Arquivo mensais:fevereiro 2011

A SOMBRA DA CRUZ DESCE SOBRE ABRAÃO

“A noite caiu, e veio a escuridão. De repente apareceu um braseiro, que soltava fumaça, e uma tocha de fogo. E o braseiro e a tocha passaram pelo meio dos animais partido” (Gênesis 15.17)

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

A situação que o velho patriarca vive é um momento de aflição para ele. O Eterno o chamou para celebrarem um pacto (berith, “compromisso”): “O Eterno respondeu: – Traga para mim uma vaca, uma cabra e uma ovelha, todas de três anos, e também uma rolinha e um pombo”. Ele se prontifica. Faz como lhe foi ordenado: “Abrão levou esses animais para o Deus Eterno, cortou-os pelo meio e colocou as metades uma em frente à outra, em duas fileiras; porém as aves ele não cortou. Então os urubus começaram a descer sobre os animais mortos, mas Abrão os enxotava” (vv. 10-11). Esta é a razão da aflição.

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ORAÇÕES DA BÍBLIA – “A maior de todas as orações” – João 17 – 3ª. parte (vv. 20-26)

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

INTRODUÇÃO

É bom quando oram por nós! É bom saber que na nossa dificuldade alguém intercedeu por nós. Um dia Jesus orou por nós: João 17.20. Somos produto do trabalho lançado pelos apóstolos. Cremos na sua palavra e na história que deixaram para a posteridade, a mais bela de todas as histórias, a de Jesus. Mas ele orou por nós. Por mim e por você.  Que pediu?

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MULHER FILÉ, MULHER MELANCIA, MULHER PEQUI…

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Pastoral do boletim da IB Central de Macapá, 27.2.11

 

 

Ouvia o noticiário, enquanto me arrumava para sair. Ouvi que a “Mulher filé” fora assaltada e agredida. Ignorava esta. Sabia da Mulher melancia, e de outra cuja fruta não guardei. Deve haver mulher pequi (desculpem-me, goianos, mas o cheiro deve ser de doer).

 

Que pobreza! Mas é um quadro de nossa época. O valor da mulher é medido pelo volume de certas partes de seu corpo. E algumas se tornaram ridículas. A tentativa de algumas de terem os lábios de Angelina Jolie produziu mulheres deformadas.

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NÃO SOMOS ÓRFÃOS

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

 

“Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós” (João 14.18).

 

Platão disse, sobre Sócrates, que ao morrer deixou ele os discípulos órfãos. Jesus vai para a morte, mas faz questão de dizer que não deixará os seus nesta condição. Não se trata da parousia, sua segunda vinda. Ele voltaria para aqueles discípulos, e não em um futuro remoto. Trata-se, como alguém definiu, de uma enfania, sua manifestação nos discípulos, vindo para morar neles. Seria sua volta pelo Espírito Santo. No dia de Pentecostes, Jesus voltou para sua igreja, na pessoa do Espírito Santo. É confortador para a igreja saber que Jesus não é um vulto distante na história, tanto na passada como na por vir. É um vulto presente. O Senhor da igreja está com a igreja: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20).

 

Alguns “teólogos” que perderam a fé ou que se perderam em seu raciocínio, gostam muito do jogo de palavras, de brincar com elas. Parece que trocaram a teologia pela poesia, que é agradável (quando é boa), mas é distinta. No jogo de palavras, um deles disse que quando a igreja se reúne é para celebrar a ausência de Deus. O culto é apenas para evocar saudades. O Pai está distante, e o Filho se foi. Morreu e acabou. Cristãos que têm uma experiência profunda com Deus sabem que o culto celebra uma presença, a de Jesus. Ele está com a igreja todos os dias, até o fim do mundo. Sabem que o Espírito não é uma evocação saudosa ou o sentimento comunitário da igreja, mas uma pessoa viva e real.

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ATÉ O BÊBADO SABIA

 

Pr. João Falcão Sobrinho

 

 

O grupo de evangelismo de certa igreja estava na praça da cidade com toda a sua aparelhagem de som realizando um evento ao ar livre. Linda iniciativa! Um grupo de jovens, porém, começou o culto com uma série de “louvores” sem qualquer significado para os transeuntes não crentes. Um casal saiu para distribuir folhetos e encontrou, sentado num banco, as pernas cruzadas, um senhor de meia idade, visivelmente bêbado, mas não tão bêbado que não pudesse ter um agudo senso de observação. Erguendo o braço que segurava o folheto recebido do casal na direção do grupo de cantores, o bêbado falou. Sem o saber, disse algo que os nossos evangelistas, músicos e cantores deveriam conhecer com toda sobriedade. Disse o bêbado:

– Aquelas moças ficam ali cantando músicas sem pé nem cabeça, que a gente não entende. Por que não cantam “Foi na cruz?”. Aquela sim, era música que tocava o coração da gente. Continue lendo ATÉ O BÊBADO SABIA

RUBI OU ESMERALDA

A Igreja Batista Central de Macapá completa jubileu de rubi (ou esmeralda). Surgiu como congregação em 1969, com cultos realizados pela irmã Ibéria Galvão em sua casa, na Mendonça Furtado, esquina com a Manoel Eudóxio Pereira, onde ainda está. Seu nome era Congregação Batista Luz do Evangelho.

Mais tarde, foi adotada pelos batistas bíblicos, com o nome de Congregação Batista Bíblica de Macapá, da PIB Bíblica de Vitória da Conquista, BA. Em 21.2.1971 foi organizada como PIB Bíblica de Macapá, pelo Pr. Gerson Rocha, com 15 membros, e filiada a Convenção Batista Bíblica da Bahia. A Central foi organizada por uma igreja da Bahia!

O Pr. Eurico Rabelo orientou a igreja a se transferir para a então Convenção Batista do Pará e Amapá, para ter assistência pastoral. Assim a Central foi adotada como congregação da IB Memorial de Macapá, em 1984. Poderia ter sido aceita diretamente na Convenção, mas seguiu este caminho. Mas é igreja desde 1971, embora o nome original fosse PIB Bíblica de Macapá. São 40 anos de existência.

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ORAÇÕES DA BÍBLIA – “A maior de todas as orações” – João 17 -2ª. parte (vv. 9-19)

CULTO DE ESTUDO BÍBLICO E ORAÇÃO – 16.2.11

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

Continuamos a estudar a mais profunda oração de Jesus. Na primeira parte vimos alguns temas da oração: o amor de Deus, sua glória, a união entre as pessoas da trindade, e o que é vida eterna (vv. 1-8). Hoje vemos a visão que Jesus tinha dos seus discípulos, que eram a igreja iniciante. Depois, no último estudo, como ele pensava em sua igreja no futuro, ou seja, em nós. Nosso texto hoje é do versículo 9 ao 19. A análise de algumas expressões nos esclarecerá seu pensamento.

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Motivações Ocultas dos Liderados

Dr Marcelo Quirino

Psicólogo Clínico

www.marceloquirino.com

 

Muitos líderes se perdem entre os conflitos que emergem no seio de suas equipes. Encontram-se perdidos, impacientes e confusos ante a determinados conflitos de liderados que não se explicam, nem se resolvem.

 

O líder pensa: já estabeleci funções, limitei papéis, admoestei, orei, fiz de tudo para com quase todos e essa problemática não se resolve. Sempre há conflitos que se repetem entre a mesma pessoa ou grupo.

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E AGORA, MALCO? O QUE FAZER?

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

“Então Simão Pedro, que tinha uma espada, desembainhou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco” (João 18.10).

Homem curioso. Famoso não por si, mas pela orelha. Não fosse ela, ninguém saberia que ele existiu.  Nada sabemos dele, além de que era servo do sumo sacerdote, e seu nome. Malco é a forma helênica do hebraico Meleque, “rei”. A tradução de Chouraqui diz que sua orelha foi “decepada”. Parece ter havido uma pequena luta entre o grupo que veio prender Jesus, do qual ele fazia parte, e alguns discípulos. E eis sua história: na luta ele perde a orelha, Jesus a recompõe (conforme Lucas), e pronto. Só isso. Nada mais se fala dele.

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JUSTIFICADO PELA FÉ

“Abrão creu no Deus Eterno, e por isso o Eterno o aceitou” (Gênesis 15.6)

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

A justificação pela fé não é uma invenção da Reforma. Lutero não criou a doutrina. Ele a redescobriu, no meio dos desvios doutrinários e das superstições do catolicismo de sua época. A doutrina também não surgiu com o Novo Testamento. Está no Antigo Testamento. Abraão é o primeiro de quem a Escritura diz que foi justificado pela fé. A versão de Almeida traduziu assim: “E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça”. O Senhor o justificou porque ele creu.

Já vimos que Abraão não foi judeu, mas crente, como lemos em Gálatas 3.9: “De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão” (Versão Revisada). Por isso ele é chamado de “o pai da fé”. Sua vida inteira foi uma vida de fé: “Foi pela fé que Abraão, ao ser chamado por Deus, obedeceu e saiu para uma terra que Deus lhe prometeu dar. Ele deixou o seu próprio país, sem saber para onde ia. Pela fé ele morou como estrangeiro na terra que Deus lhe havia prometido. Viveu em barracas com Isaque e Jacó, que também receberam a mesma promessa de Deus. Porque Abraão esperava a cidade que Deus planejou e construiu, a cidade que tem alicerces que não podem ser destruídos” (Hb 11.8-10). Não confiou em suas riquezas, mas unicamente em Deus.

O homem é aceito por Deus por causa da graça de Deus. Mas é aceito quando crê. É o famoso “pela graça (…) por meio da fé”, de Efésios 2.8. A graça é Deus oferecendo. A fé é o homem recebendo. Graça é a mão de Deus que se estende para dar. Fé é a mão do homem que se estende para receber. Graça são os braços abertos de Deus. Fé é o homem lançando-se neles. Graça é Deus dizendo “Venha”. Fé é o homem dizendo “Eu vou!”. Graça é o chamado. Fé é a resposta.

Isto parece trivial?  Pode ser, mas deve ser sempre relembrado porque tem sido esquecido por um bom número de cristãos. E duas lembranças devem ser feitas, a propósitos.

A primeira é que é graça e não mérito. Repudiamos a noção de salvação pelas obras, do catolicismo, bem como a noção de salvação pelo sofrimento e prática da caridade dos espíritas. Mas aceitamos a insidiosa ressurreição das indulgências medievais, que o baixo-evangelho tem efetuado. Toleramos a idéia de que Deus abençoa quem contribui para determinada igreja e que é preciso contribuir para ser abençoado. Nesta ótica Deus é visto como um proprietário de bênçãos que estabeleceu alguns intermediários para receberem o dinheiro por ele. E alguns desses “intermediários” cobram polpudas comissões.  Devemos contribuir por amor à obra, mas não para compramos o favor de Deus. Deus não se deixa subornar. Não é dinheiro que ele quer. É fé.

A segunda é que não é fé na fé. “Eu tenho muita fé!”, bradará alguém. E daí? Isso não basta. É fé numa pessoa, Jesus Cristo. Alguém poderá perguntar: “Mas Abraão creu em Jesus? Isso é forçar a barra!”. Responderei que sim, que Abraão creu em Jesus e que isto não é forçar a barra. Citarei o próprio Jesus: “Abraão, o pai de vocês, ficou alegre ao ver o tempo da minha vinda. Ele viu esse tempo e ficou feliz” (Jo 8.56). E o autor de Hebreus corrobora isto: “Todos esses morreram cheios de fé. Não receberam as coisas que Deus tinha prometido, mas as viram de longe e ficaram contentes por causa delas. E declararam que eram estrangeiros e refugiados, de passagem por este mundo” (Hb 11.13). A grande esperança de Abraão não era aquela terra. Era algo mais, algo maior. Melhor dizendo, alguém maior. O justificado é aquele que se rende a alguém maior que ele, Jesus.

Abraão creu. Não experimentou uma vaga sensação de bem-estar ou um etéreo sentimento de confianças. Creu contra toda esperança e creu em algo maior que ele e que bens materiais. Sua fé nao consistia de palavras de ordem, mas era uma obediência irrestrita, não por medo e sim por amor. Tanto que, nesta obediência não hesitou quando seu filho Isaque foi pedido por Deus. Por isso ele foi grande. Kierkegaard disse bem a respeito de Abraão: “Pois aquele que se amou a si mesmo foi grande por sua pessoa; quem amou a outra pessoa foi grande porque se deu; porém que amou a Deus foi maior que todos” (Temor e tremor, p. 36). Na raiz da justificação está a graça de Deus, mas seu caule é o amor ao Deus da graça manifestada em Jesus.

O justificado pela fé permanece seguro. Não se queixa nem teme. Mais uma vez Kierkegaard: “Abraão não nos deixou lamentos” (p. 37). Porque quem crê é submisso, e sabe que não precisa se queixar. Tudo está nas mãos de Deus. Ele controla. Ele decide. E o que ele decidir, isso deve ser acatado. Trará grande paz ao coração.

A justificação é pela fé. O justificado anda pela fé. Fé evidente em obediência, não em gestos dramáticos ou expressões piegas, mas muitas vezes epidérmicas, superficiais mesmo. Quem crê obedece. Quem crê é submisso. Quem crê se rende. E descansa porque foi justificado e aceito por Deus. Sua vida passa a ser de Deus, que cuidará dele.

 

MISSÕES MUNDIAIS CHEGOU!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 13.2.11

 

As convulsões do planeta (terremotos, vulcões, tsunamis, secas e enchentes) suscitaram perguntas sobre o fim do mundo. A pergunta é: “O fim do mundo está perto?”. Citam Lucas 21.25-26: “E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. Os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados”.

 

Prefiro “fim da história” a “fim do mundo”. Creio na restauração final de todas as coisas, com a continuação do cosmos, à luz de Romanos 8.18-21 e Apocalipse 21.1.

 

O sinal mais forte da volta de Cristo não são catástrofes, mas a evangelização mundial: “E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mt 24.14). Cristo voltará após grande evangelização mundial, com a conversão de pecadores. Isto está acontecendo. Diariamente são batizados 32.000 cristãos na África. E 20.000 na China. O evangelho está voltando às origens: deixando de ser de brancos e ricos. Está se tornando pobre, terceiro-mundista, e não ocidental. Como no início.

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ORAÇÕES DA BÍBLIA – “A maior de todas as orações” – João 17 -1ª. parte (vv. 1-8)

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ

CULTO DE ESTUDO BÍBLICO E ORAÇÃO – 9.2.11

ORAÇÕES DA BÍBLIA – “A maior de todas as orações” – João 17 -1ª. parte (vv. 1-8)

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

Jesus tinha vida intensa de oração. Orava muito. Esta não foi a maior de suas orações, mas, das registradas, é a mais profunda. É chamada de “A oração sacerdotal de Jesus”. É um momento dramático. Ele sabe que chegou a hora (v. 1). É sua primeira declaração.  Estava consciente do que aconteceria. É a partir daqui que entendemos a oração. Chegou a hora da cruz. O que aprendemos desta oração de Jesus?

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A BRIGA DOS ADESIVOS

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Eu pastoreava em Manaus, quando presenciei este episódio um tanto quanto insólito. Tão insólito que preciso reafirmar que aconteceu mesmo. Morava, na ocasião, próximo à Praia da Ponta Negra, no Condomínio dos Advogados. Ia para casa. À minha frente, entre muitos, seguiam dois veículos que me chamaram a atenção. Ambos traziam adesivos evangélicos colados nos vidros traseiros. Um deles dizia: “Nenhuma maldição chegará a tua casa” e o outro, “Manaus é do Senhor Jesus”. Em determinado momento, por uma dessas circunstâncias de trânsito que não se consegue explicar, os dois quase colidiram lateralmente. O “Nenhuma maldição”, irritado, deu uma buzinada forte à qual o “Manaus é do Senhor Jesus” retrucou com outra, não menos forte nem menos longa.

 

Chegamos a um semáforo onde fomos obrigados a parar, os dois lados a lado, e eu atrás de um deles. Neste instante, o “Maldição” gritou alguma coisa (que não deve ter sido propriamente um elogio) que obteve pronta resposta do “Manaus”. Que também não deve ter sido um elogio. Acho que as mães dos dois, que nada tinham a ver com a história, a não ser tê-los gerado, receberam algumas palavras um tanto depreciativas. Pouco depois vinha um quartel, próximo a uma praça, onde “Maldição” e “Manaus” seguiram rumos diferentes, mas não sem antes trocarem gestos obscenos e seguirem sua viagem, ambos irritados.

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FOME E SEDE DE JUSTIÇA

Mateus 5.6

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado originalmente na revista “Você”.

De todas as necessidades básicas do homem, beber e comer são as mais fortes. Basta dizer que, sem o atendimento a elas, morremos. Fome e sede são expressões de que estas necessidades, comer e beber, precisam ser atendidas. Jesus diz que é bem-aventurado quem tem fome e sede, mas não de água e de comida, mas de justiça. Estranho, não é? No entanto, esta bem-aventurança é de uma profundidade sem par para o nosso tempo. Mas o que significa, exatamente? Temos fome e sede de comida e de água. Mas de justiça, o que significa? Como é possível isto?

 

FOME E SEDE

É de justiça que se fala. Mas comecemos por “fome e sede”. Este é o grau de intensidade pela justiça. Ela deve ser desejada em nível de fome e sede.

A fome era um fantasma a assombrar a humanidade naqueles tempos. Ainda hoje ela é o grande inimigo do homem, mas nos tempos bíblicos foi devastadora e matou milhares de pessoas. A Bíblia relata vários casos, sendo as mais famosas as do tempo de Abraão (Gn 12.10), a que veio sobre o mundo no tempo de José (Gn 41.52) e a do tempo de Rute (Rt 1.1).  No Novo Testamento, temos o registro de uma fome mundial profetizada por Ágabo (At 11.28). A fome era conhecida do homem do Oriente antigo. Some-se a pobreza a isto. As pessoas mal tinham o que comer. Pragas de insetos, secas, guerras, a pobreza do solo na região, tudo isto contribuía para uma vida de escassez de alimentos.

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ORAÇÕES DA BÍBLIA – “A oração do Espírito Santo” – Romanos 8.26-27

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ

CULTO DE ORAÇÃO E ESTUDO BÍBLICO – 2.2.11

ORAÇÕES DA BÍBLIA – “A oração do Espírito Santo” – Romanos 8.26-27

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

Quando pensamos nas orações da Bíblia, vêm-nos à mente as orações de pessoas piedosas ou aflitas. Mas eis uma surpresa: Deus ora! O Espírito Santo é Deus e ele é intercessor. Ele ora por nós. Assim veremos uma oração divina, uma oração do E. Santo. O texto diz que ele ora por nós. Ele não é uma coisa, dando choques nas pessoas ou fazendo-as gritar no culto. É uma pessoa que sente por nós. Vejamos isto.

 

1. A ORAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO POR NÓS É FEITA EM NOSSO MOMENTO DE FRAQUEZA, QUANDO NÃO SABEMOS NEM ORAR

Na hora da fraqueza não sabemos orar convenientemente. Por vezes nem temos vontade de orar. Jesus orou por Pedro (Lc 22.32), pelos discípulos (Jo 17.9), pela igreja do futuro (Jo 17. 20). A Divindade é acessível e sensível. Ama-nos e suas pessoas intercedem por nós. O Espírito está no nosso íntimo, conhece nossos sentimentos e os apresenta a Deus melhor que nós. Ele expressa o que não sabemos expressar.  Quando você não consegue orar, o Espírito é seu intercessor.

 

2. A ORAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO POR NÓS É FEITA COM GEMIDOS QUE NÃO PODEM SER EXPRESSOS POR PALAVRAS

Com dor. Muitas orações humanas são conversa fiada e outras, mero discurso. A do Espírito por nós é passional. Ele não precisa de palavras para se expressar. Às vezes nos colocamos diante de Deus com tanta dor que nem conseguimos falar. O Espírito conhece nossa dor e a externa ao Pai. Ele sofre por nós. Ele geme, expressando nossa dor ao Pai. Oração é mais que palavras. É alma derramada. Ele derrama a nossa. Ele desvela à Trindade o que está no nosso âmago.

 

3. A ORAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO POR NÓS É FEITA DE ACORDO COM A VONTADE DE DEUS

Muitas orações são egoístas. A unha encravada da pessoa dói mais que a fome dos sem teto e sem pão. Ele compatibiliza nossa vontade e a do Pai. Por vezes vamos orar por algo e na oração vemos que não é assim. Ele nos corrigiu. Sintonizou-nos com o Pai. Não sabemos o que pedir porque não sabemos o que é melhor para nós. Ele sabe. Orar no Espírito não é gritar. É harmonizar-se com a vontade do Pai. Jesus ensinou isto: “Seja feita a tua vontade”. O Espírito nos alinha com Deus. Faz com que nosso coração bata junto com o do Pai.

 

CONCLUSÃO

Orar não é dar ordens a Deus ou entregar-lhe uma lista de compras. Devemos buscar sintonia com sua vontade. Devemos mostrar nossa submissão ao Espírito porque ele nos harmoniza com Deus Pai, que esquadrinha nosso coração: Romanos 8.28. Deus Espírito Santo esquadrinha tudo: 1Coríntios 2.10. Orar é auto-examinar-se. É colocar-se diante de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo com lisura de alma. A Trindade nos conhece, nos sonda. Isto é motivo de segurança. Se andarmos corretamente diante de Deus, podemos ter segurança no que pedirmos, pois ele nos conhece.

 

UMA ORAÇÃO SEM SENTIDO

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Disse-lhe Felipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Respondeu-lhe Jesus: Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheces, Felipe? Quem me viu a mim, viu o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14.8-9).

 

Um corinho muito cantado em algumas igrejas diz: “Quero te ver, quero te tocar… revela-te a mim… conhecer-te eu quero mais”. Sua música é envolvente e sua letra expressa um desejo de mais profundidade espiritual. Seu conteúdo se assemelha muito com o pedido de Felipe. “Mostra-nos o Pai”, disse ele. O pedido deste discípulo manifestava um desejo sincero, como o de muitos crentes, o desejo de ter um relacionamento mais profundo com Deus. Isto é saudável. Mas o pedido não faz sentido. Ninguém pode ver o Pai, como ele disse a Moisés: “E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum pode ver a minha face e viver” (Êx 33.20). No Novo Testamento lemos: “Ninguém jamais viu a Deus” (1Jo 4.20-a). O pedido pode ser sincero, mas não faz sentido.

 

Quem queira ver a Deus deve olhar para Jesus. É nele que vemos Deus. Recebi um e-mail falando sobre as manifestações da presença de Deus. Uma mensagem bem elaborada, dizendo que Deus está na natureza, no sorriso de uma criança, num gesto de amor. Isso é panteísmo. Deus não está nas coisas. Não está na natureza, nem no sorriso de uma criança, nem num pôr-do-sol, embora estas coisas sejam bonitas. Evitemos teologizar com base no sentimentalismo. Deus está em Cristo: “Deus estava em Cristo…” (2Co 5.19). É em Cristo que vemos Deus. Dele, com muita propriedade, Paulo disse: “o qual é imagem do Deus invisível” (Cl 1.15). “Imagem” é o grego eikon, que tinha também o sentido de “espelho”. É uma figura muito preciosa. Quando Deus olha no espelho há um rosto nele, o de Jesus. Quando Jesus olha no espelho, há um rosto nele, o de Deus. Jesus é Deus.

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VAI ENTRAR PARA O CULTO?

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 13.2.11

 

Domingo passado preguei em Jeremias 7.1-6: “Vai entrar para o culto?”. O profeta recebeu ordem de pregar ao povo antes deste entrar no templo. Apresentei três divisões no sermão: 1. Vai entrar para o culto? Converta-se (v. 3); 2. Vai entrar para o culto? Livre-se da falsa religiosidade (v. 4); 3. Vai entrar para o culto? Conserte os relacionamentos sociais (vv. 5-6).

 

No último tópico falei de crentes que brigam, racham igrejas, não se submetem aos demais. Saem pisando duro, fraturam o corpo de Cristo, deixam amarguras. Depois vão adorar em outro lugar, como se nada tivessem feito. Lembram o cavalo de Átila: morre a grama onde pisam. Um colega falou-me de uma família de sua igreja que se faz ativa em todas as fraturas da igreja. Em todas as crises, nos últimos vinte anos, a família se fez presente. Mas ela se intitula de “família de adoradores”, por haver nela muitos músicos.

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BUZINAR OU OBEDECER?

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

“Se me amardes, guardareis os meus mandamentos (…) Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama…” (João 14.15, 21).

 

Em Igreja, corpo vivo de Cristo, Stedman, ao narrar um momento na Peninsula Bible Church, diz: “Um jovem soldado, de farda, entra com o seu jipe no espaço ao lado do Volkswagen. No pára-choque está escrito: ‘Se você ama a Jesus – buzine!’. Ouvem-se várias buzinas. Ele salta do carro e acena enquanto anda em direção à igreja” (p. 5). Parece que Stedman acha isso muito bonito. Entendo que deve haver algum significado nisso. Alguém que ama ao Senhor Jesus se identifica ao motorista, que também ama a Jesus. E mostra o amor buzinando. Deve ser isso.

 

O livro está defasado nas ilustrações (a primeira edição em português é de 1974). O que era alternativo hoje é padrão. Naquela época era inusitado mostrar sua fé através de buzina. Ou de outra maneira exótica. O inusitado de 1974 é rotina em 2011. As pessoas querem mostrar sua fé por atos que não envolvem, necessariamente, compromisso ou entrega da vida. Antigamente se cria que a evangelização era a maneira de levar as pessoas a serem de Jesus. Hoje se coloca uma placa na entrada da cidade: “Coxipó de Poconé de Conceição do Mato Dentro é do Senhor Jesus”. Pronto, Coxipó é de Jesus. Ou pior, ainda: aluga-se um helicóptero e joga-se óleo lá de cima, para “ungir Coxipó de Poconé de Conceição do Mato Dentro”. Agora, a cidade ficou “ungida”. Mas nada mudou. A violência continua, a prostituição não recua, o uso de drogas avança, mas declarou-se Coxipó como sendo de Jesus. Ou “ungida” para ser de Jesus. Recordo-me de uma cidade do interior de São Paulo que ostenta uma placa, em sua entrada, dizendo que ela pertence ao Senhor Jesus. E recordo-me de ter lido um relatório da Secretária de Segurança do Estado de S. Paulo em que tal cidade era a mais violenta do estado. E me recordo de 1João 5.19: “… o mundo inteiro jaz no Maligno”.

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