Arquivo da categoria: Pastorais

REMINISCÊNCIAS PAULISTANAS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 24 de junho de 2012

              Fui a S. Paulo falar no 1º. Congresso de Eclesiologia da Convenção do Estado. Foi no Colégio Batista, em Perdizes, bairro em que morei quando saí de Bauru. Ali nasceu minha filha Nelia, que depois afrancesou o nome como o da avó materna, Nelya, e adotou seu sobrenome Werdan, que eu não tenho. Revi ex-alunos e ex-ovelhas, agora pastores e com pastorado brilhante, como o Pr. Jorge Henrique de Azevedo Miranda, a quem muito admiro. Cabra bão, torcedor do Santos! Continue lendo REMINISCÊNCIAS PAULISTANAS

E OS PAIS? ONDE ESTÃO?

              Dois domingos atrás, vindo para a igreja, peguei a Rodovia Duca Serra. Na praça do Cabralzinho vinha uma pré-adolescente, em sentido oposto, para atravessar a rodovia. Seguia para o ponto de ônibus. Talvez fosse para o Marabaixo ou Goiabal. Trazia a Bíblia e a revista de EBD, num andar sereno.  Eram 8 horas da manhã, e ela, toda arrumada, ia à igreja, sob o sol amapaense.

Primeira observação que fiz à Meacir: “E os pais, onde estão?”. Ela respondeu: “Provavelmente dormindo!”. Mas a jovenzinha estava acordada e disposta.

Inquieta-me que nossas igrejas percam muitos de seus jovens para o mundo. E, em muitos dos casos, os pais têm parcela de responsabilidade. Eles não conseguem acordar aos domingos, embora o façam durante toda a semana, para irem ao trabalho. É que Deus e sua casa não lhes são relevantes! Quando pais mostram o amor a Deus em suas vidas e o interesse pela casa de Deus com suas atitudes, os filhos veem a seriedade de sua fé. Crianças são mais suscetíveis às atitudes que às palavras. Elas intuem se há autenticidade no que se fala. Continue lendo E OS PAIS? ONDE ESTÃO?

“O CAMINHO É A SENHORA QUE FAZ”

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 10.6.12

                Domingo passado, findo o culto, o alarido habitual no gabinete pastoral. Entra gente, sai gente, crianças pegando o “bombons” (como chamam as balas doces, aqui no Amapá) e adultos batendo papo. Meacir estava preocupada com uma nova convertida, com filho de colo um pouco pesado, que mora a onze quadras da igreja e faria o percurso a pé, no calor macapaense. Perguntou a um casal motorizado se o caminho deles era o da nova crente. Pensou obter-lhe uma carona, já que iríamos a outro lugar. Algumas vezes a levamos, mas tínhamos outro itinerário. Continue lendo “O CAMINHO É A SENHORA QUE FAZ”

O DESTRUIDOR DO POVO DE DEUS

O DESTRUIDOR DO POVO DE DEUS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 3 de junho de 2012
“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Oséias 4.6)

Oséias é o maior poeta do amor de Deus. Foi o único profeta escritor de Israel, o Norte. Por vinte anos (aproximadamente 750 a 730 a.C.), ele advertiu o povo de Deus do risco da destruição. Oito anos após sua morte, o Norte foi levado cativo e desapareceu. Ficou apenas Judá, o Sul. O Israel de Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias, Malaquias e do Novo Testamento é o Judá retornado. O Israel de Oséias acabou. Foi destruído por falta de conhecimento. Continue lendo O DESTRUIDOR DO POVO DE DEUS

A LIÇÃO DOS PATOS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 20.5.12

 

(Publicado originalmente no boletim da PIB de Manaus, AM, em 29.10.1995)

Você já deve ter visto cenas em televisão, se é que não viu ao vivo, de bandos de patos selvagens voando, em uma bonita formação em V. Eles não voam como um bando informe ou disforme. Escolhem esta posição de vôo por motivos bem funcionais. Veja só o porquê, e avalie as lições para nós.

 

Quanto um pato bate as asas, cria um vácuo para o pássaro seguinte. Voando em formação V, o bando tem seu desempenho melhorado em 71% do que em vôo solitário. Lição: as pessoas que compartilham uma direção comum e em senso de grupo alcançam seus objetivos mais rápida e facilmente. É melhor ser um cristão em grupo que ser solitário.

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UMA IGREJA RESPONSÁVEL

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 20.5.12

            A vida que prezamos, de Elton Trueblood, é um livro que comprei quando seminarista, e que li umas cinco vezes. Vez por outra o folheio e revejo as anotações. Um de seus capítulos é “A aceitação da responsabilidade”. Trueblood cita Robert Luis Stevenson, que diz: “Algum dia o mundo voltará à palavra ‘dever’ e abandonará a palavra ‘prêmio’. Não há prêmios, e há muitos deveres. E quanto mais cedo um homem reconhecer isso e agir de acordo, tanto melhor para ele” (p. 79). Continue lendo UMA IGREJA RESPONSÁVEL

A TRADUÇÃO DE MINHA MÃE

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 13 de maio de 2012

              Alguns pastores conversavam sobre traduções bíblicas, comentando os prós e contras e dizendo qual era sua tradução preferida. Um deles disse que sua versão preferida era a da sua mãe. Um colega, surpreso, lhe disse: “Eu não sabia que sua mãe conhecia tão bem hebraico, aramaico e grego para fazer uma tradução!”. O primeiro retorquiu: “Ela não sabia. Na realidade, sabia pouco do português. Ela traduziu a Bíblia em sua vida!”. Continue lendo A TRADUÇÃO DE MINHA MÃE

REFLEXÕES À BEIRA DO RIO MADEIRA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 6.5.12

                Voltei a Porto Velho, após três anos. Eu fora em 2009, falar no retiro dos pastores de Rondônia. Fez frio. Ventos vindos dos Andes caíram a temperatura a 17 graus. Preguei com um casaco emprestado pelo Pr. Shirleyton, da PIB de P. Velho. Brinquei com os pastores: valeu-me muito, pois com o casaco veio a espiritualidade do Shirleyton. Ele é tão santo que a gente pega santidade dele por osmose. Continue lendo REFLEXÕES À BEIRA DO RIO MADEIRA

TADINHA DA CAROL!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 29.4.12

                “Mas Carol, tu é burra!”, ouvi no aeroporto de Fortaleza, na espera do voo para Natal. O cidadão falou quase uma hora ao celular (que boa bateria!), brigando com seus funcionários. Tadinha da Carol! O consolo é que o grosso também agredia o português. “Tu é” é ignorância. O certo é “tu és”. Rude com a Carol e com o idioma. Mas dava-se ares de importância. Continue lendo TADINHA DA CAROL!

QUERIDO OU FIEL?

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 22.4.12

                “Querido ou fiel?” é o título de um capítulo do livro Arrisque, de Kenny Luck. Nele, o autor aborda um dilema sério da vida cristã contemporânea. “Ser querido” é ser o centro da vida e receber. “Ser fiel” é tornar Cristo o centro da vida, e dar-se, gastar-se no reino. Os cristãos estão mais preocupados em serem queridos que em serem fiéis. Não pensam em compromisso com Jesus, mas no seu bem estar pessoal. Seu ideal é a bênção e não a fidelidade. Continue lendo QUERIDO OU FIEL?

MAIS UMA IDA A MANAUS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 15.4.12

 

Saí de Manaus em 1998, após cinco anos pastoreando a PIB da cidade. Não saí corrido, mas com o Corpo Diaconal pedindo para reconsiderar a decisão. Pensei que ainda pudesse sentir-me bem na educação teológica, mas errei. Bem, isso é outro caso. Manaus é rica e imponente, a princesa da floresta, e a sexta cidade do Brasil em PIB (Produto Interno Bruto). Superou Porto Alegre e tem apenas S. Paulo, Rio, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte à frente. O trabalho batista é forte e continua crescendo. Dizer que a qualidade de vida de uma cidade afeta o progresso do evangelho colide com os fatos. Manaus enriquece e o evangelho cresce. Continue lendo MAIS UMA IDA A MANAUS

UM JOVEM SENSATO QUE CORRIGIU OS ERROS DE UM IDOSO INSENSATO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 8 de abril de 2012

              Sou idoso. Mas reconheço que ter idade não traz razão ou bom senso. E que ser jovem não é ser tonto. Salomão e Josias provam isso.

Josias se converteu aos 16 anos. Aos 20 iniciou um avivamento: “No oitavo ano do seu reinado, quando era ainda bem moço, Josias começou a adorar o Deus do seu antepassado Davi. E quatro anos mais tarde começou a purificar a terra de Judá e a cidade de Jerusalém, destruindo os lugares pagãos de adoração, os postes-ídolos e as outras imagens de pedra e de metal” (2 Cr 34.3). Aos  26, mandou reconstruir o templo e destruir os altares idólatras de Salomão: “Josias profanou também os altares que o rei Salomão havia construído a leste de Jerusalém, ao sul do monte das Oliveiras, para a adoração de Astarote, a nojenta deusa dos sidônios, para a adoração de Quemos, o nojento deus dos moabitas, e para a adoração de Moloque, o nojento deus dos amonitas” (2Rs 22.13). Continue lendo UM JOVEM SENSATO QUE CORRIGIU OS ERROS DE UM IDOSO INSENSATO

SOBRE FACEBOOK E IGREJA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 1 de abril de 2012

 

                O Pr. Samuel Amaro dos Santos (IB em Laje do Muriaé) publicou em “O Jornal Batista”, um bom artigo com o título “Facebook é melhor que igreja?”. Gostei e reparto com meu rebanho. Quatro itens do artigo me atraíram, e comento-os brevemente.

 

                (1) “Crentes que ficam no Facebook fazendo piada, defendendo com unhas e dentes seu time, conversando fiado, falando de novela, e não falam de sua igreja, não a defendem, não promovem suas programações”. Meu comentário: As pessoas defendem com vigor suas paixões. Mas nem sempre a igreja está entre elas. Há quem veja a igreja como a Geni, da música do Chico Buarque: joga pedra nela. Dêem à igreja o tempo que dão ao Face.

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“O AMARELO É PARA PASSAR CORRENDO!”

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 25.3.12

 

Num programa de televisão, a repórter perguntou a um grupo de crianças se sabiam o  significado das cores do semáforo. Um menino disse que sabia, pois o pai lhe explicara. Respondeu ao repórter que o verde era para passar, o vermelho para parar e o amarelo, “para passar correndo”. Pensei comigo: “E para ser atropelado”. Um pai desses merece um puxão de orelhas. Ensinando coisas erradas ao filho.

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AH, SE EU TE PEGO!

AH, SE EU TE PEGO!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 18.3.12

              Não escuto rádio e sou muito seletivo com tevê, no pouco tempo em que a assisto. Aliás, já ficamos sem instalar a tevê por uns três meses, em casa. Não ouço música e assim ignoro muitos modismos. Por isso não conheço a música que dá título a esta pastoral. Ouvi seus primeiros acordes num lugar em que hospedei. A cozinheira tinha um celular cujo toque era o refrão da música. Nos momentos em que o celular não a chamava e ela não se punha a conversar abobrinhas (este paulistês é bom!), ela cozinhava.

 

O cantor desta música foi pego. Numa blitz da lei seca. Bebera mais que o permitido. Distraiu-se na vida. Queria pegar alguém. Foi pego pela Polícia. Mas antes fora pego pela garrafa. Achei irônico, e algumas coisas me vieram à mente: (1) Há distrações perigosas. Distrair-se ao volante, por exemplo. E também na vida espiritual; (2) As pessoas tendem a pensar “Isso acontece com os outros, mas não comigo!”. As blitze sucedem, mas as pessoas insistem em passar do limite; (3) Aqui já entra mais o espírito irônico do carioca (eu o sou, por direito de nascimento): nem sempre pensamos que o que desejamos para os outros sucede conosco. Os outros podem fazer o mesmo conosco. Então, fãs do Teló, não fiquem melindrados por eu brincar com o seu ídolo: queria pegar e foi pego.

 

Nada tenho contra o cantor. Na realidade, nunca vi o seu rosto porque não o vi cantar, e na reportagem, ele cobriu o rosto para não ser filmado. Mas pus-me a lucubrar (bonito, né?) .Já pensou se acontece conosco o que gostaríamos que acontecesse com os outros? Já pensou que assim como você “tesoura” a vida alheia alguém “tesoura” a sua?

 

Achei irônico o sucedido. Lembrei-me das palavras de Jesus: “Tudo quanto quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles” (Mt 7.12). Ele queria pegar alguém. Pegaram-no. Em nível diferente, mas pegaram.

 

O sentido de “pegar”, na música,  é um. O da Polícia foi outro. Por isso, lembro que no dia do juízo todos seremos pegos: “Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mt 13.47-50). No dia final, Deus fará uma grande blitz. Você será pego. Estará preparado?

NÃO ARRUÍNE A VIDA DE SEUS FILHOS!

“Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” (Provérbios 22.6)

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 4.3.12

            Houve um homem que se orgulhava de ser liberal e moderno e não dar a seus filhos nenhum valor moral. Isto era repressão. Religião, então, nem falar. Era atraso de vida, coisa de gente burra. Quando o filho se viciou em droga, ele, orientado por um desses “gurus” da mídia, passou a se drogar com ele, para que ele não se drogasse na rua e contraísse AIDS. O filho, que precisava de um pai sério e não de um pateta, suicidou-se. O pai “pirou”. Continue lendo NÃO ARRUÍNE A VIDA DE SEUS FILHOS!

SOBRE A MORTE DE WHITNEY HOUSTON

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 19.2.12

              Morreu Whitney Houston. Um jornalista que acompanhava sua carreira escreveu um artigo com o título: “Infelizmente, era de se esperar”.  Bem triste, mesmo. Aventa-se a hipótese de afogamento na banheira. Talvez tenha sido. Talvez uma explicação misericordiosa.

Furto-me de falar dela. Outros o farão. Interessa-me um ponto: ela teve problemas com bebidas e drogas. Um articulista raso disse que é o ônus de ser artista. Estes, por força da arte, lidam com drogas. Ele levou Carlos Castañeda a sério. Drogas não potencializam arte. A bebida a estava impedindo de cantar. Milhões de pessoas não artistas bebem e se drogam. Como não têm visibilidade não são notadas. Continue lendo SOBRE A MORTE DE WHITNEY HOUSTON

UMA NÃO APOLOGIA DO CHUCHU

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 5.2.12

           O chuchu (escreve-se com “ch”duplo mesmo, para ficar mais esquisito – mas se fosse com dois “x” também ficaria esquisito) é uma planta cucurbitácea (que nome, né?). Até aí, nada demais. Fiquei sabendo disso porque procurei no dicionário. Pensam que eu sei dessas coisas? Tenho algo mais importante para fazer do que saber como se chama o chuchu.

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VOCÊ DIRIGE UM CARRO ROUBADO?

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

No excelente livro “Fim de jogo”, John Ortberg conta a história de uma senhora que parou atrás de um carro que freara no amarelo, em um semáforo. A senhora buzinou, gesticulou ofensivamente e dirigiu palavrões ao motorista parado à sua frente. Um guarda de trânsito bateu no vidro ao seu lado, pediu-lhe para sair, pediu os documentos do veículo, levou-a à Delegacia, onde ela foi fichada, suas digitais tiradas e verificou-se se o carro era dela mesmo.

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NEM MONGE NEM EXECUTIVO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 5.2.12

É moda entre os evangélicos citar monges como modelo de espiritualidade. Apesar de permanecerem idólatras, são mostrados como exemplos para nós. Por exemplo, Philip Yancey, que exibe grande ressentimento contra tradicionais, é mestre em exaltar monges. Nesta esteira veio o livro O monge e o executivo, de James Hunter, tido como uma “bíblia” de liderança.

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NADEZ EM ALTO ESTILO

Isaltino Gomes Coelho Filho

              Não é nudez. É nadez mesmo. É um conceito da filósofa Gertrude Stein. Ela criou o neologismo referindo-se ao vazio interior das pessoas, que lhes dá uma vida incolor. Elas necessitam de motivações, mas não querem causas que exijam engajamento. Também não querem estudar, e receiam coisas profundas. São superficiais e vegetativas. Alimentam-se do vazio e do nada. Isto é a nadez.

 

Quer ver exemplos de nadez? Selecionei, em três sites, notícias publicadas no dia 7 de janeiro. FOLHA.COM: (1) Fernanda Paes Leme curtiu o mar neste sábado; (2) DiCaprio apresentou nova namorada à mãe; (3) Marco Rizza se aborrece e levanta dedo para paparazzo. IG: (1) Famosos levam seus bebês ao teatro no Rio; (2) Cláudia Jimenez e Miguel Falabella jantam juntos no Rio de Janeiro; (3) Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert curtem peça. UOL: (1) Paula Abdul termina relacionamento com Braston; (2) Top Ana Beatriz Barros vai à praia com namorado; (3) Filme fez Scarlett Johansson parar de comer carne. Tirando-se DiCaprio, que conheço pelo filme “Titanic”, se trombasse com os demais na rua não saberia quem são. Vez por outra encontro alguns desses famosos em vôos ou aeroportos. São-me tão conhecidos como eu para eles. Um cantor chamou-me de alienado porque eu não sabia quem ele era.

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SINALIZAÇAO DEFEITUOSA, QUE PERIGO!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 22.1.12

Do Cabralzinho, onde moro, para o centro, onde fica a igreja, a rota é a Av. Padre Júlio. Vinha eu por ela, domingo passado, com Meacir. Passamos a Lagoa dos Índios (agora seca, pois o Amazonas está baixo), pela Toca da Onça, e estávamos entrando no Chapéu de Palha. A próxima travessa era a Rua Paraná. Semáforo aberto para mim. Olhei o medidor de tempo (Que chique! Macapá tem semáforo com medição de tempo!). Dispunha de catorze segundos para percorrer cinqüenta metros. Tranqüilo. O semáforo decrescia: 13, 12,11, e, de repente, 0! De 11 para 0! Estava com defeito.

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O ÚLTIMO SÁBADO E O PRIMEIRO DOMINGO DE LUCAS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 15.1.12

 

Neste semestre estou a ler a Bíblia, novamente, na Linguagem de Hoje. Nestes dias concluí Lucas. Notei como ele mostra Jesus em conflito com a liderança judaica e com os grandes temas do judaísmo. Ele se atrita com os fariseus e exibe absoluto desinteresse pela guarda do sábado. Mais de uma vez Lucas o mostra transgredindo o sábado, bezerro de ouro do judaísmo e de seitas cristãs.  O templo, o sábado e as festas judaicas não o atraíam.

A última menção de Lucas ao sábado é em 23.56: “E no sábado elas descansaram, conforme a Lei manda”. No versículo seguinte, surge outro dia: “No domingo bem cedo…” (24.1). É quando o mundo vai mudar. Jesus ressuscitou. E segue: “Naquele mesmo dia…” (24.13). E outra aparição dominical de Jesus (“Enquanto estavam contando isso, Jesus apareceu…”- 24.36). O último sábado de Lucas é um dia de tristeza. O domingo é o dia de alegria. Desde então, o domingo é o dia do Senhor, guardado pela igreja. Ela se reunia neste dia para celebrar a ceia (At 20.7) e separava as ofertas (1Co 16.2). “O Didaqué”, obra cristã datada do primeiro século, espécie de catecismo da igreja primitiva, exorta os cristãos a se reunirem no domingo (Didaqué 14.1). Não é verdade que Constantino mudou o dia de culto e forçou as igrejas a aceitá-lo. Tal afirmação é ignorância histórica e má fé. Ao adotar o cristianismo, Constantino oficializou na esfera civil o que os cristãos haviam feito na esfera religiosa. O domingo é marca cristã. Continue lendo O ÚLTIMO SÁBADO E O PRIMEIRO DOMINGO DE LUCAS

ME INCLUA FORA DESSA, CARA PÁLIDA!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 8 de janeiro de 2012

 

Um colunista escreveu um artigo intitulado “A cracolândia somos nós” (Folha, 6.1.12), focando os viciados em crack, em S. Paulo. Não declarou que somos culpados pela existência deles, e sim que eles são responsabilidade de todos. Mas o título é pouco lúcido. Um chamariz, mas infeliz. Eu não sou a cracolândia.

Por ser pastor, chamar-me-ão de reacionário, direitista (até porque não recito chavões esquerdistas que eu adorava quando adolescente). Mas alguns comentários de leitores, mesmo atribuindo ao jornalista o que ele não disse, são úteis. Um deles, Calango Doido (pitoresco!), disse: “Cracolândia somos nós uma pinóia. Inclua-me fora desta. Nunca colaborei com o tráfico e meus filhos foram muito bem criados para que eu também leve esta alcunha. Se você se sente culpado em algo, então diga que a Cracolândia é você, eu não tenho nada a ver com aquela tranqueira”. Outro escreveu: “Eu pago 40% do PIB em impostos para ter saúde, educação, segurança e NÃO TENHO NADA DISSO. Agora segundo o pensamento do Sr. ******, sempre temos responsabilidade em todas as mazelas espalhadas por ai . Outro dia veio dizer que motoboy psicopata é CULPA de todos”. Um terceiro disse: “Esse papo de novo que todo cidadão é culpado pelas mazelas da sociedade já é demais. Drogados não foram obrigados a entrar nessa vida. Se existem culpados nessa história, é certamente o poder público que deixou a situação chegar nessa proporção, e os próprios viciados que alimentam o tráfico”. Não sou o único reacionário deste país. Ou o único a não ceder ao sociologismo bocó… Continue lendo ME INCLUA FORA DESSA, CARA PÁLIDA!

VOCÊ FEZ BOAS ESCOLHAS?

              Intitulei a pastoral do boletim de 31.12.10 de “Faça boas escolhas”. Os dois últimos parágrafos foram estes, em itálico:

Em 2011, faça boas escolhas.  Escolha ser um cristão melhor. Um membro de igreja mais engajado, mais entregue. Escolha ser uma pessoa melhor. Escolha ser um familiar melhor.

              Serão 365 dias para fazer escolhas. Em algumas acertaremos. Em algumas erraremos. Mas peçamos graça e sabedoria a Deus para fazermos boas escolhas. E que digamos no fim de 2011: “Acertei!”.

Esta é a pastoral de fim de 2011. Você levou a sério que escrevi? Tornou-se um cristão melhor? Fazendo um balanço: você, como pessoa, melhorou? Sua situação econômica pode ter melhorado. Também sua vida profissional. Mas como gente, melhorou? Como discípulo de Jesus, melhorou?

Todos queremos melhoras em nossa vida. Li de um sociólogo norte-americano que no passado os imigrantes chegavam a seu país querendo melhorar espiritualmente. Buscavam liberdade religiosa, para praticarem sua fé segundo os ditames de sua consciência. Hoje chegam querendo carros maiores e casas mais imponentes. Muita gente age assim. Quer ter vida material melhor. Isto não é de todo errado. Mas nem todos querem ser pessoas melhores.

Há quem queira mudança nos outros, na política, na sociedade, no mundo. Mas continuam as mesmas pessoas. Lembram-me uma frase atribuída a Mark Twain: “Muita gente fala em mudar o mundo, mas ninguém quer mudar-se a si mesmo”. E a perplexidade de uma mãe cuja filha entrou para o Green Peace porque “queria arrumar o mundo”, mas era incapaz de arrumar o seu quarto.

Nada muda se nós não mudamos. Podemos melhorar financeiramente. Mas se permanecermos a mesma pessoa é inevitável que tenhamos os mesmos problemas. Se em 2011 você não melhorou como pessoa e como cristão, pode ter ganhado muito dinheiro, mas estagnou como gente.

Bem, 2012 chegou. Humildemente, posso dizer que melhorei em 2011. Talvez seja melhor dizer “despiorei”. E pretendo melhorar (ou “despiorar”) em 2012. Convido-o a investir na sua vida. No seu caráter. No seu temperamento. Na sua vida espiritual. Na sua maneira de tratar seus familiares. Na sua maneira de tratar os irmãos da igreja. Que tal menos críticas e mais intercessão? Que tal menos alheamento e mais engajamento? Que tal menos tempo para televisão e mais para leitura e reflexão?

Melhoremos todos neste novo ano. Que o mundo melhore a partir de nós.

Um abençoado 2012, como oração sincera do seu pastor,

 

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

QUE PRESENTE VOCÊ RECEBERÁ?

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 24.12.11

                No livro Crescendo na fé com Billy Graham, Grady Wilson escreveu o capítulo “Uma lágrima corajosa”. Ele conta que foi com Billy Graham à Coréia, em 1951, e lá foram a um hospital cirúrgico para visitar enfermos. Um soldado fora ferido nas costas e estava deitado de bruços. Billy deitou-se de costas no chão, para poder falar-lhe, e perguntou ao rapaz se ele queria que Billy orasse por ele. O soldado aquiesceu, e Billy Graham orou por ele.  Finda a oração, o rapaz disse: “Obrigado e feliz natal, senhor Graham”, e chorou. Uma lágrima caiu na bochecha do evangelista. Do lado de fora, Graham disse a Grady Wilson: “Esta lágrima é o melhor presente de natal que eu ganhei”.

Neste natal haverá gente em hospitais, em velórios, no desemprego, na orfandade ou viuvez recente. Pais não darão presentes a seus filhos por falta de recursos (Papai Noel não se dá bem com pobres). Pessoas passarão o natal na fila do SUS. Nas grandes cidades alguns o passarão dormindo nas calçadas ou revirando lixo em busca de algo para comer. Chocante? Deprimente demais para constar de uma pastoral no dia do natal? Bem, somos cristãos, não somos? É justo pensarmos no nosso bem-estar e conforto, raiando ao desperdício, enquanto pessoas sofrem? Continue lendo QUE PRESENTE VOCÊ RECEBERÁ?

COMEMORE O NATAL CORRETAMENTE

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, dia 18.12.11

              Eu era seminarista e trabalhava na Baixada Fluminense, com a PIB de Edson Passos. Tomei o ônibus para ir para minha igreja, o famoso Mauá-Mesquita. O cobrador, vendo-me com a Bíblia, disse: “Garotão, neste natal vou encher a cara!”. Respondi: “O azar é seu!”.

Para muita gente o natal é pretexto para beber até cair. Ou comer até passar mal. Os quebradores de dietas (por que as fazem?) dizem: “É festa, vou quebrar a dieta”. Para muitos, natal é mera ocasião de rever parentes, trocar presentes, comer e beber. Um evento social. Continue lendo COMEMORE O NATAL CORRETAMENTE

A ALEGRIA DE FAZER MISSÕES

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 11.12.11

              Missões me comovem.

Sempre admirei os missionários que gastam suas vidas nos campos, pregando a Jesus. Chamo-os de “elite das tropas de Deus”. Com alegria leciono para os obreiros de missões estaduais, duas noites por mês, aqui em Macapá. Com alegria vou ao Vale do Jari para lecionar ao grupo que estuda Teologia comigo. É como Deus me usa para fazer missões. No serviço a eles, e  pregando pela Amazônia. Não posso ser um deles, sirvo-os.

Mas “O Jornal Batista”, de 4.12.11 , me “lavou a alma”, com o relato do trabalho dos batistas brasileiros na Itália! Tiro o chapéu para o Pr. Fabiano Nicodemo, nosso obreiro lá. Ele efetuou batismos numa praia de Cesena. Entre eles, o ex-padre Luca de Pero, que por isso foi excomungado pela Igreja Católica e abandonado pela família. Com o ex-padre foram batizados três líderes de sua ex-paróquia! Continue lendo A ALEGRIA DE FAZER MISSÕES

CULTOS NA CASA DO TRAFICANTE

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 4.12.11

              No boletim da PIB de Vila Formosa, de Sampa, vi a notícia, tirada da Internet, que  Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, fazia cultos em sua casa. Ele disse: “Não vou para o inferno. Leio a Bíblia sempre, e faço cultos em minha casa, chamo pastores”.

 

Não sei o que pregaram em sua casa. Tampouco que textos bíblicos lhe deram para ler. Sobre bênção? Prosperidade? Não sei, mas o evangelho é que não. O evangelho chama ao arrependimento e mudança de vida (Mt 3.2, 4.17 e At 2.38). Mas, para muita gente, se cantou algum corinho, falou alguma coisa sobre Deus, fez alguma oração, se pregou o evangelho. O que pregaram na casa do Nem para ele dizer que vai para o céu porque faz cultos e chama pastores? Desde quando pastor ou culto salvam alguém? O problema é que muita igreja não fala de salvação, nem de céu ou inferno, apenas de prosperidade, saúde e vida feliz. Pregam bênçãos e não Jesus Cristo, o Salvador. Elas são o mel, não o sal de terra. Adoçam a boca do mundo, para atrair clientes. Continue lendo CULTOS NA CASA DO TRAFICANTE