Arquivo mensais:junho 2011

TEMA: A EPÍSTOLA A GAIO – RETRATOS DO CRISTIANISMO PRIMITIVO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

“Por que 2a. e 3a. estão João no cânon?”. São tão pequenas e pessoais! (1) Todas as cartas são pessoais; (2) Elas foram aceitas pelas igrejas que reconhecerem sua inspiração e aceitaram o conteúdo; (3) O Espírito Santo assim direcionou. Elas têm ensinos ricos. Do ponto de vista cultural: dão um retrato do relacionamento dos cristãos do 1o. século.  É como devemos nos relacionar. As igrejas já estavam assoladas por heresias. A carta nos ensina como nos portarmos diante de Deus e nos relacionarmos uns com os outros. E mostra três tipos de crentes.

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NÃO SEJA POBRE!

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 26.6.11

 

Domingo passado, pedi uma caneta a uma irmã para anotar um aviso que deveria fazer  do púlpito. Ela me emprestou uma BIC. Perguntei-lhe se sabia qual era o cúmulo da pobreza. É quando a BIC acaba acender um fósforo na ponta para ver rende mais. Ela disse que já fizera isso. Outra irmã disse que o cúmulo da pobreza é juntar o resto de um sabonete ao outro. Lembrei de um colega de seminário que guardava os restos de sabonetes e pedia os restos aos colegas do dormitório. Nas férias levava para a mãe, que os dissolvia e lhe fazia novas barras. Ser pobre é fogo!

No sábado, quase 6 da manhã, vindo para a reunião de oração na igreja, vi a maior pobreza que há. Há um boteco na esquina da Pe. Júlio com a Manoel Eudóxio. Sua clientela vara a madrugada. Dobrei a Manoel Eudóxio para chegar à igreja. Havia um carro parado no meio da Pe. Júlio.  Seu condutor não conseguia ligá-lo, de tão bêbedo. Que pobreza! A pobreza emocional, existencial e espiritual é pior que a econômica. O PIB emocional, existencial e espiritual do povo é baixíssimo!

 

“Intelectuais”, entre eles o ex-presidente FHC, querem  descriminalizar as drogas. FHC alega  que já perdemos a batalha para elas. Por raciocínio análogo libere-se o crime e a corrupção. Ninguém derruba os corruptos. Não sei em que mundo essas pessoas vivem. A Veja desta semana traz reportagem sobre os efeitos devastadores do crack e do óxi. Histórias de pessoas reais que não moram no mundo conceitual dos “intelectuais”, mas no mundo histórico. Que pobreza!

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Os bens materiais: tiranos ou instrumentos?

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

Há muita confusão no cenário religioso no tocante aos bens materiais.  Alguns fazem a apologia da pobreza como se esta fosse uma virtude cristã. Outros mostram as riquezas como sinal de bênção divina, e a pobreza como ação do “Devorador”, um demônio que “nasceu” há pouco. Muitas igrejas fazem da pregação sobre prosperidade o seu carro-chefe. Cristo sequer é mencionado, a não ser como sancionando a ambição das pessoas. Mas, independente da esquisitice desta doutrina, todos nós queremos bons salários, boas casas, bons carros, bom nível de vida. O desejo de crescer é justo. O problema é quando isto é a razão da vida. Sendo um livro prático, Provérbios fala sobre o assunto. Como é o relacionamento correto com os bens materiais?

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A BÊNÇÃO DA AFLIÇÃO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

“Eu vos preveni sobre esses acontecimentos para que em mim tenhais paz. Neste mundo sofrereis tribulações, mas tende fé e coragem! Eu venci o mundo” (João 16.33, King James).

Poucas coisas são tão equivocadas como o triunfalismo da pregação neopentecostal. O evangelho se torna mensagem de auto-ajuda, a cruz é substituída pelo trono e Jesus, por Lair Ribeiro. Tal pregação ignora a tensão entre o e o ainda não. Jesus Cristo inaugurou o reino de Deus, mas este ainda não se consumou. O mundo por vir, com sua transformação escatológica, teve suas bases lançadas, mas ainda não chegou. somos filhos de Deus, temos bênçãos indescritíveis para nós reservadas, mas elas ainda não se manifestaram em sua totalidade porque ainda não entramos na plena liberdade dos filhos de Deus. Satanás foi vencido, porque Jesus entrou em seus domínios e o amarrou, libertando-nos do seu poder e domínio, mas ainda não foi subjugado por completo.

Esta tensão tem sido ignorada em muitas análises da vida e teologia cristãs. E esta ignorância tem permitido o surgimento de muito exotismo doutrinário. Ainda não chegamos ao céu, vivemos num mundo que “jaz no Maligno” (1Jo 5.19), e somos a igreja militante, e não a triunfante. Como disse Kierkegaard, em uma oração: “Aqui no mundo não é lugar da tua Igreja triunfante, mas somente da Igreja militante… Se ela cisma dever triunfar neste mundo… ela desaparece, pois que se confundiu com o mundo… Estejas tu, então, com a tua Igreja militante, de modo que jamais venha a acontecer (e esta é a única maneira possível) que ela seja cancelada da face da terra por ter-se tornado Igreja triunfante” (Das profundezas, p. 84.). Continue lendo A BÊNÇÃO DA AFLIÇÃO

OBEDIÊNCIA E CONSAGRAÇÃO IMEDIATAS

OBEDIÊNCIA E CONSAGRAÇÃO IMEDIATAS

OU

“NO MESMO DIA”

 

“Quando acabou de falar com Abraão, Deus subiu e o deixou. Naquele mesmo dia Abraão fez como Deus havia mandado. Ele circuncidou o seu filho Ismael e todos os outros homens da sua casa, incluindo os escravos nascidos na sua casa e os que tinham sido comprados de estrangeiros.  Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado, e o seu filho Ismael tinha treze. Os dois foram circuncidados no mesmo dia. E foram circuncidados também todos os escravos de Abraão, tanto os nascidos na sua casa como os que tinham sido comprados de estrangeiros” (Gênesis 17.22-27).

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

A obediência à orientação divina era uma prática constante na vida de Abraão.  Ele recebeu do Senhor a instrução sobre a circuncisão. Era um sinal do pacto entre os dois. No mesmo dia o patriarca se circuncidou (aos 99 anos!), bem como ao filho Ismael e a todos os homens de sua casa, incluindo os escravos. Não foi no dia seguinte, mas no mesmo dia. Podemos tirar três lições aqui.

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QUE SONHO!

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 19.6.11

 

Aquele irmão decidiu vir à igreja “assistir” o culto. Não vinha há oito meses e achou que estava na hora. Como nos tempos em que freqüentava (episodicamente, diga-se), chegou às 9h40min, pontualmente atrasado. Viu tudo fechado. Estranhou. A irmã Eliane da Graça dissera que “o pastor tem a pontualidade de um lord inglês”. Foi à casa da zeladoria. Fechada, com mato em volta.  Gritou pela zeladora: “Valdene!”.  Nada de resposta. Nenhum carro estacionado.  Ficou perdido.

Um funcionário da funerária vizinha da igreja veio lhe falar: “O senhor não sabe que a igreja fechou?”. O irmão ficou atônito: “Fechou? Como assim? Ela passou por problemas bem sérios e sobreviveu! Como fechou, agora que, disseram, tudo ia bem?”. Retrucou a pessoa: “Pelo que ouvi dizer, o pessoal desanimou com um monte de membros da igreja que encostou o corpo. Eles acharam que tudo ia bem, e relaxaram com a freqüência e com a contribuição. Os outros cansaram de carregar tudo nas costas. Disseram que era sempre assim, alguns dando duro e outros sem se envolver”.

O irmão pensou: “Êpa, falaram de mim. Mas só por que dei uma folguinha de oito meses nos cultos? E eu não contribuía porque estava investindo em mim, mas tinha gente aí que podia agüentar as pontas…”. Meio sem graça, perguntou: “E o pastor? Ele era apaixonado pela Amazônia! Até mandou fazer uma camisa: Moro em Macapá e gosto disso!”. O funcionário funerário disse: “É, mas ele se cansou, e voltou para Brasília, para aguardar novo rumo para sua vida”.

“E os membros do Conselho? Eles apoiavam o pastor, estavam afinados com ele!”. “É, mas jogaram a toalha”, disse o vizinho da igreja. “Disseram que estavam cansados de carregar a carga e ver gente que se omitia no trabalho e na contribuição só desfrutando e queixando. Foram servir em outra igreja”. Nosso irmão estava morto de vergonha, porque sabia que o agente funerário o estava identificando como um dos omissos. Para piorar, o homem disse, olhando para ele: “Como agente funerário eu já soube de muita gente que morreu por descaso dos outros”.

O irmão ficou rubro de vergonha. Não sabia o que dizer. De repente, acordou. Era um sonho! Apenas um sonho, graças a Deus! Mas não conseguiu dormir de novo. Ficou pensando se ele estava ajudando sua igreja a se firmar, com seu engajamento, ou se estava ajudando a fechar, com sua omissão. Foi honesto consigo mesmo (nem todos conseguem ser honestos consigo, e culpam os outros) e reconheceu que estava sendo omisso e prejudicando a igreja. E assumiu o compromisso de mudar de vida.

Se você tivesse um sonho assim, o que pensaria?

 

A ira e o nariz

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

Viu o título? A ira e o nariz. Parece estranho? É que no hebraico, “nariz” e “ira” são a mesma palavra: ‘af. A idéia é que a ira é uma atitude que aparece no nariz.  Não, nada a ver com Pinóquio.  O iracundo (a pessoa que se ira com facilidade) mostra isso no nariz. Quer um exemplo? Leia Atos 9.1. Onde se lê “respirando” pode se ler “bufando”. É a tradução mais literal. Paulo tinha tanto ódio dos cristãos que bufava como boi feroz. Infelizmente há muito cristão que bufa como boi feroz. E se intitula de “ovelha”, o que é pior. O livro de Provérbios nos fala do iracundo ou, se preferir, do bufador. Vejamos alguma coisa sobre ele.

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CINCO REGRAS PARA AFASTAR SEU FILHO DA IGREJA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 12.6.2011

 

1. Valha-se dos menores pretextos, como cansaço, chuva, indisposição, para faltar aos cultos. Crie no seu filho a idéia de que freqüentar reuniões não é importante.

“Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem. Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que o Dia está chegando” (Hb 10.24-25). Continue lendo CINCO REGRAS PARA AFASTAR SEU FILHO DA IGREJA

EFEITOS DA GRAÇA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Um leitor do meu site me enviou, de Vitória (ES), um livro de presente: Irmãos, nós não somos profissionais, de John Piper. Comecei a lê-lo e aprendi muito. No capítulo “Irmãos, conduzam as pessoas ao arrependimento”, Piper fala da reação dos homens à graça. Cita Lucas 5.1-10, onde Jesus ordena aos discípulos para se afastarem um pouco da praia e lançarem a rede. Pedro diz que eles trabalharam a noite toda e nada pegaram, mas à luz da ordem de Jesus, lançaria as redes. Continue lendo EFEITOS DA GRAÇA

Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito.

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

O tema de hoje é o amigo. No hebraico não há uma palavra para “concidadão”, alguém da mesma pátria. A palavra mais próxima disto é “amigo”.  A outra é “irmão”.  O princípio é que todos os hebreus eram irmãos (descendiam do mesmo pai) e todos deviam ser amigos. Amigo era o máximo de comunhão e de intimidade, fora da família sangüínea, que duas pessoas podiam ter. Como é o amigo de Provérbios? Como deve ser o amigo cristão?

 

  1. A PALAVRA
  2. Amigo é o hebraico rea’. Tem o sentido (e é traduzido assim) de vizinho, companheiro e próximo. Em Levítico 19.18, por exemplo, é traduzida por “próximo”. O amigo é alguém próximo e não apenas uma pessoa indefinida ou um colega de profissão. Não é uma abstração. É alguém ligado. Por isto, o verdadeiro amigo ama sempre: Provérbios 17.17. Como a amizade entre Davi e Jônatas: 1Samuel 18.1-4. Entre os orientais, a amizade assim entre duas pessoas do mesmo sexo é algo normal.

     

  3. O TRATO
  4. Como os amigos se tratam? Eles não maquinam mal um contra o outro: 3.29, onde “próximo” é rea’. Mesmo quando se sabe algo ruim sobre o amigo (próximo), deve-se ter cautela no falar: 25.8-9. Nunca se deve desprezar um amigo (próximo): 11.12. Desprezar um amigo (vizinho) é pecado: 14.21. Um bom amigo acaba sendo um guia para o outro: 12.26. Isto tudo um cristão deve ser. Ele não planeja mal contra ninguém, não espalha comentários sobre os outros, não despreza e serve de orientação para outros. Ele é um referencial.

     

  5. CARACTERÍSTICAS DO BOM AMIGO (VIZINHO, PRÓXIMO)
  6. (1)     A primeira é a constância. Há gente que é amigo de quem está por cima: 14.20 e 19.4. Mas o verdadeiro amigo é mais chegado que um irmão: 18.24. Um amigo nunca abandona o outro e vale mais um amigo perto que um parente longe: 27.10.

    (2)     Outra é franqueza. A crítica de um amigo vale mais que o beijo de um inimigo: 27.6. A crítica construtiva é melhor que a bajulação, inclusive: 27.5. A preocupação não é destruir, mas ajudar o amigo. Mas lembremos que há uma diferença entre franqueza e grossura.

    (3)     Outra é o bom conselho. Um bom amigo traz palavras de conselho, é uma pessoa encorajadora: 27.9. Foi assim que Jônatas agiu com Davi: 1Samuel 23.16. Amigos não esfregam sal na ferida, mas aconselham e consolam. Amigos aprendem uns com os outros: 27.17, LH. Os amigos de Jó deram grande apoio enquanto estiveram calados. Quando abriram a boca foram até cruéis com palavras. Precisamos ter cautela. Os crentes sabem ser cruéis com palavras. Saber calar, algumas vezes, é mais sábio que saber falar.

    (4)     A última é bom senso. Isto é, saber respeitar os sentimentos alheios. Um amigo não obriga o outro à sua companhia. Ou seja, não “força a barra” para ser aceito:  25.17.  Não busca ser alegre na hora errada (25.20). Não é falso no apoio (27.14). Nem extrapola as brincadeiras: 26.18-19. Sabe se portar.

 

CONCLUSÃO

Amigos se apóiam. Têm mútua compreensão e evitam, sabiamente, os choques. No Novo Testamento os amigos se interessam pelos outros (Atos 19.31) e cuidam uns dos outros (Fp 2.25-30). Por vezes, os membros da igreja se chamam de “irmãos”, mas se evitam e nada fazem uns pelos outros. Talvez devêssemos parar de nos chamar “irmãos” e nos chamarmos de “amigos”. Porque há muito irmão que não é amigo.  E o amigo ama em todo o tempo (Provérbios 17.17).

 

Quem entrará no reino?

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” – Mateus 7.21-23.

Publicado originalmente pela revista “Você”. Publicado no site por deferência da revista.

 

 

Quando conversamos com as pessoas sobre salvação ou a vida eterna no céu, as opiniões variam, mas seguem numa mesma direção: “Aquele que faz o bem!”, ou “Quem ama o próximo!”, ou, ainda, “Quem tem uma religião!”. Em linhas gerais, é o equivalente a “todo mundo que não é mau!”.  Estas respostas podem ser sinceras, mas ignoram o que Jesus disse sobre o assunto. Continue lendo Quem entrará no reino?

DEUS E AS RIQUEZAS

 

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24).

 

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Publicado originalmente pela revista “Você”. Publicado no site por deferência da revista.

 

Como tudo que Jesus disse, aqui há uma profundidade extraordinária. Ele revelava muita sabedoria em suas palavras e nesta declaração nos deixa um conselho que, se observado, muito ajudará nossa vida espiritual, como também a emocional e até mesmo a vida material. Ele trata da nossa relação com os bens materiais. Eles devem ser nossos servos e devem ser usados por nós. Não podem ser nossos senhores nem nos dominar.

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DE OLHO NO OUTRO COM O OLHO TAMPADO

 

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós. E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão (Mt 7.1-5).

 

Publicado originalmente pela revista “Você”. Publicado no site por deferência da revista.

 

 

Esta palavra de Jesus tem sido usada por muita gente como se fosse uma cobertura para seus erros. Quando se tenta corrigir alguém ou se mostra seu erro, a pessoa logo se lembra desses versículos e os usa. Pode não lembrar de nenhum outro, mas desses lembrará. Numa igreja, um irmão cometera vários erros e seu nome foi levado para disciplina, na assembléia. Logo se levantou uma pessoa e citou esta passagem. É isto que Jesus está ensinando, que devemos fechar os olhos aos erros alheios? Nós não podemos ter senso crítico, e avaliar a conduta e o ensino das pessoas? Devemos concordar com tudo e fechar os olhos a todos os erros?

 

Em vários lugares, a Bíblia nos exorta a avaliarmos as pessoas e as mensagens que recebemos. Desta maneira, esta palavra de Jesus não deve ser vista como um impedimento a sermos críticos e analíticos. Entre as várias declarações, basta-nos a de 1João 4.1: “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo”.

 

É oportuno também lembrarmos que um dos dons que o Espírito Santo deu à igreja foi o discernir espíritos, exatamente para ela não ser enganada (1Co 12.10). Isto mostra que deve haver avaliação e devemos notar o que está errado. Afinal, a igreja julgará até os anjos: “Não sabeis vós que havemos de [julgar ]os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?” (1Co 6.3).

 

Como entender, então, esta palavra de Jesus, que muita gente usa para se proteger ou proteger alguém errado?

 

Jesus deixa algumas pistas do que significa sua palavra e faremos bem em prestar atenção, em nosso desejo de sermos obedientes a ele, e evitarmos erros de interpretação da Bíblia.

 

A primeira pista é que seremos avaliados, assim como avaliamos. Então, há avaliação, e quem avalia (ou julga) deve lembrar que está sujeito a isso, também. Muitas pessoas gostam de emitir opinião sobre a vida alheia, e por vezes se acham acima da crítica e do julgamento dos outros sobre elas. Mas, diz Jesus: “com a medida com que medis vos medirão a vós”. É bom sabermos que também estamos sob avaliação e que não podemos presumir que não seremos vítimas de comentários. Quando Tiago aconselhou os crentes a não desejarem ser mestres (posição de liderança na igreja), ele disse que tais pessoas seriam julgadas com mais severidade (“Meus irmãos, não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo” – Tg 3.1). Quem está em evidência é mais visto pelas pessoas e avaliado também por Deus com mais rigor. Comentar a vida alheia ou emitir opinião sobre as pessoas nos coloca em evidência, e faz com que sejamos julgados com mais zelo. Afinal, estamos mostrando capacidade de discernir e efetuar avaliação crítica. Devemos aplicar isso à nossa própria vida! O juízo para nós será mais rigoroso! Quando criticamos negativamente algo na vida de alguém, estamos condenando aquilo. Não faz sentido que o pratiquemos!

 

A segunda pista é que ao repararmos na vida dos outros devemos reparar na nossa. Criticar algo na vida alheia e ter coisa pior na nossa é como reparar um cisco no olho da pessoa e não ver um galho no nosso. Muitas vezes criticamos nos outros aquilo que não gostamos em nós, mas nos calamos quanto ao nosso erro. Fica sendo uma espécie de compensação: criticamos o que não gostamos, e isso nos alivia um pouco. É como se acalmássemos nossa consciência, dizendo: “Eu faço, mas não concordo! Sei que está errado, tanto que critico!”. Mas mesmo assim seremos julgados!

 

A terceira pista é que devemos cuidar de nós mesmos para podemos aconselhar aos outros: “Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão”. Jesus não diz para ignorarmos o que há com o irmão, mas diz para acertarmos primeiro nossa própria vida. Somos responsáveis uns pelos outros, para ajuda mútua, para apoio e para solidariedade. Não somos chamados a viver isolados, como se fôssemos ilhas. Mas nunca devemos ser pessoas com comentários destrutivos ou fazendo “fofocas” sobre a vida de nossos irmãos. Os comentários devem ser feitos com as pessoas (e não com outras, sobre elas), depois de termos posto ordem em nossa própria vida, para ajudá-la. Esta observação de Jesus se ajusta bem com a palavra de Paulo: “Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado” (Gl 6.1). Corrija e se cuide, diz Paulo! Cuide-se para corrigir, diz Jesus. São os dois lados da mesma moeda. São palavras que se completam.

 

Quando notarmos eventuais falhas na vida das pessoas não devemos comentar para acusá-las ou destruí-las, mas para ajudá-las. O ensino de Jesus no sermão do monte não é para “fazermos vistas grossas” a tudo, mas sim para que não nos tornemos julgadores das pessoas, sem procurar orientá-las. E evidente isto requer que estejamos com a vida acertada para poder ajudar a pessoa.

 

Podemos resumir esta palavra de Jesus nos seguintes termos: reparar os erros alheios para jogar pedra nas pessoas, isso nunca. Aquela multidão de pecadores do episódio da mulher adúltera (Jo 8.1-8) queria apedrejá-la, mas nenhum deles tinha condições de fazê-lo. O único que tinha tais condições era Jesus, e ele não apedrejou, mas perdoou a mulher e a exortou para levar uma vida correta. Nós não devemos falar mal da vida dos outros nem apedrejá-los, mas ajudar, sim. E para isso, precisamos cuidar de nossa vida.

 

São três oportunas orientações para o seguidor de Jesus: não falar mal, cuidar de si mesmo e ajudar os outros. Se agirmos assim, o mundo será bem melhor.

 

Ai, que vontade de descansar!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

INTRODUÇÃO

O assunto de hoje é o preguiçoso. Sua figura chega a ser cômica.  Assim como a porta está presa a seus gonzos, ele está preso à sua cama (26.14). Ele sempre está cansado e dá cada desculpa para não trabalhar! Veja só a desculpa que ele dá em 22.13 e 26.13. O trabalho para ele é um animal feroz. O tema é Ai, que vontade de descansar! Vamos ver como o preguiçoso é.

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VIBRANDO COM O MENSALÃO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 5 de junho de 2011

Domingo passado, 17h25min. O ensaio do coro era às 17h30min.  Parei na porta da igreja, para Meacir saltar. A chuva caiu no estilo Macapá: de repente e torrencial. Como dizia minha mãe: “Pra cachorro beber água em pé”. Os fluminenses gostam de provérbios, mas nunca vi cachorro beber água sentado ou deitado. Continue lendo VIBRANDO COM O MENSALÃO

A BÊNÇÃO DA SOLIDÃO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

“Pois chegará o momento, e realmente, a hora é esta, quando sereis espalhados cada um para sua família. Vós me deixareis sozinho. Mas Eu não estou desamparado, pois meu Pai está comigo” (João 16.32, King James).

 

Poucas coisas são tão desestruturadoras como a solidão. No filme A última esperança da Terra, Charlton Heston faz um personagem que, sem contato com outros humanos (os demais estão contaminados e ele os evita), joga xadrez consigo mesmo. E conversa com uma estátua. Para não enlouquecer. Como no filme o náufrago, em que o personagem principal conversa com um côco, a quem chama de Mr. Wilson. Continue lendo A BÊNÇÃO DA SOLIDÃO