Arquivo mensais:outubro 2010

“DEPOIS ENTENDERÁS”

Isaltino Gomes Coelho Filho

Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás” (João 13.7).

Para Pedro era absurdo Jesus lavar-lhe os pés. Isto era tarefa de escravos, ou de alguém que fosse inferior ao que tinha os pés lavados. Jesus era o líder, o mestre deles, como poderia lhe lavar os pés, a ele, Pedro? Ele deveria lavar os pés de Jesus! Jesus insiste; quer lhe lavar os pés.

Continue lendo “DEPOIS ENTENDERÁS”

OS ERROS DO ESPÍRITO SANTO

Isaltino Gomes Coelho Filho

Pare evitar melindres, digo logo que o título é retórico, e não literal. Perco parte do impacto, mas evito logo os caçadores de heresia. Não tenho muita paciência com gente que procura chifre em cabeça de cavalo, e por isso esclareci logo.

Filipe estava pregando para uma multidão, e o Espírito o removeu para o deserto. Tirou-o do meio de um trabalho de massa e de grande impacto. É que lemos em Atos 8.12-13: “Mas, quando creram em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus, batizavam-se homens e mulheres. E creu até o próprio Simão e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e admirava-se, vendo os sinais e os grandes milagres que se faziam”. Filipe tivera discernimento e fora para a Samária: “E descendo Filipe à cidade de Samária, pregava-lhes a Cristo. As multidões escutavam, unânimes, as coisas que Filipe dizia, ouvindo-o e vendo os sinais que operava; pois saíam de muitos possessos os espíritos imundos, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados” (At 8.5-7). Lá surgiu um avivamento e muitas conversões aconteceram.

Continue lendo OS ERROS DO ESPÍRITO SANTO

E COMEÇA A HISTÓRIA DA SALVAÇÃO

Certo dia o Deus Eterno disse a Abrão: -Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa do seu pai e vá para uma terra que eu lhe mostrarei. Os seus descendentes vão formar uma grande nação. Eu o abençoarei, o seu nome será famoso, e você será uma bênção para os outros” (Gênesis12. 1-2)

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Neste texto começa a história da salvação. Dois componentes muito fortes da teologia da salvação já surgem aqui, e muito bem delineados: Deus fala e o homem responde. Deus falando é a graça. O homem respondendo é a fé. A salvação tem a graça do Deus que fala. E tem a fé, que é a resposta do homem. Salvação é junção de graça e fé: “Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês; portanto, ninguém pode se orgulhar de tê-la” (Ef 2.8-9).

Continue lendo E COMEÇA A HISTÓRIA DA SALVAÇÃO

UM NÃO SEI QUÊ, TRISTEZA DO INFINITO, SAUDADE DE DEUS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da IBC de Macapá, 31.10.10

Relendo Camões, reencontrei um dos seus sonetos que conclui com este terceto:

“Que dias há que na alma me tem posto

Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como, e dói não sei porquê”.

O gênio maior de nossa língua foi melancólico. Como o catarinense Cruz e Souza, que assim termina, na duodécima quadra, a poesia “Tristeza do Infinito”:

“Ah! Tristeza imponderável!

Abismo, mistério aflito,

Torturante, formidável…

Ah! Tristeza do Infinito!”

Numa ocasião fui à Igreja Luterana, na Av. Rio Branco, em S. Paulo, ouvir o Pr. Eugênio Foheringer, amigo de Marília, onde pastoreei a PIB e ele, a Igreja Luterana. Ele não estava. Pregou um jovem que narrou sua saída do interior de S. Catarina para S. Paulo. Falou do susto com a cidade que não dorme, da saudade da vida calma do interior de seu estado, da saudade de casa e da comida da mãe. Veio-lhe profunda melancolia. De férias, voltou à cidade natal. Reviu-a, reviu a família, comeu a comida da mãe. Continuou melancólico. Uma saudade que não sabia de quê, nem de onde nem porquê. Domingo, ao tocarem os sinos da igreja, ele, que desde que saíra de casa, se afastara da igreja, entendeu. Era tristeza do Infinito, a falta de algo maior que ele. Saudade de Deus.

Deus “pôs na mente do homem a idéia da eternidade, se bem que este não possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim” (Ec 3.11). Em toda a criação, só o homem tem a idéia de eternidade, conta o tempo e tem noção de morte. É o único que sabe que é finito e que vai morrer. Uma vez vi um potro morto. Atropelado. Sua mãe tentava levantá-lo, pois não entendia o sucedido. Não sabia o que era a morte. O homem sabe. Sabe que vai morrer. Sabe que a vida é mais que os dias de sua existência. E no fundo, por ter na mente a idéia de eternidade, junto com sua finitude, tem crises. Só ele pergunta “Quem sou? De onde venho? Para onde vou? Por que estou aqui?”. Tristeza do infinito.

O cristão tem rumo espiritual. Sabe de onde veio e para onde vai. Sabe que a vida tem sentido. Paulo explica: Deus “que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos, sendo agora revelada pela manifestação de nosso Salvador, Cristo Jesus. Ele tornou inoperante a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade por meio do evangelho” (2Tm 1.9-10). É a luz do evangelho.

Camões e Cruz e Souza falaram do vazio emocional e existencial próprios do homem. Há uma resposta. O evangelho mostra que há sentido na vida e que não precisamos ter saudades. Não se tem saudade de quem está conosco. Deus caminha ao lado de quem crê em Jesus. Não se tem tristeza do Infinito porque o Deus Infinito, na sua graça, nos acompanha.

Você está em paz? Ou há uma tristeza “que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê”? É saudade de Deus, tristeza do Infinito. Em Jesus, o Infinito se tornou finito, e nos deu a paz. Com ele, a vida vale a pena e tem sentido. Tudo é diferente. Com ele, a pessoa sabe para onde vai, com quem anda, e em quais mãos a vida está. Ande com Jesus.

UMA IGREJA PRA MIM

Isaltino Gomes Coelho Filho

Alguém me disse que encontrou em Macapá, uma pessoa que não via há tempos. Perguntou-lhe o que viera fazer na cidade, pois se mudara há tempos. A resposta foi: “Vim construir uma igreja pra mim”. A resposta a surpreendeu. A mim, não. Já notei que “igreja” se tornou uma franquia religiosa, que qualquer um pode organizar segundo padrões pessoais, sem se preocupar com conteúdo. Basta dar às pessoas o que elas querem ouvir, não fazer exigências, só promessas, e terá campo livre para manipulá-las. Ensinar a Bíblia? Firmar padrões bíblicos? Falar de disciplina? Isto afasta a clientela.

“Construir uma igreja pra mim”. Muitos pastores têm agido assim, em parte por vaidade e em parte para se livrar de oposição na administração da igreja. É um dado para pensar que as igrejas sob regime monárquico se desenvolvem mais que as igrejas com espaço democrático. Infelizmente, há muitas pessoas que buscam carreira e honraria na igreja, querendo impor visão pessoal, e se valem da democracia eclesiástica. Há pastores donos de igreja, mas há membros de igreja que se julgam seus donos. E brecam qualquer ação que lhes reduza o poder. O trabalho emperra. Uma igreja para mim.

Continue lendo UMA IGREJA PRA MIM

O PROFETA EZEQUIEL

Apostila preparada pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

1. TÍTULO – O título do livro deriva do nome do profeta, que é em hebraico Yehezqe’l, traduzido como Ezequiel, e que significa “Iahweh fortalece”.

2. AUTOR – Filho de Buzi, sacerdote da linha de Zadoque (1Rs 2.26, 27, 35; Ez 1.3; 40.46; 44.15) em 622 a.C., no auge da reforma do rei Josias em Jerusalém.  Ele começou seu ministério aos 30 anos (Ez 1.1) como qualquer sacerdote (Nm 4.3), no ano 592 a.C., o quinto ano do cativeiro do rei Joaquim (Ez 1.2,3).  Jeremias nasceu em 647 a.C., uns 25 anos antes, e começou seu ministério aos 20anos (Jr. 1.1-3)  Daniel tinha mais ou menos a mesma idade de Ezequiel.

Ezequiel tinha 17 anos quando da primeira invasão de Judá pelos babilônios em 605 a.C., ocasião em que Daniel e outros príncipes foram levados presos a Babilônia.  Oito anos mais tarde, em 597 a.C., Ezequiel, com 25 anos de idade, foi levado preso a Babilônia junto a 10.000 nobres (artífices, ferreiros) e os tesouros do templo e palácio real (2Rs 24.13-16).

Alguns dos deportados foram colocados em prisões, outros foram feitos escravos; mas à maioria foi permitido morar em suas próprias casas, em colônias judaicas (Jr 29.5-7; Ne 7.61).  Ezequiel recebeu esta liberdade, vivendo em Tel-Abibe, cerca de 80 km. a sudeste da Babilônia (240 km ao sul da moderna Bagdá), junto ao rio Quebar, um grande canal do rio Eufrates que corria em volta da cidade de Babilônia entre os rios Eufrates e Tigre (Ez 1.1; 3.15; Sl 137.1).  Talvez Daniel, governador da província de Babilônia sob  Nabucodonozor desde 603 a.C., arranjou este lugar fértil (Tel-Abibe significa “outeiro de grão”) como colônia dos seus conterrâneos.

A casa de Ezequiel tornou-se um centro de reuniões aonde os judeus vieram para consultar a Deus (Ez 8.1; 14.1; 20.1). Estas reuniões provavelmente foram precursoras das sinagogas que surgiram nesta época. Lá Ezequiel recebeu a carta escrita de Jerusalém em 594 a.C. por Jeremias aos exilados na Babilônia (Jr 29.1-32), profetizando a duração de 70 anos do cativeiro (Jr 25.12; 29.10).

Ezequiel era casado, mas sua esposa faleceu em 10 de janeiro de 588 a.C., o dia em que começou o cerco de Jerusalém, quando ele tinha 34 anos (Ez 24.1,15-18 – “tirarei de ti o desejo dos teus olhos”). Foi proibido de lamentar sua morte. Ezequiel profetizou por 22 anos até 570 a.C.,  última data registrada de suas profecias (Ez 29.17).

3. AUTORIA – A autoria de Ezequiel é geralmente aceita, apesar de nenhum outro livro bíblico mencioná-lo. Seu estilo é autobiográfico. Identifica-se em 1.3 e 24.24, e usa muitos pronomes como “eu, meu, mim” (2.1-10).  Sua ênfase sobre as coisas sacerdotais – ofertas, templo, altar, sacerdotes, etc. – e seu singular estilo de visões, parábolas, alegorias e ações simbólicas indicam a autoria de um sacerdote.

4. TEMA – O afastamento da glória de Deus e a destruição de Jerusalém; o retorno da glória de Deus e a restauração de Jerusalém.  Há uma ênfase especial na responsabilidade individual (Ez 3.17-19; 18.1-4; 22.30,31; 36.26,27; veja Dt 24.16).

Na sua profecia, Ezequiel não mencionou nenhum destes reis judaicos, nem mesmo o rei Zedequias, mas ele pronunciou julgamento sobre muitas nações pagãs (cap. 25 a 32). Neste sentido, pode-se dizer que o livro tem dois objetivos:

(1) Promover arrependimento e fé com o anúncio do julgamento iminente sobre Jerusalém e as nações, mensagem pregada nos seis primeiros anos entre 592 e 586 a.C.  Ezequiel enfatizou que Jerusalém seria destruída, Babilônia não cairia rapidamente, e o Egito era uma falsa esperança de auxílio (cap. 1-32)

(2) Estimular esperança e confiança que, após 70 anos, o povo voltaria a Jerusalém que seria restaurada e ao templo que seria reconstruído (cap. 33-48).

5. ESBOÇO DO LIVRO

I. O afastamento da glória e a destruição de Jerusalém ….     1 – 32

1. A Missão de Ezequiel ……………………………    1 – 3

2. A Destruição de Jerusalém …………………….            4 – 24

3. As Profecias contra as Nações Vizinhas …..            25 – 32

II. O retorno  da glória e restauração de Jerusalém ………..       33 – 48

1. A Restauração Prometida ……………………… 33 – 39

2. Os Tempos Messiânicos ………………………..            40 – 48

6. DATA DA REDAÇÃO – Ezequiel escreveu ao longo dos seus 22 anos de profecia.  Ele especifica bem  as datas das suas profecias desde que foi levado cativo em 597 a.C.:

(1)  Ez 1.1,2 .   5/7/592 a.C. – 5º ano   – Sua  primeira visão

(2)  Ez 8.1 ….   5/9/591 a.C. – 6º ano   – Seu traslado a Jerusalém, em visão

(3)  Ez 20.1 …  10/8/590 a.C. – 7º ano  – Instrução dada aos anciãos

(4)  Ez 24.1 ..   10/1/588 a.C. – 9º ano  – Início do cerco de Jerusalém

(5)  Ez 26.1 …  1/4/586 a.C. – 11º ano – Profecia da devastação de Tiro

(6)  Ez 29.1 …  12/1/587 a.C.-10º ano – Primeira profecia contra Faraó

(7)  Ez 29.17 .  1/4/570 a.C. – 27º ano – Sexta profecia contra Faraó

(8) Ez 30.20 .   7/4/586 a.C. – 11º ano – Segunda profecia contra Faraó

(9) Ez 31.1 …   1/6/586 a.C. – 11º ano – Terceira profecia contra Faraó

(10) Ez 32.1 … 1/3/585 a.C. – 12º ano – Quarta profecia contra Faraó

(11) Ez 32.17 ..            15/4/585 a.C. 12º ano – Quinta profecia contra Faraó

(12) Ez 33.21   5/1/585 a.C. – 12º ano – Chega, após 5 meses, a notícia da queda de Jerusalém

(13) Ez 40.1 … 10/4/572 a.C. – 25º ano – Recebida a visão do novo templo.

7. AS VISÕES DE EZEQUIEL – Em ocasiões especiais, homens de Deus, como os profetas, tiveram visões.  Em Ezequiel há nove:

(1)    A visão dos querubins de Deus – 1.4-28 e 10.20

(2)    A visão do rolo de lamentações – 2.9-3.3

(3)    A visão do vale – 3.22-23

(4)    A visão de Jerusalém e de suas abominações – 8.10,16

(5)    A visão de Jerusalém e a matança – 9.1-11

(6)    A segunda visão dos querubins – 10.1-22

(7)    A visão da saída de Iahweh do templo – 11.1-25

(8)    A visão dos ossos secos – 37.1-10

(9)    A visão do novo templo – 40.1 a 48.35

8. CENÁRIO RELIGIOSO – A mudança do local não mudou o coração dos judeus levados cativos em 605 a.C., 597 a.C., e 586 a.C. Ezequiel usou a frase “casa rebelde” por  16 vezes no seu livro (2.5; 3.9,26,27; 12.2,3, etc., compare com 2Cr 36.15,16). Como sacerdote, ele  avaliou os acontecimentos políticos do ponto de vista sacerdotal.

9. AFASTAMENTO E VOLTA DA GLÓRIA – A glória do Senhor (shekinah, em hebraico), uma nuvem visível da presença do Deus invisível, que residia sobre o propiciatório entre os dois querubins (Êx 13.21,22; 14.19,20; 19.16; 40.34-38; Lv 16.2; Nm  9.15; 1Rs 8.9-11; Is 6.1-4; Ap 15.8), foi vista em visão por Ezequiel retirando-se do templo (Ez 8.3,4; 10.4,18-22; 11.22,23). Ezequiel viu a sua volta (Ez 43.1-7) sobre o novo templo que, figura o tempo da Igreja de Cristo. Ela esteve ausente dos templos de Zorobabel e Herodes.  E volta no tempo da Igreja. É oportuno  recordar que shekinah vem de shâkham que significa “habitar” (Êx 25.8, 29.45,46; 40.34-38).  Em Jesus, Deus veio habitar entre os homens: João 1.14.

10. AUDIOVISUAIS – Ezequiel foi o profeta que mais se valeu deste recurso. Seu livro está cheio de provérbios, alegorias, pequenas descrições, visões, mas, sobretudo, de ações simbólicas. Eis alguns dos recursos por ele empregados para ensinar a mensagem ao povo:

(1)     Um tijolo (4.1-3) simbolizando o cerco e a queda de Jerusalém

(2)     Ele se deitando do lado esquerdo e do lado direito (4.4-8) simbolizando o cerco de Jerusalém e o castigo divino.

(3)     Bolos e água racionada como sua comida (4.9-17) simbolizando a fome no cativeiro.

(4)     Ele tirando a barba e raspando a cabeça (5.1-17) simbolizando a destruição do povo pela espada.

(5)     Ele se mudando de casa (12.1-7) simbolizando a ida do povo para o cativeiro

(6)     Ele comendo e bebendo com tremor (12.17-20) simbolizando a ansiedade e o desespero do povo no dia da desolação

(7)     A espada afiada e polida (21.1-17) simbolizando o juízo iminente de Iahweh sobre Jerusalém

(8)     A espada de Nabucodonosor (21.18-23) simbolizando a vitória de Babilônia

(9)     A fornalha (22.17-31) simbolizando o julgamento de Jerusalém por causa da corrupção dos sacerdotes.

(10)  A morte da esposa (24.15-27) simbolizando a queda de Jerusalém.

(11)  Dois pedaços de pau (37.15-23) simbolizando a reunificação de Israel e Judá

Além disso, ele nos brinda com muitas alegorias, que são simbolismo para ensinar uma verdade espiritual. Eis algumas delas:

(1)   O sarmento inútil da videira, símbolo da destruição de Jerusalém (15.1-8)

(2)   A esposa infiel, símbolo da infidelidade de Jerusalém (16.1-63)

(3)   As duas águias e a videira, símbolos da Babilônia e destruição de Jerusalém (17.1-21)

(4)   O broto do cedro, símbolo da elevação e queda das nações por Iahweh (17.22-24)

(5)   A leoa e seus filhotes, símbolo dos reis de Judá, que serão presos (19.2-9)

(6)   A mãe como videira plantada, símbolo da destruição da realeza de Judá (19.10-14)

(7)   O fogo no bosque, símbolo da destruição de Judá (20.46-49)

(8)   As duas irmãs prostitutas, símbolo de Samária e Jerusalém (23.1-49)

(9)   A caldeira enferrujada, símbolo da imundícia de Jerusalém (24.1-14).

11. EZEQUIEL E APOCALIPSE – O apóstolo João emprestou de Ezequiel muitos ensinamentos, expressões e figuras ao escrever o Apocalipse.  Ambos são literatura apocalíptica.   Veja as expressões emprestadas por João:

(1) Ez 1.1 e Ap 19.11 ……..        céus abertos

(2) Ez 1.5 e Ap 4.6 …………        quatro seres viventes

(3) Ez 1.10 e Ap 4.7 ……….        quatro seres viventes

(4)Ez 1.22 e Ap 4.6 ……….         aparência de cristal

(5) Ez 1.24 e Ap 1.15 ……..        som de muitas águas

(6) Ez 1.28 e Ap 4.3 ……….        arco-íris

(7) Ez 2.9 e Ap 5.1 …………        um rolo de livro

(8) Ez 3.1,3 e Ap 10.10 …..        comer; doce como mel

(9) Ez 7.2 e Ap 7.1 …………        quatro cantos da terra

(10) Ez 9.4 e Ap 7.3 ……….        marca na testa

(11) Ez 10.2 e Ap 8.5 ……..        brasas espalhadas

(12) Ez 14.21 e Ap 6.2-8 …       quatro juízos

(13) Ez 26.13 e Ap 18.22 …       cessar de música

(14) Ez 27.28-30 e Ap 18.17-19 ….       desespero

(15) Ez 37.10 e Ap 11.11 …       fôlego da vida

(16) Ez 37.27 e Ap 21.3 …..       Deus no meio do povo

(17) Ez 38.2,3 e Ap 20.8 ….       Gogue e Magogue

(18) Ez 40.2 e Ap 21.10 …..       alto monte; a cidade

(19) Ez 40.3 e Ap 11.1 ……        vara de medir

(20) Ez 43.2 e Ap 1.15 ……        voz de muitas águas

(21) Ez 47.1,12 e Ap 22.1,2       rio, árvore

(22) Ez 48.31 e Ap 21.12 …       as portas da cidade

12. EXPRESSÕES CHAVES – Há cinco expressões chaves no livro:

(1). “E saberão que eu sou o Senhor” – 70 vezes; (5.13; 6.7,13; 7.4,9)

(1)   “Filho do Homem” – 93 vezes (90 vezes nos evangelhos); termo predileto de Jesus (Lc 19.10)

(2)    “A palavra do Senhor veio a mim” – 49 vezes

(3)     “Senhor Deus” – mais de 200 vezes

(4)    “A mão do Senhor estava sobre mim” – 7 vezes (1.3; 3.14,22; 8.1; 33.22; 37.1; 40.1).

13. VERSÍCULOS CHAVES – Ezequiel 3.17-19; 11.19,20; 18.4,20-23; 22.30,31; 33.11,31; 34.2,4; 36.21-24, 26,27.

14. “FILHO DO HOMEM” – Título usado na Bíblia por 93 vezes a respeito de Ezequiel, uma vez só a respeito de Daniel (Dn 8.17), uma vez é aplicado a um ser misterioso num contexto messiânico (Dn 7.13) e 80 vezes referindo-se a Jesus.  Ele enfatiza a unidade, a identificação do profeta com seu povo, especialmente ao pronunciar julgamento contra seu povo.  Assim Jesus usou o termo a si mesmo em Jo 5.27.

15. O TEMPLO DE EZEQUIEL (40 a 48) – A visão de Ezequiel do futuro templo está cheia de dificuldades, pois suas dimensões, os móveis, e o ritual do culto sacrificial (Nm 28.11 e Ez 46.6) são diferentes daqueles dados a Moisés (Êx 25-27) e Salomão (1Rs 6.2,3) e estipulados no código sacerdotal.  Por isso, algumas autoridades judaicas, especialmente as que pertenciam à rigorosa escola de Shamai, levantavam dúvidas sobre a canonicidade de Ezequiel. Na realidade este é o maior problema do livro.

O templo apresenta pouca semelhança com os templos reconstruídos por Zorobabel e Herodes. Há geralmente duas maneiras de interpretar o templo de Ezequiel. Uma, dos pré-milenistas, ensina que o templo será construído nas época de um hipotético milênio literal na terra. Parece que isto aumenta o problema. Para que um templo para oferecer sacrifícios, se o de Cristo foi suficiente? Isto seria negar toda a obra de Cristo e invalidar o livro de Hebreus. O judaísmo acabou, seu tempo passou. Uma outra maneira de interpretar é figuradamente. Neste sentido, o templo é uma descrição simbólica, uma alegoria da Igreja, no Novo Testamento, a Jerusalém espiritual.  Esta tem sido uma interpretação popular com aqueles que acham que a Igreja é a sucessora atualmente de Israel (Rm 2.28,29; Gl 3.7-9,28,29; 6.16).  Estes reivindicam que Ezequiel é literatura apocalíptica que através de símbolos, números, etc. revela:

(1) A perfeição do plano de Deus para a Igreja, expressa simbolicamente pela simetria imaculada do edifício do templo.

(2) A centralidade da adoração na época da Igreja expressa simbolicamente pelos detalhes dos sacrifícios do templo.

(3) A presença de Deus na vida do crente (Mt 28.20; Jo 14.17) expressa pela glória do Senhor no templo – Ez 43.1-5.

16. A DOUTRINA DA INDIVIDUALIDADE – Em Ezequiel, a doutrina da individualidade, forte conceito teológico do Novo Testamento, já é anunciada e delineada. O texto de 18.2-4 é bem expressivo. Veja também 18.18-20. Lembre-se que no Antigo Testamento Acã peca e todo o Israel paga pelo  seu pecado. E sua família foi punida com ele. No Novo Testamento, Ananias e Safira pecam, a Igreja é poupada e os dois morrem. Ninguém é punido por ninguém e a comunidade não paga pelos pecados dos indivíduos. Pode haver conseqüências sociais do pecado, mas punição direta, não. Não existe uma maldição hereditária após o advento do cristianismo.

17. O NOVO DAVI – A idéia está em 37.24-26. Davi é um título ou um eufemismo para o Messias. Há dois títulos messiânicos no v. 25: “servo” e “príncipe”. O santuário no meio deles não deve ser entendido como a reconstrução num hipotético milênio. Isto invalidaria Hebreus 8 a 10. A linguagem é simbólica. Com Jesus, o tabernáculo de Deus está no meio dos homens. Lembre-se de João 1.14: “O Verbo se fez carne e tabernaculou entre nós”.

BIBLIOGRAFIA PARA ESTE ASSUNTO

  1. Asurmendi, Jesus. O profeta Ezequiel. S. Paulo: Paulinas, 1985
  2. Monari, Luciano. Ezequiel, um sacerdote profeta. S. Paulo: Paulinas, 1992
  3. Taylor, John. Ezequiel – introdução e comentário. S. Paulo: Vida Nova,  1984
  4. Mesquita, Antonio Estudo no livro de Ezequiel. Rio: JUERP, 3ª ed., 1987
  5. Andrade, José Sélio. Os profetas maiores (II). Rio: JUERP, 2004.

O EQUÍVOCO DE LULA, FHC E DOS ANALISTAS POLÍTICOS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da IBC de Macapá, 24.10.10

Incomodado com as críticas a Dilma por ser favorável ao aborto, o Presidente Lula criticou os que queriam, segundo ele, impor uma agenda religiosa ao Estado. Ajudaram-no alguns analistas políticos. Agora, o ex-Presidente FHC que perdeu uma eleição à prefeitura de S. Paulo porque, dizem, titubeou em dizer se cria ou não em Deus, também criticou o enfoque religioso da campanha.

Por dolo ou ignorância, Lula, FHC e os analistas erraram. Ao se posicionarem contra o aborto, evangélicos e católicos não discutiram religião. Não abordaram tema de fé: qual é a igreja certa, forma de batismo e doutrinas. Apenas afirmaram sua visão bioética (ética da vida) à luz de sua cosmovisão. Secularistas e ateístas querem impor uma visão fechada à sociedade, não de economia e política, mas de ética. A democracia abriga mais de uma visão e a dos sem Deus não pode ser alardeada e a voz dos que crêem em Deus não pode ser calada.

Continue lendo O EQUÍVOCO DE LULA, FHC E DOS ANALISTAS POLÍTICOS

A MONARQUIA EM ISRAEL

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, para a PIB de Nova Odessa, em 2 de julho de 2002

A visão bíblica sobre a monarquia em Israel é um pouco ambígua. Há duas posições bem nítidas, é forçoso reconhecer, sem escamotear a verdade. Uma é a que vemos no primeiro livro de Samuel. Em 1Samuel 8.6, ao receber o pedido do povo por um rei, ele se desgostou. Havia certa lógica em seu sentimento. Era o sacerdote, sem dúvida alguma, o grande sacerdote de Israel. A forma de governo era sacerdotal, e ele perderia parte de seu poder. Ele até viu como rejeição a si, pessoalmente, como lemos na palavra que Deus lhe dirige, em 8.7, que o agravo não é a ele, Samuel. Talvez isto explique, humanamente, o choque entre ele e Saul, que, no fundo, foi a luta entre um poder que saiu e outro que entrou. Mais ou menos como os conflitos que vemos, hoje, em igrejas que ficam sem pastor, e este chega e esbarra com um líder leigo que se acostumou em ser o centro de atenções e decisões e se sente desprestigiado. Houve um conflito de personalidades.

Continue lendo A MONARQUIA EM ISRAEL

A ESTRANHA TEOLOGIA DOS SIMPSONS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Os Simpsons são uma família cujo cotidiano é mostrado em desenhos animados muito bem feitos. Em algumas vezes que vi o desenho, pareceu-me uma família confusa, como eu não gostaria que a minha fosse. Outro dia, vendo-o, lembrei-me de ter lido um interessante livro sobre eles, O evangelho segundo os Simpsons, de Pinsky. Até fizera uma pastoral, que ampliei neste artigo.

Pinsky segue a linha de outros livros, como A psicanálise dos contos de fadas, de Bettelheim, O lobo mau no divã, de Laura James (ela analisa as patologias dos personagens dos contos de fada), Teologia e MPB, de Calvani, Teologia e literatura, de Manzatto (uma reflexão teológica nas obras de Jorge Amado), House e a filosofia – todo mundo mente, de Irwin e Jacoby, Super-heróis e a filosofia – verdade, justiça e o caminho socrático, de Irwin. Ou seja: quais conceitos espirituais, culturais e psicológicos são veiculados em produções seculares (música, filmes, desenhos, gibis ou histórias infantis). Não sendo pedante (e sendo), quando me pós-graduei em Educação, pela Católica de Brasília, meu trabalho foi sobre a ideologia das histórias em quadrinho (Disney, Super-homem, Ultraman, Ultra-Seven, gibis de cowboys, etc.). Porque não se trata só de entretenimento, mas de transmissão de valores.

Continue lendo A ESTRANHA TEOLOGIA DOS SIMPSONS

ESGOTAMENTO EMOCIONAL

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central  de Macapá, 17.10.10

Antigamente se falava “esgotamento emocional”. Hoje se fala “estresse”, que alguns grafam stress.  Muitos de nós, mesmo sendo fiéis e tementes a Deus, nos estressamos por causa de contingências da vida.  O Dr. Thomas Holmes e alguns colegas de trabalho estudaram o esgotamento emocional e o mediram através do que chamaram de “unidades de mudança de vida”. Na escala que elaboraram, a viuvez valia 100 unidades de mudança de vida. O divórcio, 73 unidades. A gravidez correspondia a 40 e a reforma de uma casa a 25. O natal, que deveria ser um momento de tranqüilidade, também pesava. Eqüivalia a 12 unidades.

Eles concluíram que pessoa alguma pode suportar, com suas próprias forças, mais de 300 unidades no período de um ano sem conseqüências físicas ou emocionais nos dois anos seguintes. Por vezes, com conseqüências sérias.

Continue lendo ESGOTAMENTO EMOCIONAL

“QUERÍAMOS VER A JESUS”

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Estes, pois, dirigiram-se a Felipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus” (João 12.21).

Quando eu era adolescente, meu pastor, João Falcão Sobrinho, agraciou-me com um livro de Roy Hession: “Queríamos ver a Jesus”. Li-o com atenção e aprendi muito. Já pastor, tive o privilégio de ouvir Hession, num retiro da Ordem dos Pastores de S. Paulo. Uma das coisas que aprendi, do livro e das mensagens ao vivo, é que a vida cristã é Jesus. Neste sentido, o título da obra, extraído da palavra dos gregos em João 12.21, é significativo: ver a Jesus.

Continue lendo “QUERÍAMOS VER A JESUS”

PROVOCAÇÃO E PATRULHAMENTO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 10.10.10

No boletim passado falei do livro “1822”, de Laurentino Gomes. Disse que lera seu livro anterior, “1808”, que trata da chegada de D. João VI, ao Brasil. Ele foi o único monarca europeu a morar na América. Reli trechos do “1808”, para ajuntar com as informações de “1822”.

Laurentino fala do Paço Imperial, onde D. João, como rei, despachou com os ministros. A antiga sala do trono está vazia. Vez por outra se usa para eventos culturais. Laurentino comenta um deles: “No começo de novembro de 2005, a sala do trono, no andar superior, onde D. João VI despachava com seus ministros, estava ocupada por uma exposição de artes plásticas em que rosários católicos espalhados pelo chão reproduziam o formato da genitália masculina. Ainda que seja da natureza da arte surpreender o desafiar o senso comum, a exibição desses objetos naquele local, que por tantos anos abrigou uma das cortes mais religiosas e carolas da Europa, se resumia a uma provocação de mau gosto” (p. 19). Não só mau gosto: grosseria.

Continue lendo PROVOCAÇÃO E PATRULHAMENTO

NINRODE, O PODEROSO, PAI DA CONFUSÃO

“Cuche foi pai de Ninrode, o primeiro grande conquistador do mundo (…) No começo faziam parte do seu reino as cidades de Babilônia, Ereque e Acade, todas as três em Sinar” (Gênesis 10.8,10).

Isaltino Gomes Coelho Filho

Ninrode é um personagem enigmático. O texto de Almeida diz que ele se tornou “poderoso”, e isso por três vezes. “Poderoso caçador”, diz o versículo 9. O hebraico  é gibbor tsayidh, que pode ser traduzido por “caçador de homens”, ou “escravista”. Esta é a posição de Leupold (Leupold on the Old Testament, vol. I, p. 366). Calvino admite esta idéia, dizendo que isto “metaforicamente indica que ele era um homem furioso, mais parecido com uma fera que com um homem” (Genesis, p. 317). Wiseman alega que alguns o associam historicamente com Sargão de Adade (2.300 a.C.), guerreiro, escravizador e conquistador. A Linguagem de Hoje diz que Ninrode foi “o primeiro grande conquistador do mundo”.

Continue lendo NINRODE, O PODEROSO, PAI DA CONFUSÃO

O CORVO E A POMBA

“No fim de quarenta dias, Noé abriu a janela que havia feito na barca e soltou um corvo, que ficou voando de um lado para outro, esperando que a terra secasse. Depois Noé soltou uma pomba a fim de ver se a terra já estava seca; mas a pomba não achou lugar para pousar porque a terra ainda estava toda coberta de água. Aí Noé estendeu a mão, pegou a pomba e a pôs dentro da barca. Noé esperou mais sete dias e soltou a pomba de novo. Ela voltou à tardinha, trazendo no bico uma folha verde de oliveira. Assim Noé ficou sabendo que a água havia baixado” (Gênesis 8.6-11)

Isaltino Gomes Coelho Filho

O dilúvio é a antítese da criação. A criação fez do caos um cosmos. O dilúvio fez do cosmos um caos. A criação é ação de Deus. O dilúvio é reação de Deus. A criação é obra da graça. O dilúvio é obra do juízo. Findo o dilúvio, Noé envia um corvo para, por meio dele, sondar o ambiente. O corvo, sendo carnívoro, evidentemente encontrou corpos flutuando na água. Ninguém os sepultara. Neles pousava, deles se alimentava e até que terra se secasse, voava de um lado para o outro. Isto é, retornava à arca à noite para dormir. A pomba não pousa sobre cadáveres, e retornou a Noé. Depois de uma semana trouxe uma folha de oliveira. Por isso, esta é o símbolo da paz.

Continue lendo O CORVO E A POMBA