17.15). Vivemos no mundo, não dentro da igreja. Então, como vier corretamente?

Nosso ponto de partida será o chamado “Sermão do Monte” de Jesus, contido em Mateus, capítulos 5 a 7. É o mais famoso discurso religioso de todos os tempos. Trata-se de um primor literário e também de conteúdo. Se todas as pessoas, inclusive nós, cristãos, o praticassem, o mundo seria um paraíso. Ele é considerado como “a constituição do reino de Deus”. Jesus veio pregando o reino de Deus, logo após a tentação no deserto (Mt 4.1-10), começou a pregar e a pregar o reino de Deus. O sermão do monte estabelece as regras de conduta do cidadão do reino. Continue lendo Uma ética cristã para hoje

A bênção da dor no coração

Um estudo em Mateus 5.7, preparado originalmente para a revista “Você”, da UFMBB

Bem-aventurados os misericordiosos…” Mateus 5.7

Em nosso estudo da ética do sermão do monte, estamos analisando as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus. Chegamos à quinta, que tem uma estrutura diferente das demais. Ela é retribuidora. Explico. Nas bem-aventuranças anteriores, a pessoa era algo e por isso recebia alguma coisa. Nesta, a pessoa receberá o que ela é. Na realidade, não se diz que receberá o que é, mas que alcançará para si o que faz aos outros. É como se fosse algo que está lá, esperando por ela.

Quem for misericordioso alcançará a misericórdia. Vivemos num mundo em que o negócio é ser forte, competitivo, em que os fracos vão caindo pelo caminho. E quem deseja vencer e triunfar na vida precisa sobrepujar os outros. É a ética do mundo. Quem tiver a boca maior engole o outro. Mas o cristão é exortado a usar de misericórdia para alcançá-la para si. Vamos ver o que Jesus pretendia nos ensinar com esta bem-aventurança.

O que é misericórdia?

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Alegria demais faz mal

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Uma amiga, cristã dotada de sólida convicção, casou-se com um homem não convertido a Cristo. Com seu testemunho, em pouco tempo conseguiu levá-lo à conversão. A partir daí, veio a busca de uma igreja onde os dois se integrassem. Ela se preocupou mais com ele, porque era um crente novo. Visitaram uma igreja perto de sua casa. O marido, ganho para Cristo em casa, não tinha convivência eclesiástica. Achou o culto muito alegre. Tão alegre que disse que não gostaria de ficar naquela igreja. Segundo ele, não suportaria tanta alegria. Morreria de tão alegre. Tendo senso crítico aguçado, notou que aquilo não era natural. Ele não morreria. Talvez morresse seu interesse pelo evangelho.

Ri com a história, mas fiquei a matutar (paulista do interior matuta) sobre o excesso de “alegria” em alguns cultos. As pessoas mal se conhecem, e suas vidas, fora do salão de cultos, não se tangenciam. São vividas separadamente. Mas há um momento no culto em que elas devem sorrir umas para as outras, cumprimentá-las e dizer que as amam, enquanto entoam algum cântico. Não sabem os nomes umas das outras, desconhecem as lutas dos outros, mas sorriem e dizem que se amam. Qual o conceito de amor por trás disto?

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Gente que queira ser gente

Isaltino Gomes Coelho Filho

Nos anos sessentas, os religiosos deram ao mundo o pastor batista Martin Luther King Jr., Prêmio Nobel da Paz. Nos anos oitentas, trouxeram ao cenário mundial o bispo anglicano Desmond Tutu, também Prêmio Nobel da Paz. Nos anos noventas, foi a vez de Madre Teresa de Calcutá, agraciada, também, com o Nobel da Paz.

Depois vimos gente dando pontapé em santa, pela televisão. Vimos fotos de Roberto Marinho, sendo comido por baratas, em um programa religioso. Ouvimos um ministro religioso dizer, pela televisão, com todas as letras, que “conosco não tem essa de levar um tapa e virar a outra face; conosco é bateu, levou”. Por fim, ouvimos falar de jihad, de “guerra santa”. Uma pergunta que se pode fazer é esta: “Mudou a religião ou mudei eu?”

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Por quê?

Um sermão pregado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho no sepultamento de uma menina de colo, dirigido particularmente a seus pais, embora destinado a toda a igreja. Os nomes da menina e dos pais são omitidos, mas a mensagem é publicada na expectativa de que ajude alguém.

Esta é a primeira pergunta que nos vem à mente: “por quê?”.

Por que motivo Deus leva uma criança inocente, privando-a da vida, e permite a existência de tantos patifes e bandidos? O rabino Kushner, um dos mais lúcidos do judaísmo contemporâneo, escreveu um livro intitulado Quando Coisas Ruins Acontecem Com Pessoas Boas. Não tratou de teorias ocas e de palavras rebuscadas. Partiu de uma situação pessoal. Seu filho foi acometido de progeria, envelhecimento precoce. Com oito anos de idade já estava calvo, perdera os dentes e tinha a pele enrugada. Faleceu aos treze anos de idade, aparentando oitenta. “Por quê?”, foi a pergunta que ele se fez a si mesmo.

Perdi minha mãe aos meus catorze anos. Ela estava com trinta e dois anos. Esta foi minha pergunta: “Por quê?”. Por que há tantas mães velhas e a minha morre jovem? Por que tinha que ser a minha? São dois aspectos da pergunta: “Por que aconteceu?” e “Por que comigo?”.

Qual é a resposta?

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Apresentação do livro “O Pai Nosso – A oração que Jesus ensinou”

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Em 2009, designado pelo autor como o seu ano sabático, Isaltino Gomes Coelho Filho escreveu quatro livros em cinco meses de trabalho de oito até dez horas por dia. Este seu 31º livro  e o quarto do seu período de “descanso” é sobre o Pai nosso – a oração modelo de Jesus.  É também um convite às disciplinas espirituais como oração e estudo da Palavra. Ao ler e ao mergulhar nestas páginas o nosso desejo é de orar o Pai Nosso como se fosse a primeira vez e ao mesmo tempo colocar em prática os ensinamentos que cada capítulo traz. A proposta do autor não é só trazer o conteúdo teológico da oração modelo do Senhor Jesus, mas também o significado espiritual para nossa vida, hoje, neste século em que vivemos. Deus é Pai de todos nós, o Pai da Igreja. Este chamado para a comunhão com os irmãos que estão diante do Pai é muito forte neste livro.

Ler qualquer artigo ou livro do Isaltino é ficar extasiado e boquiaberto com as sutilezas que ele destaca, é ficar indignado como ele nas colocações que faz. O autor é quase o “último dos moicanos” de uma geração que aprendeu a não ter medo de colocar o dedo na própria ferida até sangrar para cicatrizar. Alguns abandonaram esta idéia, mas ele parecendo um daqueles profetas que ele bem conhece do Velho Testamento, pois é Mestre, academicamente falando, nesta área, sai instigando nossas mentes com seus livros. Já li oito deles e o sentimento que passa em minha mente é sempre o seguinte: Puxa, mas eu queria ter dito isto; Ah, eu sempre pensei assim ou Como não pensei assim antes?

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Apresentação do livro “Excelência no ministério pastoral”, do Pr. Vanderlei Marins

Apresentar um livro do Pr. Vanderlei Marins é ponto no currículo. Quem o conhece, respeita-o e sabe de sua integridade ministerial. Tempos atrás, pediram-me os nomes dois obreiros que, eu entendia, melhor personificavam o ministério pastoral. Citei dois, João Falcão Sobrinho, com quem me converti, com quem me decidi para o ministério e que moldou minha vida cristã, e Vanderlei Marins, com quem convivi esparsamente, mas o suficiente para me impressionar com seu caráter.

A impressão se robustece a cada contato e mais ainda na leitura dos originais de Excelência no Ministério Pastoral. Sobretudo porque o autor cumpriu o que prometeu, comunicar mais que conceitos e “compartilhar convicções”. Isto tem faltado ao ministério: convicções. Há conveniências de sobra. Gente sem rumo, sem projeto, desejando apenas notoriedade e, para tal fim, comprometendo a dignidade do ministério pastoral. No capítulo “Atuação do pastor”, Vanderlei já põe as cartas na mesa. Pelo dedo se conhece o gigante, pelas linhas iniciais se conhece um bom livro. Como é bom ler alguém dizer que o pastor precisa entender que a igreja está acima dele! Há pastores que usam a igreja, que contornam sua autoridade, que não a amam, mas apenas a seus ministérios. A igreja está acima de nós. Ela é de Cristo e o pastor não é seu dono, mas apenas toma conta dela para o Dono.

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Apresentação de “Família – Vale a pena acreditar”

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Pela primeira vez em sua história, a civilização ocidental encara o desafio de ter que definir o significado dos termos “casamento” e “família”. O que até recentemente era considerado uma família “normal”, constituída de um pai, uma mãe, e um determinado número de filhos, tem sido visto, nos últimos anos, como mais uma dentre tantas opções, que não pode mais alegar ser a única forma, muito menos a forma superior, de se ordenar os relacionamentos humanos.

A visão judaico-cristã do casamento e da família, com suas raízes fincadas na Escritura Sagrada, tem sido ampla e significantemente trocada por valores que superestimam os direitos humanos, a auto-realização e o utilitarismo pragmático, em detrimento da verdade e do amor ao próximo, tanto em nível individual, quanto social. O resultado é que o casamento e a família estão sitiados, vivendo sob o ataque de toda sorte de forças. E com o casamento e a família, a própria civilização ocidental está ameaçada, fadada à ruína.

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Grego ou bíblico?

Isaltino Gomes Coelho Filho

Em preleção no Colgate-Rochester Divinity School, depois posta em livro, o pensador Manson cotejou os modos de pensar grego e hebreu. Ao falar da A República, de Platão, Manson mostrou haver insensibilidade para com os inferiores, pois a sociedade acaba dividida em rígido sistema de castas. Renato Pompeu de Toledo, no Jornal da Tarde, de 2.6.97, escreveu: “Num de seus (Platão) primeiros diálogos, sobre a Amizade, se defende a tese de que o escravo deve ter muito menos direitos do que um ser humano livre. No diálogo sobre as Leis, no livro 6º, o Ateniense, pela boca de quem Platão fala, afirma que “os escravos serão mais facilmente mantidos em sujeição” se se reunirem numa mesma propriedade e num mesmo Estado escravos que falem diferentes línguas e assim não possam comunicar-se entre si. No livro 8º, o Ateniense simplesmente afirma: “Se um escravo pegar qualquer fruta sem o consentimento do proprietário do terreno, ele será espancado com tantos golpes quanto houver de bagos de uvas no cacho, ou figos na figueira”.

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Ética e fé

Isaltino Gomes Coelho Filho

Definir um evangélico é, hoje, problemático. Cada grupo alardeia sua superioridade ou sua “diferencialidade”. Para uns, um bom evangélico possui determinados dons. Para outros, conhece doutrinas e sabe manusear a Bíblia para refutar os demais, os “hereges”. Há os que têm uma cultura de gueto: mulher não cortar cabelos nem usar cosméticos, e a indefectível gravata masculina. Em outras mentes, um evangélico é um “sarado” e possuidor de bens materiais. A teologia da prosperidade cristianizou o consumismo, o que se vê em declarações como “Deus prometeu deixar todos nós ricos”. Ai dos mártires e pobres!

Crer na Bíblia como Palavra de Deus é um parâmetro insuficiente. Mórmons e testemunhas de Jeová crêem. Todas as seitas exóticas têm o mesmo discurso. E algumas são enfáticas: a Bíblia somente. Um somente explicado pelo grupo. O discurso institucional triunfa, em muitos segmentos, sobre o ensino bíblico. São os óculos pelos quais se lê a Bíblia.

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Falha humana e graça divina


Uma palestra preparada e apresentada por Meacir Carolina Frederico, para as senhoras da Igreja Batista Nova Vida, Valparaíso de Goiás

“Um carregador de água levava ao seu rei dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta da vara a qual carregava atravessada em seu pescoço.

Um dos potes tinha uma rachadura e vazava muita água, enquanto o outro era perfeito. Foi assim por muito tempo. O carregador entregando um pote cheio e outro pela metade.

O pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição e sentia-se muito triste por ser incapaz de realizar o seu trabalho.

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Selvageria no futebol e o papel das igrejas

Isaltino Gomes Coelho Filho

Outra manifestação de selvageria no futebol: torcedores do Corinthians atacaram torcedores do Vasco da Gama, o que causou a morte de um e ferimentos em outros. A notícia começa assim, em site da Internet: “As investigações da Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) podem fazer com que até 22 corintianos respondam, presos, por terem participado da briga com os vascaínos. Nesta quinta-feira, pelo menos cinco haviam sido indiciados” (5.6.9). A coisa foi feia: “Segundo a delegada Margarette Barreto, no confronto de ontem foi possível encontrar barras de ferro, facas e veículos manchados com sangue em poder de torcedores que serviram de indícios para justificar suas prisões em flagrante”.

Como sempre, dão-se justificativas, fala-se de paz no futebol, e talvez alguma campanha com atraentes slogans seja lançada, e seus autores sejam elogiados pela iniciativa. Há anos que isto acontece: briga de torcidas, mortes, violência mortal. Há anos que surgem “campanhas de conscientização” (devemos ser o país mais conscientizado do mundo, tantas são as campanhas) porque tomar providências é repressão, e isto não é correto. Quando é que ações serão tomadas, no lugar do blábláblá conscientizador? As campanhas falham porque partem de um pressuposto: o homem é bom, e lhe falta educação. Informado, educado, conscientizado, ele se redime por si mesmo. Como se quem construiu as câmaras de gás nazistas não fossem engenheiros… Como se doutos pastores não tivessem saudado o nazismo, como outros saudaram o comunismo como redentores da humanidade. O problema humano não é mais ou menos educação, embora ela seja necessária. É pecado. Mas a cultura positivista da intelectualidade brasileira nos moldou com a idéia de que o progresso vem pela ciência, pelo estudo, pela educação. Religião é coisa ultrapassada. E muitas igrejas e pastores têm sido moldados pela cultura secular, e não pelo evangelho.

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O melhor é um ministro e igreja com visões de ministério ajustadas

JAIR FERNANDES
ESPECIAL PARA O BATISTA BAIANO

Isaltino esteve em Feira de Santana no fim de março para pregar nas conferências do sétimo aniversário da Igreja Batista Nova Alvorada e também falou a pastores e líderes da região sobre liderança eclesiástica, tema desta entrevista, concedida após o culto da noite do domingo (29) e com trechos compilados, com autorização do autor, do texto base da palestra.

Em sua palestra, você apontou dois tipos de liderança a partir do quesito da autoridade. Quais seriam?

É preciso ressaltar que autoridade, aqui, não significa mando, mas reconhecimento e aceitação. O primeiro tipo é a liderança extrínseca, que vem pela força do cargo, quando uma pessoa é elevada a uma função, hierarquicamente, e as pessoas a acatam. É obedecida mas não necessariamente acatada ou reconhecida. Há gerentes que são gerentes por tempo de serviço ou relacionamento com alguém da cúpula, mas não são líderes. O trabalho é, via de regra, uma bagunça. Mantém-se por uso de disciplina, risco de demissão, etc. O segundo tipo é a liderança intrínseca.

Como funciona esse tipo de liderança intrínseca?
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O Piauí e o Mato Grosso do Sul são frios, o Canadá é um país tropical e o tomate é marrom

Isaltino Gomes Coelho Filho

Explico o título. Decidi seguir uma hermenêutica teológica e assim analisei o mundo por ela.

Estive em Teresina por cinco dias. Falei ao Seminário de Teresina, às Ordens de Pastores das Convenções do Meio Norte e Piauiense. Choveu o tempo todo. Até fez frio. Eu vi teresinenses agasalhados. Houve algo inusitado: um rapaz foi atravessar uma enchente com sua moto, esta foi derrubada e ele morreu afogado numa das ruas de Teresina. Além de frio, o Piauí é alagadiço. Os livros e a Internet dizem que não. Mas eu experimentei. Eu tive a experiência de que o Piauí em geral e Teresina em particular são frios e alagadiços. É preciso roupa de frio para viver lá. Eu tive esta experiência. Se outros não a tiveram, paciência, mas eu tive, e minha experiência é real. Não importa o que está escrito e o que seja. Eu senti.

Em Campo Grande foi pior. Preguei na igreja do Pr. Oswaldo Bomfim, colega de turma no Seminário do Sul. Que frio! Dizem que uma das noites deu 6 graus. Acredito! Voltei para casa num vôo de 5h30 da manhã e o vento cortava meu rosto enquanto caminhava para o avião. O Mato Grosso é gélido. Estão errados os livros e os que dizem que não. Minha experiência prova que o Mato Grosso é frio e se precisa de agasalhos pesados para viver lá.

Estive no Canadá. Fazia 31 graus, com um sol seco, ardido. As pessoas se banhavam no lago Erie, porque o calor era forte. Vi que o Canadá é um país tropical, muito quente. Não adianta os livros dizerem que não. Eu tive a experiência de que o Canadá é quente e seco, com um clima ardido. Até suei lá.

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A Noiva Descabelada

Isaltino Gomes Coelho Filho

A figura de “noiva descabelada” foi usada por um obreiro valioso, falando da necessidade da igreja se santificar. Segundo o colega, Cristo virá buscar sua noiva, mas não uma noiva descabelada.

Mas virá, sim. Ele virá, encontrará e levará consigo uma noiva descabelada. A igreja precisa muito de santidade. Creio que esta é sua maior necessidade. Mas não é a santidade que a levará para morar com Cristo. É a graça dele. Não seremos levados por causa de nossa santidade, mas por causa da graça. Fomos salvos pela graça. Seremos levados pela graça.

A igreja sempre andou descabelada. Nunca foi perfeita. O apóstolo Paulo trabalhava para apresentar a igreja como “virgem pura” a Cristo (2Co 11.2), mas nunca pensou numa igreja perfeita, sem um fio de cabelo fora do lugar. Tanto que alguns serão salvos “como que pelo fogo” (1Co 3.15). Imperfeição sempre foi a marca da igreja. Não nos equivoquemos: somos salvos, mas ainda somos pecadores e ainda pecamos. E ainda pecaremos. Nunca chegaremos à impecabilidade, porque se assim fosse, a graça seria desnecessária. A graça de Deus o faz aceitar descabelados. Não seremos salvos pela perfeição do nosso penteado, mas pela graça de Deus em Jesus Cristo. Salvação é graça e não mérito. Santidade é necessária, mas é a graça que salva. Como disse Petersen, bem humorado: “Nenhuma igreja jamais existiu em estado puro. É composta de pecadores. As pulgas acompanham o cachorro”. E Lutero: “A face da igreja é a face do pecador”.

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