MORSE, BEATLES E JESUS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 10 de fevereiro de 2013

Quando Samuel Morse inventou o telégrafo, há mais de um século, comentou: “Como Deus deve ter ficado perturbado!”. Hoje, o telégrafo é vencido pelo fax, pelo e-mail e outros. Se Morse fosse vivo, como ficaria perturbado! Sua invenção, que ele julgava tão fantástica, é nula, e Deus segue imperturbável. E o cristianismo cresce, mais que em qualquer época.

Um beatle disse certa vez que eram mais famosos que Jesus e que o cristianismo desapareceria. Há uns dez anos, mencionei os Beatles a um adolescente. Ele me perguntou: “Quem?”.

Morse e os Beatles se foram. Deus e Jesus continuam.

Na obra Quem precisa de Deus?, o rabino Kushner ressalta a singularidade do cristianismo. As demais religiões, diz ele, vêm da mesma situação: havia uma comunidade que desenvolveu ideias para entender e sacralizar o mundo. Elas surgiram como esforço das sociedades em explicar o mundo. Mas diz ele: “O cristianismo é a mais notável exceção a esta regra: a ideia existia antes da comunidade, e as pessoas tornavam-se cristãs, aceitando-a, razão pela qual as afirmações sobre Deus ficam mais em evidência no cristianismo do que na maior parte das religiões”. Este é o testemunho de um judeu.

Para o rabino, no cristianismo havia uma Pessoa, antes dos fiéis. Eles não criaram a sua fé, mas a Pessoa os ajuntou em uma comunidade. Jesus disse isto: “Quando eu for levantado da terra, todos atrairei a mim” (Jo 12.32). Nossa fé se centra numa pessoa, Jesus de Nazaré, que dividiu o mundo em antes e depois de si. Os Beatles e Morse não fizeram isso. Só sessentões e saudosistas se lembram dos Beatles. Não sei se ainda usam o código Morse. Mas Morse e os Beatles morreram e o mundo continuou o mesmo. Quando Jesus morreu, nunca mais o mundo foi o mesmo. Ele é Único. Os outros não lhe chegam aos pés. É covardia comparar-lhe qualquer um.

Num tempo de tecnologia e de culto à ciência, a fé em Jesus e crença na Bíblia são zombadas. Ateus e céticos se julgam intelectuais e desdenham da fé, dizendo-a tolice, e veem as pessoas religiosas como indigentes mentais. Mas nossa fé não é fé em alguma coisa. É Nele. No Único. Não numa ideologia, mas numa Pessoa que nunca foi superada por alguém, e que permanece para sempre.

O cristianismo não é uma novidade. Tem resistido à hostilidade há dois milênios. Os primeiros cristãos foram perseguidos. Depois, a Igreja se corrompeu ao se ligar ao Estado. Isto desmoralizou o evangelho. Mas nem isto, nem o mau testemunho, nem o grotesco e ganância de alguns grupos, têm diminuído o impacto de Jesus no mundo. O mundo nunca se livrará dele.

Críticos e adversários ficam. Falsos cristãos somem. Jesus continua. Nome algum se ombreia a ele. Vale a pena crer nele.